Bye bye Toscana – Hello Piemonte!

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Hoje acordamos na hora que o sono acabou e tivemos uma manhã bem preguiçosa. Os meninos curtiram uma piscininha matutina e depois tomamos café da manhã fora (fora de casa – no pátio, rs).

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Terminamos de fechar as malas e deixamos Podere Marchiano por volta de 1:30pm.

Nos despedimos do Alessandro, que por sinal, nos recebeu super bem, e confesso que na hora que fechei o portão atrás de mim, senti um nozinho na garganta, já com saudade do lugar. Não adianta, eu sou uma eterna saudosista. Sinto saudade de tudo e de todos. Guardo cada lembrança com muito carinho e alimento o desejo do retorno, do reencontro. Talvez por isso, eu seja mais de voltar aos mesmos lugares em vez de fazer turismo pipoca de uma cidade por dia, rs

Foram 3 horas e meia de viagem, de Larciano até Grazzano e, muito embora tenhamos tomado café tarde, bateu uma fome daquelas no meio do caminho. Por sorte, tínhamos uns petiscos no carro. Torradinhas, biscoitos, um pote de crème de chocolate e um vidro de mostarda (presente da tia Carla). Aliás, que mostarda deliciosa! Adorei 🙂

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No caminho pra cá, faltando ainda mais de 40 minutos pra chegarmos na Cascina Rosa, nosso B&B, saímos da auto-estrada e pegamos estradinhas internas com as vistas mais fofas do mundo inteiro. Aliás, por falar nisso, devo notar que em algumas poucas horas de Estrada, vi mais campos de girassol na Ligúria e no Piemonte do que em 10 dias na Toscana 🙂 – fica a dica 😉

O visual no Piemonte parece uma pintura. As montanhas, as cidadezinhas pelo caminho, os campos cultivados, com as culturas milimetricamente divididas… tudo simplesmente lindo.

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Confesso que eu estava bem apreensiva com esta última semana de viagem, decidida em cima da hora, sem nem saber direito o que me aguardava no Piemonte, mas só pelo que que vi nos primeiros momentos, já sei que vou me apaixonar. A verdade é que já me apaixonei.

O Piemonte é muuuuito menos popular que a Toscana, muuuuuito menos turístico, o que por si só já confere um charme extra à região. Ao chegar aqui, senti novamente aquela alegria, aquela tsunami de felicidade invadindo minha alma. Tô tão feliz de estar aqui! Sinto que terminaremos nossas férias em grande estilo, vivenciando muito mais a cultura local do que na Toscana.

Aqui, as pessoas não partem do princípio que somos turistas, elas não falam ingles conosco. Só isso já faz uma diferença danada.

Ao chegarmos na Cascina Rosa, fomos recebidos pela Sabina com muita simpatia. Ela nos mostrou a propriedade e nos levou até nosso quarto.

Após descarregarmos o carro, os meninos partiram pra piscina e eu, com minha câmera em punho, comecei a registrar aqui e ali. Sabe amor a primeira vista? Pois é.

A Cascina Rosa é linda, antiga, cheia de charme e personalidade. O quarto que estamos ficando é bem no estilo original. Com mobiliário simples, uma lareira fofa, janelinhas lindas e um teto pra morrer de amores.

E o mais legal é que acabamos ficando com esta parte da casa toda pra gente: uma saleta na entrada com um banheiro e, escadas acima, nossa suite, bem espaçosa que tem como vizinha uma outra suite, onde a Carla e o Henrique ficarão no final de semana. Sim, teremos amigos aqui! 🙂

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A vista daqui de cima é deslumbrante e o sol do finzinho da tarde, também alaranjado, ou seja, querem saber? Virei a casaca! A Toscana é linda, mas o Piemonte acabou de roubar meu coração.

À noite fomos jantar em Moncalvo, um vilarejo bem pertinho do B&B. Que vilarejo fofo! Fofo e sem turistas! Quando muito, turistas locais.

