Mimado, atacado e muito, muito difícil – momento desabafo.

Ele é fofo, é carinhoso, ele é um amorzinho, mas desde que voltamos do Brasil, ele está insuportável (e vem piorando a cada dia). Faz manha feito um bebê. Grita, chora, reclama e grita mais um pouco. Pelo que? Por nada! Por muito pouco. Por qualquer coisa. Cada vez mais me convenço de que tirá-los da rotina, ainda que seja por um bom motivo, é um tiro no pé 😦

Genioso, ele sempre foi. Temperamento forte, ele sempre teve. Mas agora o bicho tá pegando de verdade, porque ele está implicante, mimado, achando que é dono de todo mundo, que o mundo tem que girar ao seu redor, que as pessoas devem atender a todos os seus desejos e sem demora. E quando alguma coisinha não sai como ele espera – sai de baixo, porque ele volta a ser um toddler, um bebezão cheio de vontades. E haja paciência e psicologia para contornar cada situação (e cá entre nós, ter paciência suficiente para usar sabiamente a psicologia é um desafio e tanto, quando se está tão estressada como eu estou – e isso me faz lembrar que retomar a Yoga/meditação é urgente).

Geralmente o que desencadeia o mau comportamento, é alguma coisa relacionada ao irmão, que, por incrível que pareça, na maioria das vezes está quase inocente. Quase, porque a gente sabe que o Vivi adora dar uma cutucadinhas silenciosa no irmão, coisa boba, mas que ultimamente tem desencadeado uma gritaria que dura, pelo menos uns 20 minutos (ô gargantinha poderosa viu!). E haja exercício de respiração para não pirar.

Não há um dia, um diazinho em que eu não brigue com ele. Não há um dia que eu não tenha pelo menos 4 conversas sérias com ele, explicando que chorar e gritar não resolve problema nenhum. A cena se repete várias vezes ao dia (num dia maravilhoso, só preciso fazer isso duas vezes). Ele se estressa (geralmente por nada) e acha que vai resolver no grito, acha que se chorar bem alto, a mamãe vai vir ao socorro, brigar com o irmão e fazer sua vontade. Aí começa a choradeira, a gritaria (só se ouve a voz dele na casa). Quando o circo começa, eu tiro uns minutos para me concentrar (e pra deixá-lo se cansar um pouco), daí tento conversar. Falo, explico (enquanto ele se esgoela), peço pra ele se acalmar, fazendo algumas das técnicas de respiração que já ensinei, mas nada adianta, ele fica cego e surdo, aguardando que eu passe a mão em sua cabeça, que eu me renda ao seu drama. Sinceramente, não sei porque ele age dessa maneira, não sei porque ele espera isso, se eu nunca atendo aos seus berros.

Desde que ele arma o circo, até se acalmar, leva tempo, viu? E as conversas, na maioria da vezes, não adiantam de nada. Eu tenho que aguardar pacientemente (tô pensando em investir naqueles fones de ouvido que bloqueiam o som) até a crise passar, porque quando passa, ele vem até mim, mansinho, pede desculpas, me dá um abraço e diz que não vai mais fazer. Dalí a pouco, começa tudo novamente. Cansativo, viu?

Claro que às vezes, tô tão cansada, tão estressada, que não aguento esperar pacientemente ao som da sinfonia do chororô, então (podem me julgar que nem ligo) coloco o pequeno sentado no quarto ou no banheiro e fecho a porta – não tranco, só fecho, avisando que ele poderá sair assim que se acalmar pra gente conversar.

Mas isso tem acontecido tanto, tantas vezes no dia, que além de eu andar estressada por outros motivos, estou também esgotada emocionalmente. Um desgaste tão gigante, que reflete no corpo, na energia. Estou sugada.

Vai passar? Vai. Eu sei que vai. Mas ainda estou tentando encontrar a melhor maneira de lidar com essa crise, para que eu não fique doente antes dela passar (porque o estresse definitivamente ativa os sintomas do Sjogrens – ontem mesmo, me senti tão mal a tarde inteira, que fui forçada a me deitar).

Sou absolutamente contra palmada. Nunca fiz e arrisco dizer que nunca farei. Fora isso, já tentei todas as técnicas que conheço e até já me vi, falando com ele tão brava, que no mesmo instante me senti ainda pior 😦

A coisa é tão grave que durante a semana que sucedeu a Páscoa, apesar da universidade não ter funcionado, o marido foi pro trabalho assim mesmo, afinal, sair de casa é tirar férias dos ataques do Nick.

Claro que o Nick não cria encrenca com a sombra e se estiver sozinho (sem o irmão), passa o dia até bem – a menos que, sei lá, ao procurar um brinquedo x, não encontre de maneira nenhuma, porque neste caso, o drama e a choradeira começam. A diferença é que ele não pode culpar o irmão (até tenta, mesmo o irmão não estando presente), porque se ele puder culpar alguém pelo ataque dele, ele vai fazer!

Não sei o que desencadeou esse comportamento, mas tenho algumas desconfianças. Uma delas é essa insistência dele em ser um bebê. Ele fala constantemente, que queria ser um bebê novamente, ele fala como um bebê, ele expressa, claramente, sua frustração com a impossibilidade voltar no tempo. Será que ele está mergulhando cada vez mais nessa fixação e encarando também suas frustrações como um bebê que não sabe se expressar e chora? Eu me pergunto.

O estranho é que apesar disso, ele vai super bem na escola! É super aplicado, responsável, é um dos mais adiantados na turma, lê que é uma belezinha, se aplica para escrever com capricho, gosta de matemática e já me contou que adora a escola.

Ah sim, na escola ele não se comporta como bebê, não dá ataque de choro, nem arma gritaria quando está frustrado. Só em casa.

Seríamos nós o problema?

Me faço tantas perguntas diariamente… e como não consigo encontrar respostas, torço pra que seja apenas uma fase difícil e torço também para que eu aguente firme e consiga utilizar sabiamente o restinho de paciência que me resta, senão terei que pedir férias.

O que eu sei é que diante deste quadro e desta suspeita, não gosto nem de pensar o que aconteceria se o Mauricio se rendesse aos meus apelos e encomendássemos o terceirinho! Acho que o Nickito entraria em depressão. Deus escreve certo por linhas tortas.

 


 

Em tempo: não consigo parar de imaginar como a coisa pode piorar com a mudança para a Coréia, a vida num apartamento com a metade do espaço que temos aqui em casa, sem um parquinho em frente, sem amigos, sem falar a língua… Que papai do Céu nos ajude nessa mudança, amém!

 

Em tempo 2: hoje o marido ficou em casa e eu estou invisível e refugiada no quarto, de portas fechadas, para me recuperar um pouco da batalha que tem sido essas férias escolares.

 

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