O filho mais sensível

Nickito é um poço de sensibilidade. Além de extremamente carinhoso, ele é um eterno preocupado. Percebe no ato se alguém está triste, doente, machucado, e faz tudo o que estiver ao seu alcance para amenizar o sofrimento daqueles que o rodeiam. Ele é doce no toque, suave na voz e profundo no olhar.

Noutro dia, cheguei em casa mais tarde. Ele estava sentado à mesa junto ao Vivi, comendo um hambúrguer que o pai havia preparado. Ao me ver entrando em casa, imediatamente pulou da cadeira e veio me recepcionar com beijinhos e abraços de alegria, que não duraram nem 10 segundos, porque ele imediatamente se atentou para o detalhe de que não havia mais hambúrgueres. “E agora, papai!!!!! Não tem um hambúrguer pra mamãe!!!!”, ele exclamou genuinamente preocupado. “Já sei!”, continuou, “Vou dividir o meu com ela”.

Eu, que já havia jantado, fiquei com os olhos rasos d’água, claro. Como pode, meu Deus? Um menininho de 4 anos ser tão ligado, tão sensível, tão amável?

São infinitos os exemplos e sua sensibilidade, que vem crescendo tanto quanto vem ficando mais forte o seu gênio 🙂

Hoje, a tristeza que ele sentiu, quando despediu-se do pai que embarcou  pro Brasil por 5 dias, foi tão profunda que me esmigalhou o coração. Chorava inconsolável e dizia assim: “o papai não pode ir sem a gente, assim não seremos mais uma família de 4, vamos ser uma família só de três, não pode!”

Dei colinho, expliquei, disse que o papai voltaria logo, mas nada o consolava. Demorou pra que ele esquecesse do assunto e tenho certeza que amanhã, ao acordar, vai perguntar pelo papai e chorar mais um pouquinho.

Ele sofre e eu sofro duplamente. Sim, porque o fruto não cai longe da árvore, né?

Em tempo: Na hora do jantar, ele ainda falou assim: “e agora, quem vai fazer hambúrguer pra gente?” rsrsr – deu pra perceber que se a mamãe não está em casa o jantar é estranho, né? rs

Num piscar de olhos

Acabo de sair do quarto dos meninos. Os dois dormem faz tempo, entretanto o Vivi está novamente sob o ataque daquela crise de tosse que volta e meia o assombra.

Fui lá passar Vicky nas plantas dos seus pés e calçar-lhe meias, e qual não foi meu espanto ao notar suas canelinhas magrelinhas cobertas em pelos. Meu Deus, meu pequeno, que noutro dia mesmo era um bebê, já está crescendo pelos nas pernas! Não são pelos adultos, mas até um mês atrás, tudo o que ele tinha era uma penugem quase imperceptível e há um ano, nem isso tinha.

A sensação que tenho é que essas crianças crescem num piscar de olhos, só que mesmo assim, ainda tenho vontade de pega-los  no colo, quando estão doentes (ou mesmo quando não estão) e leva-los pra minha cama. Fico pensando, será que isso passa? Será que essa vontade de proteger, de colocá-los sob as penas da minha asa, será que passa? Ou será assim para sempre?

Será que se for assim para sempre, eu conseguirei dosar pra não sufoca-los? Amo tanto essas coisinhas, que morro de medo que eles cresçam, casem e se mudem pra bem longe. Morro de medo de um dia estar a milhas e milhas de distância e não poder passar Vicky nas plantas de seus pés, de não poder acudir, colocar sob a proteção da minha asa.

Às vezes tenho medo, muito medo de piscar os olhos.

 

Em tempo: Marido viajou hoje e estará fora por alguns dias. Mal saiu e já estou sentindo um vazio enorme na casa, no peito. Calculo como me sentirei o dia que os meninos saírem do ninho.

 

O que não é legal em Barcelona

Quando escrevi o título deste post, tive aquela sensação de déjà vu, sabe? E não foi sem porquê. Tenho certeza absoluta que ano passado escrevi um post parecidíssimo, mas aqui vou eu novamente, ainda que brevemente, falar sobre uma coisa que não é legal nesta terra linda.

