Acabooooou!!

Eis que aos 27 de abril, encerrou-se o período de 45 dias, durante os quais eu vivi prisioneira de restrições alimentares cruéis. Encerrou-se o período oficial do bendito tratamento (oficial, porque eu sigo tomando alguns dos remédios) e eu me vi livre para tomar meu chai latte.

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Para celebrar, marido e eu fomos caminhar na praia e na sequência tomamos um brunch delicinha de frente pra baía 🙂

Foi um momento lindo! Eu eu meu chai latte. Namoramos, eu senti o seu perfume, fiquei olhando pra ele, e degustei devagarzinho cada gole precioso. Que emoção! Acompanhando meu chai, um brunch maravilhoso e vegetariano. Finalmente pude comer pimentão, beterraba e sourdough bread. Delícia! E de bônus, o marido-olho-grande ainda pediu pancakes maravilhosas (que, detalhe, não conseguimos comer todas – nem me reconheço!).

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Na verdade, confesso, o tratamento terminou uns dias antes, no domingo ainda, e na mesma noite, fomos ao San Churro tomar um chocolate quente – meu favorito no mundo inteiro, o melhor que já tomei na vida.

Eu sou daquelas pessoas que se emocionam com as coisas simples. Entrar na Sagrada Família pela primeira vez me deixou toda arrepiada, mas tomar meu chocolate quente favorito depois de mais 50 dias sem sentir nem o cheiro, foi uma das sensações mais maravilhosas que experimentei. O mundo ficou mais colorido e o simples fato de me ver ali, de frente com aquela caneca, sabendo que ela era toda minha, me trouxe um grau de felicidade, me elevou a um nível de alegria, que só os cachorros sentem quando reencontram seus donos 🙂

Sou feliz sem açúcar, mas sou plena com ele, rsrs

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Não pretendo, nunca mais, trocar meu almoço por 200g de chocolate (juro!), não vou mais começar o dia com uma fatia de pão com Nutella, mas também não vou abrir mão de momentos de prazer em nome de uma vida total e absolutamente saudável. Vez por outra, vou me mimar, sim, e fazer bolo com farinha e calda de chocolate ao leite. Vez por outra, vou tomar meu chai, meu chocolate quente, vou até comer bacon! Mas uma coisa é certa: minha reeducação alimentar não vai se resumir a estes 45 dias. E o motivo é simples, eu vi que, muito embora tenha ficado muito magrela, fiquei também mais saudável, me senti melhor e, acima de tudo, vi probleminhas, que me acompanhavam há muito tempo, irem embora.

Agora vou me concentrar em recuperar uns quilinhos, pra cobrir os ossinhos, mas suspeito que isso não será muito difícil, já que no início de julho estamos saindo de férias e eu tenho certeza que nossos 10 dias de vida mansa em Bali vão me ajudar a chegar num peso digno.

 


 

Em tempo: vou MORRER de saudade das minhas caminhadas na praia (e também do chai pós caminhada). É por essas e outras, que eu disse e repito: Austrália, eu vou ali dar uma moradinha básica na Coréia, mas eu volto, viu? 🙂

 

Em tempo 2: Hoje deixei o marido ir ao mercado sozinho (isso é sempre perigoso) e ele voltou com sacolas e mais sacolas de biscoitos, caixas e mais caixas de macarrão e duas latas de molho de tomate pronto. Quase tive um treco. Eu, quando vou ao mercado, nem passo mais por esses corredores. Anyways, como ele mesmo diz, não posso ser radical, né? De vez em quando, pode rolar um cookie, um croissant (yumi!)… Só que ele exagera e compra tudo de uma vez! E o pior é que pra mim ainda é muito difícil resistir as tentações (eu resisto, mas é uma tortura). Haja força de vontade, viu?

The wheels are in motion

Passagens compradas! Embarcaremos rumo a Seoul nos primeiros minutos do último dia de julho. Frio na barriga define.

Mas Erica, ainda faltam 101 dias! Sim, faltam cento e um dias, mas… a lista de coisas pra fazer é tão grande que chega a me dar enjôo. E só de pensar que isso tudo será o de menos, só de pensar que o bicho vai pegar mesmo quando pisarmos em solo coreano, quando começarmos a viver a vida nova e completamente estrangeira, sinto meu estômago congelar.

