Quarto dia de férias: dia de curtir a casa :)

p1060357

Hoje, a preguicinha bateu forte – tá pensando o que? Praia e sol cansam! 🙂 – sendo assim, resolvemos atender aos apelos emocionados das crianças e ficamos  em casa praticamente o dia inteiro, brincando na piscina, jogando totó, baralho… lendo e programando o passeio do dia seguinte. 

p1060364

(se tudo der certo, amanhã iremos à Ubud, uma cidade nas “montanhas”, onde fica a floresta dos macacos, plantações de arroz, a caverna de elefante).

Passamos uma manhã bem família só curtindo as instalações, o que é justo, mesmo porque seria um grande desperdício alugar uma Villa com tamanha infra e passar os dias todos fora, não é mesmo?

p1060359

Só saímos quando a fome apertou. Demos uma procurada básica no Foursquare (porque este nunca nos engana) e encontramos algumas opções bem avaliadas perto de casa. Acabamos indo parar num restaurante dito americano e, ao contrário do que esperava (ô preconceito, rs), era muito bom – na verdade, foi o lugar onde comemos melhor até hoje. Sucos frescos deliciosos e uma salada estilo asiático com nachos de algas, atum fresco e temperos locais que tava di-vi-na. Mordi minha língua legal (aquela que pré-julga restaurantes americanos), mas morderia novamente com o maior prazer, porque eu já estava ficando bem aborrecida por não ter uma refeição digna.

p1060373p1060375p1060380p1060379p1060392p1060397img_0531p1060386p1060387img_0543

Após o almoço, para desespero do Vivi (nunca vi ser tão caseiro), fomos dar uma voltinha na praia, que fica completamente diferente com a maré baixa. O clima é outro, adorei! Passeamos, tiramos fotos e ficamos brincando de adivinhar de que país as pessoas eram 🙂

p1060406

Voltamos pra casa no finzinho do dia para uma noite preguiçosa. A programação é assistir um filminho e relaxar porque amanhã passaremos o dia inteiro fora.

Terceiro dia de férias – mais praia, mais sol e mais água fresca

p1060336

O dia hoje começou com água de coco (acho que bebi uns 2 litros de uma vez!), granola feita em casa e suquinho de abacaxi com melancia fresquinho. Devo dizer que a casa é tão agradável que dá uma certa preguicinha de sair. Tão gostoso o ambiente… e o mais engraçado é que, por razões completamente diferentes nós e as crianças estamos adorando o tempo que passamos em casa. Eu e o marido curtimos por causa da tranquilidade, do espaço lindo, agradável… já os meninos, adoram o layout da casa, as janelas baixinhas (ótimas para pular – sim, eu deixo) e os jardins: tudo perfeito para as brincadeiras de espionagem e esconde-esconde 🙂

p1060339

Por essas e outras, fica difícil convencer as crianças a sair – ir à praia pra quê se temos uma senhora infra em casa?

Mas, como quem manda aqui sou eu (cof cof) tomamos café, enrolamos um pouquinho e saímos rumo à praia, a mesma de ontem, a boa e velha Sanur Beach, com suas águas mansas – aliás, este foi um dos fatores determinantes para a escolha da região em que ficaríamos. Fica numa praia de surfistas, definitivamente, não era uma opção.

img_0484-2

O mole do dia foi termos seguido uma sugestão do guia que a dona da Villa nos enviou: ela aconselhava ligar para um beach club e agendar uma cabana na praia (aquele kit básico de toalhas, cadeiras e guarda-sol + acesso ao banheiro, chuveiro e piscina do clube). Se arrependimento matasse…. Tão fraco, mas tão fraco, que nem no restaurante do clube comemos. Definitivamente foi o dinheiro mais mal gasto até agora, mas fazer o quê? Acho que toda viagem nos dá direito a um engano. Espero que tenha sido este o nosso, rs