Barcelona é quase tudo de bom, amo de paixão esta cidade, especialmente porque nunca passei um inverno aqui, rs. Mas nada na vida é perfeito, não é mesmo? Então, apesar de, para mim, a terra de Gaudi se aproximar bastante da perfeição, tem uma coisinha que acaba comigo: a água! Nossa, em meu segundo dia aqui, minha pele já fica ressecada e meus cabelos, meodeos, viram uma palha tão seca que, confesso, sinto saudades de casa.

A água é tão, sei lá, alcalina?, que o sifão fica permanentemente com uma crosta branca, os metais do banheiro também ficam esbranquiçados e, pior, como disse, os cabelos e pele ficam super ressecados. A coisa é tão esquisita que no mercado você encontra shampoo especial para minimizar o efeito da água nos cabelos.

Beber água da pia (como faço em Melbourne) definitivamente não é uma opção aqui (pelo menos pra mim). Até o metalzinho dentro da chaleira elétrica fica todo coberto com a tal crosta branca. Dá até um nojinho, viu?

Dito isso, ainda garanto que mesmo com o fator água ruim me incomodando bastante, me mudaria pra cá de mala, cuia e família, sem pestanejar. Mesmo porque, ter alguma coisinha pra reclamar é até saudável, né não? 🙂

 

 

Uma Barcelona de olhinhos puxados

Ontem à noite fomos jantar num chinês aqui perto do apê. Desta vez, estamos mais ao sul, próximos do Arc del Triomf, num bairro chamado El Fort Pienc.

Já havia notado que o número de asiáticos aqui é muito maior na Direita do Eixample, onde ficamos da outra vez. Por aqui, é super comum ver várias famílias chinesas no parquinho, mas não é só isso… Há inúmeras lojas por aqui, que além do letreiro em espanhol, tem também em chinês. E não pára por aí. Notei que não são espanhóis descendentes de chinês, mas chineses mesmo, que, muitas vezes, falam apenas chinês e, quando muito, um espanhol bem quebrado, quase como o meu (hahaha, eu não falo nem quebrado, rs).

No restaurante que fomos, que por sinal estava super bem avaliado no Foursquare, eles mal falavam espanhol. Entendiam, mas falar que é bom, necas. São beeem chineses mesmo. Me senti em Beijing! Não só por causa da língua, mas também por causa dos gestos, do jeito, do comportamento.

Quer tirar a prova dos 9 pra saber se o chinês é genuíno? É molezinha: coloque-o frente-a-frente com o Nick. Na primeira olhada do meu pequeno, na primeira piscadela daqueles olhões com cílios imensos e cheios, é batata, todo chinês que se preza, se derrete, rs

Lembro bem da nossa saga em Beijing, quando o pequeno não tinha nem um ano de vida e a nossa família era perseguida para fotos. Não podíamos dar dez passos sem que tivéssemos que posar pra fotos. A família de olhudos, rs. Tentavam a todo custo pegar o nick no colo, ficavam completamente encantados com o baby Nick. Nem metrô lotado os impedia de tirar fotos e gravar vídeos do Nickito – privacidade zero! No primeiro dia, foi até engraçado, mas nos 10 dias que se seguiram, meodeos! Que tormenta!

Enfim, no tal restaurante, a princípio não fomos muito bem recepcionados não. Não fomos mal tratados, claro, mas também não houve aquela simpatia básica com a qual se recebe um cliente. Mas a apatia não durou muito. Foi só o garçon ficar cara-a-cara com o Nickito, que tentava usar os palitinhos para comer, e pronto: foi fisgado! Super simpático, começou a ensinar os moleques a usar os palitinhos, e ria, todo bobo. Não demorou pra que mais uma garçonete aparecesse pra admirar meus olhudinhos 🙂 Até balbuciaram algumas tímidas palavrinhas em espanhol,  rs

Mas eu comecei a escrever este post, pra falar da população chinesa, que habita este lado de Barcelona, a qual eu não não tinha conhecimento. Pra mim, os asiáticos daqui eram todos paquistaneses, fiquei bem surpresa com a descoberta.

