Nick, the biker

p1040269

Pois é.

Se não me engano, logo antes de viajarmos para nossa segunda temporada em Barcelona, contei aqui que Nickito havia finalmente perdido o medo da bicicleta e estava começando a pedalar sem as rodinhas de apoio, certo?

Pois é, mas nós viajamos, voltamos, tava frio, ele nunca mais pedalou, ou seja, esqueceu. E quem disse que não se desaprende a andar de bicicleta estava errado, afinal.

Ou não.

Eis que semana passada, o marido decidiu reensinar o Nick a pedalar e… SUCESSO TOTAL!!!

Ele não só está pedalando lindamente, como rapidamente e animadamente. Pedala todos os dias, fazendo um percurso que até o Vivi, no auge dos seus 8 anos, reclama de dor nas pernas – e olha que a bike do Vivi é way better than a do Nick (e esse meu portunglês tá cada vez pior, eu sei).

E ó, reaprendeu no mesmo dia. Dias depois, estava todo animadinho, querendo sair o tempo inteiro pra pedalar. Tão bonitinho 🙂

Assim vamos encerrando a fase dos primeiros aprendizados vitais aqui em casa: rolar, sentar, engatinhar, andar, falar, usar o vaso, pedalar, nadar… ops, nadar ainda não, porque ele ainda não perdeu completamente o medo de água – se bem que já toma banho sozinho e deixa a água cair no rosto, o que já é uma senhora evolução! Mais um pouco e ele alcança o Vivi, nos deixando definitivamente órfãos de bebê (ah, ainda falta limpar o bumbum sozinho, rsrsr).

E, por mais que eu queira muito ter um terceirinho, para recomeçar toda essa fase trabalhosa gostosa novamente, a verdade é que, em duas semanas, completo 3.8, e por mais que eu insista em me sentir uma menina, não estou mais na flor da idade, tampouco na flor da saúde, menos ainda com a energia necessária para as infinitas noites e dias sem descanso. Então, quem aproveitou, aproveitou. Quem não aproveitou, fica para a próxima vida 🙂

 

já está (quase) chegando a hora de ir…

Ontem, sexta-feira, dia 6 de novembro de 2015, por volta das 4 da tarde, recebemos um email. Nele, uma oferta de emprego detalhada e com prazo de uma semana para resposta.

De onde veio a oferta?, você me pergunta. E eu lhe conto, porque não estou aqui para matar ninguém de curiosidade 😛

Mas antes, algumas considerações.

1- Não estamos indo pro sacrifício. Estamos muito felizes e empolgados (embora, confesse, um tantinho nervosos)! Somos cidadãos australianos, logo, não somos obrigados a sair da Austrália, e tampouco existe a obrigação do Mauricio mudar de emprego.  A procura por uma nova colocação começou motivada por vários fatores, dentre os quais, a decisão de ganhar mais dindin e conseguir, finalmente, fazer um pé de meia digno para realizar o sonho da casa própria, quando entrarmos nos “enta”; o desejo de fazer algo diferente (novamente), já que nossa vida cigana andava muito paradona (já são mais de 6 anos de Austrália!); e a vontade de morar mais perto do Brasil. Mas como você bem sabe (e nós também), é impossível se ter tudo ao mesmo tempo, então, dessas três motivações, uma levou o fuén-fuén-fuén.

2- Vai ser difícil? Bom, fácil-fácil não será. Pela primeira vez, acho que sofreremos a famosa adaptação, visto que estamos embarcando numa aventura em terras completamente desconhecidas. Tudo que sei sobre a cidade, sobre o país, foi o que vi recentemente num video daquela série da Band, “O mundo segundo os Brasileiros”. Não há familiaridade, não há conhecidos, não há sequer a certeza de que gostaremos de lá. Estamos prestes a abrir uma porta pra uma sala escura, ainda desmontada, na qual entraremos cautelosos, para não tropeçar em nada até conseguirmos descobrir como acende a luz  –   e só de escrever isso, sinto borboletas no estômago (o que é bom, rs. Fazia tempo que não sentia essas borboletas da mudança). Nós que já moramos 5 anos nos EUA e já estamos há quase 7 na Austrália, nunca sofremos com adaptação, nunca tivemos um choque cultural (na verdade, choque eu sinto indo ao Brasil, onde eu tenho que andar segurando a bolsa, onde eu não posso abrir a janela do carro, onde eu não posso deixar meus pertences largados na areia e dar um mergulho no mar tranquila). Desta vez será diferente – mas eu gosto do diferente. Será diferente, em especial para mim, que me reinventei e hoje trabalho de casa tentando construir meu próprio negócio (aliás, não fosse assim, talvez nem considerássemos nos mudar pra lá). A vida da Erica será a mais afetada, a adaptação da Erica será a mais difícil, quanto a isso não há dúvida. Mas falarei muito ainda sobre assunto, até porque, meus blogs, antes de mais nada, são minha sessão de terapia :). Aliás, algo me diz que o novo blog será bem movimentado. Novo blog? É ué! O canguru vai parar de pular no segundo semestre de 2016 e dará lugar a terceira geração de blogs desta família. I wonder se assim como a tradição de um blog pra cada país, manteremos a tradição de uma gestação para cada país 😛

