Quinto dia de férias: Ubud (senta que o post é longo)

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Ubud é uma cidadezinha nas montanhas, cercada de plantações de arroz e florestas tropicais, uma gracinha. 

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Bem, a cidade em si consiste basicamente de uma rua longa e estreita, de mão única, onde, nesta época do ano, os carros e motos (gente, é muita moto aqui em Bali) andam tão rápido quanto as pessoas passeando a pé. Muitos restaurantes, infinitos spas oferecendo massagem à preço de banana e muitas lojinhas de artesanato. Mas não fomos à Ubud para fazer compras, nem massagem, nossa intenção foi visitar Tegalalang e fazer uma caminhada pela plantação de arroz, visitar os templos Pura Batuan e Elephant Cave e passear pela Floresta Sagrada dos Macacos.

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Para fazer este passeio, a melhor opção foi, sem dúvida nenhuma contratar um motorista. Ele nos buscou na Villa, nos levou em cada atração e no fim do dia nos trouxe de volta. Muito mais conveniente do que alugar um carro e dirigir pelas ruas super estreitas e sem regras – sério, não gosto nem de imaginar o que é dirigir aqui. Tenso.

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Nossa primeira parada foi no Templo Pura Batuan, onde nós quatro pegamos emprestado, cada qual, um sarong (que nada mais é do que a nossa canga) para cobrir as pernas e deixamos uma doação na porta – aqui, deixa-se doação em todo lugar. O Templo, muito bonito, mas o mais interessante para mim foi notar a gritante diferença entre a suntuosidade de um templo balinês para um templo chinês, Na China as construções são mais suntuosas, aqui parecem bem mais simples, muito bonitas, mas mais simples. O estilo é bem peculiar, bem característico e por mais que os designs sejam diferentes de um templo para outro, você consegue, sem dificuldade, agrupá-los na categoria “Templo Balinês (ou Indonésio), eu acho. 

p1060467Em seguida, fomos ao Elephant Cave, ou Templo Goa Gajah. Sua entrada foi esculpida na própria pedra da caverna. Este achei bem diferente, escuro, úmido, claustrofóbico, uma caverninha para meditação. Engraçadíssimo foi o momento em que duas meninas (com seus 20 e poucos talvez) locais pediram para tirar foto com cada um de nós. Vivi pôde experimentar a “fama”que ele tanto deseja, rs – mal sabe ele o que o aguarda na Coréia que, se for como a China, promete incomodá-lo bastante com fotos pelas ruas.

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A única coisa chata nesta parada foi que, ao saírmos do carro, veio um mar de vendedoras para nos oferecer sarongs  – “porque você precisa de sarong para entrar no Templo”. Elas começam oferecendo uma por 10 dólares e quando percebem que não vamos pagar, oferecem outro modelo mais barato e quando percebem que ainda não vamos pagar, oferecem pelo terço do preço. Sinceramente, não acho caro, mas fico incomodada em ser passada pra trás – a turista trouxa. Tenho que vencer isso. Se você pensar bem, vê que é meio que um orgulho besta, porque no fim das contas, o produto é barato para a gente, mesmo quando o preço que eles colocam é aquele para tirar vantagem. Da próxima vez, vou tentar um approach diferente para ver o que acontece: vou pagar e não vou levar, só para testar a reação 🙂

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Em Bali, reza a lenda que, há mais templos do que casas 🙂 Após você andar pelas ruas da ilha você começa a acreditar na lenda, rs Há lugares em que a cada duas casas, tem um Templo. Templos de todos os tamanhos. Uns rebuscados, outros mais simples, mas não há como negar que o povo Balinês é extremamente religioso. Se não há mais Templos do que casas, há, pelo menos, um templo para cada família – certamente, mais Templos do que sobrenomes, rs

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Estou curiosa mesmo é para assistir uma cerimônia. Ver a arquitetura dos Templos e conhecer um pouco sobre sua história é sempre interessante, mas gostaria de experimentar a cerimônia, o ritual. Vamos ver se consigo 🙂

