School holidays

Aqui na Austrália, além das férias mais longas de verão, as crianças tem também férias de duas semanas a cada bimestre. Molezinha, né? Pois é. Só que essas férias são sempre um desafio para os pais, especialmente para a mamãe aqui, que trabalha de casa.

As crianças de hoje em dia são engraçadas, elas tem certeza absoluta que os pais tem que servi-las e entretê-las. O tempo todo. Eu não sou do tipo que dá moleza e apesar de também não ser sargento, há quem diga que sou um pouco rigorosa em alguns aspectos. Ainda assim, eles acham que são criaturas soberanas e que eu tenho a obrigação de fazer de suas vidas um parque de diversão constante.

Durante as férias, eles acordam, tomam café, escovam os dentes e vão brincar. Brincam bonitinhos até que… eu sinto dois corpos se aproximando lentamente, arrastando os pés… e mesmo de costas, sei que estão de cara amarrada e ombros baixos. Não demora 2 segundos até que: “mamãe… tô bored (entediado)”.

“Oi? E eu com isso? Vocês tem uma quantidade obscena de brinquedos, jogos de tabuleiro (especifiquei “de tabuleiro” porque os eletrônicos são mega controlados), bola, bicicleta, patinete… e ainda um parque enorme bem em frente de casa! ”

Não adianta, eles insistem em achar que nós somos responsáveis pelo entretenimento deles. São tão criativos, mas escolhem ser preguiçosos. Vai entender!

O fato é que eu nunca, nunquinha, virei pros meus pais e disse “tô entediada, me entretenha, por favor”, então não aceito que eles hajam assim – e que fique claro que esta é uma característica não dos meus filhos apenas, é geral! Pelo menos desta geração de australianinhos.

Sabedora disso, me preparei, me muni de armas poderosíssimas e cada vez que eles me dizem que estão entediados, nem respiro, sugiro logo um homework. Pode ser ler um livro, fazer exercícios de matemática, treinar piano, escrever uma redação, qualquer coisa school related. E não é que funciona?! De maneiras diferentes para cada filho, mas funciona.

O Vivi, imediatamente lembra de alguma outra coisa superlegal pra fazer. Já o Nick, que é nerd e novo na área escolar, ao ouvir minha sugestão de ler um livro e copiar a historinha para treinar a escrita, deu um pulo e disse “yupiiiiii!” e foi todo feliz pegar seu material.

E depois querem me convencer que os filhos são puro reflexo da criação ou do exemplo….

Pois eu te digo que o fator genético é extremamente forte e muitas vezes se sobrepõe aos exemplos e ensinamentos. Só isso para explicar a diferença gigantesca entre as personalidades do Vivi e do Nickito, viu?

E o school holiday está apenas começando…. zzzzzz

 

O dia em que ele escreveu na parede

Ai, ai… essa vida de mãe às vezes é bem difícil, viu…

Noutro dia, estava eu posta em sossego trabalhando, quando de repente ouço: “O Nick escreveu na parede!” Era o Vivi dando o alerta.

Mal pude acreditar no que ouvia. Como assim “escreveu na parede”, meudeusdocéu? A pessoa fala, a pessoa ensina, a pessoa pede, a pessoa compra uma lousa, um quadro branco, a pessoa compra rolos de papel para desenho, mas ainda assim, a pessoinha menor da casa decide que vai o que? escrever na parede?? Olha, complicado, viu?

Minha reação imediata foi brigar – sorry, não tenho coca-cola nas veias, às vezes o sangue entra em ebulição. Logo em seguida, peguei um paninho molhado, dei na mão do pequeno, ajoelhei, olhei bem nos olhos dele e disse: “você só sai daí quando a parede estiver limpa”. Nickito, arrependido da arte, pegou o paninho e pôs-se a esfregar. E esfregou por vários minutos até que não restasse mais vestígio de canetinha na parede. Vantagens de ter um filho perfeccionista.

Fiquei com pena? Fiquei. Mas it builds character. Desconfio que ele nunca mais vai estampar nada nas paredes, mas se estampar, o paninho úmido estará a sua espera novamente, sem piedade.

 

Papo pré mudança

Como você já sabe, estamos prestes a nos mudar de país novamente. Em exatos 4 meses, embarcaremos numa nova aventura, rumo a terras ainda mais distantes e ainda mais estrangeiras. Como você também já deve saber, eu nutro mixed felings sobre esta mudança. Vou da satisfação ao pânico em meio segundo, haha!

Nosso destino é Seul, e até agora, isso é tudo que sabemos.

