Blogagem Coletiva do MI: Dezembro na minha casa

A Blogagem Coletiva do MI deste mês é sobre as festividades de fim de ano, e como este ano ficaremos em terras australianas, longe da família, a boa é encher a casa de amigos!

Normalmente, os australianos comemoram com um almoço no dia 25, são raras as famílias que organizam a ceia na véspera. E tem mais, como aqui é terra de estrangeiro e a diversidade de nacionalidades é imensa, cada qual tem sua tradição. Tem até quem comemore o Natal só em janeiro.

E como a gente pode até mudar de país, mas não muda de cultura, teremos a ceia do dia 24 aqui em casa, que por sinal será bem eclética. Vai ter australiano, iraniano, chinês, russos, cingapurianos e, claro, brasileiros 🙂

No menú vai ter perú, farofa, salpicão, saladas, estrogonofe de camarão, presunto e até salada de bacalhau. Entre as sobremesas estará o famoso pudim de leite e se eu conseguir tempo, quem sabe até rabanada (ô perdição! rs). Os convidados internacionais também contribuirão com pratos típicos – a saber – então já viu, né? Uma ceia “torre de babel” pra todos os gostos:)

Este ano estou especialmente empenhada na decoração da casa, 1.montei nossa árvore branquinha e coloquei enfeites coloridos por camadas, como um arco-írirs; 2. fiz uma guirlanda usando bastidor e boá de plumas; 3. catei uns galhos secos do jardim, pintei com tinta spray, coloquei num vaso e ornamentei; 4. até uma árvore de washi tape numa parede vazia eu fiz; 5. usei um outro bastidor e umas folhinhas de papelão forradas com tecido pra decorar o lavabo; 6. fiz também umas mini-árvores de natal, usando cones de isopor, feltro e alfinetes de bolinha… E, gente ainda tenho que preparar comidas, lembrancinhas pros convidados, embrulhos de presente… aff… tenho é coisa na minha to-do list :).

Dá só uma olhadinha no que eu tenho feito por aqui

Quem passa e vê acha que eu sou uma desocupada, né? Quem me dera… E, guess what? ainda assim, com uma lista insana de coisas por fazer, aos 45 do segundo tempo, arrumei um tempinho pra registrar um pedacinho da cidade decorada pro Natal. Melbourne tá tão natalina, gente! 🙂

Querem ver um pedacinho da City? Vem comigo!

Agora, se vocês quiserem dar uma bisbilhotada no que anda rolando na casa de outras Mães Internacionais nesse mês de Dezembro, é só clicar no link 😉

 

 

 

Blogagem Coletiva do MI – Diferenças culturais na criação dos filhos

Nossa, faz um milênio que não participo da Blogagem Coletivas do Mães Internacionais. Também pudera, ando mais enrolada que linha em carretel…

Mas hoje tô de volta à ativa e o tema é quente =)

Poderia começar listando uma série de diferenças (boas e ruins), mas o post iria ficar muito longo, porque obviamente eu iria querer falar um pouquinho de cada item da lista. Entaaaaaaaão, resolvi escolher um item(zinho) só que já dá panos pras mangas.

Aqui em casa somos papai e mamãe brasileiros, ou seja, não há conflitos culturais entre os pais. Entretanto, morar fora significa muitas vezes ter que se adaptar à realidade local, aos costumes, e nesse caso, a forma de criar as crianças. É sobre isso que vou falar hoje.

E o assunto de hoje no The Jump é…

Criando os filhos sem babá

Antes que apareça alguém atirando pedras,  vou logo dizendo: está é a minha visão, a visão de uma “mãe internacional” brasileira, que por viver fora, leva uma vida muito, mas muito diferente da que se leva no Brasil (claro, existem sempre as excessões – eu mesmo conheço algumas tanto lá quanto cá).

Quando você escolhe morar fora do Brasil,  sabe (ou descobre rapidinho) que faxineira duas vezes por semana é coisa do passado e que se você tem uma ajudinha a cada 15 dias, levante as mãos pros céus e agradeça de joelhos. Ah, e se você acha que vai pagar a merreca que se paga no Brasil, haha, esquece, porque a hora (sim, é por hora!) aqui é bem salgada (e merecida, diga-se de passagem, porque ô trabalhinho pouco reconhecido!). E babá então? Ah, essa é uma gargalhada à parte. Dá pra ter assim eventualmente pra ir ao cinema ou jantar fora com o marido, mas contar com babá no dia-a-dia é absolutamente inviável.  Babá folguista então, nossa, é pra fazer o povo aqui rolar de rir.

