O filho mais sensível

Nickito é um poço de sensibilidade. Além de extremamente carinhoso, ele é um eterno preocupado. Percebe no ato se alguém está triste, doente, machucado, e faz tudo o que estiver ao seu alcance para amenizar o sofrimento daqueles que o rodeiam. Ele é doce no toque, suave na voz e profundo no olhar.

Noutro dia, cheguei em casa mais tarde. Ele estava sentado à mesa junto ao Vivi, comendo um hambúrguer que o pai havia preparado. Ao me ver entrando em casa, imediatamente pulou da cadeira e veio me recepcionar com beijinhos e abraços de alegria, que não duraram nem 10 segundos, porque ele imediatamente se atentou para o detalhe de que não havia mais hambúrgueres. “E agora, papai!!!!! Não tem um hambúrguer pra mamãe!!!!”, ele exclamou genuinamente preocupado. “Já sei!”, continuou, “Vou dividir o meu com ela”.

Eu, que já havia jantado, fiquei com os olhos rasos d’água, claro. Como pode, meu Deus? Um menininho de 4 anos ser tão ligado, tão sensível, tão amável?

São infinitos os exemplos e sua sensibilidade, que vem crescendo tanto quanto vem ficando mais forte o seu gênio 🙂

Hoje, a tristeza que ele sentiu, quando despediu-se do pai que embarcou  pro Brasil por 5 dias, foi tão profunda que me esmigalhou o coração. Chorava inconsolável e dizia assim: “o papai não pode ir sem a gente, assim não seremos mais uma família de 4, vamos ser uma família só de três, não pode!”

Dei colinho, expliquei, disse que o papai voltaria logo, mas nada o consolava. Demorou pra que ele esquecesse do assunto e tenho certeza que amanhã, ao acordar, vai perguntar pelo papai e chorar mais um pouquinho.

Ele sofre e eu sofro duplamente. Sim, porque o fruto não cai longe da árvore, né?

Em tempo: Na hora do jantar, ele ainda falou assim: “e agora, quem vai fazer hambúrguer pra gente?” rsrsr – deu pra perceber que se a mamãe não está em casa o jantar é estranho, né? rs

Num piscar de olhos

Acabo de sair do quarto dos meninos. Os dois dormem faz tempo, entretanto o Vivi está novamente sob o ataque daquela crise de tosse que volta e meia o assombra.

Fui lá passar Vicky nas plantas dos seus pés e calçar-lhe meias, e qual não foi meu espanto ao notar suas canelinhas magrelinhas cobertas em pelos. Meu Deus, meu pequeno, que noutro dia mesmo era um bebê, já está crescendo pelos nas pernas! Não são pelos adultos, mas até um mês atrás, tudo o que ele tinha era uma penugem quase imperceptível e há um ano, nem isso tinha.

A sensação que tenho é que essas crianças crescem num piscar de olhos, só que mesmo assim, ainda tenho vontade de pega-los  no colo, quando estão doentes (ou mesmo quando não estão) e leva-los pra minha cama. Fico pensando, será que isso passa? Será que essa vontade de proteger, de colocá-los sob as penas da minha asa, será que passa? Ou será assim para sempre?

Será que se for assim para sempre, eu conseguirei dosar pra não sufoca-los? Amo tanto essas coisinhas, que morro de medo que eles cresçam, casem e se mudem pra bem longe. Morro de medo de um dia estar a milhas e milhas de distância e não poder passar Vicky nas plantas de seus pés, de não poder acudir, colocar sob a proteção da minha asa.

Às vezes tenho medo, muito medo de piscar os olhos.

 

Em tempo: Marido viajou hoje e estará fora por alguns dias. Mal saiu e já estou sentindo um vazio enorme na casa, no peito. Calculo como me sentirei o dia que os meninos saírem do ninho.

 

O que não é legal em Barcelona

Quando escrevi o título deste post, tive aquela sensação de déjà vu, sabe? E não foi sem porquê. Tenho certeza absoluta que ano passado escrevi um post parecidíssimo, mas aqui vou eu novamente, ainda que brevemente, falar sobre uma coisa que não é legal nesta terra linda.

Barcelona é quase tudo de bom, amo de paixão esta cidade, especialmente porque nunca passei um inverno aqui, rs. Mas nada na vida é perfeito, não é mesmo? Então, apesar de, para mim, a terra de Gaudi se aproximar bastante da perfeição, tem uma coisinha que acaba comigo: a água! Nossa, em meu segundo dia aqui, minha pele já fica ressecada e meus cabelos, meodeos, viram uma palha tão seca que, confesso, sinto saudades de casa.