Já cotamos a mudança e, muito embora não tenhamos planos de levar nenhum dos nossos móveis atuais, até porque não caberiam na nova morada (God help me!), temos a intenção de comprar algumas coisas aqui, então, lá pra meados de junho, um container de 20ft. será preenchido com nossos pertences e enviado para terras orientais. E depois disso, começa o processo de esvaziamento da casa: vender/doar tudo o que não formos levar – e isso inclui móveis, roupas, utensílios, brinquedos, bicicletas, mesa de ping pong, carro… Será uma verdadeira maratona de desapegos, porque tudo o que restar terá que caber em 8 malas, que não deverão pesar mais que 160 Kg no total.

Prevejo um estresse daqueles. Prevejo também 10 dias em Bali, ou em Phuket, ou em Fiji, com muita massagem relaxante… só pra recarregar as baterias e partir novinha em folha pra vida nova.

Aliás, ao que tudo indica, já temos morada certa em Seul. Nos instalaremos numa vila, em Yeonhui-dong – mas somente depois que nossa mudança chegar. Até lá, só o airbnb salva. Amém.

101 dias. Cento e um dias. CENTO E UM DIAS!!!!!

 

Karate kid

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Ele adora dançar e inventar suas próprias coreografias, ele adora cantar e inventar suas próprias canções. Ele também adora participar dos vídeos que o irmão inventa e segue o roteiro direitinho, até que resolve improvisar – e seus improvisos são os melhores! É cada tirada de arrancar gargalhada e deixar a mamãe-babona aqui toda boba 🙂

Seguindo os passos do irmão (que é outra figura), só que de uma maneira completamente sua, Nickito reforça a veia artística da família.

Ao contrário do Vivi, que gosta mesmo é da platéia, Nickito gosta do ato em si e pouco se importa se tem alguém assistindo. Ele se diverte no processo e se vier aplauso é lucro 🙂

Ele vive pedindo pra fazer aulas de canto e de dança, mas como estamos de mudança, resolvemos deixar isso mais pra frente, para quando estivermos já instalados no novo país. Enquanto isso, Nickito teve outro desejo realizado: o de fazer karatê 🙂

Há pouco tempo, abriu um Dojo bem em frente do condomínio no qual moramos. Mais prático impossível! Levamos o pequeno para um free trial e o matriculamos no mesmo dia.

Gente, tãaaaaaaao fofooooo! Peraí que acho que vocês não tão entendendo: TÃAAAAAAOOOOO FOOOOOFOOOOO!!!!

A aulinha dura meia hora mas é punk. Eles correm, fazem flexão, abdominal, agachamento, rastejam… só o aquecimento já é um super work out. Na sequência, praticam vários movimentos, individualmente e em dupla e encerram a aula praticando o ataque e defesa, tentado tocar os ombros e joelhos do adversário, sem deixar que este lhe toque. Tão bonitinho 🙂 Eu, quando vou (normalmente é o pai que leva), fico sentada com cara de boba, com o sorriso congelado no rosto, rsrsr

Ele começou faz bem pouquinho tempo, no termo passado, e ainda está na faixa branca, mas parece que até irmos embora já estará na vermelha. Mal posso esperar 🙂


Em tempo: além do gosto pela dança, canto e karatê, Nickito também ama cozinhar e diz que quando crescer, será um chef e terá seu próprio restaurante. Eu, claro, já me voluntariei para fazer o projeto 🙂

Em tempo 2: A mamãe ainda não fez a bainha da calça :O|

Em tempo 3: levamos também o Vivi para o trial, mas preguiçosinho que é, não aguentou o tranco do aquecimento, hahaha, preferiu seguir só no basquete mesmo 🙂

 

Cumprimento de promessas, mudança de hábitos e o motivo de tudo isso.

Sabe aquelas promessas de Ano Novo que a gente faz todo ano e quase nunca cumpre? Então, este ano eu disse que ia ser diferente e, acredite, realmente está sendo!

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nesta foto, eu estava com 4 Kg a mais do que estou hoje (minha meta é ganhar de volta esses 4 Kg)

Prometi que passaria a caminhar diariamente, nem que fosse por meia horinha e aqui estou eu cumprindo minha promessa quase todos os dias, salvo durante essas férias escolares, que não me permitiram o luxo – desculpa esfarrapada? Pode ser, porque quem quer mesmo, caminha à noite, com chuva e frio, mas vamos combinar? Pra quem fazia ZERO de atividade física, eu tô indo é muito bem! 🙂

Prometi também que não mais ficaria até de madrugada trabalhando – estou cumprindo.