Creche já é um serviço caro suficiente e o normal aqui é levar as crianças duas ou três vezes na semana por 3 ou 4 horinhas numa dessas creches subsidiadas pelo governo, que são muuuuuuuito mais em conta. Creche full time é tão caro que muitas vezes não vale a pena trabalhar fora e por isso muitas mães “preferem” tirar uma licença maternidade prolongada (e obviamente não remunerada). No nosso caso, como eu me dei o tal maternity leave prolongado, optamos por colocar os meninos numa creche privada 3 vezes na semana, full time, pra garantir a sanidade mental da mamãe aqui e também e principalente, pra que eles interajam com outras crianças e comecem desde cedo a aprender a conviver em sociedade, sabendo que não são o centro do universo.

Mas de um modo geral, as crianças passam sim, mais tempo com os pais, já que mesmo os que vão pra creche durante o dia, tem sempre os pais a noite pra dar o jantar, dar banho, contar a estorinha, colocar pra dormir… sem falar nos fins de semana, que quando muito contam com os tios postiços e os amigos da rua – mas papai e mamãe estão SEMPRE presentes.

Qual é o resultado? Papai e mamãe interagem muito mais com os filhos, claro.

Sinceramente não consigo me imaginar dependente de babá. Mas eu sei, eu sei que se eu morasse no Brasil, estaria trabalhando fora e acabaria precisando de uma mãozinha extra pra, por exemplo, ficar com as crianças depois do colégio. Sim, porque na primeira infância, creche neles! Na minha humilde opinião, criança deve interagir com outras crianças e não com a babá. Influência de adulto deixa comigo.

Não vou nem entrar no mérito da babá uniformizada, que tira folga de 15 em 15 dias (quando é substituída pela folguista) e que faz parte de todos os momentos da criança, até porque não quero transformar este post num pergaminho. Então vou me limitar a explicar de leve porque prefiro muito mais o jeito de criar australiano/americano/europeu.

Um

Aqui as crianças passam mais tempo com os pais. Mesmo as que vão à creche, quando chegam em casa, interagem mais com os pais. Papai e mamãe é que preparam a comida, alimentam, dão banho, contam estorinha, colocam pra dormir, levam à festinha…

Dois

A babá eventual (aquela que entra em cena de vez em quando papai e mamãe querem sair sozinhos e não tem nenhum amigo disponível pra deixar as crianças) não é vista pela criança como propriedade dela. Sim, se a babá é figura eventual, se come à mesa com a família, se não dorme no quarto dos fundos, e não age como súdita, ela é vista como uma pessoa da casa, que está no comando na ausência dos pais, o que lhe confere o direito de impor limites. No Brasil, em geral, as crianças são quem impõem os limites às babás – vocês acreditam que quando voltamos das nossas férias no Brasil, meu filhotinho mais velho me pediu uma babá, assim como quem pede um brinquedo? Fala sério! Mas tá vendo como precisa de muito pouco pra uma criança achar que isso tudo é normal?

Três

As crianças são mais independentes (aprendem a limpar a sujeira que fazem, a arrumar a própria bagunça…) e consequentemente são menos mimadas; Na boa? Até meu menorzinho, que nem fala ainda, já sabe que quando termina de tomar seu iogurte tem que jogar o potinho no lixo. Ele também come sozinho e cata os brinquedos quando acaba de brincar. Me digam se uma criança criada por babá age assim? Claro que não – salvo raríssimas exceções! E isso não é culpa dela, afinal, a babá é paga pra cuidar da criança e na mentalidade brasileira, criar não engloba educar e sim fazer tudo pela criança. Não é assim que eu educo, não é assim que a creche aqui ensina.

Quatro

As crianças aqui crescem sem dar importância à profissão da pessoa. Tanto faz se o sujeito trabalha na obra, se toma conta de criança, se é médico, carteiro, professor, encanador ou arquiteto. Inclusive, a menos que você viva num bairro muuuuuito chique, cercado por mansões (sim, porque até nos bairros chiques tem estúdios onde moram pobres estudantes que trabalham durante o dia pra pagar a faculdade), seu vizinho de porta pode ser a mesma pessoa que cuida do seu jardim. Claro, isso só é possivel porque a Austrália é um país desenvolvido, onde as pessoas, independente de com o que trabalham, ganham decentemente, o que dimiui as diferenças sociais. No Brasil, as crianças assimilam desde cedo as diferenças gritantes, o abismo social; pra elas é normal ir a uma festinha e ver a mesa das babás – aliás, elas nem enxergam isso.