Jantamos num restaurante super gostosinho no centrinho da cidade. A comida estava uma delicia e o precinho que a acompanhava também 🙂 – o marido adorou! O único ponto negative foram os mosquitos que quase nos carregaram! Uma nuvem deles se instalou ao nosso redor. Nenhuma outra mesa tinha mosquitos, só a nossa! Acho que eles sentem cheiro de sangue novo, rs

A cerejinha do bolo, foi o festival de música e dança que está Rolando na cidade desde sábado. Tivemos, após o jantar, o bônus de assistir um pouquinho do festival de música, nos mesclando aos locais, rs

Fechamos a noite com a certeza de que fizemos a escolha certa, quando decidimos abandonar a ideia de ir para a região de Veneto (super mega hiper turística) e vir pra cá, passar o resto das férias numa vibe mais relax, menos corrida e mais encantadora.

Quando voltamos pro B&B já passava das 11 da noite, mas ainda batemos um papinho com a Sabina e o marido, que, pasmem, fala português e catalão. Oi? What are the odds, meodeos?

O que vamos fazer amanhã? Sei lá!

Vamos acordar, tomar um café da manhã bem preguiçoso e conversar com a Sabina, pra saber o que ela nos indica. E por falar em café da manhã, é melhor eu ir dormir, porque já passa da meia-noite e o povo aqui acorda cedo.

O drama de Cinque Terre em um dia e em alta temporada

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O último dia na alaranjada Toscana.

O dia chegou e, vejam vocês, nosso último dia na Toscana foi dedicado a um passeio na Ligúria. Finalmente pude degustar um pouquinho da tal região das Cinque Terre, que minha amiga Marthinha fez o favor de me apresentar.

Uma hora e meia de viagem até a estação de La Spezia, onde, após nos enrolarmos um pouquinho, compramos nosso Cinque Terre Card Train para a família por 31.50 euritos. O cartão é fundamental para acessar as trilhas do parque, que ligam as Cinque Terre e também dá direito a wifi e transorte ilimidado de trem e ônibus na região. Ótimo, né? Até é, só que não nos foi de grande utilidade. Vocês entenderão o porquê.

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Hoje madrugamos, saímos de casa antes das 7:30 com as crianças ainda de pijamas. A intenção era aproveitar ao máximo o dia nas Cinque Terre, passeando um pouquinho por todas elas, entretanto, um dia assim só daria certo se não tivéssemos dois molequeinhos a tiracolo. Com crianças, tudo fica um tantinho mais complicado, já que a programação precisa se ajustar a eles e, porque meus molequinhos ainda não estão na idade de curtir muito esses passeios de dia inteiro andando, tivemos que abreviar bastante nossos planos.

Nossa primeira parada foi Riomaggiore, de onde pretendíamos fazer a trilha Via dell’Amore até Manarola, que dizem ser a trilha mais linda de todas. Aliás, a trilha parece ser tão linda que não chamam de trilha, mas de passeio. Só que… a bendita trilha estava fe-cha-da. Fiquei tão decepcionada! Especialmente porque esta era a única trilha que conseguiríamos fazer com as crianças, por ser um percurso fácil e rápido (cerca de 850m, ou 25 minutos de caminhada).
Neste momento, meu planejamento começou a ruir. O pior é que, pra completar, o céu estava meio nublado. Eu estava quase me arrependendo de ter saído dos domínios da Toscana.

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Fazer o que, né? Paciência. Mudamos o planejamento e resolvemos ir para a Terre mais ao norte, que tem a maior praia, Monterosso.

Pegamos o trem, que nos deixou na boca da praia (bem turística, diga-se de passagem), onde ficamos por algumas horas, curtindo o sol, que finalmente resolveu dar as caras e o mar, que estava uma delicia. Acho que o único defeito daquela praia é ter pedras em vez de areia. Havia apenas uma faixa de areia seca, mas tão logo se chegava à margem do mar, lá estavam as pedrinhas inconvenientes (sou chata, né? Rs).

O bom é que pouquinhos passos mar a dentro, a profundidade aumentava consideravelmente e eu não precisava mais ficar com os pés no chão 🙂 Deu pra curtir bastante o mar mediterrâneo 🙂

Saindo dali, fomos dar uma voltinha e procurar onde almoçar. Nos chamou a atenção um restaurantezinho que dizia algo assim: “Comida italiana não é apenas pizza”. Ele me ganhou de cara, rs. Sério, a gente já não aguenta mais comer pizza. Aliás, nem massa :O|

Entrei no restaurantezinho sem levar muita fé, mas contente porque não ia comer pizza, rs. Que grata surpresa! Comemos uma salada bem gostosinha e um ravioli de peixe ao molho de camarão servido na panela de barro, borbulhando, que estava delicioso. Super valeu!