Prometi que uma manhã na semana seria dedicada exclusivamente a minha pessoa, pra escrever aqui no blog, pra separar as fotos para impressão, para ir à manicure… ou simplesmente para fazer na-da. Check!

Prometi que voltaria a registrar com mais frequência os momentos e também que forçaria a barra para passearmos mais aos finais de semana (insira aqui a dancinha da vitória, rsrsr).

Prometi que revolucionaria os hábitos alimentares da casa e estou firme e forte, na luta contra o crime! E talvez esta tenha sido a promessa mais difícil de fazer (porque eu não queria) e, ao mesmo tempo, a mais “fácil” de começar a cumprir. Explico o porquê:

Vamos voltar um pouquinho no tempo, lá pro início de janeiro, quando, de férias no Brasil, logo nos primeiros dias, visitei meu médico favorito, o mais completo que conheço.

Ele é uma mistura de clínico, endócrino, iridoligista, homeopata… e, segundo meu marido, é meio pajé, rsrs. Pra mim ele é o tipo de médico que não se encontra em qualquer esquina. Com suas consultas sem pressa e detalhadas, ele faz exames diversos, dos mais tradicionais aos mais sofisticados, e um apanhado geral, físico e às vezes, acho, espiritual. Tenho a sensação que ele enxerga minha aura, minha alma. As consultas com ele são reveladoras, sempre foram. E, mais do que tudo isso, ele é uma pessoa do bem. Meu pai o conhece desde a infância, minha avó, desde que ele nasceu. O que não falta é recomendação.

Pois bem, em minha longa consulta, muitas coisas pipocaram. A leitura da íris foi precisa e o escaneamento dos órgãos, impressionante. Mas de tudo o que foi dito naquelas mais de duas horas de consulta, foi um detalhe que me fez acordar para a realidade, uma linha do diagnóstico, um pontinho que mexeu comigo, com meu ego de mulher que ainda não chegou aos 40, mas tá mais pra lá do que pra cá, rs: minha idade biológica.

No segundo que antecedeu a divulgação inesperada, ele me olhou rapidamente, como se soubesse que eu reagiria (e sabia, ele é meio pajé, rs) e largou a bomba, assim como quem faz uma entrega indesejada e sai às pressas, mudando de assunto: “não-se-assuste-idade-biológica-45 blá blá blá blá blá”. Eu só ouvi a idade biológica, que apesar de ter sido dita rapidamente, pra mim, pareceu ter sido em slow motion, e tudo o que veio depois ficou meio distante, como se eu tivesse mergulhado numa piscina e ensurdecido. Sabe quando sua feição congela? Então. Fiquei em estado de choque. “Como assim, meu Deus!?”

Naquele momento, minha consciência gritou bem alto, dentro da minha cabeça: por fora bela viola, por dentro pão bolorento. “Gente, tô estragada por dentro!” Pânico.

É isso aí, ouvir que sua idade biológica é de 45 anos, quando se tem 38 recém completos, é dureza. Balde de gelo total. Mas o que eu poderia esperar? A pessoa que faz zero de atividade física há mais de uma década (tô querendo enganar quem? Venho praticando o sedentarismo desde que entrei na vida adulta!), que come mais doce que formiga, que não toma café da manhã, que troca o almoço por uma barra de 200 g de chocolate ao leite com uma frequência assustadora, que janta feito um trabalhador de obra porque não se alimentou corretamente durante o dia, que passa mais tempo do que é saudável sentada em frente ao computador, que trabalha de casa para ter horários mais flexíveis mas não consegue se disciplinar a encerrar o expediente na hora certa, indo, frequentemente, dormir tarde e acordando cedo. O que essa pessoa pode esperar??

Obesa eu não sou por pura felicidade genética. Sempre fui magra, quer dizer, já fui magérrima e hoje sou apenas magra normal (se bem que no momento, meus ossinhos aparecem). Se lutei contra a balança alguma vez, foi para engordar, durante a adolescência. E talvez isso, de não engordar, tenha, sim, contribuído para a minha falta de disposição para hábitos mais saudáveis. A pessoa que pode comer o que quiser na quantidade que quiser que, mesmo aos 38 anos, não engorda, vai encontrar motivação pra levar uma vida mais saudável onde?? Eu te respondo: Na idade biológica revelada casualmente durante uma consulta médica, claro, hahaha, aquela que me fez ir dos recém 38 pros 45 num piscar de olhos.