Bom, nos demos bem. Temos um restaurante chinês autêntico, com comida gostosinha, porções super bem servidas e precinho ó, super em conta! O único inconveniente é que se você chegar após as 8 da noite, tem que ficar na fila pra entrar (chegamos 7:30), porque pega fogo!! E não é um restaurante familiar, não. Só garotada! Diria que pelo menos 80% dos clientes estão nos vinte e pouquísimos. Comida farta, boa e barata dá nisso, rsrsrs. Ah, o barulho também é intenso! Fazia muuuuuuito tempo que não ia a um lugar to barulhento. Era tanto barulho e tanta gente, que até o Nick ficou incomodado: “muito noisyyyy”, 😛

Mas algo me diz que voltaremos lá para um repeteco.

 

 

A última do Vivi

Após muito torrar nosso saco, Vivi finalmente ganhou um canal no YouTube: SuperPlush Bros!, um canal onde ele posta os trailers que faz com os personagens do Super Mario Bros 🙂

O mais engraçado é que o moleque leva jeito pra coisa. Aliás, praS coisaS! Não só pra criar clipes engraçados pros trailers, como também pra falar com a câmera – sinceramente não sei a quem ele saiu! É um comunicador nato.

No domingo passado, estávamos “tapeando” no Txapela, quando, começamos a gravar uma entrevista com o Vivi. Usei uma faca como microfone (no vídeo, parece até que estou ameaçando o pobre Vivi, rs), o Mauricio usou o iPhone como câmera e lá fomos nós, na onda do Vivi. A entrevistadora é fraca, fala pra dentro, não tem muita presença não, rs, mas o entrevistado dá um show de carisma e desenvoltura – CHO-QUEI! O bichinho nasceu pro estrelato, hahaha

Assim que o vídeo for devidamente editado, será postado no SuperPlush Bros, não percam 😉

Enquanto isso, que tal darem uma olhadinha nos trailers disponíveis no canal do Vivi? Ele vai ficar super feliz se você der um like 🙂

screenshot-2016-03-30-20-01-25

Em tempo: obviamente, a mamãe foi contratada às pressas, para improvisar uma imagem para a capa do canal 😛

Sobre a adaptação

Difícil, muito difícil trabalhar na adaptação temporária dos meninos. Uma adaptação decorrente de uma mudança de longo termo já não é fácil, especialmente quando envolve outra língua (no caso uma terceira), muito pior fica quando a adaptação é para uma situação temporária. A experiência pode ser bem estressante.

Vivi até que vai bem, como já contei em post anterior. Salvo episódios isolados, ele se vira muito bem e adora ser o centro das atenções, o menino diferente, a novidade.

Ele deu sorte que o professor de esportes é o mesmo que ensina inglês (what are the odds?) então é o queridinho do professor, que joga basquete com ele até quando não é hora da aula, rs

Além disso, tem o adicional “Ana”, aliás, o crush está sério mesmo, já anda até desenhando a menina dentro de corações apaixonados, rs. Uma figura!

img_5870

Acho que não contei aqui, mas no dia que embarcamos pra cá, dei pro Vivi um diário (inspirado no do Wimpy Kid), para que ele, escrevendo sobre seus dias durante esta temporada fora, pudesse continuar praticando o inglês. Juro de pés juntos, que não foi daqueles presentes cavalo de Tróia, com segundas intenções, juro mesmo que não pretendia nem chegar perto do diário, imagine ler!

Maaaas, Vivisauro é muito exibido e fofoqueiro, tão fofoqueiro que faz fofoca até da própria vida, rs. Ele não consegue manter em segredo nem seus próprios segredos, logo, é óbvio que, escritas algumas páginas, ele virou pra mim e disse:

“Mamãe, você não pode ler meu diário, ok?”

“Ok, meu filho, eu jamais faria isso…”

“É que eu escrevi uma coisas, que vocês não pode saber…”

“Ok, não se preocupe…”

“Umas coisas sobre uma menina da escola…”

“Uhum…” (tá, eu fingi desinteresse, confesso)

“Ah, mamãe, pensando bem, você pode ler sim! Você é minha mãe, né? Tem que saber de tudo!”