Saindo dali, pegamos o trem em direção a Vernazza, a terre mais famosa e mais lindinha.

De fato, a cidadezinha é um encanto, maaaaas, me senti numa procissão. Saindo do trem, parecia que éramos todos um grande grupo, uma grande escursão. Todo mundo andando a passinhos curtos, de tanta gente andando na mesma direção. Pra mim, cidade cheia assim, perde 70% do glamour 😦

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Parei um momento para aprecisar a vista da cidade e me pus a imaginar como devia ser especial Vernazza há 20 anos, antes de virar esse formigueiro de turista. Fiquei pensando quando seria uma boa época para revisita-la (que não fosse no inverno). Iniício da primavera talvez?

Ainda assim, não há dúvidas que é um lindo vilarejo. Só queria ter conseguido curtir mais.

Saindo de lá, fomos em direção a Corniglia, a terre do meio e menos popular entre os turistas. Estava levando fé nesta próxima parada, mas… não aconteceu. Pegamos o trem na direção errada (por erro na placa da estação) e voltamos pra Riomaggiore. Maridinho ficou chateado e saiu do clima. Os moleques também já estavam cansados e reclamando. Achamos que seguir a programação de conhecer as outras terres seria push demais. A verdade é que os meninos tem se comportado muito bem e reclamado muito pouco dos passeios infinitos que temos feito.

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Resultado, não conhecemos nem Corniglia, nem Manarola. Não fizemos nenhuma das trilhas que prometiam as fotos mais lindas do mundo, mas ainda assim, mesmo com o dia resumido, aproveitamos o pouco que conhecemos.

O chato foi termos comprado o passe familiar para transitar pelas trilhas e não fizemos uma sequer 😦 Isso me frustrou bastante. No fim das contas, bastava que tivessemos comprador as passagens de trem. Mas tudo bem, acidentes de percurso.

A verdade verdadeira é que este passeio serviu especialmente para eu entender de uma vez por todas que cidade bacana é aquela com menos turistas e mais locais. É nessas cidades, onde você consegue ver e sentir a vida local, a cultura, os costumes. Claro que minha motivicão de ir às Cinque Terre foi 90% guiada pelo visual absolutamente estonteante, mas pra mim, Erica, o mar de turistas abocanha um tantão desse charme. Lição aprendida 🙂

Mas ó, eu voltarei! Voltarei, travelling light e ficarei em uma das Terre, por 5 dias, um pra cada Terre. Acho que neste esquema vai valer muito a pena. O que mais atrapalhou o passeio foi ter um dia apenas pra curtir na pressão, somado a dois molequinhos que nao estavam nada interessados em bater perna.

Apesar de não ter sido um passeio tão proveitoso pra mim, acho que super vale a pena conhecer as Cinque Terre. É um passeio sem igual.

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Hoje me despedi do pôr do sol encantado com um até breve, porque certamente não levará outros 10 anos até que eu volte por aqui.

Pienza

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Tá acabando 😦

A tristeza de deixar a Toscana já está batendo. Vou sentir saudade do pôr do sol alaranjado, da tranquilidade, da beleza das estradas, dos vilarejos simpáticos, das pessoas sorridentes, dos garçons que parecem saídos de um filme.

Hoje fomos a Pienza, terra de Pio II. Decisão de última hora. Última hora não, último minuto!

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Acordamos achando que iríamos pra uma terme e acabamos indo à Pienza.

E que linda é Pienza! Morri de amores e ressuscitei pra morrer uma vez mais. Aliás, a região onde fica Pienza é recheada de outros vilarejos lindos, pena que fica mais distante da nossa base :(. Da próxima vez que viermos por aqui, com os meninos maiorezinhos, vamos certamente dividir nossa estada em pelo menos 2 bases: uma mais ao sul, em Grosseto, região que não conhecemos, porque ficava a 3 horas e meia da nossa base; e uma mais central, nos arredores de Siena ou Arezzo.