Concluindo…

Por mais que eu morra de saudade da família e dos amigos no Brasil, sou muito grata por poder criar meus molequinhos numa cultura diferente da do Brasil, por poder estar mais perto deles no dia-a-dia, por não depender de babá, nem ter que conviver com essa segregação de classes absurda e que muito me incomoda. Aqui os pais é que levam os filhos às festinhas, ao médico, ao parquinho. Aqui os pais sabem mais sobre seus filhos do que qualquer pessoa (bom, pelo menos até se tornarem adolescentes, rsrsrs). E isso é motivo de sobra pra eu dizer que no caso da criação dos filhos, aceito de braços e coração aberto o jeito aussie (americano, europeu..) de ser.

É por essas e outras que eu e meu marido não conseguimos nos ver morando no Brasil novamente. Pelo menos não nessa fase da vida.

Em tempo:

Essa é uma visão genérica, baseada na minha observação sobre as crianças com babás no Brasil. Mas claro, eu conheço algumas poucas mamães por lá que se viram muito bem sem babá e outras tantas que apesar de precisarem de uma ajudinha extra, não deixam de ser super presentes na vida das crianças.

Ah, sim, eu não sou contra ter babá, mas gosto muito mais da vida que a gente leva aqui – apesar das aparentes dificuldades pela falta de ajuda.

Se quiser saber a experiência de outras Mães Internacionais é só clicar no link abaixo:

Blogagem Coletiva Mães Internacionais

 

 

“sálvia o frango!”

Hoje é dia de receitinha nossa lá no Mães Internacionais. Um Mini-Banquete de Segunda-Feira, facílimo de preparar e que ainda rende sobras  pra  fazer uma torta salgada pro jantar da noite seguinte.

O interessante é que ontem, totalmente sem querer, achei uma matéria no O Globo, datada de 2008, contando sobre os efeitos alucinógenos da salvia – comparados ao da maconha – e de como ela começou a ser banida nos EUA. Ah, gente, francamente!,era só o que me faltava…

Bom, se onde você mora, ainda estão comercializando livremente a pobre coitada, dá um pulinho no MI e confere a receita 😉 É só clicar AQUI.

Em tempo: pra você que mora fora do Brasil e não encontra com facilidade nem farinha de mesa nem queijo minas, é só substituí-los por bread crumbs (farinha de rosca) e queijo feta (ou mussarela de búfala) respectivamente 😉 

Blogagem Coletiva Mães Internacionais: Pediatria na Austrália

Este mês, na Blogagem Coletiva do MI, falaremos sobre como funciona a Pediatria em diferentes países. Então, se te interessa saber sobre o assunto na Terra dos cangurús, veio ao lugar certo =) Mas se quiser saber como funciona em outros países, dá um pulinho no Mães Internacionais, que tem um monte de mamães relatando suas experiências lá.

Aqui na Austrália, o número de profissionais especializados, especialmente na área de saúde, é insuficiente,o que gera uma situação esquisita, ficando quase tudo a cargo do Clínico Geral (GP- General Practitioner), ou Médico de Família. Pra se ter uma idéia, exame ginecológico tipo Papanicolaou é feito pelo GP, pasmem! Isso, muito possivelmente, é motivado pela escassez de especialistas. Inclusive, mesmo quando, a duras penas, se consegue uma indicação do GP, leva uma vida até que se consiga uma hora no especialista. E, gente, aqui, pediatra não é apenas um clínico geral de gente miúda e não é ele quem acompanha os bebês mês a mês, como no Brasil ou nos EUA. Aqui, você só consegue uma consulta com pediatra se seu filho realmente precisar de um tratamento especial.

O fato é que desde que chegamos aqui, fui exposta à um sistema de saúde completamente desconhecido (por mim): “Como assim um sistema público que funciona? Muito estranho… E o acompanhamento do bebê que é feito por enfermeiras de bebês/crianças ao invés de pediatra? Que doido!”

Mas a verdade é que as tais enfermeiras, apesar de não serem autorizadas a sequer auscultar as crianças, são ótimas e mostram muito mais conhecimento dos que os clínicos que já me atenderam aqui. Elas são atenciosas, carinhosas, detalhistas e conduzem muito bem o acompanhamento do primeiro ano de vida dos bebês.

