Fontaine de Vaucluse + Menerbes


Hoje, pra encerrar nossa estada en Provence com chave de ouro, fomos à Fontaine de Vaucluse, um lugarejo lindo, de onde brotam as águas magnificamente translúcidas do rio Sorgue.

Chegamos e como já estava tarde, nossa primeira providência foi parar pra almoçar. Muito embora soubéssemos que seria furada, escolhemos (do verbo “meu marido escolheu”) um dos primeiros restaurantes que vimos pela frente, às margens do rio Sorgue e entramos. Olha, não é que se coma mal na França, não mesmo, mas quanto mais turístico é o local, pior é a comida (isso seja na França, na Espanha, ou em qualquer outro lugar do planeta). A verdade é que trata-se melhor o cliente que vai voltar e o turista não é um cliente cativo – já viu, né? Então, fica a dica, se você preza suas papilas gustativas, não coma em pontos altamente turísticos. Procure sempre que possível as ruelas e os restaurantezinhos escondidos. Nunca vá no lugar mais fácil, a menos que você não se importe com a qualidade do serviço e da comida.

Mas voltando ao nosso almoço. Fraco, muito fraco. Tão fraco que preferia não ter almoçado. Vejam bem, normalmente quando almoço num restaurante “fraco”, não saio de lá com raiva do restaurante, mas de mim por ter sido preguiçosa. Desta vez, saí com raiva dos dois, de mim pela precipitação e do restaurante que me fez deixar metade do prato insosso lá. Nem a sobremesa se salvou. Será que eu sou muito exigente? Enfim, ao menos a vista do rio era linda 🙂

Após o almoço fomos em direção à fonte, de onde brotam as águas cristalinas: uma “poça” azul com um buraco negro e infinitamente profundo no centro, dentro de uma caverna. O acesso não é fácil para crianças pequenas como o Nick, que ficou desiludido por não ter chegado pertinho da fonte, mas o Vivi adorou a aventura 🙂

O entorno é de uma beleza estonteante: montanhas, ruinas de um castelo, o rio lindo de águas límpidas que permitem ver a vegetação no fundo, e muito verde por todos os lados. A cidadezinha também é fofa, mas extremamente turística, ao ponto de extrapolar no número de vendinhas, então curtimos muito mais a parte natureza do lugar, que vale muito a visita.

Saindo de lá, fomos à Ménerbes, outra aldeiazinha fofa, toda em pedra no alto da montanha. Linda de doer. Entretanto, talvez por ser segunda-feira, a cidade estava meio fantasma, sem uma viva alma pelas ruas. Éramos nós, as casas de pedra, o sol e a brisa das montanhas. Além do conjunto arquitetônico lindo, a vista também era exuberante, mas nem assim, nos motivamos a gastar mais tempo por lá e o motivo é bem simples, estávamos exaustos, com a bateria fraquinha, precisando com urgência descansar.

Viajar tendo dois molequinhos elétricos pra look after é cansativo por si só, e o ritmo em que estamos levando essa viagem é frenético, tão frenético que os meninos chegam no hotel, tomam banho e capotam. Só acordam na manhã seguintes, e mesmo assim porque “arrancamos”os dois da cama, porque a maratona de passeios tem que continuar :).

Hoje encerramos nosso dia mais cedo, até porque, tinha jogo do Brasil, então, voltamos pra casa, tomamos banho e fomos pela primeira vez, jantar no restaurante do hotel, que estava, pasme, cheio (e não era de hóspedes)!

Comemos super bem e fomos muito bem atendidos. O prêmio garfo de ouro vai pro meu primeiro prato: camarões gigantes sautè – gente o que era aquilo??? Uma explosão de sabores, uma delícia – nunca nesses meus tantos anos de vida comi camarões tão saborosos.