p1060330

A verdade é que as crianças curtiram o espaço, curtiram a piscina e ficaram um pouco decepcionadas quando resolvemos não almoçar lá (pô, o menu tava sofrivelmente básico). Às vezes acho que nós (eu e o Mauricio) estamos ficando muito exigentes com as coisas. Talvez estejamos ficando velhos, rs – ele mais do que eu. Só Deus sabe o estresse que me causa cada viagem que fazemos. Estou sempre preocupada se o marido ficará entediado, ou se vai achar que estamos fazemos muitas atividades. Aff…

p1060341

Anyway, saímos do tal beach club e fomos almoçar num restaurante na rua de dentro, sem vista pro mar. Fizemos bem? Não sei, porque a comida estava bem ordinária – gostosinha, mas ordinária, saca? Aliás, descobri que não sou apenas eu a exigente com comida. Nickito mandou a real: “mamãe, a gente pode voltar pra Austrália?”

Eu: por quê, meu filho? Não tá gostando de Bali?

Ele: Tô sim! Mas eu tô com muita saudade dos restaurantes da Austrália: o indiano, o tailandês, o chinês, o malasiano, o coreano…

p1060345

Oh well, à noite pedimos comida em casa, um restaurante indiano super bem recomendado mas que levou mais de uma hora para entregar e ainda mandou a comida em saquinhos (peloamordedeus). A comida tava até gostosinha, nem perto do que é nosso indiano em Melbourne, mas tava decente, o problema é que àquela altura já estávamos com má vontade e com muito sono – pô, a previsão de entrega eram 20 minutos e levou uma hora a mais.

Mas amanhã é um novo dia e o importante é que o dia de mico já passou 😉

p1060346

Descobertas até agora:

– As porções balinesas são super pequenas, seja de batata frita, de salada, de arroz no restaurante ou do pacote de pão ou de biscoito no mercado. Até os potes de shampoo e condicionador são minúsculos, mais parecem amostra grátis.

– Não é em todo lugar que come-se bem.

– Assustador como as pessoas se deixam depreciar aqui. Conversando com a massagista ontem, fiquei em choque com ela dizendo que a pele dela era feia (pele linda, gente! Sedosa, saudável, nem rugas tinha), porque era marrom. Segundo ela, marrom é cor de macaco e os homens não gostam, então é muito difícil “arrumar marido”, porque os homens preferem mulheres mais claras. Morri.

– Os próprios locais demonstram preconceito com seus iguais, se diminuem e exaltam o estrangeiro. Triste apenas.

– Como em todo lugar, acham que “nóis é jeca” e, nas barraquinhas, dão o preço de acordo com o look da pessoa. Cobram o que acham que a pessoa vai pagar. Tipo, não me importo de pagar mais, não mesmo, porque sei que é uma forma de ajudar a melhorar um pouquinho, ainda que momentaneamente a situação da pessoa, mas não gosto de ser passada pra trás. Dou uma gorjeta boa, mas não tente me vender por 20 uma coisa que vale 2 porque eu vou embora e você fica sem a venda e sem a gorjeta.

– Há que se ter paciência com os vendedores (de bugiganga, de esportes aquáticos, de massagem…), porque muitos deles te perseguem até quando você está apenas caminhando pela praia. Se há uma coisa que me incomoda é ser perseguida por vendedor, seja onde for, odeio, por exemplo, vendedora de shopping no Brasil que fica querendo ajudar, ou ver como está a roupa. Odeio. Mas aqui, tento ter mais paciência porque, a realidade deles é cruel. É muita pobreza, gente.

– As pipas balinesas são lindas! O céu está sempre enfeitado e algumas são tão bem feitas que se confundem com pássaros. Preciso levar uma para colocar na decoração da casa nova.

– O trânsito de Bali é meio sem lei, um mar de motocas carregando até 4 pessoas sem capacete, incluindo bebês de colo. Por outro lado, eles dirigem devagar, quase em fila. Nos carros não se usa cinto de segurança e a mãe carrega o bebê no banco da frente. Os policiais só multam os turistas.

– O povo balinês é extremamente cortez, religioso e sorridente. Estão sempre dispostos a ajudar. Por outro lado, me impressionou o descaso com o ambiente. Vimos lixo pelo chão e crianças descartando latas, copos e embalagens de plástico como se fosse água.

