O drama de Cinque Terre em um dia e em alta temporada

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O último dia na alaranjada Toscana.

O dia chegou e, vejam vocês, nosso último dia na Toscana foi dedicado a um passeio na Ligúria. Finalmente pude degustar um pouquinho da tal região das Cinque Terre, que minha amiga Marthinha fez o favor de me apresentar.

Uma hora e meia de viagem até a estação de La Spezia, onde, após nos enrolarmos um pouquinho, compramos nosso Cinque Terre Card Train para a família por 31.50 euritos. O cartão é fundamental para acessar as trilhas do parque, que ligam as Cinque Terre e também dá direito a wifi e transorte ilimidado de trem e ônibus na região. Ótimo, né? Até é, só que não nos foi de grande utilidade. Vocês entenderão o porquê.

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Hoje madrugamos, saímos de casa antes das 7:30 com as crianças ainda de pijamas. A intenção era aproveitar ao máximo o dia nas Cinque Terre, passeando um pouquinho por todas elas, entretanto, um dia assim só daria certo se não tivéssemos dois molequeinhos a tiracolo. Com crianças, tudo fica um tantinho mais complicado, já que a programação precisa se ajustar a eles e, porque meus molequinhos ainda não estão na idade de curtir muito esses passeios de dia inteiro andando, tivemos que abreviar bastante nossos planos.

Nossa primeira parada foi Riomaggiore, de onde pretendíamos fazer a trilha Via dell’Amore até Manarola, que dizem ser a trilha mais linda de todas. Aliás, a trilha parece ser tão linda que não chamam de trilha, mas de passeio. Só que… a bendita trilha estava fe-cha-da. Fiquei tão decepcionada! Especialmente porque esta era a única trilha que conseguiríamos fazer com as crianças, por ser um percurso fácil e rápido (cerca de 850m, ou 25 minutos de caminhada).
Neste momento, meu planejamento começou a ruir. O pior é que, pra completar, o céu estava meio nublado. Eu estava quase me arrependendo de ter saído dos domínios da Toscana.

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Fazer o que, né? Paciência. Mudamos o planejamento e resolvemos ir para a Terre mais ao norte, que tem a maior praia, Monterosso.

Pegamos o trem, que nos deixou na boca da praia (bem turística, diga-se de passagem), onde ficamos por algumas horas, curtindo o sol, que finalmente resolveu dar as caras e o mar, que estava uma delicia. Acho que o único defeito daquela praia é ter pedras em vez de areia. Havia apenas uma faixa de areia seca, mas tão logo se chegava à margem do mar, lá estavam as pedrinhas inconvenientes (sou chata, né? Rs).

O bom é que pouquinhos passos mar a dentro, a profundidade aumentava consideravelmente e eu não precisava mais ficar com os pés no chão 🙂 Deu pra curtir bastante o mar mediterrâneo 🙂

Saindo dali, fomos dar uma voltinha e procurar onde almoçar. Nos chamou a atenção um restaurantezinho que dizia algo assim: “Comida italiana não é apenas pizza”. Ele me ganhou de cara, rs. Sério, a gente já não aguenta mais comer pizza. Aliás, nem massa :O|

Entrei no restaurantezinho sem levar muita fé, mas contente porque não ia comer pizza, rs. Que grata surpresa! Comemos uma salada bem gostosinha e um ravioli de peixe ao molho de camarão servido na panela de barro, borbulhando, que estava delicioso. Super valeu!

Saindo dali, pegamos o trem em direção a Vernazza, a terre mais famosa e mais lindinha.

De fato, a cidadezinha é um encanto, maaaaas, me senti numa procissão. Saindo do trem, parecia que éramos todos um grande grupo, uma grande escursão. Todo mundo andando a passinhos curtos, de tanta gente andando na mesma direção. Pra mim, cidade cheia assim, perde 70% do glamour 😦

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Parei um momento para aprecisar a vista da cidade e me pus a imaginar como devia ser especial Vernazza há 20 anos, antes de virar esse formigueiro de turista. Fiquei pensando quando seria uma boa época para revisita-la (que não fosse no inverno). Iniício da primavera talvez?

Ainda assim, não há dúvidas que é um lindo vilarejo. Só queria ter conseguido curtir mais.

Saindo de lá, fomos em direção a Corniglia, a terre do meio e menos popular entre os turistas. Estava levando fé nesta próxima parada, mas… não aconteceu. Pegamos o trem na direção errada (por erro na placa da estação) e voltamos pra Riomaggiore. Maridinho ficou chateado e saiu do clima. Os moleques também já estavam cansados e reclamando. Achamos que seguir a programação de conhecer as outras terres seria push demais. A verdade é que os meninos tem se comportado muito bem e reclamado muito pouco dos passeios infinitos que temos feito.

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Resultado, não conhecemos nem Corniglia, nem Manarola. Não fizemos nenhuma das trilhas que prometiam as fotos mais lindas do mundo, mas ainda assim, mesmo com o dia resumido, aproveitamos o pouco que conhecemos.

O chato foi termos comprado o passe familiar para transitar pelas trilhas e não fizemos uma sequer 😦 Isso me frustrou bastante. No fim das contas, bastava que tivessemos comprador as passagens de trem. Mas tudo bem, acidentes de percurso.

A verdade verdadeira é que este passeio serviu especialmente para eu entender de uma vez por todas que cidade bacana é aquela com menos turistas e mais locais. É nessas cidades, onde você consegue ver e sentir a vida local, a cultura, os costumes. Claro que minha motivicão de ir às Cinque Terre foi 90% guiada pelo visual absolutamente estonteante, mas pra mim, Erica, o mar de turistas abocanha um tantão desse charme. Lição aprendida 🙂

Mas ó, eu voltarei! Voltarei, travelling light e ficarei em uma das Terre, por 5 dias, um pra cada Terre. Acho que neste esquema vai valer muito a pena. O que mais atrapalhou o passeio foi ter um dia apenas pra curtir na pressão, somado a dois molequinhos que nao estavam nada interessados em bater perna.

Apesar de não ter sido um passeio tão proveitoso pra mim, acho que super vale a pena conhecer as Cinque Terre. É um passeio sem igual.

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Hoje me despedi do pôr do sol encantado com um até breve, porque certamente não levará outros 10 anos até que eu volte por aqui.

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