3- Não sabemos quanto tempo ficaremos lá, diria que, no mínimo uns 3 anos. Mas como saber? Quando viemos pra Austrália, também achávamos que ficaríamos 3 anos apenas, até por isso, compramos um carrinho fuleiro que, aos trancos e barrancos, dura até hoje, rsrsr – carrinho, aliás, que está tão chumbado, que vale menos do que já gastamos com ele, hahahah. Anyway, passados esses pelo menos 3 anos, não sabemos pra onde iremos, não temos a menor ideia mesmo, e na verdade, nem queremos pensar nisso agora, nem no ano que vem, nem no próximo. Vamos deixar pra pensar nisso, quando sentirmos necessidade de mudar novamente, até porque, eu gosto de mudar, mas também não quero uma mudança a cada ano ou biênio. Podemos voltar pra Austrália? Eu acho que sim (marido acha muito difícil). Podemos voltar pros EUA? Pode ser… Não é uma opção que vem acompanhada de borboletas no estômago at all, mas pode ser… Podemos ir pra Europa? Não seria uma má ideia! (marido talvez não concorde). Podemos voltar pro Brasil? Bom, voltar pro Brasil, só se tudo der muito errado pra gente. Infelizmente, por mais que me doa dizer isso, até eu, que era a parte do casal que tinha o desejo de voltar, já me conformei que serei para sempre estrangeira. Não quero viver num lugar onde eu não posso andar/dirigir/viver tranquila a qualquer hora do dia ou da noite. Não quero que meus filhos cresçam lá. Brasil está fora de cogitação. E não pense que é fácil, me dói profundamente dizer/escrever isso 😦 Só estando na minha pele pra entender este paradoxo no qual eu vivo.

Dito isso e sem mais delongas, anuncio que a partir agosto de 2016, quem quiser nos visitar deverá comprar passagem para Seul. #prontofalei #prontochoquei

Coréia (do Sul, claro), aqui vamos nós! E fuén-fuén-fuén para uma vida mais perto do Brasil 😦

Pra quem achava que Bloomington, Indiana era longe, que Austrália era o fim do mundo… bem, mais longe que a Coréia só Marte. E, sinceramente, não me chocarei se daqui uns 10 anos, meu marido me disser que teve uma oferta pra viver numa base de expatriados em Marte, hahahah

Sabe quando eu imaginei que um dia moraria na Coréia? NUNCA! A vida é muito doida mesmo, né? E eu confesso: gosto dela assim. Doida, inesperada, diferente. Deve ser por isso que não me sinto envelhecer (a menos que eu me olhe no espelho, rsrsr). Sou jovem de alma, sempre aberta a mudanças, sempre pronta a abraçar as aventuras que a vida me oferece.

Sorte minha ter em minha vida um moço que também está sempre disposto a mudar. A ironia é que se nossos caminhos não tivessem se cruzado lá no Bistrô Brasil, no início de 2002, muito provavelmente estaríamos os dois vivendo na loucura do Rio, porque separados, nem eu, nem o Mauricio somos tão aventureiros assim. Eu sozinha, sem alguém que me propusesse a primeira grande mudança, jamais teria saído da barra da saia da minha mãe. Ele sozinho, sem ter alguém que abraçasse seus projetos e o acompanhasse de olhos fechados, jamais teria deixado o ninho. E muito possivelmente não seríamos tão felizes como somos hoje. Certamente não teríamos 1/10 de histórias que temos pra contar.

“Vem ni mim”, vida nova! 😛 Mesmo com todos os desafios, mesmo sabendo que ainda sofrerei muito de ansiedade, estou animada e com um panapaná inteiro no estômago!

PS. Ouvi dizer que a internet na Coréia é a melhor do mundo. Torcendo pra que seja verdade! Cansei dessa internet tartaruga que eu tenho aqui.

Festividades de setembro e outubro – parte 2: festinha dos meninos + halloween (boooo!)

Demorei, ams voltei! Agora com a celebração oficial do aniversário dos moleques, em companhia de seus amiguinhos.