Ainda não temos casa, ainda não compramos passagens, as crianças ainda não estão matriculadas na escola, ainda não sabemos o que vamos levar, o que vamos vender, nem o que vamos doar. Ainda não sabemos muito sobre o lugar também, até porque, Seul não estava sequer em minha lista de lugares no mundo para conhecer, imagina para morar! Sei quase nada sobre o país, sobre a cidade. Sei muito pouco sobre a cultura, sobre o clima (sei que no inverno é frio pra cacilda).

Tudo o que sei, li ou em blogs de expatriados ou em matérias compartilhadas na Comunidade de Brasileiros na Coréia, no Facebook.

Noutro dia, ao ler sobre a programação de primavera por aquelas bandas, me animei. Fotos tão lindas de lugares incríveis! Pensei: “eh, acho que vai ser bem legal morar num lugar tão diferente por uns anos…”.

Recentemente, uma reportagem mostrando uma coreana que endoidou e literalmente despejou uma mala de dinheiro no meio da rua, me surpreendeu, porque ninguém, eu disse: NINGUÉM! parou para se apropriar de uma notinha sequer. Sem essa do famoso “achado não é roubado, quem perdeu foi relaxado”. Na Coréia é preto no branco: se não é meu, é de outra pessoa. Me encantei mais uma vez.

Quase tudo o que eu leio sobre a comida é bem animador também. Digo quase tudo, porque não tem como eu gostar de alguns hábitos locais como comer carne de cachorro, polvo vivo, escorpião e tal…  Tirando essas bizarrices, aparentemente, coreanos tem uma dieta super saudável, super balanceada. Outro ponto a favor.

Mas, como toda rosa tem espinhos, li hoje uma matéria que mostrava um cenário assustador: uma nuvem de poeira amarela, que encobria a cidade. A pessoa que compartilhou a matéria ainda alertava: “Nesses dias de primavera, o vento sopra e traz muita poluição. Quando possível, usem máscaras e evitem exercícios físicos ao ar livre.”

A tal da poeira amarela vem das regiões desérticas da China e Mongólia. E o que a princípio são apenas finas partículas de areia, cruza o continente absorvendo, pelo caminho, toda a poluição produzida pelas fábricas. Olhos, garganta, nariz, e boca ficam irritados e qualquer problema respiratória é agravado. A coisa é tão braba, que danifica até os equipamentos eletrônicos mais sensíveis.

Gente, gelei. Todas as 357 coisas boas que já li sobre a vida na Coréia e também as ótimas referências de amigos/conhecidos que moram/já moraram lá, tudo, tudinho começou a desmoronar, a descer pelo ralo. Cheguei a sentir falta de ar, juro! Imediatamente pensei na asma/bronquite alérgica do Vivi. Tô vendo que vamos precisar incluir na bagagem um nebulizador para os alérgicos de plantão.

O caso é tão grave, que existe no mercado uma série de máscaras (yellow dust mask), em vários tamanhos, formatos e graus de filtragem, para que a população possa se proteger, tá bom pra você?

Bom, o que não tem remédio, remediado está, não é mesmo? Vamo que vamo porque, apesar do meu desespero, o saldo ainda tá bem positivo 😉

 

Sobre o Feriado de Páscoa

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Este ano a Páscoa foi um pouco fora do padrão por aqui. Não fiz almoço dominical com a turma toda reunida, não passei horas na cozinha e nem arrumando a casa. Este ano, optei pelo mais simples e que no fim das contas foi tão gostoso quanto os eventos que faço em casa. Na verdade, o único detalhe que atrapalhou um pouco foi a lista enorme de coisas que não posso comer, por conta do tratamento que estou fazendo (conto sobre isso num outro post). Aliás, confesso, essas restrições alimentares foram o principal motivador para que eu não fizesse nada em casa este ano, hahaha

Na sexta, fizemos um almoço/picnic no parque aqui no condomínio. Quatro famílias apenas, mas tão gostoso, tão leve, tão descompromissado como só um evento de última hora consegue ser 🙂

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Uma delícia! O dia que prometia ser feio, frio e chuvoso, nos surpreendeu da melhor maneira e estava uma delícia. As crianças brincaram até cansar e nós, como sempre, curtimos o bom papo, a boa companhia e até mesmo um solzinho no rosto neste outono que está especialmente leve.

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Pro domingo de Páscoa, não tínhamos grandes planos, além da já esperada visita do Coelho, até que a tia Viva sugeriu uma programação diferente (do tradicional almoço de domingo): Easter Hunting no lindíssimo jardim do Rippon Lea Estate, lugar no qual, durante estes nossos quase 7 anos de Austrália, nunca estivemos – e olha que em nosso primeiro mês aqui, moramos do lado. Repito DO LADO.