Eu me controlei para não cair na gargalhada, porque foi hilário! hahaha

E no fim das contas, foi assim que fiquei sabendo do crush 🙂 Depois disso, claro que ele me contava, diariamente como havia sido a interação com a namoradinha platônica, rsrsr

Anyway, Vivi vai se adaptando suuuuuper bem! Já o Nick…. Bom, essa parte fica pra outro post, porque este aqui já ficou longo demais 😉

img_5943-1

sabadão em PortAventura – segundo ano

Ainda estávamos na Austrália quando os meninos começaram cobrar a visita ao Portaventura. Estavam ansiosos pelo dia, perguntavam o tempo inteiro quando iríamos, até que resolvemos acabar com o sofrimento deles e enfrentar o nosso, rs

Não me entendam mal, eu adoro um bom parque temático (AKA Disney), mas Portaventura, pelo segundo ano seguinte, minha gente, acreditem, é tortura!

Mas promessa é dívida e a gente, quando deve, paga, né? 🙂

img_5965-1024x1024

Deixei o marido tomar conta da organização do passeio. Ele, super organizado, alugou o carro e comprou os ingressos com antecedência. Tudo lindo, né? Só que não.

Pra começar, descobri, muito por acaso, na manhã de sábado, ainda deitada na cama, que ir de trem era mais barato. Então fica a dica: trem + entrada do parque = 45 euritos. Com vários bônus a descobrir a seguir.

Pra continuar as delícias do “tudo errado”, marido descobre, na sexta à noite, que é necessário imprimir os ingressos. Mostrar o ingesso na telinha do celular não adianta (coisas de Espanha…). E aí? Aí, que no sábado de manhã, além de ter que esperar uma hora até ser atendido para pegar o carro, o pobre marido teve que ir à Universidade imprimir os ingressos.

Claro que ele não conseguiu imprimir do office dele, e teve que ir pra biblioteca, convencer o segurança que ele não tinha identificação porque é professor visitante; descobrir que pra imprimir não basta enviar para qualquer impressora, mas descobrir, por tentativa e erro, qual a que está funcionando e ainda colocar moedinhas para que a dita cuja imprima (coisas de Espanha II), enquanto a família aguarda (im)pacientemente dentro do carro que ficou parado fora da vaga, com o pisca alerta ligado, por 40 minutos, rezando pra polícia não parecer, porque simplesmente, vaga é artigo em falta nesta terra.

Nessa, só conseguimos pegar o caminho do parque às 11 da manhã, o que até foi bom, porque abocanhou bem umas duas horas de parque, rs.

Uma horinha de estrada e chegamos. Para estacionar, 9 euros, que não teríamos gasto se tivéssemos ido de trem, rs. Ah, mas pelo menos estacionamos pertinho, né? Que nada! Mandaram a gente lá pro fim do mundo! Ô diliça! rs

Chegando nos portões do parque, a confirmação: o ingresso online (que diz ser um preço especial para internet) é igualzinho ao preço na porta – sendo que, comprando o ingresso na porta, eles imprimem pra você 😛

Ô alegria que não tem fim, hahahaha

Mas apesar de todos os pesares, o dia foi bacana (pelo menos pra crianças). Os molequinhos curtiram bastante e, muito embora o parque estivesse super cheio, conseguiram se divertir e ir a todos os brinquedos que queriam. Desta vez, o Nick aproveitou mais que o Vivi, já que enfrentou bem menos filas.

p1000230-1024x769

O chato é que grande parte do dia, nos dividimos, para atender as diferentes demandas: Nick não queria sair do parque do Elmo e Vivi queria ir atrás das montanhas russas. Papai Mauricio que odeia montanha russa, foi com Nickito pra um lado, e mamãe Erica acompanhou o Vivi nas aventuras, com direito a ficar feito um pintinho molhado, completamente encharcada daquela água nojenta, da Tutuki Splash – o que ele não me pede sorrindo, que eu não faço chorando? 😛

p1000228-1024x769

Oito da noite, finalmente, hora de ir pra casa. Muito cansaço, enjôo e dor de cabeça, mas feliz, porque os moleques ficaram bem contentes com o dia no parque e, claro porque enfim eu poderia descansar. É, eu até pude, mas o marido….