– Ninguém entra de sapato em casa.

– O povo me pareceu muito trabalhador, muito dedicado aos seus afazeres.

– Religião aqui é coisa séria, a base da cultura Balinesa.

– calçada é artigo raro por aqui.

Segundo dia de férias – as impressões sobre o primeiro dia inteiro em Bali

img_0465Quando resolvemos que tiraríamos férias logo antes da mudança para a Coréia, sabíamos que precisávamos ir para algum lugar perto e assim evitar longas horas de vôo – acredite, quando você mora num lugar que é longe de tudo, as horas de vôo contam muito na hora de planejar as férias, especialmente se forem férias curtas com estes 10 dias que estamos tirando.

img_0463-1024x1024

Quando a gente diz que está indo de férias para Bali, causa um certo “ohhhhh” (da parte de quem está no Brasil), mas a verdade verdadeira é que Bali para australiano é como Búzios para carioca, tipo quintal de casa. Prova disso é que aqui, todo mundo (que trabalha com serviços) arranha um inglês. Na praia, a pessoa pode não ter dentes, mas dá um jeito de conversar contigo e te conduzir para sua lojinha 🙂 Além disso, a Indonésia, por ser um país pobre, oferece serviços e comida à preço de banana, o que a torna um lugar super atraente para se visitar. Então, muito embora eu preferisse voltar à Tailândia que tem praias paradisíacas, resolvemos que Bali seria a bola da vez. E, desta vez, decidimos não ficar num Resort e alugamos, via Airbnb, uma Villa bacana com staff, pagando muito, muito, muito mais barato do que pagaríamos num Resort com acomodações equivalentes. A Villa é uma graça, super espaçosa e vem até com um gato de estimação 🙂 Sério, só não tô me sentindo mais em casa, porque em casa eu tenho que fazer comida, lavar louça, fazer a laundry, limpar a casa… e aqui, a Illuh faz isso tudo pra gente. Acho até um tremendo exagero, porque a casa é limpa  e a roupa é lavada todo santo dia. Sinceramtente, ver 3 pessoas entrando aqui toda manhã para fazer o café da manhã, limpar e arrumar a Villa e estar ao nosso dispor para chamar taxi ou organizar qualquer coisa que precisarmos é a bit too much. Não tô acostumada com isso. Mas tudo bem, tô de férias e tô mesmo precisando “desanuviar”. O fato é que estas férias em Bali são para relaxar, então tô feliz da vida taking it easy: uma prainha aqui, uma manhã preguiçosa ali, um jantarzinho em casa acolá… aproveitando o tempo bom, o calorzinho, a mordomia e as instalações maravilhosas.

img_0533p1060324

Hoje, acordei super cedo e fui meditar no jardim. Que delícia, viu? passamos um dia super light, tão light que esquecemos até de almoçar, hahaha. Após o café da manhã, fomos para a praia, onde caminhamos até encontrar um lugar bacaninha e ali ficamos até o meio da tarde, só curtindo uma inércia gostosa (parênteses para registrar que o marido deu uma corrida na areia, rs). Voltamos pra casa mais cedo do que desejava, porque havia agendado uma massagem para as 4pm. Sério, best massage ever! Uma hora de massagem revigorante, em casa, por míseros 10 dólares. Inacreditável. Mais inacreditável que isso só mesmo a vida difícil que esse povo aqui leva sem perder o sorriso no rosto. À noite, cedendo aos apelos dos meninos, fomos jantar onde? No Pizza Hut – dá para acreditar?? Safadeza define. Mas fazer o que? Eles também estão de férias, então é importante ceder. Cedi desta vez para nunca mais, hahaha Ô jantarzinho sofrido! Amanhã, jantaremos em casa, ou um jantar caseiro preparado pela Illuh, ou um take out de algum restaurante gostosinho. E tenho dito! 

p1060305p1060297p1060293img_9433-2img_9431-2p1060333-2

Resumo do dia:

– massagem em casa: nem 10 dólares 

– taxi: em média 3 dólares  (quando não tem taxi, tem sempre um carro particular que oferece corrida por 5. Hoje teve um taxi espertinho que, à noite, quis cobrar 10, mas Mauricinho que tá esperto logo se indignou: pago no máximo 5)