Aqui, ao contrario do que acontece no Brasil, o bebê não tem consulta todo mês. O calendário de consultas obrigatórias para bebês e crianças, salvo casos especiais, é assim:

A primeira visita é feita em casa, um ou dois dias após o bebê deixar a maternidade.
Segunda consulta: pode também ser em casa, e acontece às 2 semanas de vida.
(eu pedi uma consulta extra às 3 semanas e a enfermeira se ofereceu pra vir aqui em casa novamente)
Terceira consulta: às quatro semanas (+/- 1 mês) você começa a levar o bebê ao centro de saúde do seu bairro.
(às 6 semanas, mamãe e bebê devem ir ao GP para um check-up conjunto)
Quarta consulta: às 8 semanas (+/- 2 meses).
Quinta consulta: aos 4 meses (ou seja, não existe a consulta dos 3 meses, a menos que você faça questão – você sempre pode marcar consultas extra, também sem custo algum).

(mais uma vez, pedi uma consulta extra, aos 5 meses – reparem, prefiro levar o bebê pras enfermeiras verem, do que ao GP)
Sexta consulta: aos 6 meses.
Sétima consulta: aos 8 meses.
Oitava consulta: aos 12 meses.
Nona consulta: entre 18 e 21 meses.
Décima consulta: aos 2 anos.
Décima-primeira consulta: aos 3 anos e meio.
Décima-segunda consulta: entre 4 e 5 anos.

Eles são tão organizados que nos mandam uma cartinha lembrando que está na época de agendar uma nova consulta (também o fazem quando vai chegando a hora da vacina). Coisa de primeiro mundo.

No meu caso, marquei uma consulta extra aos 5 meses, porque baby Nick nunca foi fã do “tummy time”, não rolava, coisa e tal, então acabei conseguindo, não só uma indicação pro pediatra (a duras penas, concedida pela GP, que é quem, de certa forma, decide se você precisa ou não de levar seu filho ao pediatra), com o uma espera bem curta, de 3 semanas apenas. Graças a Deus, foi confirmado que não havia nenhum problema neurológico e que o fato dele ter pulado essas fases foi por pura preguiça, ou falta de vontade. Entretanto, mesmo eu tendo gostado muito da pediatra (que apesar de ser do tipo seca, bem direta, sem rodeios ou gracinhas), meu coração de mãe não se contentou e levei meu pequeno a algumas sessões de fisio, só pra garantir.

Em geral, seu GP é quem te indica um pediatra, mas se você, por exemplo, tiver a indicação de um amigo, sem problemas, ele endereça a cartinha ao especialista de sua preferência. No meu caso, minha GP me indicou a pediatra, e eu, surpreendentemente, fiquei bem satisfeita.

Agora, sabem o que é o melhor disso tudo? O governo. Isso mesmo, o governo de fato faz valer cada centavo que se paga de imposto, porque não só as consultas infantís com as enfermeiras são completamente gratuitas, como as sessões de fisio (uma hora casa) custam a bagatela de 20 dólares. Além disso, mesmo tendo escolhido uma pediatra particular, o governo banca quase 50% do valor da consulta (exclusividade de quem é Residente Permanente, claro). Um luxo 🙂  Também, não se pode esperar menos que isso, de um país que presenteia a chegada de um novo australianinho com o mimo de 5mil dólares, né? Pelo simples fato de ser Australiano.

Resumindo a ópera: 1- Pediatra aqui, só com motivos concretos e cartinha de recomendação do clínico geral (que muitas vezes faz uma cera danada pra liberar a dita-cuja), ou seja, não é o pediatra quem acompanha o desenvolvimento dos bebês, mas sim, as enfermeiras especializadas; 2- Se você tem Residencia Permanente, pode contar com atendimento gratuito em muitas clínicas e quando não, o Medicare paga até a metade do valor do médico particular (inclusive, a nossa médica de famíla não cobra pela consulta de crianças de até 12 anos. A conta vai direto pro governo, o que eles chamam de bulkbilling); 3- As primeiras consultas do bebê são com enfermeiras e em menor número do que eu gostaria, entretanto, você pode organizar consultas extra, sempre que achar necessário. Mas, se o bebê tiver um resfriado, ou uma alergia, por exemplo, você deve levá-lo ao GP (clínico geral da família).

