Tanta coisa…

Eu ando sumida e não é só do blog… Ando sumida de casa, da família – mesmo trabalhando de casa.

Tenho estado tão consumida por este novo projeto, que não tenho feito outra coisa da vida. A Oca me consome, consome minhas horas, meus dias e minhas noites. Consome muitas das minhas madrugadas. Consome meu papel de mãe, de esposa, consome meu papel de ser humano, de Erica. Vivo com cara de cansada, com olheiras profundas, perdi sei lá quantos quilos, minha pele está horrível, meus cabelos despencam da cabeça… estou a pessoa mais sem paciência da face da terra. Estresse puro.

Não era pra ser assim, não foi isso que planejei. Espero, sinceramente, que este período não se prolongue muito mais. Espero que as coisas se ajustem, que entrem nos eixos, porque por enquanto não há vida além da Oca (que nem inaugurada foi ainda!).

Eu estou em casa, mas é como se não estivesse. Desde que voltamos das férias que não faço outra coisa. Não limpo a casa, raramente faço comida, não vou ao mercado, raramente levo ou busco os meninos na creche/escola, raramente os coloco pra dormir. Sou uma mãe fantasma e isso dói.

Nickito não reclama diretamente, até porque ele se contenta com as migalhas de atenção que ofereço quando posso. Ele ainda não entende muito bem (sorte minha).

Vivi, por outro lado, sente e cobra. Joga na cara mesmo, usa todas as letras pra que eu saiba que isso não tá legal. Já me perguntou algumas vezes porque tenho que trabalhar tanto. Já disse também que preferia quando eu não tinha que trabalhar, porque eu podia dar mais atenção pra eles. Já requisitou um final de semana inteiro pra ele, alegando que seria justo (e não é?). Enfim, Vivi me fez enxergar a realidade, aquela pra qual eu ando fechando os olhos.

A verdade é que ando mirando lá na frente, tentando me convencer que é isso aí, que preciso fazer este sacrifício agora, mas que vai passar. Mas será?

Já chorei de desespero pelas madrugadas, me perguntando se isso é vida, se estou fazendo a coisa certa, porque, meus amigos, essa história de empreender é ainda pior do que pura e simplesmente trabalhar de casa. E quando você empreende de casa então, sai de baixo, porque o trabalho é full and extra time.

A Oca nem começou e já estou sentindo na pele.

Enquanto isso, no meio deste turbilhão, Nickito traz a fofura embrulhada no mais lindo papel de presente e sem saber amacia os meus dias com suas frases inocentes.

Hoje, fui obrigada a fazer uma pausa no trabalho pra deixar registrada aqui a fofura do dia 🙂

Ele vem chegando de mansinho, senta ao meu lado, olha pra mim com aqueles olhões de cílios compridos e diz assim: “mamãe, eu não quero mais fazer aniversário!”

– por que meu filho?

– porque eu não quero crescer! quero ser sempre seu bebê, seu picoquinho, seu periquitinho fofinho… quero sempre caber no seu colo.

– ah, meu filho, mamãe já te disse que você será sempre meu periquitinho, meu bebezinho 🙂

(pensou por uns segundos e…)

– tive uma ideia! E se você colocar uma vela de 4 novamente no meu bolo?? Assim eu não viro 5, fico 4 pra sempre! 🙂

Ah como eu gostaria de poder congelar tudo, pra não perder nem um pedacinho da infância desses moleques. Mas a vida, às vezes,  é cruel.

Esta não é a primeira vez que o Nickito tem uma grande ideia para parar de crescer. Uma vez,  disse que não ia mais comer, porque comer faz crescer e bebês são pequenos, logo ele não pode mais crescer.

Acho que ele é o único menino que eu conheço que não gosta de ser chamado de big boy. Fica uma fera! “Eu não sou big boy! Eu sou pequeno!!”

Ao mesmo tempo que eu tento explicar pra ele que é normal crescer, que todo mundo cresce e tal, confesso que fico toda feliz que ele queira ser pra sempre meu bebê 🙂

Às vezes olho pro Vivi e vejo aquele meninão comprido, já com carinha de rapaz, e fico quase triste. Meu moleque tá crescendo rápido demais e pior, ele faz questão de crescer, de ser cool, de não dar abraços nem beijinhos. A sensação que eu tenho é que ele está muito acelerado. Ele e o irmão são os extremos opostos. Enquanto um quer ficar comigo pra sempre, o outro já avisa que vai sair de casa, mudar de país (mas volta pros meus netinhos me visitarem). Talvez por isso, eu em prenda tanto a bebezice do Nick, rs

Anyway, falei falei e não disse nada. Mas é isso mesmo, este post foi só um desabafo de mãe que tá sentindo falta de ser mãe.

