7 anos de Austrália – 2 meses para partir para a Coréia do Sul

Hoje completamos 7 anos de Austrália. Sete anos desde o primeiro post neste blog australiano, escrito do apartamento de quarto e sala em Elwood, após 30 horas de viagem, entre Bloomington e Melbourne.

Como é interessante relembrar aquele dia e os sentimentos, as expectativas. Como é bacana poder reviver, através dos textos escritos na época, cada descoberta, cada novidade. Como é delicioso saber que foram 7 anos maravilhosos os que vivemos aqui.

Mas nossas raízes tornaram-se aéreas e nossa vida, cigana. Ah essa vida cigana! Ela pode até hibernar por um período, mas quando volta, volta com com tudo, levando a gente para terras ainda mais distantes e desconhecidas.

Faltam somente dois meses para embarcarmos rumo a Seul e eu não poderia ter mais borboletas no estômago!

Não é novidade que eu gosto de mudança e estou sempre disposta a alçar novos vôos, mas confesso que desta vez estou bem estressada, não só porque ainda não começamos a nos dedicar a quitar a loooonga to do list pré-viagem, mas também porque está me afligindo bastante ir morar num  lugar onde não só a língua é desconhecida e o alfabeto diferente, mas a cultura é completamente outra. Sem falar do rolo que será para nos desfazermos de tanta coisa que acumulamos durante estes 7 anos de Austrália + 5 de Estados Unidos, para podermos entrar sequinhos no apErtamento novo na Coréia. Sério, já esqueci como é morar em apartamento e apesar de ter sido criada alegremente em um (dois, na verdade), ainda me dá arrepios só de imaginar a gente vivendo com esses dois molequinhos barulhentos e agitados num apErtamento. Mas isso fica pra depois, fica pra daqui a dois meses. Agora nosso problema é vender dezenas de móveis  e nos livrar de miudezas de cozinha, aparelhos eletro-eletrônicos e de um mundo de outras coisas que certamente não caberão em nosso novo micro lar.

No próximo fim de semana, vamos catalogar tudo que venderemos/doaremos, tirar fotos e postar no eBay, ou algo que o valha e assim, oficialmente, a temporada “tô indo embora” será aberta.

Frio na barriga? Não, frio no corpo inteiro!


Em tempo: Melbourne estará sempre em nossos corações e será sempre a nossa casa, para onde, se tudo der errado, poderemos voltar. Na verdade, a esperança é que mesmo dando tudo certo, voltemos pra cá – Vivi que o diga! hahaha Definitivamente, não há no mundo, lugar melhor pra se viver. Mas por enquanto, lá vamos nós conhecer um outro canto do mundo.

A maternidade e as redes sociais

Ah essa geração! Acho que ser mãe era mais fácil antigamente, sabe? As redes sociais digitais são um perigo constante e é preciso estar sempre alerta, especialmente se você, como eu, tem um molequinho de 8 anos que tem fixação por ser “famoso”. Difícil, viu?  😦 A gente conversa, orienta, explica e até põe o terror de vez em quando, mas é tenso, viu?

O Vivi, há um ano, ganhou o direito de ter um canal no youtube para postar os videozinhos que ele tanto curte fazer com seus plushies. Ganhou também uma conta no Skype, para falar com a família no Brasil. Óbvio que tudo é completamente monitorado de perto. Ele não aceita nenhum convite no Skype e nem segue nenhum canal no Youtube que não seja de amiguinhos da escola.

Recentemente, mais precisamente há uma semana, acabei me rendendo e abrindo uma conta no Instagram pra ele (que, claro, é privada e devidamente monitorada). No momento em que entreguei o “presente”, a euforia foi intensa, houve até juramento com a mão direita sobre o iPad, HAHAHAH! Dentre outras, condições como “jamais postar nada sem que a mamãe aprove”, ou “jamais aceitar o pedido de um estranho”, ou ainda “jamais seguir perfis públicos de famosos” devem ser plenamente respeitadas, caso contrário a conta será imediatamente deletada. Ele, de pronto, concordou, afinal, o motivo pelo qual ele tanto queria uma conta no Instagram era para manter contato com seus amigos daqui, quando estivermos na Coréia (e só por isso me rendi). Mas fui além: outra condição foi que eu escreveria a bio :O) e, calro, não deixei por menos, rsrsr, ficou assim:

“the coolest, funniest and most creative little (yes, little!) boy”- says my mum(my)