Se estiver programando férias em Provence, recomendo: fique no Le Mas Des Amandiers e não deixe de prestigiar o Restaurante do hotel – vale cada centavo. Aliás, se é pra recomendar, jantem no Cafe du Progrès em Maillane, um vilarejo pertinho – atendimento nota 1000 e comida nota 10.000 (apresentação e qualidade). Apesar de não termos conseguido comer lá em nossa última noite (nosso plano era assistir o jogo lá), porque o dono disse que não serviriam jantar naquela noite (decepção), só tenho boas recomendações do lugar 😉

Amanhã é dia de partir. Partirei com o coração na mão…

PS. O jogo do Brasil, assistimos no salão do hotel, junto com uma turma de franceses, dentre os quais, havia um que, pasmem, falava português – quem poderia suspeitar? Um francês super gente boa, que já trabalhou em Angola e visitou o Brasil várias vezes (Rio, Salvador e até mesmo Jaguaquara lá no interiorzão da Bahia – tá mais brasileiro que eu, rsrsr).

Descobrimos no apagar das luzes que até o dono do hotel (que aliás super recomendo!), apesar de não falar, entende bem o português, dá pra acreditar? Assistimos ao jogo suado, regados a licor de menta (tô muito cachaceira, rs) e com background francês – que deixa qualquer ambiente mais refinado (chique benhê, rsrs). E assim com uma vitória suada do Brasil, demos por encerrada nossa estada em Provence – confesso que não sem ficar com gostinho de quero mais.

Bormes Les Mimosas (+ quick Cassis)


Hoje foi dia de praia. L’Estaggnol. Praia longe. Praia que pra chegar, pegamos duas horas e meia de estrada e alguns pedágios (ô terra pra ter pedágio, meu Deus!) e quando chegamos, encontramos um estacionamento que mais parecia um camping, no maior estilo farofa e que pra entrar cobrava 8 euros.

Encontramos também uma praia com uma faixa estreita de areia já quase toda tomada devido o adiantado da hora (chegamos já passava do meio-dia, no final eu conto o porquê). Mas sabem de uma coisa? Adorei! Por quê? Porque adoro praia :), especialmente nesses moldes: pequena e com um mar calminho de cor linda e temperatura agradável. Mediterrâneo, I love you!

Cometemos a gafe de não comprar cangas ou toalhas de praia, contando que a praia fosse estilo as de Sitges, com vendedores pelo caminho. Ledo engano. Não só não havia uma cidadezinha colada, como também não havia mais do que dois restaurantes e uma vendinha que alugava cadeiras, e àquela altura, nem havia mais espaço na areia pra elas.

Ainda assim, seguimos as placas e láaaaa no finzinho encontramos a tal vendia que por sorte vendia esteiras de palha, mais baratas que o aluguel das cadeiras. Compramos duas esteiras e lambemos os beiços, rs.

Passamos horas felizes dormindo na esteira, brincando na agua e jogando frescobol. Que dia revigorante! Depois de tantas andanças o dia inteiro, todos dias, estávamos mesmo precisando desse refresco (as crianças, claro, a-ma-ram!). Como não levamos a farofa, rs, quando a fome bateu, resolvemos levantar acampamento e ir almoçar na cidadezinha no alto do morro (Bormes les Mimosas).

Gente, que gracinha de cidade! E pra deixá-la ainda mais cheia de encantos, estava rolando um festival de flores, que por estar já no finzinho, estavam distribuindo de graça, bouquets de flores lindíssimos 🙂

Como nem tudo são flores, demos nossa segunda mancada do dia: ainda impregnados pelos hábitos espanhóis, fomos almoçar tarde, e no sul da França, almoço rola até as 2pm. Se às quatro você senta num restaurante, assumem que é pra beber, ou tomar um sorvete… Menu do jantar só a partir das 7. Tivemos que nos contentar com um sorvete, fazer o que?

Demos uma volta pela cidade fofa, que estava toda enfeitada em bandeirinhas no melhor estilo junino e antes de pegarmos o caminho da roça, fizemos uma parada estratégica no banheiro público, porque meus meninos tem que visitar o Mr. Toilet a cada duas horas, e ao abrir a porta, me deparei com o inesperado: instalações no melhor estilo chinês! Buraco no chão :O Saindo de Bormes, resolvemos dar uma passada em Cassis, pra uma prainha de fim de dia (já que a noite só cai depois das 10pm), mas foi furada. Só encontramos praias de pedrinha – nada apropriadas para as crianças – e o tempo estava nublando, o que transforma instantaneamente um mar lindo, num mar sem graça. Até demos uma meia parada, mas nos conformamos rapidamente e fomos embora – detalhe: ainda sem almoçar!