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Chegamos em Pienza às 2 pm (como já contei, é difícil arrancar esses moleques da cama cedo), pensando em almoçar dignamente, como fizemos ontem. Entretanto, vejam vocês, por essas bandas, na hora do almoço, os restaurantes abrem a cozinha por duas horinhas apenas, ou seja, fuén fuén fuén. Em vez de almoçarmos em grande estilo, com uma vista linda do vale, o fizemos numa pizzeria (gostosinha, não nego), numa pracinha logo na entrada do vilarejo. E, gente, vou contar um segredo pra vocês: não aguento mais comer massa!!!! Pizza então, só como novamente ano que vem!

Tô craving por uma saladinha com um peixinho grelhado e, para sobremesa, salada de frutas! Choquem-se!

Almoçamos e fomos explorar a cidade. Percorremos as ruas principais e também as mais escondidinhas. Nos deleitamos com as vistas divinas do vale e tomamos o melhor gelato do mundo (tá, do mundo não, de Pienza, rs).

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Ficou para a próxima a visita ao Palazzo Piccolomini, onde estava rolando uma exposição super bacana da Helga Vockenhuber, mas não se pode ter tudo, né? Em compensação, presenciamos uma parade (parade mesmo, não é gíria) tradicional do vilarejo, com a garotada à caráter, tocando tambores e apresentando uma coreografia ensaiada com bandeiras. Fenomenal.

Adoro o fato desses vilarejos manterem as tradições vivas e, mais ainda, de ver como a juventude se dedica e participa ativamente de eventos como este. País que tem memória e mantém viva sua história é outra coisa, né?

Voltamos pra casa felizes, com a sensação de termos, no ultimo minuto, feito a escolha certa de passeio.

Já chegando em casa, pedi pro marido passar no Mercado e comprar uma salada de fruta. Tava com desejo, rs

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Amanhã, finalmente vamos conhecer as Cinque Terre. Mal posso esperar! Será no esquema turistão: Cinque Terre em um dia, mas acho que vai ser gostoso. Além do mais, será um bom ensaio para nossa próxima vez, quando, certamente, farei cada Terre com mais calma.

Bom, hora de colocar os moleques na cama, porque amanhã, todo mundo vai acordar cedinho nessa casa 😉

Certaldo e Montefioralle

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Ai ai… Que delícia foi nosso dia!

Hoje, minha meta era fugir completamente das rotas turísticas. Além de não querer nem passar perto de Siena, Arezzo, Firenze e afins, eu quis evitar até mesmo os vilarejos mais populares no alto do morro.
A intenção do dia, que por sinal foi alcançada com louvor, foi conhecer os vilarejos menos populares, menos turísticos e nem por isso menos encantadores, muito pelo contrário.

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Como de costume, saímos de casa por volta das 11am – sempre vamos dormir perto da meia-noite, logo, a galerinha acorda tarde, invariavelmente – em direção a Certaldo, terra natal de Boccaccio, mais ou menos uma hora e meia de onde estamos. Chegando lá, quase dei meia-volta. Parecia uma cidadela bem ordinária e além disso, estava completamente vazia, comercio fechado, nenhuma viva alma nas ruas. Detalhe: em pleno sábado! E, pior, não era um hill top village.
Chegamos a entrar e sair da área de estacionamento.

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Sorte minha, que meu marido estava ligado e avistou um furniculare e uma cidadela no alto do morro, ao final de uma rua. Bingo! A beleza estava lá!

Estacionamos e caminhamos até o furniculare, que eu um minuto nos levou ao topo e um vilarejo lindo de viver se abriu pra gente.

Sabe aquela sensação instantânea de felicidade, de satisfação e alegria plena? Foi exatamente o sentimento que me invadiu naquele momento, como um tsunami do bem. Meu coração acelerou, eu respire fundo, olhei em volta e tatuei um largo sorriso no rosto.

Demos uma volta pelo vilarejo, que estava exatamente como deveria ser: poucas pessoas pelas ruas, os restaurantes preenchidos na medida certa, sem tumulto, mas com vida, com vozes, com alegria.

