A dificílima tarefa de desapegar

Toda mudança funciona, no mínimo, como uma operação limpa cacareco (uma mudança para a Coréia deveria ser um joga-tudo-fora, né não?). É uma oportunidade fantástica de desapegar daquelas coisas que andavam esquecidas numa gaveta, numa caixa, ou no fundo do baú. Entretanto, se a pessoa que está fazendo a limpa e empacotando for daquelas saudosistas, que para tudo quando se depara com um desenho feito pelos filhos, ou um cobertorzinho, ou um brinquedo de bebê… aí, ferrou! Além de atrasar todo o processo (porque ela fica horas relembrando momentos relacionados aquele cacareco), um botãozinho interno é automaticamente acionado e ela não só para de adicionar coisas nas pilhas de “doação”  e  de “descarte”, como começa a rever tudo aquilo que já havia ido pra lá.

Pergunta fácil: Adivinha quem é saudosista? Sim, eu, euzinha aqui. Já viu, né?

Como é que eu jogo fora um desenho dos meninos? “Ah, Erica, tira uma foto e joga o desenho fora…” Aham, claro… Só que não. Não consigo. Todo ano, acabo com pelo menos uma caixa (35x35x35cm) de coisas dos meninos. Se continuar assim, até eles irem para a faculdade, terei que ter um quarto só para isso.

Eu culpo o meu pai que guarda tudo: o meu primeiro desenho, meus dentes de leite, meu primeiro corte de cabelo, meu um-bi-go! Tá no sangue, gente, não adianta…

Sinceramente, acho que estou fazendo um ótimo trabalho. As pilhas da doação e a do descarte estão ficando bem grandinhas, mas quando olho para a pilha do que vai conosco, MEODEOS! É gigante! E, detalhe, não teremos muito espaço no apErtamento em Seoul.

O fato é que eu preciso reduzir sensivelmente os cararecos. O ideial mesmo seria me livrar deles todos e fazer uma mudança leve, como deve ser a mudança de alguém que não fixa raízes. Mas infelizmente ainda estou um tanto distante deste nível de desapego.

Gente, só de álbuns de fotos são mais de 50. Isso porque desde meados de 2012 que não imprimo fotos (resolverei esta questão assim que chegarmos em Seoul).

Anyway, minha meta é, até o fim deste mês, deixar várias caixas na porta do Salvos e mandar vários sacos para o lixo. Vamos ver se consigo.

Queria muito não me apegar a coisas, o problema é que coisas me lembram momentos e momentos me lembram pessoas e eu sou muito apegada a pessoas.

Mas eu chego lá. Assim espero.

 

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