A hora do desabafo (tava demorando)

Atenção, se você se irrita com lamentação de primeiro mundo (também conhecida como reclamação de quem não tem problemas reais), pare por aqui e pule para o próximo post 😉


Faz dois dias que comecei a sentir uma coceira absurda pelo corpo. Na verdade, começou há duas noites, quando acordei de madrugada coçando incessantemente as costas. Durante o dia seguinte, a coceira se alastrou pela barriga e braços e apesar de não ser uma coceira que fica o tempo todo, quando começa, coça pra valer. Aparece de repente e vai embora de repente, mas coça tanto, que já tive que tomar um anti-alérgico pra aliviar.

(O Engraçado é que há exatamente um ano, tive uma outra crise de coceira, só que nas pernas apenas. Bizarro.)

Visto meu quadro de estresse agudo, estou atribuindo minhas mazelas todas a isso. Mas vai saber, né?

Entretanto, não vim aqui falar da coceira, mas do apartamento, do nosso lar coreano que está me tirando do prumo. Pode ser que você me julgue uma louca, pode ser que não compreenda meus sentimentos, que me ache fresca, besta, atacada, superficial… mas o fato é que minha casa é algo extremamente importante pra mim, especialmente nessa nova conjuntura, nessa nova vida que se aproxima, especialmente porque não fomos obrigados a nos mudar, foi uma escolha, então me fere o fato da nossa escolha poder não ter sido a mais acertada.

Estou saindo de uma casa que eu gosto, numa cidade que eu gosto, onde tenho amigos que eu gosto, onde eu falo fluentemente a língua, onde eu conheço tudo, onde eu sou absolutamente independente, e estou indo para um apartamento que eu não escolhi, numa cidade que eu não sei se vou gostar, onde eu não tenho amigos, onde eu não falo a língua, onde eu não conheço absolutamente nada e onde eu serei, pelo menos a princípio, extremamente dependente da boa vontade alheia. Isso já seria  motivo de sobra pro meu estresse, não? (Eita que meu lado negativo tá atacado hoje! rsrsr)

Mas a coisa fica um tantinho pior quando meu novo lar me irrita, antes mesmo de eu entrar nele. Só pelas fotos.

Não estou nem entrando no mérito de que estou saindo de uma casa espaçosa, com quintal e um parque enorme literalmente em frente, para um apartamento que é a metade (se tanto) da casa que moro hoje. Meu problema não é tanto com o espaço (apesar de que, ter a mesa de jantar num cantinho da cozinha me incomoda, sim! Pode me julgar), mas a aparência do lugar. O fato é que nosso futuro lar tem duas paredes de “destaque” lyndras – sóquenão.

Sabe uma coisa que você olha e te arrepia dos pés à cabeça? Tipo barata, sabe? Pois é. Uma parede na sala e outra na “cozinha de jantar”, tipo assim, horripilantes. Coisa brega elevada a quinquagésima potência, com direito a diversos acabamentos diferentes, saliências e reentrâncias. Uó!

Isso porque eu estou abstraindo solenemente dos detalhes de iluminação master brega do apartamento e todos os outros detalhes decorativos de tirar o fôlego :O|

Como, até então, ainda não havíamos recebido nenhuma foto do nosso apartamento (somente do vizinho de cima),  estava apegada à esperança de que a breguice estivesse restrita ao apartamento do vizinho e que o nosso futuro lar fosse mais básico, entretanto ontem vieram as provas de que não. Descobrimos que o nosso é exatamente igual ao do vizinho, aliás, todos os 4 apartamentos do prédio são idênticos. Claro, surtei!

(pausa para respirar e agradecer a Deus não só pelo teto que nunca me faltou, mas também pela minha vida confortável, Amém! Voltemos agora ao xilique por conta dos problemas de primeiro mundo, rs)

Sério, não bastasse toda a mudança pela qual passaremos, ainda terei que conviver 24h por dia, 7 dias por semana, 31 dias por mês e 365 dias por ano, olhando para tamanha breguice??? Pensei, “Eh, não tem jeito, vou ter que engolir e meditar 3x mais”. O problema é que cada vez que a imagem daquelas duas paredes vinham a minha cabeça, meu coração acelerava e não era de alegria. Fiquei agitadíssima e botei pra fora, joguei em cima do marido a minha frustração. Ao pobrezinho só restou mandar um email ao síndico (que também é o síndico do prédio), perguntando se seria possível transformarmos aquelas paredes em superfícies simples, brancas, normais.

Acho que – acho não, tenho certeza! – ninguém nunca, na história daquela universidade, foi tão picky com a questão da moradia. Ninguém nunca ficou no pé da secretária pedindo fotos, planta, medidas, ninguém nunca mostrou-se insatisfeito com os detalhes estéticos dos apartamentos e, muito menos, pediu autorização para fazer uma obra. E acho também que – acho não, tenho certeza! – já devo estar sendo assunto da reunião de condomínio: “a esposa chata que vem aí…” Mas fazer o que?

A boa notícia é que o chefe (que também é síndico do prédio) autorizou mudanças pequenas (imagino eu que quebrar paredes, refazer a cozinha, trocar o piso e rever o lighting design esteja fora de cogitação, né? rs) desde que arquemos com a obra. A má notícia é que já chegaremos na Coréia fazendo obra no apê, provavelmente com um pedreiro coreano, que não entende bulhufas de inglês. Boa sorte pra mim.


Em tempo: O prédio é todo da universidade. Quatro andares, um apartamento por andar. Totos os moradores são professores de lá. Já viu, né? :O|

Em tempo 2: Queria mesmo era mudar a cozinha inteira,  refazer o projeto de iluminação do apê, fazer uma obra profunda, mas como o apartamento não é meu e eu não pretendo ficar lá tanto tempo assim, já estou satisfeita se puder me livrar das duas paredes monstrengas.

Em tempo 3: O detalhe é que, como disse, os 4 apartamentos são idênticos e, aparentemente, todo mundo (exceto eu) está feliz da vida com suas paredes “estilosas”, ou seja, se algum dia eu entrar na casa de algum deles, eles saberão que, em silêncio, estou julgando a decoração, vão saber que eu acho aquelas paredes horrorosas! Acho que este não é um bom começo de amizade, né? 😦

Oh, vida…

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