A festinha foi super improvisada, mas eles se divertiram a valer e, no fundo, é isso que importa. Eu é que fico com peso na consciência por não ter conseguido fazer nada melhor (até o bolo ficou sofrido – gostoso, mas sofrido)…

Mas vamos lá, porque, agora, revendo aos fotos, tô até menos triste, rs

p1030851p1030854p1030858p1030866p1030879p1030888p1030915p1030916p1030922p1030928p1030943p1030956p1030976p1030972

E para encerrar as festividades de outubro, nosso já tradicional Halloween, quando percorremos a neighborhood em busca de doces – nem tanto pelos doces, mas pela diversão. Este ano, como o 31 de outubro caiu num fim de semana, a diversão foi ainda maior – até a mamãe aqui meio que se fantasiou 😛

p1040076p1040080p1040086p1040084p1040088p1040123p1040124p1040133p1040140p1040144p1040156

Doce agora sóooooooo… no fim do mês, no meu aniversário 😛

Novas regras da casa: xixi se faz sentado!

Eu sou a única menina da casa, o que por lado é ótimo, já que eu reino abslouta: the Queen Bee!

Mas por outro, ai ai, difícil viu?

A pior parte de ser a única menina, é o banheiro. Eu sou a única que faz xixi sentada. E pra piorar, eu sou a única que limpa os banheiros.

Homens crescidos já não são lá as criaturas mais cuidadosas na hora de esvaziar a bexiga. Meninos são piores. Muito piores.

Era sempre assim, se limpasse o banheiro numa tarde, à noite já estava fedendo. Respingos de xixi pelo chão, xixi escorrido por fora do vaso sanitário. Parecia um banheiro químico do carnaval em Salvador. Bom, pelo menos o da minha imaginação, porque nunca usei um banheiro químico, muito menos no carnaval em Salvador.

Os meninos, além de não terem a mira treinada, gostam de fazer xixi juntos – super divertido, né? Ficar cruzando jatos de xixi. Só que, noutro dia, nessa empolgação, sem querer, Nickito, eufórico, às gargalhadas, acabou mexendo um pouquinho e… o xixi foi parar na perna do irmão. E no chão. E no tapete. E na parede (!!!).

Foi demais pra mim. Fiquei azeda! Rodei a baiana, desci o morro de tamanco e com a lata d’água na cabeça e defini: Nesta casa não se faz mais xixi em pé! Quer fazer xixi, senta! E empurra o instrumento pra baixo pra garantir que não vai haver lambança. Xixi em pé é obrigatório na rua, mas em casa, from now on, é obrigatório sentado!

E querem saber? Essa questão do xixi em pé é cultural. Aqui na Austrália é muito comum homens fazerem xixi sentados. Qual o problema?

Mas, claro, meu drama não terminou por aí…

Dias depois, Vivi, coitado, foi fazer o xixizinho dele sentadinho, mas esqueceu de posicionar o instrumento pra baixo. Resultado? Xixi no chão, xixi na parede, xixi na roupa, xixi everywhere – menos dentro do vaso. Só há uma explicação: eu mereço.

Ah, mas tem mais…

Na noite seguinte, uma hora após o Vivi sair do banho, fui dar banho no Nick. Enquanto ele fazia o xixizinho dele no vaso, sentadinho bonitinho, abri a porta do box para ligar o chuveiro. Gente, o bafo de xixi que veio em cima de mim foi tão forte, tão intenso, que ardeu minhas narinas. O box, que havia sido limpo (por mim, claro) não fazia nem dois dias, estava impraticável.

“VINICIUS DIAS PALMEIRA!!!!! VOCÊ FEZ XIXI NO BOX?!?!?!?”

Vivi: eu não!

(ele sempre nega de primeira)

Eu: como não, Vivi? Você foi u último que tomou banho!

V: tá, fui eu…. mas o papai sempre diz pra eu fazer aí mesmo…

E: Vinicius do céu, e eu, o que eu SEMRPE te digo????

V: que é pra fazer no vaso…

E: então, meu Deus do Céu!!! POR QUÊ????

V: Desculpa…

E: (ainda revoltada) Abre agora a porta do box pra você sentir o drama!

O rapaz abriu, deu uma meia inspirada e quase caiu pra trás. “Disgusting!!!!!”, ele gritou.

Pois bem, dessa vez não era exagero meu.

Aí, lá vou eu, às 9 da noite esfregar o banheiro revoltada (2 vezes, porque da primeira não saiu a inhaca toda).

Gente, não é possível que a pessoa não consiga usar o vaso pra fazer xixi (sentado) antes de tomar banho. Não é tão complicado assim. Tá ali do lado, pô! Revoltante.

Sabe qual seria uma excelente solução? Os 3 só usarem um banheiro (e ficarem responsáveis pela limpeza e manutenção) + eu ter um banheiro só pra mim + deixar o terceiro banheiro para  uso exclusivo das visitas. Seria perfeito, né? Pena que esta solução reside apenas no meu imaginário…

Um beijo pra você que acha que minha vida aqui “no estrangeiro” é puro glamour 😛