Vovô, a “fada” e os dentes de leite

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Foi logo nos primeiros dias que as crianças chegaram lá no sitio que o vovô William deu um jeito de deixar sua marca e arrancar o dentinho mole do Vivi. Só fiquei sabendo após o feito, quando recebi uma ligação do Vivi: “mamãe, o vovô arrancou meu dente”.

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Imagino o fuzuê! rsrs

Vovô tem uma técnica peculiar e quase medieval. Uma verdadeira tortura: amarra o fio dental ao redor do dente e, quando você menos espera, ele puxa! Assim, antes de você piscar.

Alguns dias depois foi a vez do Nickito que teve seu segundo dente arrancado com a mesma técnica, pobrezinho, rs.

Lembro até hoje do meu primeiro dente de leite arrancado, aos tenros 4 anos de vida. Eu, inocente, ainda quis desistir: “não quero mais! dá pra tirar o fio dental?”, perguntei. E meu pai, respondeu: “dá sim, minha filha.” E antes de terminar o sim, puxou o fio, trazendo meu dente junto. Assim, a sangue frio mesmo, rs. Este é o estilo do vovô William, rs Verdade seja dita, ele tirou o fio. Só que o dente veio junto 😛

Agora, o detalhe fica por conta da Fada do Dente Brasileira (também conhecida como vovó Vera, que inflacionou geral o mercado das fadas, colocando 50 reais de baixo do travesseiro das crianças, OMG!

Mas já expliquei pra eles que a Fada do Dente brasileira é louca, rs e que a australiana tem uma tabela fixa, 1dólar por dente 😉

 

Caminhando na chuva – ainda sobre as férias no Rio

Dia desses, ainda na cidade maravilhosa, saímos de casa e fizemos um bate-volta, Leblon – Arpoador – Leblon, eu e maridinho, na chuva.

Uma chuvinha gostosa, que refrescava o corpo do calorzinho carioca. Fosse esta caminhada numa praia Melbourniana, estaria sofrendo. Sofrendo com o frio (não existe chuva quente em Melbourne), com o vento (não existe chuva na praia sem vento em Melbourne), mas não. Na minha Cidade Maravilhosa, a chuvinha é gostosa, revigorante. E a vista, ah, a vista… a vista, especialmente de quem vem do Arpoador pro Leblon, no finzinho do dia, é simplesmente di-vi-na.

O céu estava Rosado, uma nuvem carregada circundava o morro do Vidigal, sem no entanto encobrir as luzes da comunidade (e eu me perguntava: será que aquilo tudo é gato? Rsrsr). De um lado, a montanha caindo no mar, do outro, os prédios e as luzes amareladas dos postes. Lamentei apenas não estar com minha câmera (nem com meu iphone – tô medrosa ainda. Carioca-gringa) pra registrar a beleza daquela caminhada, daquela vista privilegiada.
Apesar da chuva, muitos caminhantes nos acompanhavam naquele fim de tarde. Moradores, turistas e trabalhadores dividiam irmãmente auqela calçada dos privilegiados – sim, porque é um privilégio desfrutar deste pedaço da cidade.

Por um pequeno instante – tão pequeno que quase passou despercebido – desejei voltar pra cá, ainda que fosse pra morar no pequeno 2 quartos em que estamos instalados durante nossa estada na Maravilhosa (contei que o comandante do vôo que nos trouxe de Dubai pra cá, se referia ao Rio assim? A Maravilhosa! Cada vez que ele se referia ao Rio assim, eu me emocionava. Não tem jeito, o orgulho carioca é forte e é eterno). Mas assim como veio, foi embora, logo lembrei do trânsito, do tratamento, das complicações, da falta de segurança…

Não é fácil ser carioca, mas é lindo ser carioca.

Lá no sítio (uma reflexão)

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Você vive correndo? Eu vivo (vivia). Especialmente depois que decidi trabalhar de casa e por conta própria. Acredite, não há nada que te ocupe mais do que empreender. Ser seu próprio chefe é a garantia de ter trabalho 24/7. Trabalhar até de madrugada não é nada incomum, especialmente se você tem filhos em idade escolar que, durante o dia, precisam de atenção. O estresse é quase inevitável.