Mas se Deus quiser, esse tsunami vai passar.

Ainda bem que meus moleques tem um super pai e eu um super marido, porque só assim pra sobrevivermos todos a essa tempestade.

Meu eterno amor e gratidão a esse homem maravilhoso que me apoia incondicionalmente.

 

11 anos – bodas de que mesmo? :)

Hoje completamos 11 anos de casados. Muito doido isso!

Muito doido que há 11 anos eu disse sim, oficialmente, para o homem que caiu de pára-quedas na minha vida, quando tudo o que eu não queria era não assumir nenhum compromisso. Pode, 11 anos mais tarde você amar o seu marido ainda mais do que amava quando disse sim? Poooooode! Eu amo o meu mais e mais a cada dia.

Onze anos de felicidade, de cumplicidade, de amor, de aventuras… de tanta coisa! Onze anos com o homem mais maravilhoso que eu poderia encontrar. He makes me happy when skies are grey.

Jamais imaginei que minha vida fosse ser como é hoje. Achei que fosse me formar na faculdade, fazer meu mestrado, meu doutorado, virar professora da FAU e trabalhar com urbanismo. E aí casar, ter filhos, bla bla bla… Mas graças a Deus que tudo deu errado! 🙂

Confesso que durante muito tempo guardei uma frustração por não ter seguido meu planejamento profissional, mas, gente, hoje, fico olhando pra minha vida, lembrando de tudo que aconteceu desde aquele sim e não teria como ser mais grata por este encontro que me tirou do rumo e me levou por um caminho completamente diferente. Um caminho que me abriu os horizontes, que me apresentou possibilidades totalmente fora da minha zona de conforto, que me fizeram crescer e enxergar the big picture.

….

Ontem fui lembrada pelo meu calendário do iphone que hoje era nosso aniversário de casamento. Choquem-se!

Tenho trabalhado tanto que já perdi a noção do tempo. Desde que chegamos de viagem, há 9 dias, que eu não coloco a cara pra fora de casa. Estou completamente focada na missão. E nessa, quase esqueço do nosso dia.

Hoje (sábado) não tivemos jantar romântico a dois, muito pelo contrário, decidi tirar a tarde para celebrar em família, fazendo o programa mais simples do universo. Sabe aqueles programas normais de final de semana? Então. Saímos pra almoçar, nós 4 de depois fomos assistir Minions no cinema (muito bom, por sinal), porque os meninos estavam ensandecidos pra ir, e fechamos com um chocolate quente com churros no San Churro. E sabem de uma coisa, do fundo do meu coração? Descobri que a felicidade é isso aí. É não se sentir obrigada a celebrar em grande estilo, porque você sabe que sua vida é uma celebração diária. Estou tão feliz de ter passado a tarde com meus meninos, com minha família, fazendo nada demais que isso só pode significar uma coisa: sou genuinamente feliz (e confesso que dá até um medinho de dizer isso out loud, rs).
Aí tem sempre aquela pessoa que pergunta: e aí, o que ganhou de presente? E eu digo meu presente ganhei há 13 anos. O homem da minha vida, que cuida de mim, me dá amor, é meu melhor amigo, meu maior companheiro e um super hiper mega pai. Gente, isso é que é presente, o resto é lembrancinha 🙂

Ao meu verdadeiro presente, meu eterno amor. Te amo, meu Mel! ❤

Em tempo:

1-Você descobre que está viajando demais quando seu filho (mais velho), ao sentar na cadeira do cinema, fica procurando o cinto de segurança, hahaha (é muito avião e muitas horas de road trip nas ideias, rsrsr)

2- Você descobre (confirma) que seu filho (mais novo) é radical quando, durante as refeições, se recusa a colocar a boca no copo d’água sem antes utilizar o guardanapo. O bichinho passa sede mas não suja o copo. São pelo menos 2 por refeição (nada ecológico). E agora entrou numa de pedir guardanapo de pano (não tô podendo, né?). “Meu filho, bem que a mamãe adoraria usar guardanapinho de pano em todas as refeições, mas haja guardanapo e tempo pra lavar todos eles, rs”

3- Estamos fazendo 11 anos de casados. Vivi tem 7 anos, Nickito tem 4. Quatro + sete = onze. Eu tenho 37 e o marido tem 37. Trinta e sete x 2 = 74. Sete + quatro = 11. Onze anos de casados 🙂 Superstições à parte, por muitos outros motivos, que eu não tenho contado aqui, algo me diz este é o nosso ano 🙂

 

Finalmente de volta à casa

Não que eu esteja empolgada de voltar pra Melbourne. Não mesmo. Tá uma friaca como nunca vi!

