Sobre perfeccionismo e mentirinhas – ah, a maternidade…

O alvo da vez é o Nickito.

Nickito queria ganhar um coelhinho de pelúcia, então teve a ideia de escrever uma cartinha pro Coelhinho da Páscoa, fazendo o pedido.

Acompanhei o início do frustrante processo do pequeno perfeccionista, que tentava escrever, não gostava, rasgava e jogava fora. Passado um tempo, quando achei que ele tivesse desistido, Nickito me apresenta uma cartinha, uma linha apenas, letrinha miúda, mas muito bem escrita.

No primeiro momento, não acreditei que tivesse sido ele. Nem sabia que ele conseguia escrever com uma letrinha tão caprichada, tão simétrica, tão certinha. Perguntei pro marido se ele o havia ajudado, ele disse que não. Perguntei pro Vivi, ele também disse que não (olhando no fundo dos meus olhos). Perguntei de novo pro Nick (perguntei umas 4 vezes) e ele afirmou que tinha feito sozinho. Acabei acreditando.

Ontem, no finzinho do Domingo de Páscoa, a confissão veio do Vivi:

– Mamãe, na verdade fui eu que escrevi a cartinha…

– Poxa vida, Vivi, por que você mentiu pra mim?

– Porque o Nick tentou muitas vezes e rasgou tudo. E eu queria que você ficasse orgulhosa dele…

Ohhhhh, que bonitinho, né? #sóquenão.

Eu, conhecendo meu eleitorado como conheço, sei que o Vivi não dá ponto sem nó e se ele fez o favor pro irmão, não foi porque queria que eu ficasse orgulhosa do pequeno (a disputa anda acirrada aqui em casa), mas porque queria desmascara-lo no final. Só que ele não contava que o feitiço fosse virar, em parte, contra o feiticeiro.

Fiquei brava com os dois, obviamente. Uma mentira dupla, que os dois juraram ser verdade, trabalharam em conjunto para fazer a coisa errada. Fiquei tão decepcionada.

Nick preferiu mentir, a fazer uma cartinha “imperfeita” (mesmo eu sempre, sempre, sempre, elogiando o trabalho e o esforço dele).

Vivi preferiu ajudar o irmão da maneira mais fácil e em vez de orientá-lo na produção da cartinha, fez o trabalho por ele e o (des)orientou a mentir.

E eu fiquei arrasada.

Nem tudo é colorido na maternidade. Educar dá um trabalho danado, requer uma paciência infinita e muito jogo de cintura. Requer também uma mente tranquila, desesperada, para reagir sem exageros. Eu chego lá.

 


 

 

O pior é que a mentirinha foi tão bem elaborada, que eu não reconheci a letra do Vivi. Ele escreveu com capricho, mas não com perfeição, fez parecer um manuscrito de prep mesmo, com o requinte do porto de interrogação virado pro outro lado. Medo, viu.

O desafio é conduzir este belo trabalho em equipe para o bem, rsrsrs

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s