No início, a gente estranha bastante, pra falar a verdade, nem sei se já me acostumei, mas o fato é que o sistema funciona e que eu estou super satisfeita com o acompanhamento feito pelas enfermeiras – nem tanto com a imposição do médico de família, mas fazer o quê se há escassez de profissionais especializados? O fato é que não existe lugar perfeito, mas no fim das contas, a verdade é que o sistema Aussie funciona e as crianças têm seu desenvolvimento acompanhado de perto. E é por essas e outras que o dia em que eu me mudar daqui, será como estivesse deixando o paraíso 😉

Assim é a pediatria na Austrália. Mas se você quiser saber como funciona em outros países, é só fazer uma visitinha ao Mães Internacionais 😉

Blogagem Coletiva das Mães Internacionais – “Quem Cuida dos Nossos Filhos” – Australia

Desde que abri a porta da minha vida pra maternidade, vi chegando com ela milhares de preocupações e ainda durante minha primeira gestação comecei a me inteirar sobre assuntos tais como parto, amamentação, alimentação, saúde do bebê, o que pode, o que não pode e o que depende. E acreditem, em meio a tantas novidades, o que mais me causou surpresa na época (quando ainda morava em Bloomington, IN, nos EUA), foi a dificuldade em encontrar vaga numa boa creche (ou mesmo numa creche fedorenta!).

Foi num desses cursinhos pré-maternidade, já no meio da gestação, que descobri o que na época achei um absurdo: “assim que você engravida, precisa procurar, encontrar e colocar o nome do seu filho na lista de espera por uma vaga na creche”, me contou uma colega de curso. Fiquei chocada e preocupada, afinal, precisava garantir que ao final dos 6 meses que planejava ficar em casa, teria uma boa creche pra deixar meu rebento e poder, com certa tranquilidade, voltar a trabalhar. Foi quando começou a maratona.

Foram várias as creches visitadas e pouquíssimas as aprovadas, e todas elas, todinhas mesmo, tinham a famosa lista de espera.
 
No fim das contas conseguimos vaga numa das melhores (e mais caras) creches da cidade, o que confortou bastante meu coração de mãe de primeira viagem, e quando chegou o grande dia, com um nó gigante apertando minha garganta, começamos a tal adaptaçãao. Encurtando uma historia longa, 3 meses após o primeiro dia, meu filho, com 9 meses de vida foi convidado a se retirar da creche, notícia que recebi com um telefonema logo após meu intervalo de almoço, tendo ao fundo um bebê aos berros (o meu, claro!). Quem me contactou foi a diretora, que me contou que há tres meses, ou seja, desde sempre, meu filho gritava daquele jeito, toda vez que não tinha atenção exclusiva. “Como assim? Por que levaram tanto tempo pra me avisar?”

Lembro bem que nos primeiros dias, me disseram: “ah, quem precisa se adaptar na verdade é a mãe, porque os bebês ficam ótimos”. Lembro também que nos dias, semanas e meses subsequentes, o relato do fim do dia era ensaiadamente o mesmo: “ah, o dia hoje foi bem melhor…” E, de fato, ele parecia gostar de lá.

O fato é que depois disso, comecei a trabalhar meio periodo, e revezar com o marido, que na época fazia doutorado, o que nos possibilitava uma flexibilidade maior nos horários. De manhã eu ia pro trabalho enquanto o marido tomava conta da cria e a tarde eu  o rendia, enquanto ele cuidava das suas obrigações de doutorando. Mas foi por pouco tempo, porque meses depois nos mudamos pro outro lado do mundo.

Dessa vez, como bons gatos escaldados, pesquisamos as creches e entramos na lista de espera bem antes de chegarmos aqui na Austrália e ainda assim, foram bons 10 meses aguardando nossa vaga, que a princípio nos dava somente dois dias por semana.

Por que pensar em colocar novamente meu filho na creche após a traumática experiência que tivemos?, você me perguntaria. Porque acho, sinceramente, que demos azar, e também porque acho muito mais seguro deixar meu filho numa creche do que com uma babá – a gente ouve tantas historias por aí – sem falar que dificilmente, uma babá fará mais do que tomar conta, dificilmente ela fará com meus filhos atividades que auxiliem no seu desenvolvimento. Pelo menos na creche (numa boa creche, claro), uma “tia” toma conta da outra, ninguém maltrata meu bebê (pra não falar das possibilidades mais escabrosas), existe uma importante interação com outras criancas e há tambem toda uma programação direcionada ao desenvolvimento dos pequeninos.