 

Fomos finamente presenteados com uma frente glacial vinda do ártico que fez a temperatura ir pro chão neste nosso primeiro final de semana em casa. Chuvinha, frio, céu nublado. Deprê! Em pensar que deixei uma Itália quente e ensolarada, com cidadelas medievais lindas, campos maravilhosos, piscina, Cascina Rosa… Ah, Cascina Rosa…

 

Mas é vida que segue, né?

 

O mais divertido de voltar é ver a reação dos amiguinhos do Vivi. No dia seguinte a nossa chegada, à tarde, Vivi resolveu dar as caras no parquinho e foi só ele colocar o pezinho pra fora de casa que a molecada sentiu o cheiro e veio em revoada saudá-lo! Foi tão fofo que eu quase chorei. Só não chorei porque eu não vi, só ouvi, rs, senão de certo teria me esvaído em lágrimas. “Vinny!!!! Vinny!!! You are back!!!!” Todo mundo cercando e querendo um abraço, mas meu primogênito, que não é nada brasileiro, não é chegado a abraços e manifestações de afeto. Vai entender? O tanto que esse menino foi beijado e abraçado a vidinha dele toda (sim, sou dessas mãe grudentas). Devo ter traumatizado a criança, rs

 

Vivi ficou tão feliz ao reencontrar seus amigos que nem está se importando tanto com o frio. Mesmo sem poder ficar lá fora muito tempo, já que escurece cedo, ele está feliz de estar de volta depois de quase 3 meses fora.

 

Hoje, quando chegou do colégio, o primeiro dia de aula do termo 3, enquanto fazia seu reader, ouviu a molecada gritando muito alto lá fora e disse assim: “agora eu tô muito nervoso pra ir lá fora, tô com pressa!”

 

“Por que, meu filho?”

 

“Porque quando o pessoal grita assim é pra implicar com a noisy lady (uma vizinha chata que não gosta de criança sendo criança) E eu quero ir lá também! Ela merece isso, ela é muito chata”

 

Okay, Vivisauro está de volta 🙂

 

On the other hand, Nickito estava com saudades de seus brinquedos e tem passado horas brincando. O play corner tá uma bagunça, mas eu nem me atrevo tocar em nada, tô deixando ele ser feliz. Engraçado é que ele chegou na secura pra jogar xBox, mas ao contrário do que imaginei, não está abusando não. Tem brincado mais com os brinquedinhos não eletrônicos mesmo, ou então desenhando.

 

A novidade do Nickito é que ele se descobriu depois do Festival de Moncalvo. Não pode ouvir uma música que dança coreografias ensaiadas, tudo no ritmo, mostrando toda sua concentração, talento e flexibilidade. Tô até considerando colocá-lo numa aula de dança. O que me desanima é que aqui as aulas duram 30 minutos, uma vez na semana. Não dá nem pra criança ser feliz. Mas vou procurar!

 

Fora isso, a única novidade é que ainda não conseguimos entrar no fuso. Tamb;em, não é pra menos, saímos de dias longos quentes e ensolarados para noites longas frias e escuras de uma hora pra outra. Não há corpo que se acostume fácil. O meu então está se recuodando, gritando: take me back to Italy!!!!

 

Mas vou sobreviver… eu acho. Pelo menos posso ficar na minha caverninha trabalhando na Oca.

Quatro dias mais tarde, no vôo a caminho de casa

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(Senta, porque o post é longo. São 4 dias, minha gente!)

Quatro dias mais tarde, aqui estou eu, diretamente do vôo Barcelona-Doha, deixando para trás um verão borbulhante e indo em direção 1a friaca mamonesca de Melbourne. Os amigos melbournianos alertam via Facebook: o frio está de doer o ciático.

Vou aproveitar que o vôo curto é longo (8h) e atualizar o blog com os últimos posts da viagem 🙂

No último final de semana, conforme anunciado, tivemos a companhia dos nossos amigos que vieram da Alemanha curtir o calorão do Piemonte.