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Cada esquina, cada passagem, cada vista, tudo na medida certa, tudo tão inspirador. Em pensar que eu quase dei meia-volta, que quase fui embora, espantada pela aparência ordinária da cidade baixa, sem me tocar que aqui é super comum as cidadezinhas terem uma irmã mais velha no alto do morro.

Escolhemos um restaurantezinho simpático com uma vista linda, para almoçar. Sim, almoçamos também a vista.

E a comida, gente? Peloamordedeus, como come-se bem nesta Toscana.

L’Antica Fonte é o nome. Pode anotar. Anote várias vezes, em vários lugares. E vá a Certaldo, andar por suas ruas, se embriagar na sua beleza e almoçar ou jantar neste restaurant delícia.

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Após um almoço de respeito, continuamos nosso passeio, tiramos mais fotos e, confesso, tie muita vontade de ficar por lá até o sol se por, maaaaaas, culpa da minha pouca fé, pagamos o estacionamento por meras 3 horas.

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A visita ao Palácio ficou pra próxima. Sim, a próxima, porque eu certamente voltarei a Certaldo. Nem que leve 10 anos, eu volto!

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Na volta pra casa, resolvemos dar uma passadinha em Montefioralle, terra de Américo Vespúlcio, que dizem ser o hill top village mais antigo e mais característico da região do Chianti. Piccolo-piccolo-piccolo, é um vilarejo de praticamente uma rua só que corre ao redor do topo do morro. Você literealmente dá uma voltinha por lá.

Mas não menospreze essa voltinha, viu? O vilarejo que parece ter saído de uma pintura, parece também ter parado no tempo. Até uma oficina com um senhor consertando sei lá o que, a marteladas, encontrei. Não só as fachadas são feitas em pedra, mas também as ruas são pavimentadas assim. E as jardineiras floridas que, exuberantes, colorem as fachadas medievais? Gente, é daqueles lugares pra morrer de amores.

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Não sei quando voltaremos à Toscana (sim, sou dessas que gosta de repetir lugares. Gosto de sentir, de viver os lugares, de tatuar a minha alma com imagens dos meus lugares favoritos), mas quando voltar, faço questão de ficar no alto de um desses vilarejos “Desconhecidos”, quero o mais lindo, o menorzinho e o menos popular. Quero passar pelo menos uma semana levando a vida local, conversando (ou tentando conversar, rs) com o senhor da lojinha de consertos.

Prazer, meu nome é Erica. Eu planejo a próxima viagem, enquanto ainda estou viajando.

Bom, são 9 pm, o sol laranja se pôs atrás das montanhas, é hora de sairmos pra jantar.

Meu marido disse que não aguenta mais comer tão bem 😛 Confesso que até eu estou quase não aguentando mais, rs.

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O que vamos fazer amanhã? Boa pergunta. Sei não.

Uma das famosas termas da Toscana, talvez?

A saber 😉

Parque do Pinocchio e Villa Garzoni

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Hoje resolvemos fazer um pouquinho diferente. Acordamos, não tomamos café e perguntamos ao nosso amico Alessandro o que ele indicava. E a primeira conclusão do dia foi: é sempre melhor perguntar pra quem sabe.

Dentre as dicas todas, ainda me reascendeu a esperança de ir, pelo menos um diazinho, a Cinque Terre – yay!! Mas aconselhou: Cinque Terre só na segunda-feira, porque no fim de semana fica extremamente cheio. Ok, Alessandro, anotado 😉

Hoje vamos dar um refresco pros moleques e visitar o parque do Pinocchio, ou seja, sem muitas pretensões.

Mais tarde eu volto pra contar como foi 😉

Voltei!

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Encerramos os trabalhos mais cedo hoje, por conta de uma tremenda dor de cabeça que me atacou.

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O parque do Pinocchio data da década de 60 e parece realmente ter parado no tempo. Até os carrosséis são beeeem antigos. Diria que a única coisa que está super em dia é o preço :P. Como bem notou meu digníssimo, foi nossa contribuição com o turismo da cidade, rsrs

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Não me entendam mal, o parque é fofinho, só não vale o quanto cobram. O bom é que as crianças curtiram bastante e como a intenção do dia era fazer os moleques felizes, está tudo certo.

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Mas nem só de Pinocchio viveu o nosso dia.

