bad guys

Hoje é dia de ficar com o pequeno em casa, só que infelizmente tenho que trabalhar, e não posso dar aquela atenção pra ele, então apesar de ter proibido os jogos eletrônicos (xbox, ps vita, ds, ipad…), liberei 30 minutos de Tv, entre uma brincadeira e outra.

Pois bem, estava posta no sossego do trabalho quando Nickito, ainda agorinha, apareceu aqui na porta do meu office e, com um sorrisinho de satisfação, veio se aproximando devagarinho, pegou na minha mão e disse: “vem aqui, mamãe, tenho que mostrar uma coisa pra você”.

Me conduzindo até meu quarto, onde ele estava assistindo seu programa de TV, apontou e disse: “é ali que eu quero morar! A gente pode morar In The Night Garden? Lá não tem bad guys!”

Meu coração ficou em frangalhos.

Já faz uns dias que ele anda preocupado e perguntador, sempre querendo saber se bad guys existem, onde moram, se eles podem matar as pessoas…

Aqui, a gente não tem muitas preocupações com violência, mas claro que eu sempre converso com eles sobre não falar com estranhos. Explico que é muito perigoso, que  existem pessoas que parecem boazinhas mas que fazem maldade, enfim,  tento deixá-los alerta, mas sem fazer muito estardalhaço. Mas pelo visto, Nickito que nunca gostou de Super Heroes e sempre foi fã dos Bad Guys (o Joker é o predileto), anda bastante apreensivo, procurando um lugar que seja completamente seguro pra morar.

E aí vem o problema…

Nós, após 4 anos sem pisar no Brasil, estamos com as passagens compradas para as férias de janeiro e Nickito estava mega feliz, doido pra encontrar todo mundo. Ao contrário do Vivi, ele sempre diz que é brasileiro, que nasceu no Brasil, e até se esforça muito mais pra falar em português do que o irmão.

Ele, que estava super animado, agora não quer mais ir. Mudou de ideia, assim, de uma hora pra outra.

Juro, não falei nada pra ele sobre a situação horrorosa de violência no Brasil e muito embora me preocupe muito e não pare de pensar como vai ser andar com esses meninos pelas ruas cariocas, não passo pra eles a minha preocupação. Entretanto, criança vive com as anteninhas ligadas, né? E assim, acabam ouvindo uma conversa ali, pescando um comentário aqui e aí, a mente fértil vai juntando as pecinhas e até mesmo um menininho de 4 anos começa a se preocupar.

Bom, como disse, eu ainda não comecei a conversar com eles sobre como será no Brasil. Mas inevitavelmente, terei  que falar sobre o assunto, até porque, eles estão acostumados a sair andando pela praia, a ficar soltos no parquinho… Como eles vão compreender que no Rio, a gente não pode sacar o celular no meio da rua, porque a chance de ser assaltado é muito grande?

Eu sei que pra você que mora e sempre morou no Brasil, é difícil entender… você pode achar até um exagero meu. Eu sei, porque eu também já pensei assim. Nos 26 anos que morei no Brasil, fui assaltada sei lá quantas vezes, presenciei diversos tipos de violência e apesar disso, nunca me apavorei, sempre toquei a vida normalmente e ainda achava um baita exagero quando pessoas que viviam em realidades mais civilizadas reclamavam.

O problema é que após esses mais de 10 anos vivendo sem medo, sem preocupação, sem ter que olhar pros lados, nem ficar o tempo inteiro atenta, após viver esses anos todos sabendo que se eu esquecer a carteira ou celular numa loja, eu os encontrarei no mesmo lugar, ah, gente não dá pra simplesmente achar normal, não poder andar pelas ruas com um iPad na mão, filmando meus passos.

E não me venham dizer que é culpa da pobreza, do abismo social, da falta de educação, de oportunidade (aliás, isso é história para um próximo post). A situação do Brasil é uma vergonha muito grande. A população tem medo do bandido e da polícia. Não tem pra onde correr.

Só me resta rezar por todos vocês que estão aí a deriva, contando com a proteção divina. Que Deus proteja a todos nós. E que eu consiga passar um mês tranquilo de férias com a família, e volte intacta e sem crianças traumatizadas para as longínquas terras australianas.

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