A Carla e o Henrique chegaram na sexta no fim do dia e fomos direto jantar, porque conforme já aprendemos, as cozinhas dos restaurantes ficam abertas por no máximo duas horinhas por noite. Fomos à mais famosa pizzeria da cidade, Week End (assim mesmo, separado). A pizza, de fato, era muito boa, mas o ambiente, JesusCristo, era um verdadeiro forno. Além de ser pequeno e não ter uma boa circulação de ar, o forno à lenha fica dentro do recinto e o ar condicionado não dá vazão. Na verdade, o momento mais fresquinho aconteceu, quando por alguns segundos acabou a luz (as luzes eram bem quentes). Ou seja, por mais que a pizza fosse muito boa, a experiência deixou a desejar por causa do desconforto. Vejam bem, até mesmo eu que não reclamo de calor e muito pouco suo, estava pingando. Por outro lado, a pizzeria ganhou pontos extra pelo precinho mega camarada. Cada pizza (bem grande) custava 5 euritos. Nosso jantar saiu praticamente de graça. Sem dúvida alguma o jantar mais barato das férias italianas (e da temporada em Barcelona).

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Após o jantar, demos uma voltinha pelas ruelas de Moncalvo e por fim assistimos um pouco do festival, mas não até o fim, já que os moleques estavam podres de cansados.

Passamos o final de semana lagartixando na Cascina Rosa, ora jogando totó, ora na piscina, ora na sombrinha, ora jogando pingpong. Quando não estávamos lá, estávamos comendo ou procurando algum lugar pra comer – alias, diga-se de passagem, comer foi o que mais fizemos nessas férias. Foi tanta massa que já não aguentamos mais ouvir falar em gnocchi, tagliatelle e afins. Ao contrário de todas as outras férias da minha vida, nestas eu certemente ganhei uns quilinhos, as roupas não negam. Também, pudera, comemos feito italianos e muito pouco andamos por conta do calor insano que encobria as ruas e fachadas de pedra das cidadelas – e talvez por isso também, não houvesse uma viva alma nas ruas pra nos fazer companhia.

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No sábado, acabamos perdendo a hora na piscina e quando finalmente saímos para almoçar, era tarde demais, as cozinhas estavam todas fechadas. Nosso almoço foi um misto quente com suco de laranja, que era a única coisa que os dois cafés de Moncalvo ofereciam àquela hora – além de gelato, claro. O café escolhemos com base na melhor sombra oferecida 🙂

À noite voltamos à cidade e após rodarmos vários restaurantes à procura de uma cozinha que ainda estivesse aberta, conseguimos uma mesa na Osteria Alermano – que delicia! De entrada nos trouxeram bruschetinhas e os melhores pasteizinhos de queijo do universo. Sério, ô pastelzinho bom! O jantar em si não ficou atrás, estava excelente. Não é  sem sem motivo que essas tem sido férias gastronômicas. Temos sido muito bem servidos 😉

Claro que não poderíamos deixar de assistir ao encerramento do Festival de Moncalvo, né? Uma compilação dos melhores momentos, as melhores apresentações. Mais uma vez, um belíssimo espetáculo. Devo dizer que estas férias estão repletas de cerejinhas 🙂

No domingo, fomos espertos e saímos do B&B mais cedo para almoçar. Voltamos ao Restaurante do Castelo, onde fomos na primeira noite (e quase fomos carregados pelos mosquitos), só que desta vez ficamos lá dentro, no fresquinho e longe da mosquitada. O Castelo não é requintado, pelo contrario, é bem caseiro, os garçons são simples, a comida é simples… mas muito gostosinha. Comi um ossobuco com polenta de lamber os beiços. Como disse a Carla, gosto de comida de vó 🙂

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Voltamos pro hotel para aproveitar as últimas horas da companhia dos amigos.

O casal Coijinha 😛 foi embora por volta das 5 e nós fomos aproveitar nossas últimas horas da piscina e do calorzão piemontês.

Claro que não demorou para que o marido ficasse com fome novamente, né? Eu, sinceramente, tenho comido tanto, que nem tenho tempo de sentir vontade de comer, quem dirá fome. Não posso reclamar das roupas apertadinhas, né? Rs

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Nosso farewell dinner foi no melhor restaurante de Moncalvo (a gente não sabia disso, foi uma grata surpresa de despedida!). Que comida, que serviço, que vinho, que atmosfera lindinha (super fresquinho, rs). Comi ali o melhor gnocchi do universo. Nunca, nunquinha havia comido algo parecido (e olha que eu já comi muito gnocchi por aí e faço uma receita da mamãe que é muito boa!). Sabor perfeito, derretia na boca. E a beringela do antipasto MEODEOSDOCÉO? Preciso muito aprender a fazer. É de morrer! E o segundo prato?? Olha, nem lembro o nome, mas que minha carne estava de se comer de joelhos, ah isso estava. Nota 11 pra ele.

Posso dizer, sem sombra de dúvidas, que encerramos nossas férias em grande estilo.