E foi a partir daquele momento revelação que sacudi a cabeça, vim à tona e abri meus ouvidos para outros pontos importantíssimos sinalizados nos exames, como o Sjögrens e a propensão genética a ter diabetes, problemas na tireóide, no fígado, no estômago… o que não quer dizer que os terei, mas, naquele momento, eu tive certeza que se eu não mudasse já, os 45 anos biológicos de hoje seriam apenas a pontinha do iceberg. E além disso, o mais grave, caiu uma ficha ainda mais importante: que exemplo eu estou dando pros meus filhos?! Tá, eles não sabem que eu troco o almoço por chocolate (fazia isso escondida) e também nunca liberei as besteiras em casa. Até biscoito de maisena sempre foi controlado, qualquer besteira é. Nunca comprei bala pra eles, que só comem essas coisas em festinhas de aniversário. Sempre os estimulei a comer de tudo que é saudável. Mas quer saber, isso não é suficiente. Ainda mais se você considerar que aqui em casa costumava ter bolo semana sim, semana também. Sem falar das pancakes de todo sábado, do pão com nutella de quase sempre, das frutas com calda de chocolate nas noites frias… Tudo isso era corriqueiro aqui em casa. Um sonho, né? Mal sabia eu que o sonho estava caminhado para o pesadelo.

E foi assim, por causa dos 45, que, aos 45 do segundo tempo, decidi a começar a mudança de hábitos, ainda nas férias. Menos pães, menos doces, menos leite de vaca, menos trigo, menos embutidos e mais frutas frescas, mais verduras e legumes, mais alimentos integrais e ainda menos processados/industrializados.

Saí da consulta com uma lista de remedinhos para meu tratamento e outra de alimentos que deveria evitar para sempre  e outra que deveria evitar pelo tempo do tratamento.

Estou no meio do tratamento. Sem tomar leite de vaca, nem comer seus derivados, sem comer trigo (incluindo pães, massas e bolos), sem comer nada que venha do porco, sem comer enlatados (isso é moleza), doces (chocolate, meu filho, cadê você??) e perdendo todas as roupas que tenho. Sério, só calça legging cabe em mim. Tá triste, tá feio 😦 Tô me sentindo o Sr. Madruga, com as calças caindo :(.

Confesso que no início foi bem difícil lidar com tantas restrições alimentares, que não param nesta singela lista aí de cima, não, tá? Nem tudo que é saudável está liberado. Por exemplo, alguns proibidões pelo período do tratamento são: banana, laranja, beterraba, milho, castanha, aipo, pepino, coco, frutos do mar, arroz branco… a lista é grande, gente. Segundo meu marido, é mais fácil fazer a lista do que eu posso comer, rsrsr Mas agora estou tirando de letra, e com esperança de que vou parar de perder peso e até recuperar uns quilinhos, pra esconder a ossada (tô fingindo que o pão não é proibidão e comendo aqueles sem glúten, que nem são tão tão ruins assim).

A verdade é que estou comendo bastante e muitíssimo bem! Tão bem que nunca fico com fome 🙂 Logo eu que apesar de comer muito, vivia faminta, rsrs Só sinto falta de comer um doce, um chocolatinho, de tomar um chai latte de vez em quando… Ai, um chai latte… até sonho com isso. Passado este período de tratamento, volto a tomar meu chai latte, nem que seja uma vez na semana (ou duas), rsrsr

Sinceramente, apesar de, num momento insano, eu ter comprado um livro chamado “Quitting sugar for life”, não pretendo, de maneira nenhuma, radicalizar (tipo, não quero viver sem queijo, sem pão, sem chocolate, sem meu chai latte… e também não quero privar meus filhos do bolo gostoso que perfuma a casa inteira) e, passando o período do tratamento, voltarei a consumir, sim, algumas coisas (com moderação), tendo a felicidade de saber que não preciso dessas coisas no meu dia a dia pra ser feliz, que vivo muito bem sem muitas delas.