Voltamos até bem, desta vez e, sem errar o caminho, viemos até rápido… até chegar perto de casa, onde encontramos um engarrafamento responsa. Mas claro, tudo sempre pode piorar, então, após ter nos deixado em casa, lá foi maridinho levar o carro pra devolver, só que… após uma hora rodando, tentando encontrar uma vaga para estacionar o carro, entregou os pontos, decidiu que era melhor acordar cedo na manhã seguinte para devolver o carro, e voltou pra casa, onde levou pelo menos mais meia-hora pra encontrar um lugar pra parar.  Ô diazinho!

img_5952-1024x769

Resumo da ópera: Um passeio que poderia ter saído por 200 euros (contando entradas, transporte e alimentação), sem  estresse, saiu por 400 + dor de cabeça.

Conclusão: não tem jeito, passeio quem organiza é a mamãe 😛

E por falar nisso, em um mês estamos saindo de férias e, como no ano passado, ainda não tenho absolutamente nada programado. Não sei em que cidades ficaremos, tampouco pesquisei hotel/casa. Tudo que sei é que esta terá que ser uma viagem bem mais light, dado aquele probleminha de falta de energia que contei uns posts atrás. Mas tenho esperança de que serão férias tão gostosas quanto as do ano passado.

Quem viver verá (ou, quem vir ver verá).

img_5956-1024x1024

PS. Acho que eu havia dito que este não seria um post reclamão, né? rsrs Sorry 😛

PS2. pelo menos as fotos prometidas apareceram 🙂

Almoço com marido

Quase 3 semanas aqui e quinta passada foi a primeira vez que saímos, eu e marido, para almoçar sozinhos. Sim, porque bandejão da faculdade não conta, né? Peloamor! rsrsrs

Não que tenhamos ido a um restaurante de fino trato na quinta, pelo contrário, fomos num boteco colombiano com comidinha simples e bem caseira, daqueles que um prato dá pra dois, sabem? Pois é, um prato dá pra dois, um suco dá pra dois. Tudo em tamanho Itú. Maaaaaaaas, pedimos um pra cada (!!!) e comemos e bebemos tudinho. Trabalhador de obra invejaria nossa disposição, rs

A ideia era ir no Can Culleretes,  o restaurante mais antigo da Cataluña (segundo mais antigo da Espanha), mas a pessoa aqui quando começa a trabalhar não pára, né? Aí o tempo passou e acabamos tendo que nos conformar com uma opção mais próxima de casa, até porque, tínhamos uma reunião com a professora do Nick, pra falar sobre a adaptação dele, que não está sedo fácil.

Anyways, no almoço super romântico só que não, tomei um balde de suco natural de maracujá super gostosinho e chafurdei num prato de comida tamanho GG. Saí de lá arrependida – pra que comer tanto, gente?

img_5945

A comida era bem gostosinha, tanto que retornamos na sexta à noite, com as crianças, para jantar.

Pra nosso completo desespero, a porção do jantar era ainda mais generosa. Sério, quando chegou o meu prato, achei que fosse pros 4. Era uma bandeja com comida pra família inteira! Foi tanta, mas tanta comida, que ao sair de lá, meu digníssimo olhou pra mim (=minha barriga) e fez o seguinte comentário: você tá parecendo  a Lilly (How I met your mother)… Lilly after hotdogs, rsrrsr E o pior é que tava mesmo. Não conseguia nem respirar de tão, tão…. satisfeita, rs. E olha que só comi a metade da minha bandeja!

img_5944

Os meninos dividiram um prato e, apesar de terem comido muito, não conseguiram terminar.

Olha, quando eu digo que o prato é bem servido, é porque realmente muito bem servido. Quando eu digo que a comida era muita, gente, é porque era além da conta!