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Na saída do Goa Gajah, não achamos nosso motorista, que deveria estar nos esperando no estacionamento. Agora, visualiza: calor, umidade, crianças que não estão acostumadas ao calor e à umidade reclamando, vendedores tentando nos vender de tudo o que você possa imaginar e nós 4 perambulando pelo estacionamento à procura do motorista. Sério, demos várias voltas, olhando para dentro de cada carro preto e não encontramos. Pra deixar mais interesante, não tínhamos o telefone dele, já que foi o gerente da Villa que contratou o serviço e além disso, ele fala/entende Singlês, que é uma versão bem simplificada do inglês, rs Anyway, ficamos bem uma meia hora, tentando encontrá-lo e, enquanto isso, esperando pelo Ketut, o gerente da villa, retornar nossa ligação. Um tanto frustrante 😦

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Mais frustante do que isso, foi ver o motorista ressurgindo das cinzas, dizendo que havia estacionado “lá atrás” (deve ter sido bem lá atrás mesmo, porque não vimos em lugar nenhum) e acabou dormindo no carro. Você pediu desculpa? Nem ele :O|

Mas tudo bem, estamos de férias, é mais fácil fazer vista grossa…

A próxima parada foi a Tegalalang, uma plantação de arroz, tipo “must see”. Linda que só, mas super para turista ver, rs A plantação é de verdade, mas o lugar é tomado por locais querendo uma doação. São crianças vendendo postais superfaturados, são adultos pedindo doações para passar pelo caminho, são outros cobrando “caro” para tirar fotos com os cestos de colheita. Aquele comércio generalizado, do qual a gente nem consegue reclamar, porque é uma miséria tão grande, que fica impossível não querer doar. Só não gosto quando nos cercam, nos seguem, me sinto acuada 😦

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Pra você ter uma ideia, primeiro pagamos a entrada da atração, depois, quando fomos acessar, um vendedor nos chamou para mostrar a vista bonita a partir da lojinha dele (de fato era) e na sequência já quis nos vender coisas. Que sentido faz comprar alguma coisa quando você está prestes a começar uma caminhada pelos morros de plantação de arroz? Mas ele insistiu, e como viu que não ia rolar, chamou uma menininha para vender postais, em tese, para arrecadar fundos para a escola. Ofereceu por 10, compramos por 3. Lá em baixo, no meio da plantação, surgiram mais meia dúzia de crianças vendendo 2 por 1 – só rindo, rs. Por mim, eu teria feito uma doação apenas, não preciso de postais, mas começo a achar que eles gostam mesmo é de sentir que enrolaram o turista, que foram espertos, que se deram bem, hahaha

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Anyway, apesar de eu preferir passeios menos turísticos, devo dizer que super recomendo este, não só pela vista linda, mas também para ver de perto como é uma plantação de arroz, aquela sobre a qual aprendemos nas aulas de geografia  no colégio 🙂

Visitada a plantação, tiradas fotos e tendo um filho de 8 anos que quase infartou na subida de volta, rs, era hora de almoçar. Desta vez, antes de sairmos de casa, planejei direitinho nosso dia, escolhendo, inclusive, o lugar onde almoçaríamos. Foi a melhor coisa que fiz. Apesar de eu ser uma big fan de paseios espontâneos, às vezes, é necessário menos espontaneidade para ter um dia bem gostoso. Acho que em viagens por lugares muito turísticos, o melhor a fazer é planejar, verificar as avaliações das atrações e especialmente dos restaurantes – pelo menos pra mim, que adoro comer bem.

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Almoçamos no Three Monkeys Café, um restaurante delicioso com uma ambiência maravilhosa e uma vista super zen para uma plantação de arroz. Sem falar da música ambiente – quando chegamos estava tocando Bossa Nova. Não dá pra ficar melhor, né? Dá sim. Tomei um suco de abacaxi com hortelã divino, comi entradinhas maravilhosas e meu prato estava dos Deuses. 

Uma coisa que estamos descobrindo aqui é que para se comer realmente bem, é necessário se pagar mais (não tanto quanto na Austrália, onde ainda pagamos 50% a mais do que num bom restaurante aqui), mas vale muito a pena.

A última parada do dia foi, na verdade, o que nos levou a Ubud: The Sacred Monkey Forest, a floresta linda onde os macacos vivem completamente soltos.