– almoço/jantar: cerca de 10 dólares por pessoa (incluindo bebida, entrada e prato principal) 

– água de coco (grande) na praia: 1 dólar 

– 2 cadeiras com toalhas e guarda-sol do carinha da praia (5 dólares) 

– A tranquilidade das férias em Denpasar: não tem preço 

Em tempo: Porque Sanur (Denpasar) e não Kuta, Seminyak, Legian…? Ora, porque tudo o que eu não quero/preciso neste momento (e com duas crianças pequenas) é agito, rs Ainda estou considerando se damos ou não uma passeada pelo agito um dia desses. Vamos ver… 

Aqui estamos nós. De férias. Finalmente (em Bali)

p1060278

Já passa das 11:30 da noite e eu estou um caco. Acordar cedo cansa. Viajar cansa. Avião cansa.

Hoje acordamos às 6:40 da manhã, hora em que deveríamos estar saindo de casa para o aeroporto, mas só nos demos conta disso às 7:20, quando, de fato, saímos de casa às pressas – tão às pressas, que sequer tive tempo de checar se as portas todas estavam trancadas e as luzes todas apagadas. Paciência.

No caminho, pegamos um transitozinho de leve em alguns pontos até chegarmos ao estacionamento do aeroporto, só para deixar a viagem mais emocionante. Chegamos ao aeroporto tão em cima da hora, que só fomos sentar dentro do avião. Avião este que não tinha entretenimento algum para as crianças (viemos de Air Asia baratex, onde até a água é opcional, rs). Para completar, todos os eletrônicos que coloquei na mala de mão para distrair os moleques durante as 6 horas de vôo estavam quase sem bateria. Infelizmente a Super Mamãe estava ocupada com outras coisas (AKA mudança) e acabou falhando desta vez

p1060276

Mas não tenho muito do que reclamar, porque até que a viagem foi bem tranquila.

Agora, sabe o qual foi a parte mais diferente desta viagem??? Eu, pela primeira vez nestes 38 anos de vida, finalmente entrei num banheiro de avião! Quem diria, né? 🙂

Quando ainda estávamos na fila para passar pela segurança do aeroporto e tive que beber os 750ml de água da minha garrafa pensei: “desta vez eu não escapo do banheiro”. Não deu outra. Lá fui eu, literalmente tremendo, mas até que foi tranquilo (apesar da tremedeira), até bati um selfie no espelho do banheiro para registrar o feito 🙂 Só não garanto que entrarei novamente noutro banheiro de avião este ano, rs

img_9542-2

Detalhes claustrofóbicos à parte, chegamos bem e logo encontramos o motorista da Villa nos esperando – muita mordomia, né? E era apenas o começo.

Ao chegarmos na Villa (notem, não é um hotel, é uma casa), o staff veio nos receber na porta. Além do motorista, estavam também o administrador, a cozinheira/arrumadeira e um outro rapaz que eu não sei bem o que faz (de tudo  um pouco, talvez?). Fomos recebidos com sorrisos e um suco de melancia delicioso, fresquinho e geladinho – ah, gente, é muito estranho ter essa mordomia toda quando  se vive em país de primeiro mundo, onde ter empregados é coisa raríssima. E para ser bem sincera, me causa um certo desconforto ter pessoas me servindo assim. Acho que o único aqui em casa que nasceu para ser servido é o Vivi que simplesmente adora uma mamata, rs

Voltemos à Villa…

p1060281

Gen-te! Que lindeza, que delícia, que tu-do! Mal chegue e já não quero mais ir embora. O clima morno com uma leve brisa já vale as férias, mas a Villa, ah, a Villa é um capítulo à parte, que vou mostrar em detalhes num próximo post. Tô in love.

Melhor que a Villa só mesmo os preços de Bali. Sério, surreal.Taxi, comida, serviços, tudo muito barato. Já vou agendar minhas massagens diárias, porque 1 hora de massagem por 7 dólares só aqui.

