Num piscar de olhos

Acabo de sair do quarto dos meninos. Os dois dormem faz tempo, entretanto o Vivi está novamente sob o ataque daquela crise de tosse que volta e meia o assombra.

Fui lá passar Vicky nas plantas dos seus pés e calçar-lhe meias, e qual não foi meu espanto ao notar suas canelinhas magrelinhas cobertas em pelos. Meu Deus, meu pequeno, que noutro dia mesmo era um bebê, já está crescendo pelos nas pernas! Não são pelos adultos, mas até um mês atrás, tudo o que ele tinha era uma penugem quase imperceptível e há um ano, nem isso tinha.

A sensação que tenho é que essas crianças crescem num piscar de olhos, só que mesmo assim, ainda tenho vontade de pega-los  no colo, quando estão doentes (ou mesmo quando não estão) e leva-los pra minha cama. Fico pensando, será que isso passa? Será que essa vontade de proteger, de colocá-los sob as penas da minha asa, será que passa? Ou será assim para sempre?

Será que se for assim para sempre, eu conseguirei dosar pra não sufoca-los? Amo tanto essas coisinhas, que morro de medo que eles cresçam, casem e se mudem pra bem longe. Morro de medo de um dia estar a milhas e milhas de distância e não poder passar Vicky nas plantas de seus pés, de não poder acudir, colocar sob a proteção da minha asa.

Às vezes tenho medo, muito medo de piscar os olhos.

 

Em tempo: Marido viajou hoje e estará fora por alguns dias. Mal saiu e já estou sentindo um vazio enorme na casa, no peito. Calculo como me sentirei o dia que os meninos saírem do ninho.

 

10 anos desde o sim

Sexta passada completamos 10 anos desde o sim. Dez anos desde que nos tornamos oficialmente um casal. Dez anos de uma vida a dois de muito amor, cumplicidade e aprendizado.

Os anos iniciais (before kids) foram sem dúvida nenhuma os mais fáceis. Dois anos de namoro perfeito somados a três de lua-de-mel inesquecível nos prepararam para o que viria ser o maior desafio do nosso casamento: virar uma família.

Ao longo dos anos pudemos comprovar o quão diferentes somos um do outro. Tão diferentes que se alguém, há 12 anos chegasse pra mim e descrevesse quem viria a ser meu marido e pai dos meus filhos, eu teria dado uma bela gargalhada (acho que já escrevi isso antes).

Eu gosto de passar horas na praia. Ele fica entediado.

Nos fins de semana, eu gosto de passear. Ele prefere voltar do futebol e dormir no sofá em frente a tv ligada e com os pés pro alto.

Eu adoro viajar. Ele tem preguiça.

Quando viajo, adoro visitar cada museu. Ele prefere não “exagerar”.

No dia-a-dia, gosto de fazer sempre os mesmos caminhos. Ele prefere pegar caminhos diferentes.

Eu acredito na veracidade das avaliações do FourSquare (e nunca me arrependo). Ele prefere arriscar qualquer restaurante (e sempre que o faz, se arrepende)

Eu curto uma vida urbana. Ele prefere a suburbana.

Eu gosto dos barulhos da cidade (mesmo pra dormir). Ele fica extremamente incomodado.

Eu gosto de dormir com edredom pesado (até no verão). Pra ele, um lençolzinho basta.

Eu odeio ar-condicionado. Ele adora.

Eu não ligo pra TV. Ele não passa sem.

Eu prefiro roupas lindas. Ele prefere as confortáveis.

Eu adoro tirar fotos de tudo, mas também gosto de aparecer nelas. Ele gosta que eu tire fotos de tudo, mas não gosta de tirar fotos, logo, foto minha é coisa rara.

Eu sou contra dar palmadinha nas crianças. Ele acha que às vezes é necessário.

Eu queria muito ter o terceiro filho. Ele não. Eu desisti.

Eu, se um dia sair da Austrália, se não for pra um país europeu, gostaria que fosse de volta pro Rio. Ele prefere voltar pros EUA.

Eu sempre acho que a pessoa é menos esperta do que se apresenta. Ele acha que a pessoa é mais esperta (e sempre se decepciona).

Eu sou exagerada. Ele é contido.

Eu amo sair pra dançar. Ele odeia.

Eu não sou nada esportiva. Ele é super.

Eu como doce super rápido. Ele devagar.

Eu prefiro Thai. Ele indiano.

Eu acredito em Deus. Ele não tem certeza.

Eu arrumo a casa. Ele bagunça.

Quando eu faço alguma coisa, faço 100%. Ele se contenta em fazer 80.

