Sobre as mentirinhas (brancas) que contamos pros nossos filhos

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Eu sei que existem pais (são raros, mas existem), que são tão comprometidos com a verdade absoluta, que não se deixam enveredar pelo caminho do Papai Noel. Para estes pais, metade de mim tira o chapéu, porque vamos combinar que é no mínimo louvável, uma pessoa ir contra a maré, que tá mais pra tsunami, para ter certeza que a verdade impera no lar, que não há espaço para mentirinhas, nem as mais branquinhas, porque o exemplo é a base de tudo.

Mas esta categoria de pais é bem resumida, então, chapéu tirado, devo dizer que minha outra metade sente pelas crianças que não vivem estes poucos anos de magia, de acreditar na existência do Bom Velhinho, de imaginar os Elves fabricando os presentes, o Papai Noel no trenó… de acreditar que uma pessoa pode levar presentes para as casas do mundo inteiro uma noite apenas. Tenho lembranças tão gostosas da minha infância… E não, quando descobri que Papai Noel não existia, não fiquei traumatizada, tampouco achei que meus pais eram grandes mentirosos. Não foi um trauma, foi algo que aconteceu quase que naturalmente e me deixou lembranças muito boas.

Eu faço parte dos pais que vão com a maré. Mentira, eu não só vou com a maré, como ligo o motor da lancha para ir além da Ilha da Fantasia. Elaboro a mentirinha branca estória e quando vejo, criei um mundo mágico rico em detalhes.

As crianças? Adoram! E eu não faço com eles nada do que eu não gostaria pra mim. Acho legal nutrir esta crença infantil, que apesar de durar pouco, cria memorias eternas.

Dito isso, Cheeky, o Elf on the Shelf, voltou este ano, apareceu magicamente aqui em casa, já fazendo bagunça. E toda noite, ele viaja pro Pólo Norte pra contar pro Papai Noel como foi o dia aqui, voltando na manhã seguinte, quando se esconde num lugar diferente, às vezes comportado, às vezes fazendo arte.

Um detalhe do Elf é que a criança nunca pode tocá-lo, senão ele perde a mágica – ops! Como assim, um brinquedo que não pode ser tocado?

Peraí, brinquedo não! Mais respeito, por favor, o Cheeky é um Elf-espião enviado pelo Papai Noel 😉

O fato é que uma noite dessas, Cheeky amanheceu no mesmo lugar do dia anterior, do mesmo jeito (simplesmente porque a mamãe aqui esqueceu completamente de mudá-lo de lugar – é o cansaço, gente) e o pânico tomou conta da casa. Os meninos ficaram apavorados, porque viram que o Cheeky perdeu a mágica. “Será que eu toquei nele sem querer?” “Será que ele ficou triste porque fizemos malcriação?” – os meninos se perguntaram.

Eu, ixperta que sou, providenciei uma cartinha manuscrita pelo Bom Velhinho, perguntando se estava tudo bem com o Cheeky , já que ele não havia aparecido no Pólo Norte na noite anterior. Papai Noel disse na cartinha que o Elf poderia ter perdido a mágica e disse também, que mandaria um vidrinho com água do Pólo Norte para reativar a mágica, desde que eles prometessem ser bons meninos.
E assim, no meio do dia, chegou em casa uma garrafinha com água mágica, que pingamos na pontinha do nariz do Cheeky e na manhã seguinte ele voltou à ativa 🙂

Observem o trabalho da pessoa, rs O comprometimento é grande, gente!

E claro que não pára por aí. Todo ano tem vídeo personalizado do Noel e também muita imaginação pra explicar tantas incoerências e justificar porque alguns amiguinhos deles dizem que Papai Noel não existe. Manter mentirinhas brancas cansa, viu?

Me julguem, mas não eu tenho a menor vergonha de contar tantas mentirinhas branquinhas de neve 😛 Pior que Elf e Papai Noel, só o Coelhinho da Páscoa (sim, eles ainda acham que é um Coelho que deixa os ovos de chocolate aqui em casa). Ah não, tem também a Fada dos Dentes. Aí, Jesus, tem mentirinha o ano inteiro!!!

Mas ao contrário do que possa parecer, eu não sou uma mentirosa profissional e apesar da invejável (?) desenvoltura para inventar estorinnhas da Carochinha, eu não conto mentiras sérias pros filhotes, não, viu? Hmmmm, se bem que eu digo que os detectores de movimento da casa são câmeras do Papai Noel – ops!

Ah, gente, um dia isso tudo vai passar e eu tenho certeza que daremos muitas risadas, quando eu contar pra eles a trabalheira que dava pra manter as mentirinhas funcionando 😉

Mas enquanto este dia não chega, vamos vivendo de fantasias, de brincadeirinhas que alimentam a imaginação e, às vezes, funcionam como moderadoras de comportamento 🙂

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