A água é tão, sei lá, alcalina?, que o sifão fica permanentemente com uma crosta branca, os metais do banheiro também ficam esbranquiçados e, pior, como disse, os cabelos e pele ficam super ressecados. A coisa é tão esquisita que no mercado você encontra shampoo especial para minimizar o efeito da água nos cabelos.

Beber água da pia (como faço em Melbourne) definitivamente não é uma opção aqui (pelo menos pra mim). Até o metalzinho dentro da chaleira elétrica fica todo coberto com a tal crosta branca. Dá até um nojinho, viu?

Dito isso, ainda garanto que mesmo com o fator água ruim me incomodando bastante, me mudaria pra cá de mala, cuia e família, sem pestanejar. Mesmo porque, ter alguma coisinha pra reclamar é até saudável, né não? 🙂

 

 

Uma Barcelona de olhinhos puxados

Ontem à noite fomos jantar num chinês aqui perto do apê. Desta vez, estamos mais ao sul, próximos do Arc del Triomf, num bairro chamado El Fort Pienc.

Já havia notado que o número de asiáticos aqui é muito maior na Direita do Eixample, onde ficamos da outra vez. Por aqui, é super comum ver várias famílias chinesas no parquinho, mas não é só isso… Há inúmeras lojas por aqui, que além do letreiro em espanhol, tem também em chinês. E não pára por aí. Notei que não são espanhóis descendentes de chinês, mas chineses mesmo, que, muitas vezes, falam apenas chinês e, quando muito, um espanhol bem quebrado, quase como o meu (hahaha, eu não falo nem quebrado, rs).

No restaurante que fomos, que por sinal estava super bem avaliado no Foursquare, eles mal falavam espanhol. Entendiam, mas falar que é bom, necas. São beeem chineses mesmo. Me senti em Beijing! Não só por causa da língua, mas também por causa dos gestos, do jeito, do comportamento.

Quer tirar a prova dos 9 pra saber se o chinês é genuíno? É molezinha: coloque-o frente-a-frente com o Nick. Na primeira olhada do meu pequeno, na primeira piscadela daqueles olhões com cílios imensos e cheios, é batata, todo chinês que se preza, se derrete, rs

Lembro bem da nossa saga em Beijing, quando o pequeno não tinha nem um ano de vida e a nossa família era perseguida para fotos. Não podíamos dar dez passos sem que tivéssemos que posar pra fotos. A família de olhudos, rs. Tentavam a todo custo pegar o nick no colo, ficavam completamente encantados com o baby Nick. Nem metrô lotado os impedia de tirar fotos e gravar vídeos do Nickito – privacidade zero! No primeiro dia, foi até engraçado, mas nos 10 dias que se seguiram, meodeos! Que tormenta!

Enfim, no tal restaurante, a princípio não fomos muito bem recepcionados não. Não fomos mal tratados, claro, mas também não houve aquela simpatia básica com a qual se recebe um cliente. Mas a apatia não durou muito. Foi só o garçon ficar cara-a-cara com o Nickito, que tentava usar os palitinhos para comer, e pronto: foi fisgado! Super simpático, começou a ensinar os moleques a usar os palitinhos, e ria, todo bobo. Não demorou pra que mais uma garçonete aparecesse pra admirar meus olhudinhos 🙂 Até balbuciaram algumas tímidas palavrinhas em espanhol,  rs

Mas eu comecei a escrever este post, pra falar da população chinesa, que habita este lado de Barcelona, a qual eu não não tinha conhecimento. Pra mim, os asiáticos daqui eram todos paquistaneses, fiquei bem surpresa com a descoberta.

Bom, nos demos bem. Temos um restaurante chinês autêntico, com comida gostosinha, porções super bem servidas e precinho ó, super em conta! O único inconveniente é que se você chegar após as 8 da noite, tem que ficar na fila pra entrar (chegamos 7:30), porque pega fogo!! E não é um restaurante familiar, não. Só garotada! Diria que pelo menos 80% dos clientes estão nos vinte e pouquísimos. Comida farta, boa e barata dá nisso, rsrsrs. Ah, o barulho também é intenso! Fazia muuuuuuito tempo que não ia a um lugar to barulhento. Era tanto barulho e tanta gente, que até o Nick ficou incomodado: “muito noisyyyy”, 😛

Mas algo me diz que voltaremos lá para um repeteco.