O que eu sei é que hoje posso estufar o peito e encher a boca pra dizer que estou extremamente satisfeita com a escolha que fizemos e quem toma conta do nosso filhotinho mais velho (de 3 anos e meio) são pessoas super treinadas e competentes, isso pra nao falar do carinho com o qual ele e todos os amiguinhos são tratados.

Nao bastasse isso, o programa da creche é tão completo, tão cuidadosamente pensado, que dá gosto de ver.
Todos os dias, os pais recebem um informativo ilustrado com  fotos das criancas desempenhando varias atividades e contando o que aconteceu no dia, mencionando cada criança. Um trabalho fantástico. Tão personalizado que, cada vez que leio uma passagem referente ao meu filho, por mais boba que seja, fico emocionada.

E a alimentação? Nota 1000! Super saudável e balanceada, é produzida lá mesmo, diariamente. Nada de potinhos, nada de fritura, nada de salsicha, pizza ou nuggets.

Nao tenho a menor dúvida que meu filhote é super bem cuidado e, mais do que isso, super bem conduzido. Vale cada centavo dos mais de 80 dolares diarios* que nos cobram. O Vivi simplesmente adora ir a creche.

Já meu segundinho, aos 8 meses ainda nao foi apresentado à escolinha, muito embora tenha entrado na lista de espera quando ainda não tinha nem 8 semanas no útero (gato escaldado, parte II). Não porque ainda não tenha surgido vaga, porque até surgiu, mas gente, eu estou em casa faz tanto tempo, que decidi que nao me custa ficar mais um poquinho e garantir que ele estará mais maduro pra encarar a famosa atenção dividida, porque muito embora baby Nick seja muito mais tranquilo do que foi o baby Vini, não quero arriscar um segundo trauma no mesmo tema, vou resguardar meu coração pra outros sustos, pois certamente, sendo mãe de dois meninos, muitos ainda terei.

Quem cuida do meu bebê por enquanto sou eu, que sou doidinha e faço mil atividades com ele, brinco, passo sempre a pomadinha contra assadura a cada troca de fralda, faço comidinha gostosinha, ponho pra dormir com musiquinha, se por ventura ele demora um pouquinho mais a acordar, vou checar se ele está respirando (não, isso não é exclusivo a mães de primeira viagem)… Mas meu kinder boy vai a creche feliz da vida desde os quase 2 anos de idade. E quando chegar a hora, meu bebê também irá. Até lá, haja criatividade pra entretê-lo.

Ah sim, recentemente, meu kinder boy passou a ficar em casa duas vezes na semana (pra que eu possa também ter um quality time com ele), e nos outros 3 dias, ele segue passando o dia inteiro na creche, afinal, aos quase 4 anos, precisa cumprir suas obrigações com o programa de kindergarten 🙂

*Sem querer abusar do tamanho do post, mas já abusando, pra você que chegou até aqui, só queria acrescentar que uma das belezas de morar na Austrália é que o auxilio recebido do governo é fenomenal. Dá gosto pagar imposto alto, porque sem dúvida nenhuma, a gente vê com o que é gasto o dinheiro, especialmente quem tem filhos. Um dos muitos benefícios de ser residente permanente aqui é receber um mega abatimento nas mensalidades da creche.

fotos retiradas de um dos informativos diarios da creche

E pra fechar, quem quiser ler mais opniões de mães pelo mundo afora é só dar um pulinho no Mães Internacionais, que hoje está rechedo de publicações sobre o tema.

Mães Internacionais

Gentem, não sei se vocês repararam, mas tem um selinho novo e único na coluna aqui do lado, é do Mães Internacionais, um site muito interessante, especialmente pras mamães brasileiras que como eu, nao moram na Terrinha. Lá estão reunidas mais de 40 mães, que espalhadas por esse mundão contam um pouco sobre como é a vida de uma Mãe Internacional.

Pois bem, este post é especialmente dedicado a uma propagandinha básica, porque além do site ser super bacana e abordar uma grande variedade de assuntos, está pra rolar um sorteio na primeira semana de Junho.

Participar é muito fácil, basta “curtir” a pagina do Mães Internacionais no Facebook e pra dar uma olhada nos prêmios, é só clicar AQUI

Se você gosta do The Jump, tenho certeza que também vai gostar do MI  😉