Ah, na noite de domingo rolou o Moncalvo Summer Festival – esta cidadezinha é o que há de melhor no Piemonte, rs. Uma rua foi toda dedicada à degustação de vinhos e chás, com direito a músicos tocando aqui e ali e citronelas queimando pelo caminho, na tentativa de reduzir o desconforto causado pelos mosquitos ferozes (o único downside desta última semana de férias). Teve também apresentação de rock e outras atividades espalhadas pelo  centrinho histórico de Moncalvo, que tem o título de menor cidade italiana!

Demos uma volta, mas não nos demoramos, porque no dia seguinte iríamos sair bem cedo, logo após o café da manhã, para pegar uma longa Estrada, mais de 8 horas até Figueres, há uma hora e meia de Barcelona, nossa parada para dormir, antes de partirmos pro aeroporto.

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Foram longas horas de Estrada e quando finalmente chegamos a Figueres, nosso hotel era bem no centro antigo da cidade, o que a primeira vista pareceu uma furada, já que o quarto do hotel era minúsculo, o estacionamento caro… acabou sendo mais uma daquelas cerejinhas. Deixamos o carro no estacionamento do Hotelzinho e fomos dar uma voltinha. Que fofurinha de cidade! Fiquei até triste por não termos chegado lá mais cedo. O Museu de Dali era do lado! Só não vou dizer que fiquei frustrada, porque seria até pecado e se há algo que eu não sou é mal agradecida :). Mas que eu adoraria ter ido ao Museu de Dali, ah adoraria!

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De qualquer forma, demos uma volta, tiramos umas fotos (bônus) e ainda comemos nossos tapas da despedida, devidamente acompanhados da nossa boa e velha água com gás catalan (aquela com gostinho de bicarbonato, que eu odiava, mas acabei me apegando).

E finalmente nossa viagem chegou ao fim. Esprememos até a última gotinha, né? 🙂

Hoje cedinho, pegamos a estrada rumo ao aeroporto de Barcelona, onde devolvemos o carro. Apesar de ter sido um pouco enrolado, já que precisamos da ajuda de um amigo pra enviar, no tempo exato, de taxi, nossas duas malas (as que não couberam no carro, lembra?) + a tampa da mala do carro que ficaram na casa dele, tudo deu certinho no final. E quer saber? Foi muito melhor termos ficado com um carro menor, mesmo tendo que deixar duas malas pra trás, porque nos enfiamos em cada ruela medieval no Piemonte, que se fosse um carro grande estaríamos entalados lá até agora :O| Definitivamente, há males que vem pro bem 😉

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Olhando pra trás e fazendo um balanço desses quase 3 meses abroad, só tenho a agradecer. Foi tudo tão bom! A estada em Barcelona, o encontro DIY Coletivo, o encontro Oca, a primeira parte das férias na Toscana e o encerramento no Piemonte. Tudo tão perfeito, que se eu tivesse realmente planejado, acho que não sairia melhor (acreditem, foi tudo no improviso – nunca tivemos férias tão improvisadas na vida. Tudo decidido no último minuto).

Eu estava super insegura com o Piemonte, mas foi uma delícia esse nosso agriturismo, sem Milão, sem Turino, sem Alessandria. Serviu realmente para curtir a família (e os amigos), relaxar, recarregar as baterias e ficar prontinha pra onda de trabalho que me aguarda neste retorno à Melbourne. Aliás, vou precisar de muita disposição e disciplina pra conseguir cumprir minha agenda, não só para o lançamento da Oca, anota aí, dia 20 de agosto, como para mandar brasa no período de divulgação que começará dia 19 de julho (deu até um frio na barriga agora). Que Papai do Céu abençoe este projeto e que os anjinhos digam amém.

Dia preguiçoso

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Conforme anunciado, hoje foi dia de preguiça na beira da piscina. E aqui estamos nós: os meninos, ora desenhando, ora na piscina, ora jogando totó. O marido, ora na rede, ora na piscina, ora na sombrinha. Eu, ora na piscina, ora na sombrinha, ora tirando fotos… e agora escrevendo um pouquinho. 

