já está (quase) chegando a hora de ir…

Ontem, sexta-feira, dia 6 de novembro de 2015, por volta das 4 da tarde, recebemos um email. Nele, uma oferta de emprego detalhada e com prazo de uma semana para resposta.

De onde veio a oferta?, você me pergunta. E eu lhe conto, porque não estou aqui para matar ninguém de curiosidade 😛

Mas antes, algumas considerações.

1- Não estamos indo pro sacrifício. Estamos muito felizes e empolgados (embora, confesse, um tantinho nervosos)! Somos cidadãos australianos, logo, não somos obrigados a sair da Austrália, e tampouco existe a obrigação do Mauricio mudar de emprego.  A procura por uma nova colocação começou motivada por vários fatores, dentre os quais, a decisão de ganhar mais dindin e conseguir, finalmente, fazer um pé de meia digno para realizar o sonho da casa própria, quando entrarmos nos “enta”; o desejo de fazer algo diferente (novamente), já que nossa vida cigana andava muito paradona (já são mais de 6 anos de Austrália!); e a vontade de morar mais perto do Brasil. Mas como você bem sabe (e nós também), é impossível se ter tudo ao mesmo tempo, então, dessas três motivações, uma levou o fuén-fuén-fuén.

2- Vai ser difícil? Bom, fácil-fácil não será. Pela primeira vez, acho que sofreremos a famosa adaptação, visto que estamos embarcando numa aventura em terras completamente desconhecidas. Tudo que sei sobre a cidade, sobre o país, foi o que vi recentemente num video daquela série da Band, “O mundo segundo os Brasileiros”. Não há familiaridade, não há conhecidos, não há sequer a certeza de que gostaremos de lá. Estamos prestes a abrir uma porta pra uma sala escura, ainda desmontada, na qual entraremos cautelosos, para não tropeçar em nada até conseguirmos descobrir como acende a luz  –   e só de escrever isso, sinto borboletas no estômago (o que é bom, rs. Fazia tempo que não sentia essas borboletas da mudança). Nós que já moramos 5 anos nos EUA e já estamos há quase 7 na Austrália, nunca sofremos com adaptação, nunca tivemos um choque cultural (na verdade, choque eu sinto indo ao Brasil, onde eu tenho que andar segurando a bolsa, onde eu não posso abrir a janela do carro, onde eu não posso deixar meus pertences largados na areia e dar um mergulho no mar tranquila). Desta vez será diferente – mas eu gosto do diferente. Será diferente, em especial para mim, que me reinventei e hoje trabalho de casa tentando construir meu próprio negócio (aliás, não fosse assim, talvez nem considerássemos nos mudar pra lá). A vida da Erica será a mais afetada, a adaptação da Erica será a mais difícil, quanto a isso não há dúvida. Mas falarei muito ainda sobre assunto, até porque, meus blogs, antes de mais nada, são minha sessão de terapia :). Aliás, algo me diz que o novo blog será bem movimentado. Novo blog? É ué! O canguru vai parar de pular no segundo semestre de 2016 e dará lugar a terceira geração de blogs desta família. I wonder se assim como a tradição de um blog pra cada país, manteremos a tradição de uma gestação para cada país 😛

3- Não sabemos quanto tempo ficaremos lá, diria que, no mínimo uns 3 anos. Mas como saber? Quando viemos pra Austrália, também achávamos que ficaríamos 3 anos apenas, até por isso, compramos um carrinho fuleiro que, aos trancos e barrancos, dura até hoje, rsrsr – carrinho, aliás, que está tão chumbado, que vale menos do que já gastamos com ele, hahahah. Anyway, passados esses pelo menos 3 anos, não sabemos pra onde iremos, não temos a menor ideia mesmo, e na verdade, nem queremos pensar nisso agora, nem no ano que vem, nem no próximo. Vamos deixar pra pensar nisso, quando sentirmos necessidade de mudar novamente, até porque, eu gosto de mudar, mas também não quero uma mudança a cada ano ou biênio. Podemos voltar pra Austrália? Eu acho que sim (marido acha muito difícil). Podemos voltar pros EUA? Pode ser… Não é uma opção que vem acompanhada de borboletas no estômago at all, mas pode ser… Podemos ir pra Europa? Não seria uma má ideia! (marido talvez não concorde). Podemos voltar pro Brasil? Bom, voltar pro Brasil, só se tudo der muito errado pra gente. Infelizmente, por mais que me doa dizer isso, até eu, que era a parte do casal que tinha o desejo de voltar, já me conformei que serei para sempre estrangeira. Não quero viver num lugar onde eu não posso andar/dirigir/viver tranquila a qualquer hora do dia ou da noite. Não quero que meus filhos cresçam lá. Brasil está fora de cogitação. E não pense que é fácil, me dói profundamente dizer/escrever isso 😦 Só estando na minha pele pra entender este paradoxo no qual eu vivo.

Dito isso e sem mais delongas, anuncio que a partir agosto de 2016, quem quiser nos visitar deverá comprar passagem para Seul. #prontofalei #prontochoquei

Coréia (do Sul, claro), aqui vamos nós! E fuén-fuén-fuén para uma vida mais perto do Brasil 😦

Pra quem achava que Bloomington, Indiana era longe, que Austrália era o fim do mundo… bem, mais longe que a Coréia só Marte. E, sinceramente, não me chocarei se daqui uns 10 anos, meu marido me disser que teve uma oferta pra viver numa base de expatriados em Marte, hahahah

Sabe quando eu imaginei que um dia moraria na Coréia? NUNCA! A vida é muito doida mesmo, né? E eu confesso: gosto dela assim. Doida, inesperada, diferente. Deve ser por isso que não me sinto envelhecer (a menos que eu me olhe no espelho, rsrsr). Sou jovem de alma, sempre aberta a mudanças, sempre pronta a abraçar as aventuras que a vida me oferece.

Sorte minha ter em minha vida um moço que também está sempre disposto a mudar. A ironia é que se nossos caminhos não tivessem se cruzado lá no Bistrô Brasil, no início de 2002, muito provavelmente estaríamos os dois vivendo na loucura do Rio, porque separados, nem eu, nem o Mauricio somos tão aventureiros assim. Eu sozinha, sem alguém que me propusesse a primeira grande mudança, jamais teria saído da barra da saia da minha mãe. Ele sozinho, sem ter alguém que abraçasse seus projetos e o acompanhasse de olhos fechados, jamais teria deixado o ninho. E muito possivelmente não seríamos tão felizes como somos hoje. Certamente não teríamos 1/10 de histórias que temos pra contar.

“Vem ni mim”, vida nova! 😛 Mesmo com todos os desafios, mesmo sabendo que ainda sofrerei muito de ansiedade, estou animada e com um panapaná inteiro no estômago!

PS. Ouvi dizer que a internet na Coréia é a melhor do mundo. Torcendo pra que seja verdade! Cansei dessa internet tartaruga que eu tenho aqui.

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s