O último post no The Jump – será?

Sobre os últimos dias e a hora do adeus (ou do até breve, do vou ali e volto já).

Os últimos dias não foram fáceis. Estresse nível máximo, correria, coisas dando errado, a tristezinha que vez por outra batia na alma à cada abraço de despedida, a ansiedade gigante, a exaustão completa.

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Disso tudo, a pior parte foi assistir, sem poder fazer nada, o estresse/tristeza das crianças, por estarem deixando a única vida que conheceram para trás, porque, muito embora eles estivessem acostumados a passar temporadas fora, eles sempre souberam que era só por um tempinho, sabiam que sempre voltavam para casa, a casa que agora não existe mais, a casa que entregamos vazia, ficando com um vazio também dentro da gente. Difícil, viu.

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Desde que o ano começou, iniciamos um processo insconsciente de nos afastar dos amigos, talvez uma auto-defesa do nosso subconsciente que nos fez desligar cada vez mais dos círculos de amizade tão presentes nesses 7 anos de Austrália. E foi até bom, porque começamos a fazer mais coisas nós 4, criamos rotinas nossas como jogos em família ou o cinema de toda sexta-feira. Aos poucos fomos ficando mais auto-suficientes, suprindo nós mesmos nossa carência afetiva, interagindo mais e mais internamente, já nos preparando para o período de escassez de amigos que vamos encarar em nossa chegada na Coréia. Só que, no final, aos 45 do segundo tempo, o tiro saiu pela culatra.

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Às vésperas de entregarmos a casa, mais precisamente, duas noites antes (quatro antes de embarcarmos) nos mudamos para a casa dos nossos amigos e vizinhos, também cariocas, que têm 2 filhos da mesma idade dos nossos, ou seja, todo aquele trabalho de desapego foi por água abaixo 😦  e agora estamos aqui com o coração despedaçado e um vazio na alma. Despedidas são sempre dolorosas, não adianta…

Mas, voltando aos últimos dias, a lei de Murphy imperou e tivemos contratempos não só na entrega da casa como também com o carro – isso pra não falar dos médicos e dentistas de última hora (Nickito me apareceu com uma bolha estranha acima do dentinho amolecido, mas pelo diagnóstico da dentista, não precisamos nos preocupar, porque quando o dente cair, a bolha será drenada. Assim espero).

Eu tive a tal transfusão de ferro e o marido descobriu que a tireóide está alterada novamente. Também pudera! Com esse tanto de estresse que estamos passando, nãohá autoimune que fique mansa.

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Com relação à casa, quando finalmente, após muito limpar, esfregar, retocar, finalizamos e entregamos as chaves, a agente nos deu um retorno, dizendo que o filtro do exaustor havia sumido (oi?), as caixas de foxtel haviam desaparecido (hein?) e algumas luzes estavam queimadas (aham). Pra não dizer que foi só viagem da bonitona, ela deu uma reclamada da cola na parede do quarto dos meninos. Verdade. Apesar de termos lavado a parede, ficou, sim, um resquício da cola do adesivo vinílico, que na hora não enxergamos, mas quando a parede secou, estava bem nítido. Fuém fuém fuém. Lá fomos nós fazer a limpeza final – e tome de esfregar parede novamente, em pleno sábado, horas antes de embarcarmos.

Para as outras reclamações, fizemos videozinhos, mostrando que eram pura viagem. Mas vou te contar que só de ter que lidar com essas coisas depois ter entregue as chaves é um estresse extra 😦

Quanto ao carro, vendemos uma semana antes, para um amigo que ficou de pegar hoje, dia do nosso embarque. E adivinha o que aconteceu? Uma escada que estávamos transportando no carro, bateu no gancho do porta-malas e deslocou o tal do gancho, ou seja, não conseguíamos mais fechar a dita-cuja. E agora, José? Após termos passado bem uns 20 minutos tentando arrumar, jogamos a toalha, saímos atrás de uma oficina mecânica aberta e, por pura sorte, encontramos uma-única-singular, um centro de reparos de carros batidos, desses que fazem lanternagem, onde, no desespero, paramos para tentar a sorte. Graças a Deus, nossa sorte virou e o cara que mais parecia o Incrível Hulk (e devia ser o dono da loja), veio olhar e em meio minuto, resolveu o problema, nos deixando com cara de trouxa. Agradecemos e partimos.

Pra fechar o dia e encerrar nossos 7 anos de Austrália, um churrasquinho na casa dos amigos que nos deram teto nesses últimos dias. Só pra gente ficar com o coração ainda mais apertado, ainda mais despedaçado. Eh… são tantas pessoas que ficarão com um pedaço dos nossos corações…

Essa vida cigana nos oferece muitas coisas boas, mas também nos faz viver perdas irreparáveis, tirando do nosso dia a dia amigos queridos.

Bem, aqui vamos nós novamente. Desta vez para terras realmente estrangeiras, onde a cultura, a comida, o alfabeto, os costumes, a língua… tudo é diferente. Mas, hoje, diferentemente de quando deixamos os Estados Unidos, alguma coisa me diz que a gente volta. Vai saber? Só o tempo dirá.

Enquanto isso, se quiser acompanhar Minha Vida Coreana, é só vir por AQUI 🙂

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