 

 

A última do Vivi

Após muito torrar nosso saco, Vivi finalmente ganhou um canal no YouTube: SuperPlush Bros!, um canal onde ele posta os trailers que faz com os personagens do Super Mario Bros 🙂

O mais engraçado é que o moleque leva jeito pra coisa. Aliás, praS coisaS! Não só pra criar clipes engraçados pros trailers, como também pra falar com a câmera – sinceramente não sei a quem ele saiu! É um comunicador nato.

No domingo passado, estávamos “tapeando” no Txapela, quando, começamos a gravar uma entrevista com o Vivi. Usei uma faca como microfone (no vídeo, parece até que estou ameaçando o pobre Vivi, rs), o Mauricio usou o iPhone como câmera e lá fomos nós, na onda do Vivi. A entrevistadora é fraca, fala pra dentro, não tem muita presença não, rs, mas o entrevistado dá um show de carisma e desenvoltura – CHO-QUEI! O bichinho nasceu pro estrelato, hahaha

Assim que o vídeo for devidamente editado, será postado no SuperPlush Bros, não percam 😉

Enquanto isso, que tal darem uma olhadinha nos trailers disponíveis no canal do Vivi? Ele vai ficar super feliz se você der um like 🙂

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Em tempo: obviamente, a mamãe foi contratada às pressas, para improvisar uma imagem para a capa do canal 😛

Sobre a adaptação

Difícil, muito difícil trabalhar na adaptação temporária dos meninos. Uma adaptação decorrente de uma mudança de longo termo já não é fácil, especialmente quando envolve outra língua (no caso uma terceira), muito pior fica quando a adaptação é para uma situação temporária. A experiência pode ser bem estressante.

Vivi até que vai bem, como já contei em post anterior. Salvo episódios isolados, ele se vira muito bem e adora ser o centro das atenções, o menino diferente, a novidade.

Ele deu sorte que o professor de esportes é o mesmo que ensina inglês (what are the odds?) então é o queridinho do professor, que joga basquete com ele até quando não é hora da aula, rs

Além disso, tem o adicional “Ana”, aliás, o crush está sério mesmo, já anda até desenhando a menina dentro de corações apaixonados, rs. Uma figura!

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Acho que não contei aqui, mas no dia que embarcamos pra cá, dei pro Vivi um diário (inspirado no do Wimpy Kid), para que ele, escrevendo sobre seus dias durante esta temporada fora, pudesse continuar praticando o inglês. Juro de pés juntos, que não foi daqueles presentes cavalo de Tróia, com segundas intenções, juro mesmo que não pretendia nem chegar perto do diário, imagine ler!

Maaaas, Vivisauro é muito exibido e fofoqueiro, tão fofoqueiro que faz fofoca até da própria vida, rs. Ele não consegue manter em segredo nem seus próprios segredos, logo, é óbvio que, escritas algumas páginas, ele virou pra mim e disse:

“Mamãe, você não pode ler meu diário, ok?”

“Ok, meu filho, eu jamais faria isso…”

“É que eu escrevi uma coisas, que vocês não pode saber…”

“Ok, não se preocupe…”

“Umas coisas sobre uma menina da escola…”

“Uhum…” (tá, eu fingi desinteresse, confesso)

“Ah, mamãe, pensando bem, você pode ler sim! Você é minha mãe, né? Tem que saber de tudo!”

Eu me controlei para não cair na gargalhada, porque foi hilário! hahaha

E no fim das contas, foi assim que fiquei sabendo do crush 🙂 Depois disso, claro que ele me contava, diariamente como havia sido a interação com a namoradinha platônica, rsrsr

Anyway, Vivi vai se adaptando suuuuuper bem! Já o Nick…. Bom, essa parte fica pra outro post, porque este aqui já ficou longo demais 😉

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sabadão em PortAventura – segundo ano

Ainda estávamos na Austrália quando os meninos começaram cobrar a visita ao Portaventura. Estavam ansiosos pelo dia, perguntavam o tempo inteiro quando iríamos, até que resolvemos acabar com o sofrimento deles e enfrentar o nosso, rs

Não me entendam mal, eu adoro um bom parque temático (AKA Disney), mas Portaventura, pelo segundo ano seguinte, minha gente, acreditem, é tortura!

Mas promessa é dívida e a gente, quando deve, paga, né? 🙂

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Deixei o marido tomar conta da organização do passeio. Ele, super organizado, alugou o carro e comprou os ingressos com antecedência. Tudo lindo, né? Só que não.

