E… foi dada a largada!

Agora a coisa tá ficando séria mesmo, oficializou.

Há dois dias, cataloguei todos os móveis que deixaremos para trás, tirei fotos e medidas e ontem comecei a listar tudinho para vender. Ô mão de obra, viu? Confesso que deu uma vontadezinha de chorar e não foi de tristeza, foi de desespero mesmo. Tanta coisa a fazer para concretizar essa mudança… Essa história de ficar mudando de país não é brincadeira, não, viu?

Como ainda temos algum tempo até partirmos, decidi começar anunciando no Gumtree (em vez de partir direto pro ebay), mas, gente, se arrependimento matasse…. O que eu recebo de proposta indecente, vou te contar, viu! Eu já postei os itens com valores super ultra razoáveis, mas neguinho deprecia, quer de graça! Dar vontade de responder a oferta com com um vasto “HAHAHAHA” (assim em caixa alta mesmo). E todas as ofertas ridículas, eu disse TODAS, são de pessoas com nomes de mesma origem. Impressionante! Não é preconceito, não, viu? é pós conceito mesmo. Mas claro que tem sempre um David, uma Megan, uma Julia… que chegam, pagam e levam, sem fazer cena, nem depreciar o item só pra jogar o preço na lama. Acho que é uma questão cultural, só pode. De qualquer forma, há situações em que acho uma afronta, uma falta de educação, falta de respeito, e minha vontade é de ser bem grossa, maaaas, ainda tô conseguindo me controlar.

Ontem mesmo, veio uma dupla dinâmica ver nossa ex cama. Disseram que vinham buscar (quando a pessoa quer só dar uma olhada, ela avisa, pergunta se pode… mas eles disseram que viriam buscar), vieram, olharam, chegaram ao cúmulo de perguntar: “mas você disse que havia uns arranhõezinhos… onde estão?” Ao que eu expliquei: “Não são bem arranhões, são apenas umas imperfeições próprias do material….” (realmente não era nada demais, mas eu odeio parecer que estou enganado as pessoas e prefiro que tenham uma boa surpresa). O que eu sei é que os fulanos olharam, olharam e no final disseram, com aquela cara de desprezo, que realmente não esperavam que estivesse em perfeitas condições (oi?) e perguntaram qual era meu preço mínimo. Eu, já de saco cheio dos olhares e atitudes deles, falei: “Olha, vou ser bem sincera, o valor que eu estou pedindo está bem justo, aliás, abaixo do justo, além disso, eu não estou com a menor pressa”. Disseram que iriam pensar e que dariam uma resposta em 10 minutos. Foram pro carro e ficaram parados em frente de casa, até que chegaram outros compradores interessados numa cômoda , entraram, pagaram e levaram. E a dupla dinâmica resolveu ir embora. Ou seja, apenas perdi meu precioso tempo com eles. Um saco.

Mas este foi só o primeiro caso maleta…

Na sequência teve ainda uma outra que me perseguiu, mandando mensagem pelo Gumtree e pelo celular (contei a dúzia!), primeiro barganhando, depois dizendo que precisava muito do sofa-cama e tal, mas que precisava esperar o marido voltar de viagem. Eu disse que reservaria pra ela, mediante o pagamento. Ela preferiu não pagar, mas garantiu que iria buscar mais tarde. Ela veio? Veio! Trouxe o marido, olhou, gostou e… não levou! Por quê? Sei lá!! Maluca! Me fez desarmar o troço, arrastar pela escada, colocar o elefante branco no meio da sala de estar, pra quê? Pra nada! Ou seja, veio só dar uma olhadinha. Pô, por que disse que vinha pick up, caramba?!

Pouca paciência pra essa gente, viu? Aff…

Mas como disse, claro que existem David, Megan, Julia, Sarah, Julie… que dizem que querem, chegam, pagam e levam. Tem uns até que antes de levar, ficam batendo um papo gostoso por uma hora! hahaha Mas esses não contam, eram filhos de Brasileiros (que eu nunca vi na vida, fato, mas o sangue brasileiro é forte, hahaha).