Mas como não surtar?

Focando no que realmente é importante, deixando a vida acontecer e, principalmente: desacelerando.

E como desacelera, Erica?

Aos poucos.

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No fim de 2015 me fiz duas promessas: Me alimentar melhor e desacelerar. E quando eu digo desacelerar, não estou falando apenas de trabalhar menos horas, mas de reservar, todos os dias, um tempinho pra mim. Que comece com meia horinha, não importa. O fundamental é a consciência de que o que realmente importa é a vida que se leva. E pra mim, a ideia de trabalhar de casa surgiu como um meio de passar mais tempo com a família, de curtir aqueles momentos preciosos que passam num piscar de olhos, só que em vez disso, vinha me transformando numa prisioneira de um expediente que não tinha hora pra acabar.

E foi durante os dias que passamos no sítio, que comecei a colocar em prática, não só a alimentação mais balanceada (obrigada, Carla, por me perseguir, rs), como também decidi desacelerar – porque, cá entre nós, quem vive acelerado, quer abraçar o mundo com as pernas mesmo nas férias.

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Mas desta vez eu me controlei. Não encontrei nem com a metade das pessoas que eu gostaria ter encontrado e, ficaram, sim, muitos abraços perdidos. Por outro lado, posso dizer que curti de verdade os encontros que tive. Aproveitei devagarzinho, sem pressa, sem cumprir agenda, especialmente a família e, de quebra ainda consegui, sem pressão rever amigos queridos do meu passado, de um tempo que havia ficado meio perdido na memória. Foi tão gostoso.

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Mas sabe qual foi uma das partes mais gostosas desse meu mês no Brasil? Levar meus filhos pro sítio dos meus pais, deixá-los andar descalços, brincar com o cachorro, andar a cavalo, colher ovos ainda quentinhos, recém saídos da galinha, tomar banho no chuveirão gelado de água direto da nascente, tomar banho de rio, descer pela corredeira, pegar a frutinha do pé, se balançar na rede e até mesmo, acreditem, dormir um dia sem tomar banho, porque, de tão exaustos, capotaram no sofá. Todas aquelas coisas que eles não fazem aqui.

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Eu tenho lembranças muito gostosas da minha infância, quando visitava minha bisa na fazenda. Banho de cachoeira, a cachorrada, as caminhadas pelo pomar, os passeios em carroça de boi, acordar bem cedinho pra tirar leite da vaca, o almoço feito sem pressa no fogão à lenha, a liberdade, a falta de pressa. E foi tão gostoso reproduzir parte daqueles momentos pros meninos.

A vida é curta, sim, mas viver acelerado não nos fará aproveitá-la melhor, ou viver mais. Vivemos muito mais intensamente se desacelerarmos e nos concentrarmos no momento presente, sem pressa, sem querer fazer mil coisas ao mesmo tempo. Viver uma experiência de cada vez com tranquilidade é muito mais gratificante e energizante do que realizar parcialmente mil tarefas.

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E é nessa vibe que eu quero seguir meu 2016. Doando meu tempo pra mim mesma, pra minha família, para as pequenas coisas, para a infância dos meus filhos, pro meu presente, que amanhã já virou passado. Quero uma vida mais tranquila, especialmente agora que estou, mais uma vez de mudança, para terras ainda mais distantes.

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E foi exatamente isso que tive nesses dia no sítio. Aliás, pela primeira vez na vida, agradeci pela internet quase inexistente que me permitiu (ou me forçou?) desconectar do mundo virtual e abraçar o mundo real. Pra ser perfeito, só mesmo se o tempo tivesse colaborado mais – janeiro é mês de chuvas no Rio de Janeiro inteiro – tô pra ver estado para chover mais no verão do que este aqui.

 

Nickito e seu primeiro dia de aula

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Aqui na Austrália, no primeiro ano do colégio (Prep), as crianças começam a ir à escola devagarzinho. Ainda no ano anterior, rolam uns dias de adaptação. Uma vez na semana, eles vão lá e ficam por uma horinha, fazendo atividades diversas.