Eu lembro todas as datas. Ele precisa ser lembrado.

E apesar de tantas coisas que NÃO temos em comum, ele é o meu melhor amigo, o melhor marido que eu poderia ter, o melhor pai que poderia escolher pros meus filhos, o melhor companheiro, que eu quero ter ao meu lado por todas as décadas da minha vida.

Este ano, ele tirou o dia off. Almoçamos juntos no thai que eu tanto gosto, comemos sobremesa no San Churro e à noite fomos a um musical que eu estava doida pra assistir, o Wicked – desta vez com lugares de respeito :). Combinamos também que daqui pra frente, agora que os meninos estão maiores, vamos resgatar nossas saídas a dois, porque por mais que eu ame meus moleques, respirar é preciso 😉

PS. Gostaria de deixar registrado aqui que sinto falta das manhãs musicais de domingo, quando eu era acordada por ele tocando violão. Sinto falta também das cartinhas – tá, eu também não escrevo mais cartinhas faz tempo, mas eu publico posts, então tô desculpada, né? 😉

Recordações

 

Esta semana, aparecemos no Brasileiros Mundo Afora mostrando uns shots das nossas primeiras viagens em família: primeiro quando éramos 3 e depois em 4.

A pergunta é: será que ainda teremos uma terceira “primeira” viagem em família? Sim, porque eu continuo com a ideia fixa de ter o terceirinho – o Thomas, lembram? 🙂

Enfim, o tempo dirá… e se eu não tiver mais um filho nos próximos 3 anos, vou adotar um gato. Pronto, falei! rs

Quem quiser conferir as fotos que são pura nostalgia, é só clicar AQUI 😉

milagre do dia dos pais

Ontem foi Dia dos Pais, mas no apagar das luzes quem ganhou um presentão foi a mamãe aqui 🙂
O dia começou com um despretensioso e improvisado (porém  gostosinho) café da manhã: crepe de brie, tomate e presunto de entrada  e de chocolate com banana (um luxo nessa terra aussie) e mais chocolate pra fechar. Not bad 🙂
Aproveitando que o dia estava surpreendentemente agradável, passamos a tarde fora com as crianças. Até o bebezuco se esbaldou – e quase comeu pedra. Vivisauro ficou soltinho e bebezuco bem entretido explorando o mundo a sua volta – até as gaivotas foram perseguidas pelo nosso aprendiz de peralta. E crianças entretidas é sinônimo de paz pros pais 🙂 Deu até pra conversar sem a interrupção de um bebê manhoso chorando por colinho ou de molequinho gritalhão querendo atenção. Coisa boa!
Mas gente, o melhor de tudo foi o resultado do dia: crianças (beeeeeeem) cansadas.
Bebezuco só foi tirar sua soneca da tarde lá pelas 5. Mas a surpresa foi que apesar de ter acordado às 6, não quis muito papo, mamou e capotex novamente. E, gente, sabem que horas elezinho acordou novamente, contrariando todas, eu disse TODAS as expectativas? CINCO E MEIA DA MANHÃ! Juro, eu mal consegui acreditar e claro acordava de hora em hora já esperando ser chamada. Bebezuco dormia um soninho tão profundo – como nunca antes nesses quase onze meses – que chegou a me perturbar e às três da matina acordei de um pesadelo para a insônia. Sonhei que bebezuco não acordava porque havia se enroscado no cobertor e não conseguia respirar. Um sufoco! Claro, levantei e fui ver se estava tudo OK. Ele dormia o sono dos justos. Voltei pra cama e  fiquei de plantão por pouco mais de uma hora. Aí foi assim: bebezuco acordou às 5:30 pra mamar, mamou e dormiu por mais uma hora. Não podia ser sempre assim? A noite foi tão tranquila que nem o Vivi chamou “papai… mamãe…” Não se ouvia nada, a não ser um ronquinho do Vivi vez por outra.
Mesmo com uma insônia no meio do caminho, tenho que dizer: dormi tanto que cansei! 🙂
Hoje o dia amanheceu geladinho, não vai rolar bricadeira no parque 😦 Quem aproveitou aproveitou. Sabe-se lá quando terei outra oportunidade de dormir assim…
Mas valeu o milagre do Dia dos Pais 😉

Em tempo: Deixo aqui um parabéns bem grande pra todos os Super Pais que como o meu e o dos meus filhotes fazem valer o título. Feliz Dia dos Pais!

sete anos de casamento mega feliz

Dia 18 de Julho de 2011, completamos 7 anos de casados. Sete anos que nossas vidas foram oficial e publicamente unidas, porque a união não-oficial aconteceu pouco mais de dois anos antes, no dia em que nos descobrimos (sim, porque foi uma descoberta!)

