Cumprimento de promessas, mudança de hábitos e o motivo de tudo isso.

Sabe aquelas promessas de Ano Novo que a gente faz todo ano e quase nunca cumpre? Então, este ano eu disse que ia ser diferente e, acredite, realmente está sendo!

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nesta foto, eu estava com 4 Kg a mais do que estou hoje (minha meta é ganhar de volta esses 4 Kg)

Prometi que passaria a caminhar diariamente, nem que fosse por meia horinha e aqui estou eu cumprindo minha promessa quase todos os dias, salvo durante essas férias escolares, que não me permitiram o luxo – desculpa esfarrapada? Pode ser, porque quem quer mesmo, caminha à noite, com chuva e frio, mas vamos combinar? Pra quem fazia ZERO de atividade física, eu tô indo é muito bem! 🙂

Prometi também que não mais ficaria até de madrugada trabalhando – estou cumprindo.

Prometi que uma manhã na semana seria dedicada exclusivamente a minha pessoa, pra escrever aqui no blog, pra separar as fotos para impressão, para ir à manicure… ou simplesmente para fazer na-da. Check!

Prometi que voltaria a registrar com mais frequência os momentos e também que forçaria a barra para passearmos mais aos finais de semana (insira aqui a dancinha da vitória, rsrsr).

Prometi que revolucionaria os hábitos alimentares da casa e estou firme e forte, na luta contra o crime! E talvez esta tenha sido a promessa mais difícil de fazer (porque eu não queria) e, ao mesmo tempo, a mais “fácil” de começar a cumprir. Explico o porquê:

Vamos voltar um pouquinho no tempo, lá pro início de janeiro, quando, de férias no Brasil, logo nos primeiros dias, visitei meu médico favorito, o mais completo que conheço.

Ele é uma mistura de clínico, endócrino, iridoligista, homeopata… e, segundo meu marido, é meio pajé, rsrs. Pra mim ele é o tipo de médico que não se encontra em qualquer esquina. Com suas consultas sem pressa e detalhadas, ele faz exames diversos, dos mais tradicionais aos mais sofisticados, e um apanhado geral, físico e às vezes, acho, espiritual. Tenho a sensação que ele enxerga minha aura, minha alma. As consultas com ele são reveladoras, sempre foram. E, mais do que tudo isso, ele é uma pessoa do bem. Meu pai o conhece desde a infância, minha avó, desde que ele nasceu. O que não falta é recomendação.

Pois bem, em minha longa consulta, muitas coisas pipocaram. A leitura da íris foi precisa e o escaneamento dos órgãos, impressionante. Mas de tudo o que foi dito naquelas mais de duas horas de consulta, foi um detalhe que me fez acordar para a realidade, uma linha do diagnóstico, um pontinho que mexeu comigo, com meu ego de mulher que ainda não chegou aos 40, mas tá mais pra lá do que pra cá, rs: minha idade biológica.

No segundo que antecedeu a divulgação inesperada, ele me olhou rapidamente, como se soubesse que eu reagiria (e sabia, ele é meio pajé, rs) e largou a bomba, assim como quem faz uma entrega indesejada e sai às pressas, mudando de assunto: “não-se-assuste-idade-biológica-45 blá blá blá blá blá”. Eu só ouvi a idade biológica, que apesar de ter sido dita rapidamente, pra mim, pareceu ter sido em slow motion, e tudo o que veio depois ficou meio distante, como se eu tivesse mergulhado numa piscina e ensurdecido. Sabe quando sua feição congela? Então. Fiquei em estado de choque. “Como assim, meu Deus!?”

Naquele momento, minha consciência gritou bem alto, dentro da minha cabeça: por fora bela viola, por dentro pão bolorento. “Gente, tô estragada por dentro!” Pânico.

É isso aí, ouvir que sua idade biológica é de 45 anos, quando se tem 38 recém completos, é dureza. Balde de gelo total. Mas o que eu poderia esperar? A pessoa que faz zero de atividade física há mais de uma década (tô querendo enganar quem? Venho praticando o sedentarismo desde que entrei na vida adulta!), que come mais doce que formiga, que não toma café da manhã, que troca o almoço por uma barra de 200 g de chocolate ao leite com uma frequência assustadora, que janta feito um trabalhador de obra porque não se alimentou corretamente durante o dia, que passa mais tempo do que é saudável sentada em frente ao computador, que trabalha de casa para ter horários mais flexíveis mas não consegue se disciplinar a encerrar o expediente na hora certa, indo, frequentemente, dormir tarde e acordando cedo. O que essa pessoa pode esperar??

Obesa eu não sou por pura felicidade genética. Sempre fui magra, quer dizer, já fui magérrima e hoje sou apenas magra normal (se bem que no momento, meus ossinhos aparecem). Se lutei contra a balança alguma vez, foi para engordar, durante a adolescência. E talvez isso, de não engordar, tenha, sim, contribuído para a minha falta de disposição para hábitos mais saudáveis. A pessoa que pode comer o que quiser na quantidade que quiser que, mesmo aos 38 anos, não engorda, vai encontrar motivação pra levar uma vida mais saudável onde?? Eu te respondo: Na idade biológica revelada casualmente durante uma consulta médica, claro, hahaha, aquela que me fez ir dos recém 38 pros 45 num piscar de olhos.