Na semana anterior ao início oficial do calendário escolar, as crianças vão à escola alguns dias, por duas ou três horas, só para dar aquela esquentada nas turbinas.

Como o Nickito estava mais que pronto para a escola (ou pelo menos nós achamos que estivesse, rs), não vimos mal em ficar mais uma semaninha no Brasil. Sendo assim, já em seu primeiro dia na escola, ficou lá das 9 am às 3:30 pm. Ora, para quem já ficou em duas escolas diferentes em Barcelona,  o dia inteiro, por um total de 4 meses, isso aí é fichinha, rs.

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E ele realmente tirou de letra. Da maneira dele, mas tirou.

Nickito é uma criança difícil, turrão que só, ele implica com tudo e tem padrões muito elevados. Definitivamente, não é qualquer um que recebe o título de amigo. Na creche já era assim, na escola não poderia ser diferente. Na verdade, foi até um pouco pior.

Já na entrada, se recusou a dar a mão pro seu par na fila (e olha que era uma amiguinha já conhecida da creche!), fez cara de poucos amigos e, ao que parece, a cara estava bem condizente com sua postura em aula.

Apesar disso, ao me encontrar na hora da saída, disse que o dia foi  ok, mas ressaltou: “não tenho amigos”.

Sei que vai demorar, mas espero que ele consiga se adaptar de verdade, fazer amigos e curtir este primeiro ano de escola.

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No momento, tenho apenas uma certeza: a Mrs Day é a professora certa pra ele. É gentil e ao mesmo tempo rígida. Dá suporte, mas não dá moleza. Para a personalidadezinha dele, não poderia ter professora melhor.

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Espero que, em breve, a hora da saída deixe de ser sua hora favorita 🙂

Resumão das férias no Brasil

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Após 4 anos sem aparecer por lá, eis que finalmente regressamos, ainda que temporariamente, ao ninho: fomos passar férias no Brasil.

Desta vez, fizemos diferente, em vez de ficarmos pipocando o tempo inteiro, indo de uma casa para outra, alugamos um apê esperto no Leblon e passamos lindas semanas vivendo na bolha do Rio, no cenário Manoel Carlos das novelas, que faz o resto do Brasil crer que o Rio de Janeiro ase resume à Zona Sul, ou melhor, aos poucos quarteirões daquele bairro super privilegiado.

Não vou negar, até consideraria voltar a viver no Rio, se pudesse levar essas vidinha “embolhada”, morando, trabalhando, vivendo exclusivamente no Leblon, sem ter que pegar trânsito, ou enfrentar a insegurança de quem transita de um canto pro outro nessa minha cidade maravilhosa. Mas como isso seria impossível, impossível também é eu voltar de mala, cuia e família pro Brasil. A menos, claro, que tudo mais dê errado em nossas vidas. E não, não estou sendo esnobe, tampouco acho que tenho o rei na barriga. Estou apenas sendo realista. Prefiro uma vida sem ajuda (empregada, babá), sem os “luxos”que se tem no Brasil, a uma vida sem segurança, sem liberdade, sem tranquilidade. Mas, para passar férias (na bolha), o meu Rio continua lindo!

Passamos semanas deliciosas, tudo acontecia entre 4 quarteirões: apê, mercado, restaurantes, barzinhos, praia, cafés, sorvetes. Tudo perfeito. Perfeito e fake, hahaha Tão fake que as crianças pouco ficaram no apê. Ora estavam no sítio, ora na casa da tia Mariana. Tivemos umas férias a dois, finalmente, rs

Confesso que quase morri de tanta falta que senti dos moleques, especialmente na semana que passaram sem mim no sítio. Sim, porque enquanto estavam na casa da tia Mariana, a gente sempre dava uma passadinha por lá pra dar um oi, rs.

Nickito que é mais apegado, toda vez que passávamos pra dar um oi, queria voltar pra dormir conosco (meu eterno bebê!), já o Vivi, tava feliz da vida com a liberdade excessiva, as vontades todas feitas… Comeu tanto junk (refrigerante, hambúrguer, biscoito…) que voltou pra casa parrudo. Isso aí, meu martelinho foi embora, partiu, foi engolido pela versão parruda do Vivi. Até papo ele tem!