Confesso que no dia em que conheci meu digníssimo, não me passou pela cabeça, em nenhum momento, a possibilidade de sequer namorá-lo, pra falar a verdade, o aspecto que mais me chamou atenção nele foi o altíssimo nível de criticismo, que no contexto até me incomodou. Se o espírito do futuro tivesse, naquele momento, me dito que aquele rapaz ali seria meu marido, eu daria uma boa gargalhada. Como são as coisas…

O fato é que naquele dia, no Bistrô Brasil, ao som de Alex Cohen, eu conheci quem viria a ser o pai dos meus filhos e de lá pra cá, quanta coisa mudou! Nossa vida mudou, nós casamos, mudamos, tivemos nosso primeiro rebento,  mudamos novamente, tivemos o segundo filhote. E na sequência de, hopefully, eternas mudanças, só uma coisa não muda: o amor – e com ele, a cumplicidade, o companheirismo, a diversão, as palhaçadas, a felicidade.

É por isso que mesmo, muitas vezes, sendo privados de curtir um momento a dois (por causa das crianças), mesmo assim, a gente dá um jeito, se vira nos 30 e continua gerando momentos especiais que farão parte da nossa história e serão sempre lembrados com carinho e saudade.

Enfim, como era de se esperar, no dinner out for us this year – a menos que estivéssemos dispostos a levar o bebê (que infelizmente ainda não está pronto pra ficar sem a mamãe à noite), então, o jeito foi improvisar um jantarzinho a dois (sim, porque as crianças, apesar de terem ficado acordadas até tarde, jantaram mais cedo), com direito a sobremesa especial de bodas: mousse de maracujá com morangos frescos e cobertura de brigadeiro e farofa doce.

E que venham as próximas bodas –  e quem sabe, com ela, uma escapada a dois? Tipo, a gente se diverte anyway, mas um pulinho na Europa sem as crianças não seria nada mau 😉

Enquanto isso, fica aqui o registro da nossa micro-comemoração 😉

familia, familia

Nao tenho tido muito tempo livre (baby Nick anda muito, e cada vez mais, manhoso), por isso os posts estao escassos toda vida. Mas como uma das funcoes desse blog eh fornecer material pra familia e amigos matarem as saudades, aqui vao umas fotitas pra colorir o pulo do canguru 😉

dando uma de Tarantino

esse Vivi vive inventando moda

e eh dono do sorriso mais lindo do mundo

jah seu irmaozinho entrou na fila da fofura umas 100 vezes – e foi atendido em todas elas 🙂
eh meu bebezinho-propaganda 😉

e guloso que soh vendo

e simpatico toda vida

eles sao uma dupla e tanto – vao dar trabalho quando crescerem (nao pra mim, mas pras gatinhas)

mas enquanto esse dia nao chega, a gente vai curtindo as nossas fofas criaturinhas

ateh eles aprenderem a ‘andar com as proprias pernas’ e comecarem a achar que tudo eh ‘mico’, ou coisa que o valha =O|

retratos de familia – segundo vivi

Vivi, como voces sabem, entrou na fase dos desenhos e a mamae qui explora mesmo os dotes do rapaz 🙂
Neste sabado, pedi pra ele desenhar nossa little family e lah foi ele.
Eh engracado observar os detalhes…
Comecou pelo papai, que foi retratado com cabelos cacheados, coisa que ele enfatizou enquanto desenhava. Por que? Vai saber!
Em seguida, foi a vez do seu auto-retrato (o mais good looking e bem feito de todos!)
Depois fui eu a retratada: ele fez um circulo e olhou pra mim… eu disse:”faz os olhos, Vivi”, no que ele respondeu: “este eh um olho, mamae!” (“God have mercy”, pensei) E ele continuou desenhando o outro olho, a singela cabeca com cabelos loi-ros(???), que ocupou todo o papel e o corpinho micro espremidinho no que restou de espaco. Po, fala serio, eh ou nao eh pra eu ficar traumatizada?  Primeiro, a pediatra me diz que cabecao eh “problema” de familia e agora vem meu proprio filho cabecudo e me desenha com uma mega cabeca?
Oh well, por ultimo veio o Nick, que segundo o Vivi, “tem cabeca pequenininha” e, pelo visto corpanzil, cabelos cacheados e orelhas de Dumbo (e nem tem, coitado!), pelo menos aos olhos do irmao…
Querem ver o resultado?

qualquer semelhanca eh mera coincidencia 😉