Fomos também ao Giardiano di Villa Garzoni, que é lindo lindo lindo. De quebra ainda teve a casa das borboletas.

Vamos ver umas fotos?

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Quando voltamos pra casa, Vivi entrou numa conversa com o Alessandro, dono da propriedade onde estamos, contando sobre como foi o dia. O Alessandro perguntou se eles haviam gostado e tal. Eles disseram que sim e perguntaram se ele já havia ido lá. A resposta? “Sim! Quando eu tinha 8 anos!”- ou seja, a dica de passeio nos foi dada com base na experiência de pelo menos 5 décadas atrás, hahaah.

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À noite, fomos jantar, pela primeira vez, em Larciano, no restaurant mais bem recomendado no Tripadvisor, a Enoteca Bonfanti.

Olha, vou ter que dar 5 estrelinhas, viu? Atendimento de primeiríssima, com direito a drink de cortesia, o limoncello da Toscana, e a papo longo com o garçom no final – bem do jeito que eu gosto 🙂

Sem falar que estava tudo divino. Antipasto (as bruschetas estavam de morrer!), prime, secondi, sobremesa, tudo excelente!

O garçom, super simpático, ao final do jantar, puxou uma longa conversa. Ficou surpreso de morarmos na Austrália e disse que foi lá a sua lua de mel, há dois anos. Disse também que nos 3 dias que passou em Melbourne, teve chuva o tempo inteiro, ou seja, não curtiram, rs, mas ficaram com vontade de voltar, de dar uma nova chance. Eu, como sempre, disse que Melbourne não é exciting como as cidades européiais, mas é o melhor lugar do mundo pra se viver 🙂 Ele, por sua vez, disse ter muita vontade de morar na Austrália (certamente, em Sydney, hahaha), que a Itália tem muitos problemas, assim como o Brasil… Sei… A Itália até tem problemas, mas só se comparada ao panorama europeu, porque o Brasil está em outro patamar. Enfim, não me alonguei por essa estrada, tô de férias, rs

Sabe de uma coisa, apesar de todo estresse com a alergia/urticária/coceira/eczema que toma conta das minhas pernas, estou curtindo bastante nossas férias na terra das tardes alaranjadas 🙂

San Gimignano e Volterra

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Conforme previsto, hoje foi dia de San Gimignano, um vilarejo no alto da montanha, digno de suspiros.

Uma das coisas que eu mais curto sobre  roadtrips é o percurso interno. Adoro pegar as estradinhas do interior, ver as plantações de milho, trigo, uvas, azeitonas… girassóis! Tipo, eu definitivamente nasci para viver uma vida cosmopolita, a pé, com uso mínimo de carro e máximo das calçadas. Adoro andar pela rua, ouvir o barulho dos carros, observar as pessoas, sentar num café pra tomar um chai. Mas de uns tempos pra cá, férias pra mim é sinônimo de tranquilidade. To fugindo de New York e correndo pra Phuket, Toscana, Provence… tô atrás de silêncio, da marcha lenta, do canto dos passarinhos, do barulhinho do mar.

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Barcelona pra mim não foi férias, foi vida normal, trabalho. Só saíamos aos finais de semana, como faríamos se estivéssemos em Melbourne. Uma prainha aqui, outra ali, um passeio aqui, outro ali. A vida urbana na medida certa. Mas de férias, até Barcelona é urbana demais 🙂 – tô ficando velhinha, rsrs

Uma coisa engraçada é que há 10 anos, quando visitei a Itália pela primeira vez, naquele esquema estudante, me surpreendi negativamente com os italianos. Os achei super rudes e nada calorosos. Mas hoje entendo o porquê. Daquela vez, só visitei cidades grandes e muito turísticas. Agora, percorrendo o interior, vejo o quão gentil, alegre e cativante é este povo. Em restaurantes, lojinhas, pelas ruas… em todo lugar, temos esbarrado com pessoas sorridentes e amáveis.

Chega a ser engraçado. Uma situação recorrente é recebermos largos sorrisos, longas acenadas e até beijos lançados em nossa direção, pelo simples fato de pararmos nas travessias sem sinal, antes da faixa,  para que os pedestres atravessem. Eles ficam tão agradecidos, que só vendo!