Ah, sabe o que é mais legal? A família toda embarcou comigo nessa, não integralmente, claro, mas todos em casa tem comido muito melhor. Substituímos alguns alimentos, reduzimos outros, eliminamos outros e introduzimos novidades. Estou bem orgulhosa dessa mudança toda, que além de tudo, ainda tem um bônus lindo: reduzimos sensivelmente nossa produção de lixo! Lixo e recicláveis! Os latões nunca mais ficaram cheios. A beleza de consumir os alimentos certos! 🙂

E aí, quem é que não cumpre promessas de ano novo, hein? Eu cumpro todas! Ou quase… 😉


Tá, eu prometi outras coisitas que ainda não comecei a cumprir, tais como voltar pra yoga e meditação, mas poxa, mereço um crédito aí, né? Também não dá pra fazer a revolução comportamental toda de uma vez só, rsrsrs. Mas ó, até o fim do ano tá valendo e eu faço questão de contar no próximo blog como foi o cumprimento das promessas do ano 🙂

Em tempo: só tem uma coisa da lista de proibidões (além do pão sem glúten nosso de cada dia) que me dou o direito de comer uma vez na semana: pipoca! Po, ir ao cinema e não comer pipoca é muito cruel.

Em tempo 2: cheguei no Brasil, em janeiro, pesando 58Kg, voltei pra Melbourne, em fevereiro, pesando 56Kg (vejam que só uma reeducadinha básica já faz diferença!), Terminei março, na casa dos 52 Kg (note que tenho 1.71m de altura). Percebe que a coisa tá ficando feia pro meu lado? 😦 E ainda tenho 2 semanas pela frente sem comer bolo nem beber chai latte… oh my, oh my… Minha meta, terminado o tratamento, é voltar pros 56-58Kg (nunca quis perder peso, apenas aconteceu) e recuperar meu guarda-roupa 😛

(Este foi longo, hein!)

Mimado, atacado e muito, muito difícil – momento desabafo.

Ele é fofo, é carinhoso, ele é um amorzinho, mas desde que voltamos do Brasil, ele está insuportável (e vem piorando a cada dia). Faz manha feito um bebê. Grita, chora, reclama e grita mais um pouco. Pelo que? Por nada! Por muito pouco. Por qualquer coisa. Cada vez mais me convenço de que tirá-los da rotina, ainda que seja por um bom motivo, é um tiro no pé 😦

Genioso, ele sempre foi. Temperamento forte, ele sempre teve. Mas agora o bicho tá pegando de verdade, porque ele está implicante, mimado, achando que é dono de todo mundo, que o mundo tem que girar ao seu redor, que as pessoas devem atender a todos os seus desejos e sem demora. E quando alguma coisinha não sai como ele espera – sai de baixo, porque ele volta a ser um toddler, um bebezão cheio de vontades. E haja paciência e psicologia para contornar cada situação (e cá entre nós, ter paciência suficiente para usar sabiamente a psicologia é um desafio e tanto, quando se está tão estressada como eu estou – e isso me faz lembrar que retomar a Yoga/meditação é urgente).

Geralmente o que desencadeia o mau comportamento, é alguma coisa relacionada ao irmão, que, por incrível que pareça, na maioria das vezes está quase inocente. Quase, porque a gente sabe que o Vivi adora dar uma cutucadinhas silenciosa no irmão, coisa boba, mas que ultimamente tem desencadeado uma gritaria que dura, pelo menos uns 20 minutos (ô gargantinha poderosa viu!). E haja exercício de respiração para não pirar.

Não há um dia, um diazinho em que eu não brigue com ele. Não há um dia que eu não tenha pelo menos 4 conversas sérias com ele, explicando que chorar e gritar não resolve problema nenhum. A cena se repete várias vezes ao dia (num dia maravilhoso, só preciso fazer isso duas vezes). Ele se estressa (geralmente por nada) e acha que vai resolver no grito, acha que se chorar bem alto, a mamãe vai vir ao socorro, brigar com o irmão e fazer sua vontade. Aí começa a choradeira, a gritaria (só se ouve a voz dele na casa). Quando o circo começa, eu tiro uns minutos para me concentrar (e pra deixá-lo se cansar um pouco), daí tento conversar. Falo, explico (enquanto ele se esgoela), peço pra ele se acalmar, fazendo algumas das técnicas de respiração que já ensinei, mas nada adianta, ele fica cego e surdo, aguardando que eu passe a mão em sua cabeça, que eu me renda ao seu drama. Sinceramente, não sei porque ele age dessa maneira, não sei porque ele espera isso, se eu nunca atendo aos seus berros.

