sick as a dog

Sábado passado, faltando 9 dias para sairmos de férias, 9 dias para embarcarmos para Bali, eis que, finalmente, a gripe que me rodeava me pegou. Mas me pegou em cheio, de jeito, como há muito não acontecia.

Atribuo a intensidade desta gripe ao momento de grande estresse, quando o Sjögren, aflorado, acaba por abrir as porteiras do meu corpo para as mazelas de plantão. Claro que os últimos dias gélidos também contribuíram para que a gripe se instalasse. Gente, tá muito frio! Há dias em que a sensação térmica é de 1 grauzinho apenas (e cada vez que a temperatura vai lá pra baixo, me pergunto: “Como viverei no inverno em Seoul, onde a temperatura, quando é baixa, é baixa mesmo, bem abaixo de zero?”. E a resposta para minha pergunta vem na velocidade da luz: “Sobreviverei apenas.”)

O fato é que estou de cama, ou pelo menos deveria estar. Fujo, em alguns momentos, para dar sequência ao lento e doloroso processo da mudança, separando o que vai e o que fica, o que levaremos e o que doaremos/venderemos.

Ontem enchemos o carro com caixas e mais caixas, sacolas e mais sacolas de doações. Pratos, taças,  almofadas, bolsas, objetos dos mais variados. Muita coisa, muuuuita coisa. Mas ainda temos muito a doar e descartar, é tanta coisa que chega a bater um desânimo.

Meu desafio maior, acredite, será me desapegar dos brinquedos das crianças. Tô até deixando isso por último, porque vai ser dose! Tem muita coisa com as quais eles não brincam mais (especialmente o Vivi), mas que me dói lá no fundo só de pensar em passar adiante. Os primeiros bichinhos de pelúcia que enfeitaram o quartinho do Vivi e que, anos mais tarde, viraram companheiros noturnos do Nickito – como eu faço pra mandar embora? E toda a coleção do Toy Story, peloamordedeus??? O Woody era a marca registrada do Vivi que sentia-se o próprio Andy. Incontáveis as brincadeiras com aqueles personagens todos. Entretanto, meu desapegado primogênito foi categórico: só preciso dos meus Mario plushy toys, meu iPad e meus game boards. Ah, se ao menos eu tivesse uma casa com um sótão onde eu pudesse guardar a matéria de todas as memórias de infância dos meninos… Para isso, precisaríamos não ter essa vida cigana e sem raízes que nos impede de acumular memórias sob forma de objetos (além dos álbuns de fotos que já acumulamos). Mas se não levássemos essa vida, não seríamos nós, seríamos uma outra família.

Quer saber? O Vivi é que está certo, vive intensamente um momento de cada vez e abre mão do que passou para criar espaço para o que estar por vir. E eu, ah, eu deveria tomar isso como lição e let things go.

Mas onde eu estava mesmo? Ah, na cama. Sick as a dog, entediada, ponderando se me levanto para continuar a missão mudança ou se me entrego completamente e deixo meu corpo descansar. Você não faz ideia do quão difícil é, para mim, ficar deitada o dia inteiro…

Ah, não contei, mas só ontem, o Vivi começou a melhorar da última crise de asma (infelizmente, à base de antibiótico) que me manteve acordada a semana passada inteira, checando o nemtãopequeno a todo instante, e aí, ontem mesmo, Nickito pegou um resfriado brabo (pelo menos não foi gripe) e passou a noite tossindo e sofrendo com o nariz entupido. Nessas horas, a gente até esquece que está doente, né? O modo supermãe é ativado e você acaba passando a noite em claro por dois motivos, sua gripe e o resfriado do filho.

O que eu sei é que dia 4 de julho, às 9 da manhã,  ou seja em 6 dias, embarcamos para nossas tão esperadas férias em Bali e eu espero que até lá estejamos todos completamente recuperados, porque ninguém merece sair de férias doente.

Xô, gripe! Xô, dor na garganta! Xô, dor de cabeça! Xô, dor no corpo inteiro! Xô, dor no braço! Xô, nariz entupido! Xô, febre! Xô, mal estar! Xô espirros!

Bali, vemnimimqueeutôprecisada.

 


 

Em tempo: marido que há poucas semanas passou dias na cama por conta de uma gripe, tá ameaçando a pegar outra. Que os santos protetores das férias de família o protejam, amém!

 

Em tempo2: Sjögren atacado significa baixíssimo poder de concentração, a ponto de não conseguir ler e compreender um parágrafo inteiro (por isso, nem reli este post que deve estar o próprio samba do crioulo doido); memória mais precária que a de uma formiga; boca árida como o sertão; olhos queimando em brasa; dor aguda no braço + movimentos prejudicados (tipo, muito difícil lavar os cabelos, alcançar um copo, deitar de lado…); cansaço extremo (aumentado pela gripe); cabelos em queda-livre… Ou seja, uma beleza.

 

Em tempo 3: Retomei a meditação (nem lembro se contei que havia começado) e posso dizer que a diferença existe e é gritante. Agradeço à Carla pela dica e indico para todos –> Headspace!

 

Em tempo 4: Escrever no blog, para mim, é mais do que uma terapia. Hoje, manter o blog atualizado é uma questão de preservar minhas memórias, guardar e poder acessar a nossa história. Além disso, do jeito que minha memória anda se deteriorando, escrever tornou-se um exercício fundamental para minha mente.

 

Em tempo 5: Eu quero a minha mãe e o meu pai e a minha irmã! Toda vez que fico doente, fico também desesperada pela presença deles.

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