San Gimignano e Volterra

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Conforme previsto, hoje foi dia de San Gimignano, um vilarejo no alto da montanha, digno de suspiros.

Uma das coisas que eu mais curto sobre  roadtrips é o percurso interno. Adoro pegar as estradinhas do interior, ver as plantações de milho, trigo, uvas, azeitonas… girassóis! Tipo, eu definitivamente nasci para viver uma vida cosmopolita, a pé, com uso mínimo de carro e máximo das calçadas. Adoro andar pela rua, ouvir o barulho dos carros, observar as pessoas, sentar num café pra tomar um chai. Mas de uns tempos pra cá, férias pra mim é sinônimo de tranquilidade. To fugindo de New York e correndo pra Phuket, Toscana, Provence… tô atrás de silêncio, da marcha lenta, do canto dos passarinhos, do barulhinho do mar.

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Barcelona pra mim não foi férias, foi vida normal, trabalho. Só saíamos aos finais de semana, como faríamos se estivéssemos em Melbourne. Uma prainha aqui, outra ali, um passeio aqui, outro ali. A vida urbana na medida certa. Mas de férias, até Barcelona é urbana demais 🙂 – tô ficando velhinha, rsrs

Uma coisa engraçada é que há 10 anos, quando visitei a Itália pela primeira vez, naquele esquema estudante, me surpreendi negativamente com os italianos. Os achei super rudes e nada calorosos. Mas hoje entendo o porquê. Daquela vez, só visitei cidades grandes e muito turísticas. Agora, percorrendo o interior, vejo o quão gentil, alegre e cativante é este povo. Em restaurantes, lojinhas, pelas ruas… em todo lugar, temos esbarrado com pessoas sorridentes e amáveis.

Chega a ser engraçado. Uma situação recorrente é recebermos largos sorrisos, longas acenadas e até beijos lançados em nossa direção, pelo simples fato de pararmos nas travessias sem sinal, antes da faixa,  para que os pedestres atravessem. Eles ficam tão agradecidos, que só vendo!

Imagino que os motoristas italianos não sejam tão gentis com os pedestres, dada a emoção destes cada vez que paramos para que atravessem, rs.

E por falar em motoristas, cheguei aqui super insegura, achando que seria um transtorno dirigir nessas estradinhas italianas, dada a fama dos locais, mas sabe que não? Todo mundo muito educado. Imagino que nas cidades grandes eles façam justice àquela imagem bárbara que nos é passada 🙂

Escrevi, escrevi e não falei de San Gimignano, né?

Vou fazer melhor, vou mostrar um pouquinho 😉

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Desta vez, preferi não entrar em museus, Igrejas, nem qualquer outro ponto “obrigatório”, quis apenas percorrer o vilarejo, me perder por suas ruas, observar as janelas, as portas, as fachadas, entrar nos becos, subir até o ponto mais alto e me deleitar com a vista panorâmica do vale. No fundo, isso é o que me faz feliz, isso é o que me dá borboletas no estômago: sentir o lugar e as reações que ele provoca em mim.

Saímos de San Gimignano já tarde e exaustos de tantas andanças. Mas ainda assim, pegamos a estradinha para Volterra, que nos presenteou com vistas lindas. 

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Volterra é uma fofura, mas não é tão diferente assim de San Gimigniano. Sinceramente, se pudesse voltar no tempo, teria encerrado o dia no primeiro vilarejo com um belo almoço e retornado pra casa pra curtir a piscina e o magnífico pôr do sol do meu escritório lá fora.

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Eu, definitivamente não sou do tipo que viaja pra “ticar” itens (cidades) da lista. Gosto de qualidade e não de quantidade. Gosto de degustar não só a comida, mas também os lugares. Gosto de tirar fotos com a câmera e com os olhos. Gosto dos detalhes, gosto de guardar os momentos não apenas nos álbuns, mas na alma.

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À noite, completamente famintos, já que nosso almoço havia sido uma fatia de pizza de rua em San Gimignano,  fomos jantar num restaurantezinho simpático bem pertinho de casa. Serviço excelente, pessoas simpáticas e comida super gostosinha. Gente, o Pecorino daqui em nada se assemelha ao que eu como na Austrália. Mooooooito melhor!

Sabe quando a fome é tão grande que o olho fica maior que a barriga? Pois é, pedimos um banquete! E de quebra, como cortesia da casa, uma bandeja de focaccia maravilhosa. Resultado? Comemos até fazer bico :O|

Pizzeria Sottogrotta, em Monsumano Terme, super bem recomendada, pode anotar 😉

Devo dizer que, finalmente, nossas férias estão tomando o formato que eu tinha em mente. Menos correria, menos turistas, cidades menorezinhas.

Hoje ainda não foi perfeito, porque após passarmos horas a fio em San Gimignano, ainda fomos a Volterra, mesmo estando todos exaustos. Mas não há de ser nada, amanhã faremos o ajuste fino.

Este ano acabamos nos enrolando com as férias. Não tive tempo nem energia pra fazer a programação com antecedência e, por conta dos últimas surpresas que minha saúde me aprontou, perdi o foco, fiquei ainda mais estressada e ficou difícil até relaxar, quem dirá escolher os destinos dos passeios.

Mas ó, não tô reclamando, não, tá? Até porque, que pecado seria reclamar desses dias deliciosos sob o sol de Toscana. Sol este dono de raios de um laranja inebriante. Todos os dias, bem no finzinho da tarde, por volta das 7, tudo vai ficando alaranjado. É uma sensação tão gostosa de aconchego, de felicidade, que minha alma canta!

Ainda faltam 5 dias para deixarmos a Toscana em direção ao Piemonte, e já estou com saudades. Aquela mesma saudade antecipada que comecei a sentir de Barcelona, semanas antes de partir.

Sempre fui saudosista, mas ando me superando 🙂

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