Antes de irmos pro hotel, passamos em nosso boteco preferido em Maillane pra saber até que horas a cozinha ficaria aberta e fomos pegos de surpresa pela notícia que eles não estariam servindo jantar esta noite – oi? Como assim? Bom, eu acho que, como era dia de jogo do Brasil, eles preferiram não trabalhar e assistir o jogo (até porque, o palpite deles para a final, que estava estampado na frente do restaurant sob forma de duas bandeiras enormes, era França e Brasil – com a França, claro, ganhando do Brasil de 4 x 1, rsrsr). Anyway, no dinner for us!

O jeito foi passarmos novamente em St. Remy pra comer aquela pizza que dispensamos ontem à noite, já que nossos trajes praianos não estavam apropriados para estabelecimentos de mais respeito, rs. Compramos duas pizzas, uma garrafa de vinho, uma de água e fomos pro hotel. Encerramos o dia comendo pizza direto da caixa, no quarto – que viagem que não tem seu dia de pobre? 🙂

Em tempo: sabem porque, muito embora tenhamos acordado super cedo, saímos super tarde do hotel hoje? Porque perdemos a chave do carro – há! Acordamos, nos arrumamos, arrumamos as crianças, arrumamos a mochila, tudo pronto, até que o marido pergunta: “onde está a chave do carro?” Oi? Como assim? tá no lugar de sempre (que pode ser, ou em cima da mesa, ou do armário, ou da mala). Não estava. E assim começou a saga da procura da chave que levou, quase duas horas. Procuramos no estacionamento, no caminho até o quarto, perguntamos na recepção, reviramos o quarto de cabeça pra baixo, levantamos colchões, olhamos atrás do vaso, embaixo das camas, dentro de todas as malas, bolsas, mochila, geladeira, armário. Sacudimos cada lençól, corbertor, travesseiro. Esvaziamos a mala de roupa suja duas vezes, até que desistimos (justo no único dia em que programamos uma viagem mais longa). Sentamos e começamos a pensar. Não havia mais onde procurar, nem São Longuinho resolvia. Perguntamos mil vezes pro Nick se ele havia pegado a chave (porque ele adora brincar com chaves), se havia levado pra fora… tentei refazer caminhos com ele, mas ele sempre alegava que não havia pegado a chave. Mas como pode?? Iamos ter que ligar pra locadora. Até que o marido levanta e tira toda a roupa suja de dentro da mala (de novo) e ao mover a mala, ouve um barulho: era a chave, que não estava dentro, mas atrás da mala,  caindo no chão. E neste momento, Vivi da Silva Sauro, olha pra gente e fala: “Desculpa, desculpa, desculpa! Ontem eu me apoiei na mala e senti uma coisa caindo atrás, mas não sabia que era a chave”.  E assim, perdemos duas horas de praia nesse domingo ensolarado e ainda ganhamos uns cabelos brancos e umas rugas de brinde. Thanks, Vivi 😛

Aix en Provence + St. Remy pra jantar


Hoje foi um dia diferente, resolvemos sair da rota das aldeias encantadoras e tentar uma outra pegada. Fomos a Aix-en-Provence, conhecer a pequena Paris.

De fato, uma Paris miniature – bem miniature mesmo, rs!  É bonitinha, como uma boa cidade européia, mas sinceramente, ordinária (no sentido de não ser extraordinária, entende?). Não me arrancou suspiros – nem unzinho sequer.

Exploramos a cidade num passeio a pé, visitamos dois museus e nos demos por encerrado nosso dia.

Sinceramente, quando você conhece (e adora!) Paris, não há muito sentido em passear por uma petite Paris – frustração talvez…

Mas ó, não me arrependo, porque como disse, a cidade é bonitinha, além do mais foi ótimo pra reforçar a temática original do roteiro: após passarmos o dia lá, vimos que esta viagem está fundamentalmente na mood das aldeias. Prova disso é que pro jantar, voltamos a St. Remy, acredita? Até porque o almoço em Aix foi beeem caído – eu sei, tá parecendo que eu tô de má vontade com a cidade, né? Mas ó, juro que não. Entretanto, da próxima vez, sigo meus instintos (aqueles que limaram da lista Marseille, Arles…)