E a luta continua! Ainda temos muito a vender e o que não vendermos pelo valor anunciado, doaremos. Prefiro doar, do que receber “interessados” em falar mal dos meus móveis pra conseguir levar a preço de banana. E tenho dito.

 

2 Comments

  1. Erica,

    Em um post passado você deu uma aula de como tratar situações difíceis relacionadas ao preconceito/”racismo” (http://thejumpofthekangaroo.com/2016/06/03/culturalismos-um-desabafo-parte-1/). Quando me deparo neste post, você utiliza a expressão “neguinho” de forma pejorativa. Acho que vale um cuidado maior na sua escrita para evitar uma (pequena, sim, porém existente) hipocrisia.

    De qualquer forma, adoro ler seus textos e estou ansioso para seus relatos na nova moradia.

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    1. Oi, Diogo,
      Tudo bem?
      Engraçado, quando escrevi este post, pensei que pudesse receber algum comentário como este, não focando na expressão “neguinho” (que se refere a uma pessoa, independente de ser branca, negRa, parda, amarela, pobre, rica, anônima, famosa) mas, sim, no fato de eu estar associando um comportamento a um grupo étnico, coisa que em parte estou fazendo, sim, mas não sem mencionar o caráter cultural da coisa “Acho que é uma questão cultural, só pode.” (o ato de barganhar é uma característica fortíssima em alguns povos asiáticos e isso fica muito claro quando se visita países como a China, a Índia, a Tailândia, a Indonésia… ou mesmo quando se tem amigos dessas origens – eu tenho vários. Para eles, barganhar é parte da cultura e eles não só barganham, como também gostam/esperam que as pessoas barganhem – contei sobre isso em meus posts de uma viagem que fizemos à China).
      Fico bem triste que você tenha enxergado hipocrisia neste meu relato, julgando este post contraditório àquele outro a que se refere em seu comentário. Sinal que eu não soube me expressar corretamente, o que é uma lástima.
      Quanto ao uso da expressão “neguinho”, repito, não estou, de forma alguma, fazendo alusão à negros, mulatos ou pardos, tampouco associando a expressão a costumes ou comportamentos de etnias específicas. Esta é uma expressão normal e corriqueira que, pelo menos no meu caso (não posso falar pelos outros), é utilizada quando não sei o nome da pessoa ou quando não quero mencionar o nome. Por exemplo: aqui em casa, quando os meninos deixam sapatos espalhados pela casa eu falo: “neguinho não é fácil, né? não aprende a guardar os sapatos no lugar” (me referindo aos meus filhos), ou ainda outro exemplo, quando eu consigo marcar uma hora no salão pro mesmo dia: “neguinho tá com sorte hoje!” (me referindo a mim mesma). O meu neguinho (e não negrinho) não varia em gênero, nem em número, é apenas uma gíria (assim como cara, moleque, malandro…) que não está atrelada à cor da pele, tampouco à origem da pessoa. Mas, ainda assim, ainda tendo certeza e total tranquilidade de que jamais utilizei a expressão de forma pejorativa, peço desculpa se te ofendi de alguma maneira, ou se te pareci hipócrita.
      Na verdade, este meu blog, apesar de público, é para mim, além de uma terapia, um diário, um espaço para relatar acontecimentos, registrar momentos e também desabafar e por isso, não me preocupo com a minha escrita, nem com a abordagem que faço, até porque sou blogueira por prazer (e não por profissão) e a maioria esmagadora das pessoas que sabem da existência e que o lêem meu blog pessoal são amigos ou família, ou seja, pessoas que me conhecem.
      De qualquer forma, obrigada pelo alerta. É sempre interessante saber como as pessoa recebem o que escrevo 🙂
      Um abraço,
      (Ah, e desculpa a demora em responder, estava de férias :))

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