Num piscar de olhos

Acabo de sair do quarto dos meninos. Os dois dormem faz tempo, entretanto o Vivi está novamente sob o ataque daquela crise de tosse que volta e meia o assombra.

Fui lá passar Vicky nas plantas dos seus pés e calçar-lhe meias, e qual não foi meu espanto ao notar suas canelinhas magrelinhas cobertas em pelos. Meu Deus, meu pequeno, que noutro dia mesmo era um bebê, já está crescendo pelos nas pernas! Não são pelos adultos, mas até um mês atrás, tudo o que ele tinha era uma penugem quase imperceptível e há um ano, nem isso tinha.

A sensação que tenho é que essas crianças crescem num piscar de olhos, só que mesmo assim, ainda tenho vontade de pega-los  no colo, quando estão doentes (ou mesmo quando não estão) e leva-los pra minha cama. Fico pensando, será que isso passa? Será que essa vontade de proteger, de colocá-los sob as penas da minha asa, será que passa? Ou será assim para sempre?

Será que se for assim para sempre, eu conseguirei dosar pra não sufoca-los? Amo tanto essas coisinhas, que morro de medo que eles cresçam, casem e se mudem pra bem longe. Morro de medo de um dia estar a milhas e milhas de distância e não poder passar Vicky nas plantas de seus pés, de não poder acudir, colocar sob a proteção da minha asa.

Às vezes tenho medo, muito medo de piscar os olhos.

 

Em tempo: Marido viajou hoje e estará fora por alguns dias. Mal saiu e já estou sentindo um vazio enorme na casa, no peito. Calculo como me sentirei o dia que os meninos saírem do ninho.

 

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