Anyways, como disse, voltamos a St. Remy pra jantar e por sorte estava Rolando um festival musical na cidade, ou seja, musica ao vivo em cada esquina – escolhemos o restaurante baseados no no estilo da banda que estava tocando em frente ao restaurante 🙂 e apesar do meu “risotto” de camarão ter vindo pobre em camarão e, pior, não ser risotto nem aqui nem na China (tava mais pra arroz a piamontesa), o vinhozinho e o pôr do sol com fundo musical nos fizeram encerrar o dia em grande estilo 🙂

Em tempo: não temos dado sorte com a culinária local – também pudera, o foursquare parece que não funciona por aqui! Acho que a região é tão turística que ninguém se preocupa em avaliar os restaurantes.

Les Baux de Provence

São 7:30 pm e eu tô aqui, sentadinha à beira da piscina com o solzinho de Provence batendo no rosto, enquanto atualizo o blog ao som do canto das cigarras – a vida é bela 🙂

Hoje nos programamos para fazer 3 passeios, mas acabamos por fazer apenas um.

Les Baux, apesar de pequena, nos tomou o dia inteirinho – mas ó, não tô reclamando 🙂 Turistar com dois molequinhos a tira-colo requer alguns ajustes.

Não saimos de casa tão cedo, nem voltamos tão tarde. Não pulamos de galho em galho, não pegamos rotas perigosas e sempre paramos quando avistamos um playground. Mas sabem de uma coisa? Esta viagem está me saindo muito melhor que o esperado. Tô bem feliz com nosso esquema de viagem familiar.

Les Baux é realmente encantadora, desde a primeira curva, quando a vimos coroando a montanha, senti meu coração bater acelerado – eu sou dessas, vocês sabem, né? 🙂 Mas antes de chegarmos ao vilarejo, ainda no início do caminho – que aliás, não sei porque, mas nosso GPS insiste em nos mandar por caminhos alternativos, por estradinhas estreitas pelo meio de fazendas – passamos por uma exuberante e inesperada plantação de girassóis. Claro que eu fiz o Mauri parar, né? O Vivi ensaiou uma reclamaçãozinha, mas logo lembrou: já sei, papai, “happy wife, happy life”, rsrsr – Isso aí, meu filho, quanto antes você aprender isso, mais feliz será sua vida 😉

Anyways, campo de girassóis devidamente registrado, voltamos ao nosso rumo.

Chegando a Les Baux, percorremos suas ruelas estreitas, visitamos igrejinhas, lojinhas e atelieres. E por falar em atelieres, no último que visitamos, guiados pelos meninos (amo muito isso deles se interessarem por galerias e museus), ao sairmos, Vivisauro decide sentar-se na cadeira vaga ao lado das artistas. Deu um bonjour, sentou e com a linguagem universal dos gestos se enturmou com as senhoras francesas. Nao demorou pra que o Nick entrasse na conversa, e aí, gente, nem preciso falar né? Vivi nos despachou e disse que ali era a casa dele agora.

Como as senhoras falavam algum inglês, a conversa rolou solta. Os folgados pediram até uma aguinha com gás pra sobreviver ao calor – morro de vergonha, gente! hahaha

Conversa vai, conversa vem, tivemos que tirar os meninos de lá arrastados, porque eles se recusavam a ir embora – as francesas se divertiram com o Vivi e ficaram encantadas com o Nick 🙂 Definitivamente, esse gene da extroversão pulou uma geração (dos dois lados da família!). Os meninos acumularam  o gosto pelo papo furado do vovô Fred e do vovô William. Perigo total! Se não quiser papo com eles, evite eye contact, rsrsr

Paramos numa sorveteria pra fazer um agrado pros meninos e aproveitei pra provar o interessante sorvete de lavanda – não é melhor que sorvete de chocolate, mas ó, provado e aprovado 😉

Seguimos em direção ao Castelo e lá, entre vistas magníficas e ruínas cheias de história passamos horas a fio.