3b2795e5-6b19-4092-863a-f42c4ea07b10-2

Hoje o dia foi curto, chegamos já de tarde, pegamos uma piscininha e saímos para jantar num restaurantezinho em frente à praia. Na volta, o “taxi” foi um cara que tava parado de bobeira na calçada e ofereceu seu serviço pelo dobro do preço (bem uns 5 dólares para nos trazer de volta). Nós, turistas que somos, aceitamos, até porque, gente, 5 dólares, né? Mas o Vivi ficou estressadíssimo quando viu que era um carro comum, com medo do cara ser um maluco que fosse nos sequestrar. O pobrezinho veio tenso da praia até em casa, rs Aliás, ele já ficou bolado na ida, quando para acessar a rua da praia, o taxista parou e pagou uns trocados para um cara super suspeito (realmente foi um momentto estranho que eu ainda quero desvendar). Coisas de Bali, I guess? Descobriremos. Ou não 🙂

img_0461

Mas amanhã as férias começam de verdade. Só espero que a chuva que está prevista para começar no final desta semana não atrapalhe demais 😦

Em tempo: a comida aqui é tão barata que eu já avisei pro marido que preciso aproveitar para aparecer nas fotos de biquini nos primeiros dias, porque daqui a 10, estarei rolando.

PS. Vocês não fazem ideia do tamanho da lagartixa que mora no forro do telhado!

3.8 mas com visão 4.0 – uhu! #sóquenãoné

img_9774

Semana passada, fui ao oculista. Oculista mesmo e não oftalmologista. Aliás, antes de contar sobre a consulta em si, devo deixar registrado o tamanho da minha ignorância que me custou algumas centenas de dólares.

São 7 anos vivendo na Austrália e só agora descobri que não precisava ter gasto algumas centenas de dólares no oftalmo com consultas para mim e para o Vivi. Descobri que os oculistas que atendem nos fundos das óticas oferecem uma consulta super detalhada e, a melhor parte vem a seguir, de graça. Isso mesmo, 100% coberta pelo medicare.

Tonhoenhõe pra mim, né? Dâaaaa…

Oh well, voltando à consulta…

Antes de embarcarmos para a Coréia, achei melhor fazer um checkup geral em todo mundo e isso inclui exames de vista. Mas por que lembrei de checar a vista se eu nunca precisei usar óculos na vida? Ora, porque de uns meses pra cá, eu comecei a notar que precisava afastar dos olhos as letrinhas miúdas para conseguir enxergar com mais clareza. Coisa de velho, né? Aff, eu sei…

E aí, eu que não estava nem aí pro fato de estar mais pros 40 do que pros 30 tive um choque de realidade. Caraca, além de um Sjögren precoce, agora óculos precoces também?

Pior que isso, só mesmo ouvir do oculista, um rapazote com seus vinte e muito poucos, que é assim mesmo, quando estamos mais próximos dos 40 do que dos 30, a vista começa a falhar, é natural. Grrrrrr! Me chamou de velha assim, naturalmente.

Em pensar que eu entrei no consultório pensando: “talvez eu precise fazer novamente algumas sessões de exercícios ortópticos, como os que fiz na adolescência…” Aham… doce ilusão.

A realidade chegou rasgando a esperança em mil pedacinhos, quando, ao final da longa consulta, veio o veredito: “você precisa de óculos para ler. Não precisa usar para trabalhar no computador, mas para ler, precisa.”

Confesso que ainda não estou muito convencida disso, até porque sigo lendo normalmente, minha vista só falha na hora de ler letras bem miúdas ou então se fico cara a cara com alguém, assim muito pertinho.

Será que tô em negação? Pode ser…

O fato é que me recusei a mandar fazer os tais óculos de leitura. Primeiro, porque eu ainda não tô acreditando que isso é realmente necessário; segundo, porque não é tão simples assim escolher uma armação que me agrade. Aliás não é simples nem barato. Tenho certeza absoluta que colocarei meu dedinho na armação mais cara. I’ts a curse.

Oh well, tenho ainda algumas semanas para decidir se me entrego aos óculos ou se os ignoro. Vejamos o que acontece.