Imagino que os motoristas italianos não sejam tão gentis com os pedestres, dada a emoção destes cada vez que paramos para que atravessem, rs.

E por falar em motoristas, cheguei aqui super insegura, achando que seria um transtorno dirigir nessas estradinhas italianas, dada a fama dos locais, mas sabe que não? Todo mundo muito educado. Imagino que nas cidades grandes eles façam justice àquela imagem bárbara que nos é passada 🙂

Escrevi, escrevi e não falei de San Gimignano, né?

Vou fazer melhor, vou mostrar um pouquinho 😉

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Desta vez, preferi não entrar em museus, Igrejas, nem qualquer outro ponto “obrigatório”, quis apenas percorrer o vilarejo, me perder por suas ruas, observar as janelas, as portas, as fachadas, entrar nos becos, subir até o ponto mais alto e me deleitar com a vista panorâmica do vale. No fundo, isso é o que me faz feliz, isso é o que me dá borboletas no estômago: sentir o lugar e as reações que ele provoca em mim.

Saímos de San Gimignano já tarde e exaustos de tantas andanças. Mas ainda assim, pegamos a estradinha para Volterra, que nos presenteou com vistas lindas. 

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Volterra é uma fofura, mas não é tão diferente assim de San Gimigniano. Sinceramente, se pudesse voltar no tempo, teria encerrado o dia no primeiro vilarejo com um belo almoço e retornado pra casa pra curtir a piscina e o magnífico pôr do sol do meu escritório lá fora.

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Eu, definitivamente não sou do tipo que viaja pra “ticar” itens (cidades) da lista. Gosto de qualidade e não de quantidade. Gosto de degustar não só a comida, mas também os lugares. Gosto de tirar fotos com a câmera e com os olhos. Gosto dos detalhes, gosto de guardar os momentos não apenas nos álbuns, mas na alma.

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À noite, completamente famintos, já que nosso almoço havia sido uma fatia de pizza de rua em San Gimignano,  fomos jantar num restaurantezinho simpático bem pertinho de casa. Serviço excelente, pessoas simpáticas e comida super gostosinha. Gente, o Pecorino daqui em nada se assemelha ao que eu como na Austrália. Mooooooito melhor!

Sabe quando a fome é tão grande que o olho fica maior que a barriga? Pois é, pedimos um banquete! E de quebra, como cortesia da casa, uma bandeja de focaccia maravilhosa. Resultado? Comemos até fazer bico :O|

Pizzeria Sottogrotta, em Monsumano Terme, super bem recomendada, pode anotar 😉

Devo dizer que, finalmente, nossas férias estão tomando o formato que eu tinha em mente. Menos correria, menos turistas, cidades menorezinhas.

Hoje ainda não foi perfeito, porque após passarmos horas a fio em San Gimignano, ainda fomos a Volterra, mesmo estando todos exaustos. Mas não há de ser nada, amanhã faremos o ajuste fino.

Este ano acabamos nos enrolando com as férias. Não tive tempo nem energia pra fazer a programação com antecedência e, por conta dos últimas surpresas que minha saúde me aprontou, perdi o foco, fiquei ainda mais estressada e ficou difícil até relaxar, quem dirá escolher os destinos dos passeios.

Mas ó, não tô reclamando, não, tá? Até porque, que pecado seria reclamar desses dias deliciosos sob o sol de Toscana. Sol este dono de raios de um laranja inebriante. Todos os dias, bem no finzinho da tarde, por volta das 7, tudo vai ficando alaranjado. É uma sensação tão gostosa de aconchego, de felicidade, que minha alma canta!

Ainda faltam 5 dias para deixarmos a Toscana em direção ao Piemonte, e já estou com saudades. Aquela mesma saudade antecipada que comecei a sentir de Barcelona, semanas antes de partir.

Sempre fui saudosista, mas ando me superando 🙂

De volta à Florença após uma década!

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Ontem, vejam vocês, tivemos um fim de dia super inesperado. Pra não fecharmos o dia frustrados com apenas uma visitinha rapidinha a lindinha Vince, resolvemos ir jantar num vilarejo no alto do morro, Montecatini Alto.