 

No almoço paramos num micro restaurante, e para acompanhar tomamos meio litro de vinho (voltará pra Melbourne uma nova Erica, aviso!), o que me deixou um pouquinho menos desconfortável para responder a garçonete que insistia em falar (em francês, claro), olhando pra mim. Mas eu tô melhorando, gente… Já até arrisco um “ajuntamento” de palavras (não confundir com frases!) com um sotaque arrastado, pra fazer pose de quem sabe alguma coisa, rsrsr (sei nada!). Mas sem dúvida nenhuma, tentar falar a língua local abre portas, especialmente na França. E para aqueles que insistem em dizer que francês é rude, repito: desde de minha primeira experiência em terras francesas, sempre fui muito bem atendida pelos locais. Sempre com sorrisos e educação. Durante esta viagem não tem sido diferente.

Almoçados, tomamos o caminho da roça, no caso da Carrieres de Lumieres, um museu fantástico, diferente de tudo que já vi na vida – daqueles lugares que dão borboletas no estômago e te deixam de olhos arregalados. Um prato feito pra quem gosta de arte no seu estado mais “artsy” – se é que vocês me entendem 🙂

Pra quem quiser saber direitinho do que se trata, clica aqui ó

Hoje encerramos o expediente mais cedo, e como vocês podem ver, teve neguinho capotando no meio do caminho:


Voltamos pro hotel em tempo das crianças poderem aproveitar o dia quente na piscina (e eu aproveitei pra atualizar o blog).

A verdade é que o dia pode até ter terminado, mas a noite está apenas começando, então com licença porque eu tenho um França x Suíça pra assistir no boteco mais badalado de Maillane 😉

L’Isle Sur La Sorgue+ Gordes + Roussillon


Hoje o roteiro foi intenso – já falei que faço a programação sempre na noite anterior? Geeeente, nunca fui assim, juro! Não sei o que está acontecendo comigo. Pelo menos até agora tem dado certo. Deve ser a proteção do Santo dos viajantes incautos, rs.

Começamos com uma visita despretenciosa a L’Isle Sur La Sorgue, onde nos deparamos com um mercado popular super pop (assim, com redundância mesmo), apinhado de gente, fato que dificultou um tantinho o estacionamento. A cidadezinha é uma fofura e, apesar de cheia de turistas (já viu isso: turista que não gosta de turista?! rsrs), encantadora. Passeamos pelas ruas, nos encantamos com as águas límpidas do rio Sorgue que margeia a cidade (gente, parecia até um rio cenográfico de tão limpinho e lindinho), fizemos umas micro comprinhas e saímos de lá encantados com a beleza.

Nossa segunda parada foi a linda Gordes, uma aldeia de arquitetura de pedra que te faz suspirar a cada esquina. O simples caminhar pelas ruelas já enche teu coração de alegria, mas como turismo com crianças requer um algo mais, cedemos (mais uma vez) aos pedidos insistentes do Vivi e visitamos um museu/ruína que havia, onde outrora funcionava uma moenda (?) de azeite – confesso que não foi o deinheiro mais bem investido, mas o que a gente não faz pra ver as crianças felizes? Rs No fim das contas, aprendemos um tanto sobre azeites e azeitonas e também sobre a história da cidade. O Vivi ficou um pouco entediado e confessou que estava achando que era uma caverna e não um “azeite blablablá”.

Mas Gordes não se resume a um conjunto arquitetônico de arrancar suspiros, nem a vistas de beleza estonteante. As surpresas escondidas também me conquistaram.

Volta e meia esbarrávamos numa exposição de fotografias, cada qual com sua temática. A que eu mais curti foi a “Pés”, um registro de, como o tema indica, pés 🙂 Tripés, pés de planta, pés de gente, pés de bichos, pés de móveis… a criatividade era o limite. Adorei ver arte pipocando a cada 100 passos.

Mas o dia não terminou em Gordes, Roussillon nos aguardava 🙂

Em Roussillon, a visita foi mais que completa. Fomos até convidados a entrar numa “casinha” nada “inha”. Gente, abafa o caso e a vergonha, porque eu não sabia onde enfiar a minha cara.