Acho que não voltaremos mais no Colombiano, não porque não seja gostosinho, mas porque ninguém precisa comer tanto assim, rs

Proximo almoço a dois, me comportarei como uma lady 😉


PS1: Nickito chafurdou legal no feijãocarroz – tadinho, ele sente falta de comida normal. Aqui a gente praticamente não cozinha… Eu gosto de cozinhar, mas odeio cozinhar fora da minha casa, da minha cozinha, sem as minhas panelas, os meus temperos, as minhas facas… Não que sejam panelas, facas, temperos especiais… mas são meus, rs (ass: a chatona)

PS2: na quinta, após o almoço, fomos conversar com a professora do Nick e, pra nosso desespero, ela confirmou tudo o que ele vem falando. O que mais nos preocupa no momento é que ele se recusa a fazer amigos. Aparentemente ele fica bem durante as aulas (apesar de estranhar bastante o esquema espanhol, que é igual ao brasileiro, de ficar sentado e assistir aulas, já que na Austrália, a criançada da idade dele brinca o dia inteiro, faz o que quer, na hora que bem entende), o problema maior é que ele passa os intervalos inteirinhos sozinho e repele qualquer criança que se aproxime dele pra tentar brincar. Genioso que só! As únicas pessoas que ele aceita por perto são as meninas grandes, que chegam pra paparicar. Fora isso, ele fica sozinho. Meu coração se despedaça 😦

Se a situação permanecer tal como está, vamos tirá-los da escola no fim do mês. Aguardemos o desenrolar dos fatos. Espero que não esteja sendo muito traumatizante pro meu pitoquinho.

o terceiro final de semana – Barcelona 2015

O tempo está voando! Já estamos em nosso terceiro fim de semana em Barcelona. Lá se foram 3 semanas, desde que aqui chegamos. Há momentos em que parece que foi ontem, noutros, parece que moro aqui desde sempre.

De certa forma, entramos na rotina, trabalho durante o dia, enquanto os moleques estão no colégio, parquinho à tardinha, depois banho, jantar e repete tudo outra vez no dia seguinte. Nem tenho, como da outra vez, saído pra almoçar com o marido a sós, durante a semana. Mas por quê?

Ah, gente é a exaustão proveniente dessa maldita autoimune que insiste em querer me controlar e é automaticamente ativada pelo estresse, ansiedade… e está intimamente conectada ao emocional – para meu azar.

Ano passado nesta mesma época, eu, que havia acabado de fazer uma transfusão de ferro, estava alegre e saltitante, cheia de energia. Um ano depois, aqui estou eu, me arrastando, forçando uma barra pra curtir esta cidade que eu tanto adoro, curtir o tempo que está maravilhoso, curtir a vida… mas tá difícil.

Não gosto de reclamar, até porque, convenhamos, né? Tenho tantos motivos pra me alegrar, que nem seria justo, entretanto, contudo, todavia, meu nível de cansaço está absurdo, a energia tá na reserva, a boca, árida como o sertão, os olhos coçam, a pele ressecada, os cabelos (melhor nem comentar, rs) e a cabeça explodindo. Pra ficar ainda mais gostoso, minhas alergias, que não sinto há séculos, resolveram dar as caras, por causa do pólen, acho eu. Ou seja, estou com aquele velho problema de junta: junta tudo e joga fora, hahaha –  só não perdi o bom humor 😛

Vim pra cá com a esperança de ter a mesma experiência do ano passado, a mesma sensação, a mesma disposição, mas esqueci de combinar com meu corpo, com minha saúde e principalmente com o meu emocional. Aí, deu no que deu, né?

Na verdade, desde o ocorrido no aeroporto, já sabia que sofreria as consequências, porque todo aquele estresse, certamente deixaria marcas e, não só deixou, como estão aqui latejando.

Mas eu gosto de fingir que tá tudo bem, que não tenho limitações, que não preciso pegar leve. Gosto de fingir que sou a mesma Erica de 2 anos atrás, que nada mudou. O problema é que todo esse fingimento tem um preço, que eu acabo pagando, moeda por moeda.

Mas por que resolvi escrever sobre isso? Pra desabafar. E também pra reler e ver se aceito, de uma vez por todas, que preciso mudar, preciso pegar leve, preciso cuidar da minha saúde física e emocional, preciso meditar, preciso voltar pra yoga, preciso me alimentar melhor. Preciso, preciso… preciso parar de me enganar e aceitar os fatos.