 

sick as a dog

Sábado passado, faltando 9 dias para sairmos de férias, 9 dias para embarcarmos para Bali, eis que, finalmente, a gripe que me rodeava me pegou. Mas me pegou em cheio, de jeito, como há muito não acontecia.

Atribuo a intensidade desta gripe ao momento de grande estresse, quando o Sjögren, aflorado, acaba por abrir as porteiras do meu corpo para as mazelas de plantão. Claro que os últimos dias gélidos também contribuíram para que a gripe se instalasse. Gente, tá muito frio! Há dias em que a sensação térmica é de 1 grauzinho apenas (e cada vez que a temperatura vai lá pra baixo, me pergunto: “Como viverei no inverno em Seoul, onde a temperatura, quando é baixa, é baixa mesmo, bem abaixo de zero?”. E a resposta para minha pergunta vem na velocidade da luz: “Sobreviverei apenas.”)

O fato é que estou de cama, ou pelo menos deveria estar. Fujo, em alguns momentos, para dar sequência ao lento e doloroso processo da mudança, separando o que vai e o que fica, o que levaremos e o que doaremos/venderemos.

Ontem enchemos o carro com caixas e mais caixas, sacolas e mais sacolas de doações. Pratos, taças,  almofadas, bolsas, objetos dos mais variados. Muita coisa, muuuuita coisa. Mas ainda temos muito a doar e descartar, é tanta coisa que chega a bater um desânimo.

Meu desafio maior, acredite, será me desapegar dos brinquedos das crianças. Tô até deixando isso por último, porque vai ser dose! Tem muita coisa com as quais eles não brincam mais (especialmente o Vivi), mas que me dói lá no fundo só de pensar em passar adiante. Os primeiros bichinhos de pelúcia que enfeitaram o quartinho do Vivi e que, anos mais tarde, viraram companheiros noturnos do Nickito – como eu faço pra mandar embora? E toda a coleção do Toy Story, peloamordedeus??? O Woody era a marca registrada do Vivi que sentia-se o próprio Andy. Incontáveis as brincadeiras com aqueles personagens todos. Entretanto, meu desapegado primogênito foi categórico: só preciso dos meus Mario plushy toys, meu iPad e meus game boards. Ah, se ao menos eu tivesse uma casa com um sótão onde eu pudesse guardar a matéria de todas as memórias de infância dos meninos… Para isso, precisaríamos não ter essa vida cigana e sem raízes que nos impede de acumular memórias sob forma de objetos (além dos álbuns de fotos que já acumulamos). Mas se não levássemos essa vida, não seríamos nós, seríamos uma outra família.

Quer saber? O Vivi é que está certo, vive intensamente um momento de cada vez e abre mão do que passou para criar espaço para o que estar por vir. E eu, ah, eu deveria tomar isso como lição e let things go.

Mas onde eu estava mesmo? Ah, na cama. Sick as a dog, entediada, ponderando se me levanto para continuar a missão mudança ou se me entrego completamente e deixo meu corpo descansar. Você não faz ideia do quão difícil é, para mim, ficar deitada o dia inteiro…

Ah, não contei, mas só ontem, o Vivi começou a melhorar da última crise de asma (infelizmente, à base de antibiótico) que me manteve acordada a semana passada inteira, checando o nemtãopequeno a todo instante, e aí, ontem mesmo, Nickito pegou um resfriado brabo (pelo menos não foi gripe) e passou a noite tossindo e sofrendo com o nariz entupido. Nessas horas, a gente até esquece que está doente, né? O modo supermãe é ativado e você acaba passando a noite em claro por dois motivos, sua gripe e o resfriado do filho.

O que eu sei é que dia 4 de julho, às 9 da manhã,  ou seja em 6 dias, embarcamos para nossas tão esperadas férias em Bali e eu espero que até lá estejamos todos completamente recuperados, porque ninguém merece sair de férias doente.

Xô, gripe! Xô, dor na garganta! Xô, dor de cabeça! Xô, dor no corpo inteiro! Xô, dor no braço! Xô, nariz entupido! Xô, febre! Xô, mal estar! Xô espirros!