Estávamos nós passeando alegremente pelas ruas de Roussillon, apreciando a arquitetura e suas cores que estavam ainda mais lindas com a luz do sol da tarde, quando, num descuido nosso, Nickito faz toc toc toc numa porta alheia. Como não era bem uma porta, mas um portão, tipo portão de garagem, não me incomodei, só que para nossa surpresa, vieram abrir o portão (e eu fiquei com cara de tacho). Eu, ainda do outro lado da rua, vi a porta se abrir lentamente e do lado de dentro, aparecer um senhor num roupão laranja, que por um momento pensei ser um monge. O senhor, olhando pro Nick (o irresistível), deu boa tarde e nos convidou a entrar. Oi?? Como assim??

O pior? O pior é que entramos! Não me perguntem porque, rs, mas quando eu vi, já estava lá dentro.

Entramos e ouvimos a esposa dele perguntando a ele quem eramos. Ele respondeu: visitas!

O senhor nos levou até a piscina, nos mostrou a bela vista (gente, um dia, quando eu for rica e famosa, vou alugar uma casa em Roussillon com aquela piscine e auela vista, U-A-U!) e pra coroar minha vergonha com a cerejinha mais vermelha, a filha do casal se oferece para tirar uma foto da família intrusa à beira da piscina tendo ao fundo a mais bela das vistas. Olha, gente, a vergonha era tanta, que eu sentia meu rosto queimando. Mas eu sou boba, né? Quando saí dalí, fiquei imaginando: se fosse o Fred, meu sogro, ele não só teria pedido pra ver o resto da casa, como teria feito amigos e se bobeasse, teria sido convidado pro jantar, hahaha. Tá, vai, dá um desconto, já que eu não falo na-da de francês, mas ainda assim, mais do que a fluência, me falta mesmo é a cara de pau (aquela que o Fred e o Vivi tem de sobra), e que abre portas. Neste caso, literalmente, rs.

Sério, ainda não acredito que entrei na casa de um desconhecido assim, do nada. Já imaginou se fosse um serial killer? Ninguém nunca iria saber do nosso paradeiro! Hahaha

Brincadeiras à parte, o cara tinha a maior pinta de que havia alugado aquela casa por uma temporada. Aquele jeitão, aquele roupão… aquela falta de noção! Hahaha

Digam o que quiserem, viajar com crianças (especialmente as sociais como as nossas) dá trabalho, mas também dá muita história pra contar – ô se dá!

E pra encerrar a postagem do dia, as delícias de se fazer roadtrip pela linda Provence 🙂

Dia de turista em Avignon


O dia hoje foi dedicado à Avignon. A visita ao palácio papal é sem dúvida um passeio no túnel do tempo e a cidade cercada pela muralha é uma graça. O palácio papal é incrível e até a visita à ponte também vale muito a pena – são belezas que você guarda na memória pela vida inteira.

Sorte nossa, os meninos curtem bastante museus e igrejas (quem poderia supor?) e também não reclamam demais das nossas andanças sem rumo por ruas desconhecidas, o que me deixa bem satisfeita :).

Claro que durante nossas caminhadas, temos que fazer um agrado ou outro, né? O preferido deles é distribuir moedas, que na visao deles deve dar em árvore, rs. Mas ó, as moedas eles querem dar apenas pros artistas de rua. Não importa a modalidade, se fazendo de estátua, cantando, tocando… eles não fazem distinção, gostam de todos e a todos querem mostrar sua apreciação. Mas eles só querem ajudar a preencher o chapeuzinho daqueles que se esmeram em de alguma forma entretê-los, não querem contribuir com aqueles que, sentados à beira da calçada, pedem uma ajudinha. Vivi, inclusive me perguntou: “mamãe, como ele quer ganhar dinheiro se ele não faz nada, só fica sentado? Ele não deserve, né?” – interessante a observação de um menino de 6 anos, né? E a sinceridade então? E eu que não cuide de podar essa sinceridade toda pra eu ver o que acontece… Enfim, eu explico que nem todo mundo tem skills pra entreter e que algumas pessoas podem estar passando por uma situção financeira difícil e tal… mas acho que não o convenço completamente.

Esta nossa temporada por aqui está sendo realmente enriquecedora, não só expondo os meninos a novos cenários, repletos de cultura, de história, mas também mostrando pra eles, num ambiente seguro, que existem realidades bem diferentes daquelas que eles estão acostumados nos subúrbios de Melbourne.