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A visita foi muito, muito, muito legal. Programação turistona, mas muito divertida. Antes de irmos, li alguns posts de blogueiros viajantes a respeito do parque e as opiniões e experiências eram bem divididas. Confesso que quase desisti, ao ler um post assustador, onde o cara foi perseguido pelos macacos, arranhado e mordido, num dia de terror que contou até com uma chuva torrencial. Mas eu ria tanto com o relato, que mal conseguia ler para o marido. E foi este relato de terror que fez o marido se animar para a visita, hahaha

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Nossa visita já começou com uma recepção de um macaco no meio do caminho, assim, soltinho da silva sauro, da cor do caminho de pedra – um desavisado pode facilmente pisar num rabo e arrumar uma grande confusão. Mal sabia eu que ainda viriam momento de emoção.

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Os macacos são, em geral, super tranquilos, talvez porque o dia estava no fim  e a macacada já estivesse mais do que satisfeita (imagino que pela manhã eles sejam mais vorazes em busca de bananas). Eu parecia criança vendo aqueles macacos quase humanos interagirem com as pessoas 🙂 Já as minhas crianças estavam com medo, mais medo do que imaginava que fossem sentir. Tanto medo que decidi que não compraríamos bananas para alimentar os macacos, porque turista com banana na mão = macaco subindo pelas pernas até a cabeça – já imaginou a gritaria que os meninos (e os macacos) iriam arrumar? rs

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Só que, mesmo sem banana, um macaquinho muito simpático se proximou de mim, primeiro para brincar com a minha Melissa (achou intrigante, imagino), depois veio pegar meu dedo e quando menos esperada, roubou meus óculos, olhou no fundo dos meus olhos e, juro, riu! hahaha Quem disse que eu conseguia os óculos de volta? Ele pulava pra longe, virava pra trás e dava uma olhadinha debochada, emitindo um som que mais parecia uma risada de quem diz: “trouxa!” hahaha. Mas como os óculos eram baratos, não tentei recuperá-los, entretanto, duas garotas chinesas muito bem vestidas não sossegaram enquando não conseguiram fazer o macaco devolver meus óculos – imagino que tenham achado que eram óculos caros, rsrsrs. No fim das contas, o macaco abusado, após tentar comer os óculos, jogou de volta. Em cima de mim!

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O importante é que isso me rendeu fotos (o marido clicou o momento do furto, rs) e uma história para contar 😛

Durante nossa visita, vimos desde mamães zelosas com seus filhotinhos pendurados, até brigas de macacos mais velhos. Experimentei até mesmo o que acontece quando você faz “eye contact” com um macaquinho aparentemente indefeso. Infelizmente só fui ler o aviso sobre o que não fazer, 30 minutos depois, então levei um pequeno susto quando me abaixando perto de um macaquinho para tirar uma foto, desavisadamente olhei nos olhos dele. A resposta? Rosnou pra mim (macaco rosna?) e me mostrou todos os dentes de uma maneira nem um pouco cordial. Oooops, sorry, macaco. 

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Já no finzinho do dia, o marido decidiu oferecer uma banana a um macaco que, mesmo sem muita vontade, foi lá, fez seu papel, escalou o Mauricio e pegou a banana, que jogou no chão depois, rs. 

Uma pena termos chegado lá tão tarde, porque havia muito mais a visitar no santuário dos macacos. Além de um templo lindo, a floresta encantadora, com caminhos, pontes, esculturas e quedas d’água pelo caminho. Mas ainda assim, sem ter conseguido explorar o local como gostaria, curti bastante, foi uma bela experiência interagir com os macacos da forma que interagimos lá. Recomendo o passeio.

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Na volta pra casa, pegamos um transitozinho esperto. Estávamos tão cansados que só tivemos forças para pedir uma pizza e terminar de assistir o filme que havíamos iniciado na noite anterior. 

Relaxar cansa, passear cansa. Ultimamente, tudo me cansa, rs. Mas tô adorando cada minuto e já triste da vida porque quarta à noite vamos em bora 😦

Amanhã, o combinado (com as crianças) é passar o dia em casa, comer um almocinho caseiro, pegar uma piscininha, jogar Risk, cartas, enfim, relaxar e recarregar a bateria para o passeio do dia seguinte 😉

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