Pra começar, descobri, muito por acaso, na manhã de sábado, ainda deitada na cama, que ir de trem era mais barato. Então fica a dica: trem + entrada do parque = 45 euritos. Com vários bônus a descobrir a seguir.

Pra continuar as delícias do “tudo errado”, marido descobre, na sexta à noite, que é necessário imprimir os ingressos. Mostrar o ingesso na telinha do celular não adianta (coisas de Espanha…). E aí? Aí, que no sábado de manhã, além de ter que esperar uma hora até ser atendido para pegar o carro, o pobre marido teve que ir à Universidade imprimir os ingressos.

Claro que ele não conseguiu imprimir do office dele, e teve que ir pra biblioteca, convencer o segurança que ele não tinha identificação porque é professor visitante; descobrir que pra imprimir não basta enviar para qualquer impressora, mas descobrir, por tentativa e erro, qual a que está funcionando e ainda colocar moedinhas para que a dita cuja imprima (coisas de Espanha II), enquanto a família aguarda (im)pacientemente dentro do carro que ficou parado fora da vaga, com o pisca alerta ligado, por 40 minutos, rezando pra polícia não parecer, porque simplesmente, vaga é artigo em falta nesta terra.

Nessa, só conseguimos pegar o caminho do parque às 11 da manhã, o que até foi bom, porque abocanhou bem umas duas horas de parque, rs.

Uma horinha de estrada e chegamos. Para estacionar, 9 euros, que não teríamos gasto se tivéssemos ido de trem, rs. Ah, mas pelo menos estacionamos pertinho, né? Que nada! Mandaram a gente lá pro fim do mundo! Ô diliça! rs

Chegando nos portões do parque, a confirmação: o ingresso online (que diz ser um preço especial para internet) é igualzinho ao preço na porta – sendo que, comprando o ingresso na porta, eles imprimem pra você 😛

Ô alegria que não tem fim, hahahaha

Mas apesar de todos os pesares, o dia foi bacana (pelo menos pra crianças). Os molequinhos curtiram bastante e, muito embora o parque estivesse super cheio, conseguiram se divertir e ir a todos os brinquedos que queriam. Desta vez, o Nick aproveitou mais que o Vivi, já que enfrentou bem menos filas.

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O chato é que grande parte do dia, nos dividimos, para atender as diferentes demandas: Nick não queria sair do parque do Elmo e Vivi queria ir atrás das montanhas russas. Papai Mauricio que odeia montanha russa, foi com Nickito pra um lado, e mamãe Erica acompanhou o Vivi nas aventuras, com direito a ficar feito um pintinho molhado, completamente encharcada daquela água nojenta, da Tutuki Splash – o que ele não me pede sorrindo, que eu não faço chorando? 😛

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Oito da noite, finalmente, hora de ir pra casa. Muito cansaço, enjôo e dor de cabeça, mas feliz, porque os moleques ficaram bem contentes com o dia no parque e, claro porque enfim eu poderia descansar. É, eu até pude, mas o marido….

Voltamos até bem, desta vez e, sem errar o caminho, viemos até rápido… até chegar perto de casa, onde encontramos um engarrafamento responsa. Mas claro, tudo sempre pode piorar, então, após ter nos deixado em casa, lá foi maridinho levar o carro pra devolver, só que… após uma hora rodando, tentando encontrar uma vaga para estacionar o carro, entregou os pontos, decidiu que era melhor acordar cedo na manhã seguinte para devolver o carro, e voltou pra casa, onde levou pelo menos mais meia-hora pra encontrar um lugar pra parar.  Ô diazinho!

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Resumo da ópera: Um passeio que poderia ter saído por 200 euros (contando entradas, transporte e alimentação), sem  estresse, saiu por 400 + dor de cabeça.

Conclusão: não tem jeito, passeio quem organiza é a mamãe 😛

E por falar nisso, em um mês estamos saindo de férias e, como no ano passado, ainda não tenho absolutamente nada programado. Não sei em que cidades ficaremos, tampouco pesquisei hotel/casa. Tudo que sei é que esta terá que ser uma viagem bem mais light, dado aquele probleminha de falta de energia que contei uns posts atrás. Mas tenho esperança de que serão férias tão gostosas quanto as do ano passado.

Quem viver verá (ou, quem vir ver verá).

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PS. Acho que eu havia dito que este não seria um post reclamão, né? rsrs Sorry 😛

PS2. pelo menos as fotos prometidas apareceram 🙂