Não  satisfeita em, pela manhã, no café, comer os figos do quintal, resolvi colher alguns eu mesma e comer, ali embaixo do pé mesmo. Quem diria, a Erica cosmopolita que curte barulho da rua e nem se incomoda com bate-estaca, apreciando o silêncio, a vida rural, a atmosfera rústica. Acho que chega uma idade que o sangue acaba falando mais alto, né não? Só pode. Sinto traços do Sr. William se aproximando, rs. Só ainda não fiquei amiga dos insetos (odeio!), mas tô achando uma delicia essa tranquilidade, especialmente porque aqui os meninos ficam livres e menos agitados. O Nick então, só falta meditar. Claro que a agitação do Vivi não deseparece completamente, porque faz parte da sua essência, mas até ele tem tido momentos de calmaria. Uma benção! 😉

Hoje à noite tem cerejinha do bolo: a Carla e o Henrique chegam pra nos fazer companhia em nosso último final de semana de férias. Se já está bom do jeito que está, com amigos ficará ainda melhor.

PS. Nickito, que tem medo até de borboleta, está encantado com a Lucy, a gatinha da Cascina Rosa, que. De fato, é muito meiguinha. Ele é do tipo que ao ver um cachorrinho, muda de calçada, tem pânico de todos os bichos, mas a Lucy é tão boazinha que ele a persegue 🙂 Gostou tanto que perguntou se a gente pode ter um gatinho. Mas perguntou tão fofamente que ficou até difícil dizer que não. Eu passei a bola pro pai responder. “Papaaaaaai, a gente pode ter um gatinho, por favor?” E o pai que se derrete todo com a fofura do pequeno, deixou a esperança: “No dia que tivermos nossa própria casa, podemos ter um gatinho”. Ao ouvir isso, Vivisauro pulou da cadeira para aproveitar o momento: “podemos ter um cachorro também???”

Marido: Cachorro dá mais trabalho, tem que levar pra passear, limpar o cocô… cachorro é mais carente, precisa de mais atenção….

Vivi: Tá, então a gente pode ter uma cobra?

Este é o Vivi…

Passeia um pouco, descansa um pouco

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Olha, não sou de reclamar de calor, nem de sol na cabeça, mas gente, que lua tem feito aqui no Piemonte, hein! Benza Deus! 😛

Hoje, após tomarmos nosso café da manhã, fomos ao Mercado de Moncalvo – vulgo feira livre – não para fazer compras, mas para experimentar a vida local (vocês sabem, né? Eu sou dessas, rsrsr). Confesso que apesar de não ter saído pensando em fazer compras, esperava encontrar umas coisinhas simpáticas pra levar de lembrancinha, como fiz ano passado, em Provence, entretanto, a feira livre de Moncalvo é um tantinho diferente. Vende frutas, legumes, carne, peixe, queijos, calcinha, cueca, meia, chapéu, tecido, brinquedo, bijuteria, linha, pote de plástico, flores frescas e artificiais, cola, tesoura, cinto, sapato, iogurte… ou seja, de tudo. Tudo o que os moradores de Moncalvo e arredores precisam, encontram no mercado de quinta-feira. Não tem charme, mas é bem útil.

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Como bem notou meu digníssimo, na cidade não há um comércio de respeito. Nem mercado vimos. Então a conclusão é que as compras são concentradas neste dia.

No início achei que os sapatos e roupas fossem produção local, mas ao checar as etiquetas, vi mais do mesmo. Tudo made in China, India e afins. Nenhum fornecedor específico, apenas um mercadão no meio da praça (no caso, do estacionamento).

Quando já estávamos indo embora, fui conferir uma station que havia me intrigado desde a primeira vez que passamos por Moncalvo. Um stand onde os moradores chegam com suas garrafas vazias e saem com elas cheias. Achei fantástico.

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É assim: você chega lá com suas garrafas vazias, coloca suas moedas na máquina e enche suas garrafas. São vinte centavos de euro por litro e você pode escolher entre água gasosa ou natural. Além de ser uma baita economia, ainda é amiga da natureza, já que reduz absurdamente a produção de lixo (mesmo que reciclável), uma vez que te evita ter que comprar garrafas e mais garrafas de plástico. E pra ficar ainda melhor, a água já vem geladinha. Não tá ruim não, né?

Após nossa ida ao mercado de Moncalvo, partimos para Asti, uma cidade grande (75 mil habitantes, rs) e de grande importância na região. Desta vez, ficamos espertos e almoçamos logo de cara, pra garantir que não passaríamos fome novamente. Depois fomos dar uma volta pela cidade, que apesar de fofa, estava completamente entregue às traças em plena luz do dia, o que tira um pouco do charme. Tá certo que eu não gosto de passear junto a uma procissão de turistas, mas adoro pessoas nas ruas, vivendo suas vidas, enquanto eu as observo, rsrs. Adoro sentar na praça e fazer um bom people watch, mas acho que isso não vai rolar por aqui, rsrs.