Anyways, voltando a Avignon… o difícil foi encontrar um lugar em que valesse a pena sentar pra almoçar. Absolutamente contra a minha vontade, levamos os meninos ao McDonalds (mal sabem eles, que assim que voltarmos à vida real, a farra do junkie food e do refrigerante vai acabar e tudo voltará ao que era antes, rs) e saímos à procura de um lugarzinho pra comermos com calma. E como nem tudo são flores, fail! Acabamos comendo um doce numa padaria e deixando a refeição pro jantar.

Hoje foi dia de jogo do Brasil, então voltamos a St Remy para jantar e assistir o jogo. A comidinha até que estava esperta, especialmente se comparda às bombas a que temos nos sujeitado (sentindo falta de Paris no quesito culinária).

St Remy de Provence e arredores (de bike!)


Hoje, pra inaugurar nosso primeiro full day “en Provence”,  o passeio foi audácia pura.

Euzinha, a desequilibrada,  carregando o Nickito na cadeirinha da bike e o Mauri com uma bike dupla, com o Vivi atrás, que tal?

A bike, claro, era elétrica, porque passeio pelo countryside de Provence pra ser glamuroso, tem que ser sem muito esforço, né não? Encontrei meu elemento, gente!

Visualizem: euzinha, cabelos ao vento, pedalando ora entre campos de oliveiras, ora entre vinícolas, descobrindo Igrejas de pedra e aldeias sem uma viva alma pelas ruas. Subir ladeiras, se enveredar por ruínas, avistar lá do alto uma paisagem de tirar o fôlego e depois dar uma paradinha num café, tomar um vinho branco refrescante e beliscar queijinhos e frios, à francesa 🙂 Ah, e o banheiro do café? Super cool!

Detalhe foi o Nick paquerando a menina do café – mandando beijo e jogando charme sob forma daquele sorriso tímido que só ele sabe fazer.

Tudo muito lindo, né? Só que… cês sabem, né? Imprevistos acontecem e nós não só pegamos caminhos errados várias vezes (quase dobrando as horas pedaladas), como pegamos caminhos de pedrinhas, super difíceis de pedalar, e foi numa dessas que, eu, com o Nick dormindo na cadeirinha, tive que sair da bike e dar meia volta pra tentar um caminho mais pedalável. Até aí, tudo bem, não tivéssemos , durante a manobra, eu, a bike e, é claro, o Nick (dormindo, coitado) caído, assim cataploft, no chão de pedrinhas. Graças a Deus, nada pior aconteceu, além do enorme susto, especialmente do pobre Nickito que acordou no chão (amarrado à bike).

Passado o susto, voltamos a nossa rota de volta e após pegarmos o caminho errado mais umas duas vezes, chegamos sãos e salvos just in time, antes que a loja fechasse :).

Em nosso passeio, saímos de St Remy e passamos por duas aldeias, Moleges e Eygalyeres, onde pudemos parar não só pra nos refrescar, como também pra babar na lindeza (especialmente em Eygalyeres). A experiência só não foi nota 10 pra todo mundo, porque o pobre marido, já no finzinho do passeio, exatamente no trecho mais difícil, se viu sem bateria! Agora visualizem o bichinho pedalando num chão fofo de pedrinhas, e depois nas subidas, puxando a bike do Vivi… not very fun 😐

Eu, graças à Deus (ou graças a eu ter usado menos o modo elétrico durante o passeio, rs), terminei sem suar… quem poupa tem  – fica a dica ;).

Mas a verdade é que poderíamos ter pego baterias novas em uma de nossas paradas, só não o fizemos porque a mocinha que nos passou as instruções, disse que não seria necessário, mas acho que ela não contava que fôssemos nos perder tantas vezes pelo caminho..

Ai, gente,  tirando os contratempos (que no fim das contas fazem parte da aventura, rs), o dia hoje foi mais-que-perfeito – super recomendo o passeio de bike por uma das várias rotas lindas de viver. Foi, na minha humilde opinião, a melhor forma de conhecer o interior de Provence na íntegra. Delícia mesmo! Não fosse um passeio tão puxado pras crianças, faria pelo menos dois outros durante nossa estada aqui.

Quem estiver planejando vir a Provence e quiser se aventurar pelo interior de bike, clica aqui ó: Sun e Bike.