E foi a partir daquele momento revelação que sacudi a cabeça, vim à tona e abri meus ouvidos para outros pontos importantíssimos sinalizados nos exames, como o Sjögrens e a propensão genética a ter diabetes, problemas na tireóide, no fígado, no estômago… o que não quer dizer que os terei, mas, naquele momento, eu tive certeza que se eu não mudasse já, os 45 anos biológicos de hoje seriam apenas a pontinha do iceberg. E além disso, o mais grave, caiu uma ficha ainda mais importante: que exemplo eu estou dando pros meus filhos?! Tá, eles não sabem que eu troco o almoço por chocolate (fazia isso escondida) e também nunca liberei as besteiras em casa. Até biscoito de maisena sempre foi controlado, qualquer besteira é. Nunca comprei bala pra eles, que só comem essas coisas em festinhas de aniversário. Sempre os estimulei a comer de tudo que é saudável. Mas quer saber, isso não é suficiente. Ainda mais se você considerar que aqui em casa costumava ter bolo semana sim, semana também. Sem falar das pancakes de todo sábado, do pão com nutella de quase sempre, das frutas com calda de chocolate nas noites frias… Tudo isso era corriqueiro aqui em casa. Um sonho, né? Mal sabia eu que o sonho estava caminhado para o pesadelo.

E foi assim, por causa dos 45, que, aos 45 do segundo tempo, decidi a começar a mudança de hábitos, ainda nas férias. Menos pães, menos doces, menos leite de vaca, menos trigo, menos embutidos e mais frutas frescas, mais verduras e legumes, mais alimentos integrais e ainda menos processados/industrializados.

Saí da consulta com uma lista de remedinhos para meu tratamento e outra de alimentos que deveria evitar para sempre  e outra que deveria evitar pelo tempo do tratamento.

Estou no meio do tratamento. Sem tomar leite de vaca, nem comer seus derivados, sem comer trigo (incluindo pães, massas e bolos), sem comer nada que venha do porco, sem comer enlatados (isso é moleza), doces (chocolate, meu filho, cadê você??) e perdendo todas as roupas que tenho. Sério, só calça legging cabe em mim. Tá triste, tá feio 😦 Tô me sentindo o Sr. Madruga, com as calças caindo :(.

Confesso que no início foi bem difícil lidar com tantas restrições alimentares, que não param nesta singela lista aí de cima, não, tá? Nem tudo que é saudável está liberado. Por exemplo, alguns proibidões pelo período do tratamento são: banana, laranja, beterraba, milho, castanha, aipo, pepino, coco, frutos do mar, arroz branco… a lista é grande, gente. Segundo meu marido, é mais fácil fazer a lista do que eu posso comer, rsrsr Mas agora estou tirando de letra, e com esperança de que vou parar de perder peso e até recuperar uns quilinhos, pra esconder a ossada (tô fingindo que o pão não é proibidão e comendo aqueles sem glúten, que nem são tão tão ruins assim).

A verdade é que estou comendo bastante e muitíssimo bem! Tão bem que nunca fico com fome 🙂 Logo eu que apesar de comer muito, vivia faminta, rsrs Só sinto falta de comer um doce, um chocolatinho, de tomar um chai latte de vez em quando… Ai, um chai latte… até sonho com isso. Passado este período de tratamento, volto a tomar meu chai latte, nem que seja uma vez na semana (ou duas), rsrsr

Sinceramente, apesar de, num momento insano, eu ter comprado um livro chamado “Quitting sugar for life”, não pretendo, de maneira nenhuma, radicalizar (tipo, não quero viver sem queijo, sem pão, sem chocolate, sem meu chai latte… e também não quero privar meus filhos do bolo gostoso que perfuma a casa inteira) e, passando o período do tratamento, voltarei a consumir, sim, algumas coisas (com moderação), tendo a felicidade de saber que não preciso dessas coisas no meu dia a dia pra ser feliz, que vivo muito bem sem muitas delas.

Ah, sabe o que é mais legal? A família toda embarcou comigo nessa, não integralmente, claro, mas todos em casa tem comido muito melhor. Substituímos alguns alimentos, reduzimos outros, eliminamos outros e introduzimos novidades. Estou bem orgulhosa dessa mudança toda, que além de tudo, ainda tem um bônus lindo: reduzimos sensivelmente nossa produção de lixo! Lixo e recicláveis! Os latões nunca mais ficaram cheios. A beleza de consumir os alimentos certos! 🙂

E aí, quem é que não cumpre promessas de ano novo, hein? Eu cumpro todas! Ou quase… 😉


Tá, eu prometi outras coisitas que ainda não comecei a cumprir, tais como voltar pra yoga e meditação, mas poxa, mereço um crédito aí, né? Também não dá pra fazer a revolução comportamental toda de uma vez só, rsrsrs. Mas ó, até o fim do ano tá valendo e eu faço questão de contar no próximo blog como foi o cumprimento das promessas do ano 🙂

Em tempo: só tem uma coisa da lista de proibidões (além do pão sem glúten nosso de cada dia) que me dou o direito de comer uma vez na semana: pipoca! Po, ir ao cinema e não comer pipoca é muito cruel.

Em tempo 2: cheguei no Brasil, em janeiro, pesando 58Kg, voltei pra Melbourne, em fevereiro, pesando 56Kg (vejam que só uma reeducadinha básica já faz diferença!), Terminei março, na casa dos 52 Kg (note que tenho 1.71m de altura). Percebe que a coisa tá ficando feia pro meu lado? 😦 E ainda tenho 2 semanas pela frente sem comer bolo nem beber chai latte… oh my, oh my… Minha meta, terminado o tratamento, é voltar pros 56-58Kg (nunca quis perder peso, apenas aconteceu) e recuperar meu guarda-roupa 😛

(Este foi longo, hein!)

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