Não há de ser nada, agora, de volta à rotina, a coisa vai voltar pro eixo, especialmente porque após minha visita ao médico, resolvi mudar radicalmente os hábitos alimentares da família.

Mas voltando à Cidade Maravilhosa….

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Sabe de uma coisa? A gente sempre ouve falar da hospitalidade carioca, né não? Eu mesma sempre falei dela, orgulhosa de como somos hospitaleiros, entretanto, agora, após tantos anos fora, consegui observar a vida carioca com um olhar mais crítico. Descobri que nem somos tão hospitaleiros assim, somos, sim, informais e é essa informalidade carioca que as pessoas confundem, talvez por estarem inebriadas com a paisagem beira-mar, com simpatia.

No Rio a gente conhece os garçons pelo nome; todo mundo é amigo: “amigo, quanto custa o sorvete?”; a informalidade no trato impera. Informalidade até demais, confesso.

Para você ter uma ideia, entramos num restaurante para almoçar e a garçonete, anotando nosso pedido, virou pra crianças e perguntou algo assim: “e vocês? O que os bebês vão querer, fala pra tia?” Os meninos, se entreolharam confusos. “bebês?”, “tia?” como assim?

Isso, essa informalidade e intimidade exagerada, foi uma constante durante a nossa estada. Talvez eu tenha me desacostumado, talvez tenha virado gringa, mas o fato é que agora consigo entender alguns comentários de pessoas que vieram ao Rio à passeio. Consigo sentir o que eles sentiram. É estranho mesmo. Se é para mim, imagina para pessoas que vivem numa realidade menos afetiva, de menor contato físico? Choca, né?

Anyway, a vida carioca sempre foi assim, eu é que mudei, rs

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Outra coisa que não muda no meu Rio é que em janeiro sempre chove. Por isso que o Rio é de Janeiro. Janeiro das águas. Mas sabe que apesar disso, aproveitamos muito? Sempre que o sol surgia, largávamos tudo e corríamos para a praia. E quando o sol não surgia, íamos assim mesmo, pra fazer uma caminhada até o Arpoador e poder voltar pra casa declara pra vista mais linda 🙂

Sabe de uma coisa? Um mês é muito pouco tempo para passar no Rio. É impossível aproveitar a família (dos dois lados), estar com os amigos e curtir a vida carioca em apenas 30 dias. Impossível. Dito isso, até que aproveitamos bastante 🙂

Desta vez, consegui até rever amigos de outros tempos, tempos pré-Mauricio. Amigos, engraçado, que não se encaixam em nenhum grupo, nem no da escola, nem da faculdade, nem do trabalho… amigos de um pedaço da vida que foi muito bacana, mas tinha vida própria e não se relacionava com o resto. Foi bem legal entrar nesse túnel do tempo 🙂

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Esta nossa ida ao Brasil foi tão completinha, que teve encontro com a galera da faculdade, com a amiga da vida toda e até encontro da Oca num café super charmoso e também sessão de fotos pro com a fotógrafa oficial da Oca 🙂

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Quando veio chegando a hora de partir, o coração foi ficando apertadinho, mas fazer o que se nossas escolhas nos levaram a viver uma vida longe das raízes?

A beleza egoísta de não viver mais no Brasil é que pra turista, a vida no Rio não é nada cara. Fica fácil comer fora sem quebrar a firma, ir ao salão sem voltar pobre, comprar roupa sem deixar um rim como pagamento, rs. Como eu costumo dizer, tudo na vida tem seu lado positivo 🙂

Até o matte de barril que eu tomei na praia e me fez passar um mal danado bem no dia de embarcar de volta, teve um lado positivo: tive, por uns instantes, a satisfação de entrar no túnel do tempo e me teletransportar para aqueles anos todos em que eu era imune à bebida mais insalubre e mais tradicional das praias cariocas, rs. Valeu o piriri pré-embarque hahaha

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Resumindo, bem resumidamente, esta foi, de longe, nossas melhores férias no Brasil, desde que partimos em 2004. Espero que daqui pra frente, venhamos com mais frequência,  até porque, devemos isso para as crianças.

Agora sim, que venha 2016! 🙂