E sabem qual foi minha “wake up call”? Nosso passeio do fim de semana.

Levamos os meninos pra passar o dia em PortAventura, um parque temático, que fica uma hora daqui, o mesmo que fomos no ano passado.

Desta vez, em vez de passarmos dois dias, resolvemos abreviar o (nosso) sofrimento, até porque , dada a minha completa falta de energia, eu jamais conseguiria passar dois dias consecutivos andando o dia inteiro num parque temático, indo à montanha russa, mofando nas filas com o sol ardendo na cabeça.

Infelizmente, um dia apenas foi suficiente para drenar o restinho de energia que me habitava. Às 3 da tarde já estava bocejando, exausta. E sabe que horas fomos embora? Às 8 da noite, quando o parque fechou. Eu com dor de cabeça, enjoada, morrendo de sono.

Resultado: hoje, o domingão ensolarado que sucedeu o dia no parque, em vez de irmos à praia, ficamos em casa, praticamente o dia inteiro, por conta da minha falta de disposição.

Mas… eu já falei que vivo tentando fingir que está tudo bem? Então, saímos para almoçar (a pé, claro – pegar trem pra que, se eu tenho energia de sobra? rsrs) e resolvemos dar uma voltinha pela cidade – coisa pouca, só uns 7 Km – para aproveitar o dia lindo de sol. Foi bem gostoso, como bem observou o Vivi, esta cidade é muito interessante, rs, mas o preço foi alto. Estou aqui agora entregue às baratas, pensando como será o dia de amanhã. Com que disposição levantarei de manhã…

Será que eu aprendi a lição?

Em breve saberemos.

Volto daqui a pouco, depois que dar banho no meu porquinho menor,  pra contar um pouquinho sobre o dia em PortAventura – prometo que não será um post reclamão e que terá até algumas fotos (até pra tirar fotos eu tô devagar, dá pra acreditar??).

 

 

 

O primeiro big crush em terras espanholas – amor de verão sobe a serra?

img_5943-1
Chegamos aqui não faz nem 3 semanas e Vivisauro já está enrabichado por uma espanholinha, rsrsrs

Detalhe é que ele me confidenciou a quedinha faz uns três dias e  pediu pra que eu não contasse pra ninguém. Não contei. Nem pro pai. E agora estou aqui contando pra quem quiser saber (e quem não quiser também), rs. Mas tudo bem, ele me autorizou – “contanto que ninguém do colégio leia seu blog”, me alertou 🙂

Hoje foi aniversário da rapariga, então, eu que já estou treinando pra ser uma sogra supimpa, sugeri que ele levasse pra ela uma cartãozinho e um coalinha. Ele adorou a ideia, “you are the best, mum!” Eu sei, eu sei… rsrsr

O bichinho tá tão in love que nem consegue dormir de tanta ansiedade. Já rezou pro Papai do Céu, pedindo que ele ajude pra que ninguém descubra sobre o crush e para que, amanhã, ninguém o veja entregando o mimo para a Ana (é este o nome da lambisgóia, rsrsrs).

Tô até vendo que esse moleque vai sofrer de amor um dia – Deus me dê forças, hahahah

Neste exato momento, já deitado na cama e ansioso demais pra conseguir pegar no sono, ele acaba de me fazer a seguinte pergunta: “mamãe, ano que vem podemos vir pra cá novamente? E eu posso ir pra mesma escola?”

Eu, como sempre, respondi: “vamos ver, meu filho…” (não quero esmigalhar o coraçãozinho do meu pequeno, né?)

PS. Será que ele esqueceu a Molly (o crush australiano)?


Atualizando: Vivisauro teve uma crise de tosse de cachorro a noite inteira e portanto não foi à escola esta manhã.

Achei que ele fosse ficar triste por não ver a Ana, mas na verdade ficou triste porque perdeu as aulas de inglês e de esportes, as únicas em que ele dá show e lidera a galera (no esporte, não por causa do futebol, claro, mas sim pelo talento no basquete, rs).

Ah! Um dos principais atrativos da Ana, além de ser cute, é que ela é boa no basquete. “Quase tão boa quanto eu, mamãe!” 😛