Desde que ele arma o circo, até se acalmar, leva tempo, viu? E as conversas, na maioria da vezes, não adiantam de nada. Eu tenho que aguardar pacientemente (tô pensando em investir naqueles fones de ouvido que bloqueiam o som) até a crise passar, porque quando passa, ele vem até mim, mansinho, pede desculpas, me dá um abraço e diz que não vai mais fazer. Dalí a pouco, começa tudo novamente. Cansativo, viu?

Claro que às vezes, tô tão cansada, tão estressada, que não aguento esperar pacientemente ao som da sinfonia do chororô, então (podem me julgar que nem ligo) coloco o pequeno sentado no quarto ou no banheiro e fecho a porta – não tranco, só fecho, avisando que ele poderá sair assim que se acalmar pra gente conversar.

Mas isso tem acontecido tanto, tantas vezes no dia, que além de eu andar estressada por outros motivos, estou também esgotada emocionalmente. Um desgaste tão gigante, que reflete no corpo, na energia. Estou sugada.

Vai passar? Vai. Eu sei que vai. Mas ainda estou tentando encontrar a melhor maneira de lidar com essa crise, para que eu não fique doente antes dela passar (porque o estresse definitivamente ativa os sintomas do Sjogrens – ontem mesmo, me senti tão mal a tarde inteira, que fui forçada a me deitar).

Sou absolutamente contra palmada. Nunca fiz e arrisco dizer que nunca farei. Fora isso, já tentei todas as técnicas que conheço e até já me vi, falando com ele tão brava, que no mesmo instante me senti ainda pior 😦

A coisa é tão grave que durante a semana que sucedeu a Páscoa, apesar da universidade não ter funcionado, o marido foi pro trabalho assim mesmo, afinal, sair de casa é tirar férias dos ataques do Nick.

Claro que o Nick não cria encrenca com a sombra e se estiver sozinho (sem o irmão), passa o dia até bem – a menos que, sei lá, ao procurar um brinquedo x, não encontre de maneira nenhuma, porque neste caso, o drama e a choradeira começam. A diferença é que ele não pode culpar o irmão (até tenta, mesmo o irmão não estando presente), porque se ele puder culpar alguém pelo ataque dele, ele vai fazer!

Não sei o que desencadeou esse comportamento, mas tenho algumas desconfianças. Uma delas é essa insistência dele em ser um bebê. Ele fala constantemente, que queria ser um bebê novamente, ele fala como um bebê, ele expressa, claramente, sua frustração com a impossibilidade voltar no tempo. Será que ele está mergulhando cada vez mais nessa fixação e encarando também suas frustrações como um bebê que não sabe se expressar e chora? Eu me pergunto.

O estranho é que apesar disso, ele vai super bem na escola! É super aplicado, responsável, é um dos mais adiantados na turma, lê que é uma belezinha, se aplica para escrever com capricho, gosta de matemática e já me contou que adora a escola.

Ah sim, na escola ele não se comporta como bebê, não dá ataque de choro, nem arma gritaria quando está frustrado. Só em casa.

Seríamos nós o problema?

Me faço tantas perguntas diariamente… e como não consigo encontrar respostas, torço pra que seja apenas uma fase difícil e torço também para que eu aguente firme e consiga utilizar sabiamente o restinho de paciência que me resta, senão terei que pedir férias.

O que eu sei é que diante deste quadro e desta suspeita, não gosto nem de pensar o que aconteceria se o Mauricio se rendesse aos meus apelos e encomendássemos o terceirinho! Acho que o Nickito entraria em depressão. Deus escreve certo por linhas tortas.

 


 

Em tempo: não consigo parar de imaginar como a coisa pode piorar com a mudança para a Coréia, a vida num apartamento com a metade do espaço que temos aqui em casa, sem um parquinho em frente, sem amigos, sem falar a língua… Que papai do Céu nos ajude nessa mudança, amém!

 

Em tempo 2: hoje o marido ficou em casa e eu estou invisível e refugiada no quarto, de portas fechadas, para me recuperar um pouco da batalha que tem sido essas férias escolares.