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E que surpresa gostosa, que dia bacana passamos com a criançada, mais de uma hora caminhando pelos românticos jardins do museu, procurando cada uma das 12 pistas para enfim trocar pelo prêmio: um micro pacotinho com 3 micro ovinhos, que deixou as crianças com cara de “whaaaaaaat????”. On the bright side, pelo menos os ovinhos eram Lindt 🙂

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Mas o que valeu mesmo foi a diversão, o dia, mais uma vez, supergostoso, quentinho e ensolarado (contrariando a todas as previsões), com a família e os amigos.

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E é em momentos como este que me dá uma tristezinha quando penso em nossa mudança para a Coréia.

Oh well, melhor eu focar no caráter passageiro desta mudança e também na alta probabilidade de voltarmos pra cá, daqui uns aninhos  – e quem sabe fazer outro Easter Hunting nos jardins do Rippon Lea Estate? 🙂

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Em tempo: em virtude das impiedosas restrições alimentares, pela primeira vez em 38 anos de vida, minha Páscoa foi chocolate free, sugar free, sweets free. (buáaaaaaa) No fim do dia, para aliviar um pouco a angústia de uma Páscoa a seco, comprei uma barrinha de cacau (95%), sugar freaking free, com açaí. Gente, ainda bem que eles não chamam aquilo de chocolate, porque de chocolate não tem nem o cheiro. Comi metade de um quadradinho. E este foi meu treat de Páscoa.

Posso falar? No dia das mães, vou querer ir ao San Churro só pra tomar um chocolate quente caprichado. #prontofalei

Sobre perfeccionismo e mentirinhas – ah, a maternidade…

O alvo da vez é o Nickito.

Nickito queria ganhar um coelhinho de pelúcia, então teve a ideia de escrever uma cartinha pro Coelhinho da Páscoa, fazendo o pedido.

Acompanhei o início do frustrante processo do pequeno perfeccionista, que tentava escrever, não gostava, rasgava e jogava fora. Passado um tempo, quando achei que ele tivesse desistido, Nickito me apresenta uma cartinha, uma linha apenas, letrinha miúda, mas muito bem escrita.

No primeiro momento, não acreditei que tivesse sido ele. Nem sabia que ele conseguia escrever com uma letrinha tão caprichada, tão simétrica, tão certinha. Perguntei pro marido se ele o havia ajudado, ele disse que não. Perguntei pro Vivi, ele também disse que não (olhando no fundo dos meus olhos). Perguntei de novo pro Nick (perguntei umas 4 vezes) e ele afirmou que tinha feito sozinho. Acabei acreditando.

Ontem, no finzinho do Domingo de Páscoa, a confissão veio do Vivi:

– Mamãe, na verdade fui eu que escrevi a cartinha…

– Poxa vida, Vivi, por que você mentiu pra mim?

– Porque o Nick tentou muitas vezes e rasgou tudo. E eu queria que você ficasse orgulhosa dele…

Ohhhhh, que bonitinho, né? #sóquenão.

Eu, conhecendo meu eleitorado como conheço, sei que o Vivi não dá ponto sem nó e se ele fez o favor pro irmão, não foi porque queria que eu ficasse orgulhosa do pequeno (a disputa anda acirrada aqui em casa), mas porque queria desmascara-lo no final. Só que ele não contava que o feitiço fosse virar, em parte, contra o feiticeiro.

Fiquei brava com os dois, obviamente. Uma mentira dupla, que os dois juraram ser verdade, trabalharam em conjunto para fazer a coisa errada. Fiquei tão decepcionada.

Nick preferiu mentir, a fazer uma cartinha “imperfeita” (mesmo eu sempre, sempre, sempre, elogiando o trabalho e o esforço dele).

Vivi preferiu ajudar o irmão da maneira mais fácil e em vez de orientá-lo na produção da cartinha, fez o trabalho por ele e o (des)orientou a mentir.

E eu fiquei arrasada.

Nem tudo é colorido na maternidade. Educar dá um trabalho danado, requer uma paciência infinita e muito jogo de cintura. Requer também uma mente tranquila, desesperada, para reagir sem exageros. Eu chego lá.

 


 

 

O pior é que a mentirinha foi tão bem elaborada, que eu não reconheci a letra do Vivi. Ele escreveu com capricho, mas não com perfeição, fez parecer um manuscrito de prep mesmo, com o requinte do porto de interrogação virado pro outro lado. Medo, viu.