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O caminho que fizemos na ida, induzidos por um GPS aventureiro, foi tenso. Estradinha íngreme, cheia de curvas perigosas, que apesar de parecer mão única, nos surpreendeu com muita emoção a cada curva. Tenso!

Chegando lá no alto, entretanto, veio a recompense. Uma gracinha de vilarejo, com suas ruelas tortuosas, estreitinhas e permeadas de casinhas fofas que estagnaram no tempo.

No centrinho, vários restaurantes se alinhavam com suas mesas ao longo da praça formando uma cena linda, com suas luzes acesas naquele comecinho de noite.

Subimos a rua, demos uma voltinha, mas logo voltamos pra escolher nosso restaurante, que diga-se de passagem, foi muito bem selecionado.

Um restaurante boutique, como bem nos alertou o dono, quando notou que havíamos utilizado a taça de vinho para a aqua gasata que, por sinal, vem servida em jarrinhas de porcelana branca (pobre é fogo, né?! rs) – ah gente, odeio aquele copinho estilo “pate swift”, mas não teve jeito, era proibido usar a taça para água, hahaha.

Comemos como reis 🙂 Da entrada ao prato principal, uma explosão de sabores. Muito, muito, muito bom, mesmo!

Então, se você for a Montecatini Alto, não deixe de ir ao restaurant Casa di Gala 🙂

Mas e hoje, como foi?

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Hoje, contrariando meus planos de não ir a nenhuma cidade grande e super turística, voltamos à linda Florença, após 10 anos!

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Florença é Florença, né? Sempre linda. Mas vou dar um conselho de amiga: nunca, jamais, de maneira nenhuma, vá à Florença na alta temporada. Caraca, parecia um formigueiro! Quando estivemos lá, há uma década, fomos no início de maio, estava bem tranquila, especialmente se comparada a hoje. Fujam, sempre que lhes for permitido, das cidades super turísticas na alta temporada. Sempre!

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Caminhar por Florença é sempre gostoso. Percorrer suas ruas, atravessar a Ponte Vecchio, ver a cidade de cima… ainda mais num lindo dia de sol. Não tem como ser ruim. Mas ó, pode ser muito melhor, se não tiver um mar de turistas (diz a turista besta que não gosta de turista, hahaha).

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Não conseguimos entrar na Novella nem na Del Fiori, para tristeza do Nick, o amante das Igrejas. Pelo menos levamos os meninos ao Museu do Palazzo Vecchio 🙂

Erro do dia (nível estratosférico): fazer o que eu mais odeio e sempre fujo – almoçar na praça de turistas. O almoço é sempre safadíssimo e o preço nas Alturas. Pra vocês terem uma ideia, pagamos mais numa pizzeria safada na Praça Segnorina, do que no restaurante boutique em Montecatine Alto ontem à noite. Choquita!!!

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Pior!! Eles cobram 8 Euros só pra você sentar à mesa. De cortar os pulsos, né não?

Mas tudo bem, quem nunca, né?

Eu ainda perguntei: “tem certeza que vamos comer no turistão?” Mas não fui ouvida, e desta vez, decidi não bancar a chata do restaurante (eu sou super chata quando se trata de comer, tão chata, que até eu me chateio, rs). Errei, né? Daqui pra frente, serei sempre chata, prometo. Sempre! Rsrs

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Terminamos o dia tomando um gelato e ouvindo uma banda tocar um som super animado (enquanto os meninos dançavam).

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O dia que eu julgava ser dedicado a um programa de índio, acabou sendo bem gostoso (e com muitas fotos da família) – saldo positivo 🙂

Ah, já falei que agora tenho um personal photographer? Pois é! Lembro bem que há 10 anos, quando vim pela primeira vez à Europa, desejei muito ter um fotógrafo particular. Foi necessário decidir engravidar e esperar uns 8 anos, mas hoje tenho meu fotógrafo pessoal. Vivisauro é fera na composição e super exigente. Esse menino vai longe! Mas enquanto ele não vai, eu finalmente começarei a aparecer nas fotos, hahaha

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Amanhã, o plano é ir a San Gimigniano e voltar por Volterra e, com sorte, esbarraremos com uma plantação inda de girassóis pelo caminho. Fingers crossed!

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