Entretanto, foi só um teste para ver o quanto ele respeitaria e aceitaria minhas condições, rs. No dia seguinte, tirei a bio :), mas avisei que ela pode voltar a qualquer momento (tortura!!! hahaha) :O)

A verdade é que o Vivi acaba usando o Instagram para  trocar mensagens diretas  com os amiguinhos da escola, e eu acabei arrumando mais uma coisa para monitorar :O|

Por enquanto, não tenho do que reclamar. Ele parece estar respeitando as regras, até porque, ele só pega no iPad aos sábados e domingos pela manhã (sargento megera em ação!) e sempre que recebe convites de estranhos, fica com medo e deleta na hora (sim, eu uso a psicologia do medo e falo mesmo das pessoas malvadas que existem no mundo, especialmente daquelas que tem cara de boazinhas. Infelizmente, melhor criar um filho desconfiado e sempre alerta, do que uma isca fácil).

Vejamos qual será o próximo pedido…


Em tempo: O problema de ser uma pessoa em dia com a tecnologia, as novidades e trabalhar com mídias digitais é que meus filhos acabam tendo mais contato com isso do que eu gostaria. É o exemplo que eles têm, é o que eles vêem. A mãe que tem o compromisso de postar no Instagram diariamente (não no pessoal, mas no da Oca), que tem Snapchat, que trabalha na frente do computador o dia todo (em casa, na frente deles). É muita internet, muito eletrônico na minha vida. Mas fazer o que? Só me resta estar sempre vigilante e tentar fazer das horas lazer, momentos de atividades em família.

 

School Concert – a vez do Nickito

Ele estava eufórico, tão eufórico que não cabia dentro de si, estava ansioso pelo dia da sua apresentação, louco pelo dia em que, pela primeira vez, pisaria no palco.

E lá fomos nós, nesta última terça-feira, assistir o School Concert, onde o Nickito seria um dos pinguins do Prep B, representantes da Antártica. Gente, nível de fofura super-mega-hiper-blaster!

O show todo durou apenas uma hora e contou com a participação de aproximadamente 200 crianças, divididas por turmas de Prep, grade 1 e grade 2, cada qual representando um país ou região. Como sempre, os Preps eram os mais fofos 🙂

Nickito se encontrou naquele palco. Dançou tão bonitinho, que eu quase chorei de emoção (novidade, né?).

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Infelizmente, apesar de ter levado duas câmeras para fotografar e o iPad para filmar, não tive sucesso, já que ficamos muito distantes do palco e mesmo minha lente mais poderosa não conseguiu captar imagens dignas por conta da baixa luminosidade. Fiquei arrasada, né?

Pelo menos, ao final do show, consegui tirar umas rápidas fotos do meu pequeno pinguim 🙂

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Da próxima vez, me candidatarei a fotógrafa (cof cof) do backstage, que é onde consegue-se as melhores fotos.

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Vivi, tadinho, que só participou de um School Concert, quando também estava no Prep (nos dois anos seguintes, estávamos em Barcelona), ficou com os olhinhos brilhando de vontade de estar no palco.

Não há a menor sombra de dúvidas que meus dois molequinhos curtem os holofotes, um para atuar, ou outro para dançar.

Quem disse que mãe de menino não tem dessas alegrias, hein? 😛


Em tempo: Ontem, voltando do Karatê, Nickito tava meio triste e disse que não queria mais ir às aulas. Foi difícil arrancar dele o motivo, mas depois de muito insistir, me contou que um dos coleguinhas estava “fighting him” antes da aula. Disse que o papai não viu, porque eles estavam numa corner. Disse também que o garoto bateu com a cabeça dele na parede – imagino que não tenha sido com muita força, mas ainda assim fiquei chocada! Resultado: Nickito fez sua pior aula, sem vontade, só pra constar, e quando chegou em casa, conversando comigo, pediu para sair do Karatê e entrar pra aula de dança. Tadinho, sentiu-se acuado e, imagino, comparou os treinos do Karatê com os ensaios pro Concert, onde ninguém luta, só dança e se diverte.

Conversei com ele, e concordamos que ele continuará no Karatê até o fim do termo e que na Coréia, procuraremos um curso de dança/teatro pra ele fazer, mas que até lá, ele precisa enfrentar os bullies, contar pro instructor, pedir pra parar, enfim, não ser firme.

Hoje ele tem outro treino, vamos ver o que acontece.