O desafio é conduzir este belo trabalho em equipe para o bem, rsrsrs

Sobre filhos (ainda) pequenos e o Coelhinho da Páscoa

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Dia desses, quando os meninos já estavam na contagem regressiva para a visita do Mr. Bunny, Vivi me confidenciou:

– mamãe, sabe o que eu mais gosto na Páscoa?

– o que, meu filho?

– gosto do eggs hunting! Não é que eu não goste de comer os chocolates, mas… procurar os ovinhos que o coelho escondeu é tão divertido!

Naquele momento, me deu até um nó na garganta. Coisa de mãe boba, eu sei, coisa de mãe que deseja que os filhos não cresçam nunca, que fiquem para sempre na Terra do Nunca, a um metro do chão e com aquelas crenças inocentes e deliciosas que alimentam a imaginação (sim, eu conto mentirinhas de Papai Noel, Elf on the shelf, Coelhinho da Páscoa e Fada dos Dentes pros meus filhos – me julguem, tô nem aí, rs).

Mas alegria de mãe pode ser ainda maior e a minha bebeu fermento.

Ontem à noite, véspera de Páscoa, Vivizinho (sim, aos 8 anos e meio, e do alto dos seus quase 140cm), ansioso, diz assim:

– Pessoal, vamos dormir?

– Oi? Como assim? Que novidade é esta, você querendo ir dormir cedo em pleno fim de semana?

–  Hmmm.. é que está quase na hora do Easter Bunny passar e se não estivermos dormindo ele não vai entrar em casa…

Ai que delícia foi ouvir aquelas inocentes palavras, tão cheias de certeza. Meu coração derreteu, eu troquei um olhar cúmplice com o marido, que por trás do jeito sério é outro sentimental, quando o assunto é nossas crianças. Eles ainda são pequenos! Nosso biggest boy ainda é um meninote cheio de fantasias!

Minha vontade, naquele momento, foi de trancá-lo dentro de uma bolhinha para que nada pudesse tirar dele esta inocência 🙂

Se eles tem que crescer, que seja devagarzinho e que eu possa aproveitar cada pedacinho da mais linda face da vida.

 


 

Em  tempo: Ato falho! Hoje à noite, no carro, voltando pra casa, Vivi queria comer uma barrinha de cacau com açaí  (sem açúcar!!!) que me dei de Páscoa pra tentar minimizar (totalmente em vão) a sensação horrorosa de abstinência. Insistiu, pediu, implorou, por mais que eu dissesse que a barrinha era ruim e sem graça. Me instigou tanto, que eu mandei um:

“Pô, Vivi, te dei um monte de chocolate hoje!” (ooooops! silencio total no carro…) “Quer dizer, deixei a porta aberta pro Easter Bunny entrar de deixar seus chocolates…. ” Espero que eu não tenha colocado tudo a perder, rsrsr

 

 

Vivi e o basquete

O Vivi não gosta de natação, o Vivi não gosta de futebol, o Vivi não gosta de matemática. Mas o Vivi adora basquete. E é bom nisso!

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Foi ano passado que ele começou a se interessar pelo basquete e a melhor coisa que fizemos foi colocá-lo  na escolinha local, porque em muito pouco tempo, o menino, que era apenas metido a saber jogar, floresceu. Não demorou nadinha pra que ele pegasse intimidade com a bola, pra que começasse a dominá-la (claro, com as limitações de um menino de 7/8 anos). Hoje ele joga tão bonitinho. Passa a bola pros amigos na hora certa, corre pra cesta no momento perfeito. Arremessa direitinho, quica a bola tão bonitinho. Mal dá pra acreditar que ele tem só 8 aninhos. Tem mesmo uma habilidade natural, que a prática (mesmo que semanal) vem apurando. E a mamãe aqui fica toda prosa, toda boba cada vez que ele pega na bola.

Esta semana então, pena que não filmei. foi tão bonitinho vê-lo fazendo jogadas com o parceiro do time. Só não me arrependo de não haver registrado porque se o tivesse feito, não teria vivido o momento 🙂 – tô aprendendo a não me frustrar por não conseguir fotografar/filmar todos os momentos, tô aprendendo a ficar feliz em guardar os momentos na memória (e registrar em palavras aqui – notaram que aos poucos estou voltando?).

Mas ainda vou tirar um dia apenas para fotografar sua performance e postar aqui. Só pra depois imprimir e poder guardar, para um dia, láaaaa na frente, ele poder ver o quão feliz a mamãe fica com a felicidade dele. E o quão orgulhosa a mamãe fica com as vitórias dele, mesmo as menores e mais simples.