Bali, vemnimimqueeutôprecisada.

 


 

Em tempo: marido que há poucas semanas passou dias na cama por conta de uma gripe, tá ameaçando a pegar outra. Que os santos protetores das férias de família o protejam, amém!

 

Em tempo2: Sjögren atacado significa baixíssimo poder de concentração, a ponto de não conseguir ler e compreender um parágrafo inteiro (por isso, nem reli este post que deve estar o próprio samba do crioulo doido); memória mais precária que a de uma formiga; boca árida como o sertão; olhos queimando em brasa; dor aguda no braço + movimentos prejudicados (tipo, muito difícil lavar os cabelos, alcançar um copo, deitar de lado…); cansaço extremo (aumentado pela gripe); cabelos em queda-livre… Ou seja, uma beleza.

 

Em tempo 3: Retomei a meditação (nem lembro se contei que havia começado) e posso dizer que a diferença existe e é gritante. Agradeço à Carla pela dica e indico para todos –> Headspace!

 

Em tempo 4: Escrever no blog, para mim, é mais do que uma terapia. Hoje, manter o blog atualizado é uma questão de preservar minhas memórias, guardar e poder acessar a nossa história. Além disso, do jeito que minha memória anda se deteriorando, escrever tornou-se um exercício fundamental para minha mente.

 

Em tempo 5: Eu quero a minha mãe e o meu pai e a minha irmã! Toda vez que fico doente, fico também desesperada pela presença deles.

A dificílima tarefa de desapegar

Toda mudança funciona, no mínimo, como uma operação limpa cacareco (uma mudança para a Coréia deveria ser um joga-tudo-fora, né não?). É uma oportunidade fantástica de desapegar daquelas coisas que andavam esquecidas numa gaveta, numa caixa, ou no fundo do baú. Entretanto, se a pessoa que está fazendo a limpa e empacotando for daquelas saudosistas, que para tudo quando se depara com um desenho feito pelos filhos, ou um cobertorzinho, ou um brinquedo de bebê… aí, ferrou! Além de atrasar todo o processo (porque ela fica horas relembrando momentos relacionados aquele cacareco), um botãozinho interno é automaticamente acionado e ela não só para de adicionar coisas nas pilhas de “doação”  e  de “descarte”, como começa a rever tudo aquilo que já havia ido pra lá.

Pergunta fácil: Adivinha quem é saudosista? Sim, eu, euzinha aqui. Já viu, né?

Como é que eu jogo fora um desenho dos meninos? “Ah, Erica, tira uma foto e joga o desenho fora…” Aham, claro… Só que não. Não consigo. Todo ano, acabo com pelo menos uma caixa (35x35x35cm) de coisas dos meninos. Se continuar assim, até eles irem para a faculdade, terei que ter um quarto só para isso.

Eu culpo o meu pai que guarda tudo: o meu primeiro desenho, meus dentes de leite, meu primeiro corte de cabelo, meu um-bi-go! Tá no sangue, gente, não adianta…

Sinceramente, acho que estou fazendo um ótimo trabalho. As pilhas da doação e a do descarte estão ficando bem grandinhas, mas quando olho para a pilha do que vai conosco, MEODEOS! É gigante! E, detalhe, não teremos muito espaço no apErtamento em Seoul.

O fato é que eu preciso reduzir sensivelmente os cararecos. O ideial mesmo seria me livrar deles todos e fazer uma mudança leve, como deve ser a mudança de alguém que não fixa raízes. Mas infelizmente ainda estou um tanto distante deste nível de desapego.

Gente, só de álbuns de fotos são mais de 50. Isso porque desde meados de 2012 que não imprimo fotos (resolverei esta questão assim que chegarmos em Seoul).

Anyway, minha meta é, até o fim deste mês, deixar várias caixas na porta do Salvos e mandar vários sacos para o lixo. Vamos ver se consigo.

Queria muito não me apegar a coisas, o problema é que coisas me lembram momentos e momentos me lembram pessoas e eu sou muito apegada a pessoas.

Mas eu chego lá. Assim espero.