Muitos pensamentos e pouca memória – momento desabafo

Eu sempre tive uma excelente memória, mas nos últimos dois anos, tenho tido muita dificuldade em lembrar da coisas. Não daquelas coisas do passado, da infância, nem do ocorrido na semana passada. Minha falta de memória é para aquelas coisas quase imediatas, aquelas que que preciso fazer, aquelas sobre as quais quero escrever, ou então contar pra alguém. Eu simplesmente esqueço.

A sensação é que tenho várias “tabs” abertas e de repente aparece the blue screen of death, e tudo se apaga, sabe? Se subo as escadas, esqueço o que fui fazer lá em cima. Se chamo o marido, esqueço o que ia falar. Se abro uma tab nova no computador, esqueço completamente o que eu ia procurar. Já esqueci o pudim no forno o dia inteiro, já esqueci de comparecer a consulta médica e também à hora no salão. Às vezes, estou dirigindo e tenho tantos pensamentos, tantas ideias going on ao mesmo tempo, que minha cabeça fica até quente. Sinto uma necessidade monstro de parar o carro e anotar tudo naquele momento, porque eu sei que, pelo menos metade daquele conteúdo será perdido em 3, 2, 1. E quando eu corro pra anotar e, ao pegar o lápis, esqueço?! É uma sensação tão ruim, tão estranha. Às vezes acho que minha placa-mãe está com defeito. Talvez esteja…

Por isso, e cada vez mais, vejo neste blog mais do que um hobby, vejo nele uma forma de não perder minha memória, uma maneira de não perder o fio da meada, de não esquecer o que eu ia dizer.

Mas do que eu mais tenho medo é que todo esse “esquecimento” ou brain fog evolua ao ponto de eu não conseguir terminar uma conversa, que eu comece a esquecer enquanto falo. Isso me dá pânico!

Toda a facilidade que eu tinha em me concentrar está, aos poucos, se deteriorando. Preciso me esforçar para prestar atenção em histórias longas, senão, na primeira oportunidade, começo a pensar em outra coisa e meu pensamento voa pra outro espaço, outro tempo, outro assunto completamente diferente. Se hoje eu tivesse que assistir aulas, estaria em maus lençóis! Se tivesse que estudar, memorizar, estaria perdida. E por falar em perdida, meu senso de orientação que era fantástico, está vexatório.

Aí eu que questiono: será que é um estado passageiro, ou será que isso veio pra ficar (e piorar)?

Às vezes eu fico bem assustada, bem preocupada… e apesar de eu sempre tentar me manter e me mostrar positiva, às vezes eu desabo, quietinha no meu cantinho e pouquíssimas pessoas sabem o que se passa dentro de mim, como eu realmente me sinto. Após eu desabar, eu digo pra mim mesma: Erica, “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”, porque o presente está aí pra ser vivido e do futuro ninguém sabe.

E é por isso, e cada vez mais, que evito fazer planos a longo prazo. Quero ser feliz agora, quero fazer agora. Se tenho um plano, coloco em ação agora, no tempo presente e o que tiver que ser será.

PS. Apesar do tom quase melancólico deste post, estou num momento bem feliz, mesmo com a saudade cada vez mais apertada, o estresse que me consome e a fadiga que me derruba, rsrsr Às vezes só preciso desabafar um pouco. Escrever faz bem à alma, tira de dentro de mim as angústias, libera espaço pra coisas boas 🙂

Vamos que vamos, porque a vida é bela, o amor é lindo e o tempo não pára 🙂

 

Blogagem Coletiva Mães Internacionais: Pediatria na Austrália

Este mês, na Blogagem Coletiva do MI, falaremos sobre como funciona a Pediatria em diferentes países. Então, se te interessa saber sobre o assunto na Terra dos cangurús, veio ao lugar certo =) Mas se quiser saber como funciona em outros países, dá um pulinho no Mães Internacionais, que tem um monte de mamães relatando suas experiências lá.

Aqui na Austrália, o número de profissionais especializados, especialmente na área de saúde, é insuficiente,o que gera uma situação esquisita, ficando quase tudo a cargo do Clínico Geral (GP- General Practitioner), ou Médico de Família. Pra se ter uma idéia, exame ginecológico tipo Papanicolaou é feito pelo GP, pasmem! Isso, muito possivelmente, é motivado pela escassez de especialistas. Inclusive, mesmo quando, a duras penas, se consegue uma indicação do GP, leva uma vida até que se consiga uma hora no especialista. E, gente, aqui, pediatra não é apenas um clínico geral de gente miúda e não é ele quem acompanha os bebês mês a mês, como no Brasil ou nos EUA. Aqui, você só consegue uma consulta com pediatra se seu filho realmente precisar de um tratamento especial.

O fato é que desde que chegamos aqui, fui exposta à um sistema de saúde completamente desconhecido (por mim): “Como assim um sistema público que funciona? Muito estranho… E o acompanhamento do bebê que é feito por enfermeiras de bebês/crianças ao invés de pediatra? Que doido!”