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E foi andando pelas ruas vazias de lojas fechadas que descobrimos, observando uma plaquinha, porque algumas cidades parecem cidade-fantasma. É bem simples: das 12:30 às 4:00, o comercio fecha para almoço e descanso. Ô beleza. Isso pra não falar daquelas lojas que entram de férias sem aviso prévio. Um belo dia você chega e dá de cara com um comunicado: estamos de férias até dia tal.

Bem interesante este lifestyle 🙂

Como contei no início, a lua estava intensa e por causa disso, as reclamacões começaram. As crianças definitivamente não estão acostumadas com esse calorão. Eu, como vocês sabem, não reclamo. É contra minha religião reclamar do calor, mas confesso que minha pressão chegou a cair por um momento, rs

Resultado, após umas 3 horas em Asti, pegamos o caminho da roça, literalmente, haha, e voltamos pra nossa Cascina Rosa, de onde, agora, escrevo este post 🙂

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Enquanto o marido tirava um cochilo, eu resolvi adiantar o post do dia, pra não ficar até tarde escrevendo. Mas agora, com licença, porque uma piscina fresquinha me espera… e os mosquitos também – abafa! :O|

Ah, e hoje à noite tem mais festival em Moncalvo – marido não quer perder um dia! Rsrs

Voltei!

Quando estávamos saindo pra jantar, começou a chover. O engraçado é que o tempo estava aberto e a lua linda, grande e alaranjada. A chuvinha só veio pra refrescar e espantar os mosquitos, acho eu 🙂

Jantamos no Centrale, um restaurante delicioso. Mega recomendo! Estava tudo divino, das entradas à sobremesa. Meus cumprimentos à chef. O melhor é que as crianças também gostaram. Gostaram tanto que tivemos que pedir mais um prato – sim, eles repetiram, rs

Já estou pensando em me inspirar nas entradinhas de flor de abobriha empanada e salsão com crème de queijo e pistache para um próximo evento que fizer em casa.

Após jantarmos, claro, fomos ao festival, só que esta noite não ficamos até o fim, porque os moleques estavam exaustos. Saímos na metade do segundo ato. Mas tudo bem, já estou bem feliz que o Vivi adora o festival e faz sempre questão de assistir a apresentação após o jantar – muito fofo 🙂

Agora já é tarde, a cama me espera.

Amanhã, o dia será preguiçoso, na Cascina Rosa o dia inteiro, porque com esse calorão não há como imaginar mais que 30 minutos for a da piscina.

Acordando no Piemonte

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Bom dia pra você que acordou com um café da manhã home made delicioso.
Bolos fresquinhos, frutas colhidas do pé no jardim, iogurte fresco, geléias artesanais, queijos deliciosos e croissants maravilhosos. Tudo servido numa salinha de refeições aconchegante, com jeito de casa, de improviso, e não de hotel.

O que eu mais estou curtindo na Cascina Rosa é a personalidade, a originalidade. Cada detalhe parece não ter sido pensado, parece mesmo que tudo aqui é muito espontâneo, não planejado, verdadeiro. E eu, aquela pessoa que tudo planeja, estou adorando e até pensando em incorporar uma beiradinha dessa espontaneidade a minha casa. Simplesmente deixar acontecer.

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Julho chegou e nós temos apenas mais 6 dias de Itália. Depois disso, a gelada Melbourne nos aguarda. Também nos aguarda muito trabalho e muita ansiedade. Mas este não é o momento de falar sobre isso.

Após o café, ficamos no jardim brincando com os meninos, curtindo, a paz, degustando o visual do lugar.

Já passava do meio-dia, quando decidimos dar uma voltinha pelos arredores. Fomos até Olívola, um micro vilarejo lindinho que abriga 143 habitantes. Isso mesmo, 143 habitantes.

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A igejinha, as casas de pedra, as ruas estreitinhas, tortinhas… e vazias 🙂 como uma boa cidade dormitório. O vilarejo é tão miúdo, que tem placa na rua indicando o caminho pra farmácia :). Uma fofura!

Demos uma voltinha, tiramos umas fotos e voltamos pro carro, porque, meu amigo, 37 graus no alto da montanha é coisa pra caramba! Nem a pessoa aqui aguenta muito tempo, rsrs

Saindo de Olivola, demos uma passada na cidade grande da região, Casale Monferrato, com seus mais de 40 mil habitants :O|

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Passamos lá, mais par  ir ao Mercado comprar some nibbles e também pra ver se encontrávamos uma bóia pro Nick poder enjoy a piscina do B&B, que é muito funda pra ele. Vejam vocês, encontramos, aqui no interior do Piemonte, um bazar chines “Ni hao”:) Quando eu digo que os chineses estão em toda parte, não é sem motivo.