Mas a verdade é que as tais enfermeiras, apesar de não serem autorizadas a sequer auscultar as crianças, são ótimas e mostram muito mais conhecimento dos que os clínicos que já me atenderam aqui. Elas são atenciosas, carinhosas, detalhistas e conduzem muito bem o acompanhamento do primeiro ano de vida dos bebês.

Aqui, ao contrario do que acontece no Brasil, o bebê não tem consulta todo mês. O calendário de consultas obrigatórias para bebês e crianças, salvo casos especiais, é assim:

A primeira visita é feita em casa, um ou dois dias após o bebê deixar a maternidade.
Segunda consulta: pode também ser em casa, e acontece às 2 semanas de vida.
(eu pedi uma consulta extra às 3 semanas e a enfermeira se ofereceu pra vir aqui em casa novamente)
Terceira consulta: às quatro semanas (+/- 1 mês) você começa a levar o bebê ao centro de saúde do seu bairro.
(às 6 semanas, mamãe e bebê devem ir ao GP para um check-up conjunto)
Quarta consulta: às 8 semanas (+/- 2 meses).
Quinta consulta: aos 4 meses (ou seja, não existe a consulta dos 3 meses, a menos que você faça questão – você sempre pode marcar consultas extra, também sem custo algum).

(mais uma vez, pedi uma consulta extra, aos 5 meses – reparem, prefiro levar o bebê pras enfermeiras verem, do que ao GP)
Sexta consulta: aos 6 meses.
Sétima consulta: aos 8 meses.
Oitava consulta: aos 12 meses.
Nona consulta: entre 18 e 21 meses.
Décima consulta: aos 2 anos.
Décima-primeira consulta: aos 3 anos e meio.
Décima-segunda consulta: entre 4 e 5 anos.

Eles são tão organizados que nos mandam uma cartinha lembrando que está na época de agendar uma nova consulta (também o fazem quando vai chegando a hora da vacina). Coisa de primeiro mundo.

No meu caso, marquei uma consulta extra aos 5 meses, porque baby Nick nunca foi fã do “tummy time”, não rolava, coisa e tal, então acabei conseguindo, não só uma indicação pro pediatra (a duras penas, concedida pela GP, que é quem, de certa forma, decide se você precisa ou não de levar seu filho ao pediatra), com o uma espera bem curta, de 3 semanas apenas. Graças a Deus, foi confirmado que não havia nenhum problema neurológico e que o fato dele ter pulado essas fases foi por pura preguiça, ou falta de vontade. Entretanto, mesmo eu tendo gostado muito da pediatra (que apesar de ser do tipo seca, bem direta, sem rodeios ou gracinhas), meu coração de mãe não se contentou e levei meu pequeno a algumas sessões de fisio, só pra garantir.

Em geral, seu GP é quem te indica um pediatra, mas se você, por exemplo, tiver a indicação de um amigo, sem problemas, ele endereça a cartinha ao especialista de sua preferência. No meu caso, minha GP me indicou a pediatra, e eu, surpreendentemente, fiquei bem satisfeita.

Agora, sabem o que é o melhor disso tudo? O governo. Isso mesmo, o governo de fato faz valer cada centavo que se paga de imposto, porque não só as consultas infantís com as enfermeiras são completamente gratuitas, como as sessões de fisio (uma hora casa) custam a bagatela de 20 dólares. Além disso, mesmo tendo escolhido uma pediatra particular, o governo banca quase 50% do valor da consulta (exclusividade de quem é Residente Permanente, claro). Um luxo 🙂  Também, não se pode esperar menos que isso, de um país que presenteia a chegada de um novo australianinho com o mimo de 5mil dólares, né? Pelo simples fato de ser Australiano.

Resumindo a ópera: 1- Pediatra aqui, só com motivos concretos e cartinha de recomendação do clínico geral (que muitas vezes faz uma cera danada pra liberar a dita-cuja), ou seja, não é o pediatra quem acompanha o desenvolvimento dos bebês, mas sim, as enfermeiras especializadas; 2- Se você tem Residencia Permanente, pode contar com atendimento gratuito em muitas clínicas e quando não, o Medicare paga até a metade do valor do médico particular (inclusive, a nossa médica de famíla não cobra pela consulta de crianças de até 12 anos. A conta vai direto pro governo, o que eles chamam de bulkbilling); 3- As primeiras consultas do bebê são com enfermeiras e em menor número do que eu gostaria, entretanto, você pode organizar consultas extra, sempre que achar necessário. Mas, se o bebê tiver um resfriado, ou uma alergia, por exemplo, você deve levá-lo ao GP (clínico geral da família).

No início, a gente estranha bastante, pra falar a verdade, nem sei se já me acostumei, mas o fato é que o sistema funciona e que eu estou super satisfeita com o acompanhamento feito pelas enfermeiras – nem tanto com a imposição do médico de família, mas fazer o quê se há escassez de profissionais especializados? O fato é que não existe lugar perfeito, mas no fim das contas, a verdade é que o sistema Aussie funciona e as crianças têm seu desenvolvimento acompanhado de perto. E é por essas e outras que o dia em que eu me mudar daqui, será como estivesse deixando o paraíso 😉

Assim é a pediatria na Austrália. Mas se você quiser saber como funciona em outros países, é só fazer uma visitinha ao Mães Internacionais 😉