Casale Monferrato, apesar de “grande”, também é bem simpática 🙂 – estou realmente apreciando esta nossa estada por aqui.

Demos ainda uma micro parada em Crea, outra cidadela lindinha no alto da montanha., onde entramos de carro por aquelas ruelas tão estreitas e curvas, que parecia que teríamos que desmontar o carro pra passar por ali. Em vários momentos, tive que sair do carro pra conferir se dava pra seguir, especialmente nas descidas estreitas e curvas. Tenso!

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Em vez de almoçar, voltamos pra Cascina Rosa e fizemos um lanchinho no jardim. Brie, proscuito, pecorino e pãezinhos, o famoso “me engana que eu gosto”;)

O dia aqui parece que rende mais. Tudo é tão pertinho, dá pra fazer um monte de coisas e ainda descansar.

Passamos o fim da tarde entre a piscina e o jardim. Desta vez devidamente protegidos dos mosquitos (compramos repelente no china).

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E atenção para a surpresa da rodada: fizemos social no jardim! Tão a nossa cara, né? Só que não, rsrsr

Pode não parecer, mas eu sou extremamente tímida, tenho sempre receio de ser intrometida, inconveniente, então, fico sempre no meu cantinho.

Só que desta vez, o filho da dona do B&B nos convidou pra degustar um vinho. Ele estava no jardim com um casal de amigos, que moram numa outra cidadela aqui perto e cultivam vegetais orgânicos lindos e aparentemente decliciosos, que entregam diretamente nas casas dos clientes semanalmente. Um luxo 🙂

Foi um bate-papo bem interessante, um misto de italiano e inglês com até mesmo umas pitadas de português, bem do jeito que a gente gosta.

O Luca, filho da Sabrina, dona do B&B, já esteve passeando pelo Brasil, em Pipa, veja você, e morou por 7 meses em Sydney, a trabalho. O casal Chiara e Michaele é de Casale Monferrato, mas há 3 anos se mudaram para uma vida ainda mais pacata, num vilarejo aqui perto. Uma das coisas mais bacanas de viajar é interagir com as pessoas locais, entender como a vida funciona e desmitificar comportamentos e estereótipos.

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Por falar nisso, desmitifiquei completamente o exagero da falta de educação no trânsito italiano. Até agora não vi nada que se assemelhe, nem de longe, à falta de educação no trânsito no Brasil. Eles aqui, podem não ser como os americanos do interior, nem como os australianos, mas ainda assim são bem educados.
O italiano, quando muito, é bagunceiro se comparado aos ouros primos europeus, mas não com os brasileiros.

E por falar em Brasileiros (esse post tá ficando gigante, né?), é interessante como nossos compatriotas só viajam pelas cidades mais turísticas e, com isso, tem muito pouco contato com a cultura local, já que as cidades mais turísticas são podadas para o turista.

O que eu sei é que o dia passou, a noite chegou e nós nem percebemos. Quando fomos nos dar conta da hora, já passava das 9, resultado, quando conseguimos chegar a Moncalvo para jantar, os restaurantes já estavam todos fechados.

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Famintos, fomos dos alimentar de cultura, porque hoje no festival de Moncalvo teve uma apresentação linda de dança. Como disse o marido, teríamos pagado, felizes, um bom dinheiro para assistir um espetáculo como aquele, mas em vez disso, assistimos de graça. Nós e toda a cidade de Moncalvo.

Uma produção fantástica, uma apresentação linda e emocionante. Me levou do riso às lágrimas. Um casalzinho de crianças, que deviam ter uns 8 anos no máximo, exibiram um talento incrível. Fiquei absolutamente impressionada, em êxtase. A fome até passou 🙂

Como pode, um vilarejo na montanha do Piemonte promover um espetáculo como este? Países europeus são outros quinhentos, né não? E itália é cultura na sua forma mais pura e genuína. Estou cada vez mais encantada com esta terra e em especial, com esta região linda que é o Piemonte. Posso confessar? Deu uma vontadezinha de me mudra pra cá – que Barcelona não me ouça, rsrsr

Mas peraí, eu moro em Melbourne :o|

Todo mundo sabe que eu sou fã de Melbourne, de carteirinha (tirando o tempo frio chato de galocha), mas não há como comparar o incomparável, laranjas com maçãs. A Austrália é uma linda e apetitosa maçã, mas a Itália é uma laranja redondinha e suculenta. E eu gosto muito mais de laranja do que de maça 😉

Bom, melhor eu encerrar este post por aqui. Amanhã tem mais 🙂