Rumo à Barcelona – a viagem

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O dia da viagem foi um furacão. Nosso embarque foi às 10:30 pm, ou seja, durante o dia rolou fechamento de malas (e rearrumação das mesmas, com aquele conhecido tira daqui põe ali, para conseguir ajustar o peso), limpeza/arrumação de casa, ultimo pulinho no shopping, ida à DHL pra buscar um pacote, passadinha na biblioteca pra devolve runs livros, enfim, uma correria básica para aquecer as turbinas.

Terminei o dia exausta e com uma tremenda dor nas costas, mas estava feliz que estávamos enfim embarcando pra o nosso repeteco catalão.

Fui, claro, a última a tomar banho e nem relaxar um pouquinho de baixo do chuveiro consegui, não tive tempo.

Visualiza: 6 malas grandes cheias + 4 malas de mão também cheias.

Marido bookou o taxi para as 7:30, pela internet, e pediu um wagon. Quase surtei! Como assim um wagon??? Óbvio que não caberiam as malas todas + 4 passageiros – começou a primeira fase da dor no estômago.

Sete e meia chegou e nada do taxi. Sete e trinta de cinco, marido ligou pra companhia de taxi pra saber o que havia acontecido e aparentemente não havia acontecido! Apesar de estar aparecendo no sistema deles o pedido de taxi, não havia ninguém a caminho. Oi??? Bom, o lado positivo foi que pudemos pedir uma van em vez do wagon, mas àquela altura, já estávamos “atrasados” – entre aspas, porque eu pedi pro marido marcar o taxo para antes da hora em que deveríamos sair de casa 😉

E tome de esperar.

O taxi chegou em casa às 8 pm – e nem preciso dizer o quão estressante é esperar por um taxi por meia-hora no dia de embarcar para uma viagem internacional, né? Enfim, o alívio, a over aquela van gigante foi inenarrável! Malas todas na van, lá fomos nós em direção ao aeroporto. Tudo certo, finalmente… só que não.

No caminho, quando eu estava começando a relaxar, notei que… esqueci minhas alianças em casa. Gente, isso NUNCA aconteceu. NUNCA! Eu não tiro minhas alianças pra nada! Mas no dia anterior, tirei (não me pergunte porquê) e simplesmente esqueci de colocar novamente, só notando quando finalmente a correria terminou.

Fiquei arrasada, quis muito voltar (como passar quase três meses sem minhas alianças??), mas a razão falou mais alto (só um pouquinho mais alto) que a emoção e resolvi abafar o drama e encarar o resultado do meu esquecimento.

Seguimos viagem, mas eu estava (e ainda estou) inconsolável.

Chegamos no aeroporto no tempo certo e sem folga embarcamos (se tivéssemos voltado para buscar as alianças, teria sido um transtorno).

Eu, que adoro viajar, odeio entrar no avião. Não tenho medo de voar, não é isso, mas meu desconforto começa ao passar pela primeira classe/classe executive e ver aqueles nobres todos cheios de espaço, bebendo vinho em taças apropriadas e sendo tratados com toda cortesia da face da terra, enquanto eu e o resto da boiada atravessamos a vila nobre para enfim chegar ao nosso curralzinho. Tô reclamona? Desculpa, mas acho errado fazerem que nós, pobres mortais, sejamos obrigados a ver o quão diferente é o tratamento. Enfim, mas esse sentimento dá e passa rapidinho e não é o real motivo de eu não gostar de voar.

O motivo real é que eu sempre fico um caco. Nunca durmo. Não interessa se a viagem dura 2 ou 20 horas, eu simplesmente não consigo dormir. Sem falar que, não sei se já contei, mas eu NUNCA, NUNQUINHA usei um banheiro de avião. Não sei como é por dentro, mas por fora parece tão pequeno que eu não consigo sequer me imaginar lá dentro. E assim, eu sempre passo a viagem inteira sem fazer xixi – e rezando pra que nunca tenha uma dor de barriga, porque aí, não há “frescura”, nem claustrofobia que me impeça de fazer uso da casinha, rsrsr

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Apesar de tudo, a viagem foi ótima (mesmo eu não tendo pregado os olhos), já que os moleques comportaram-se muito bem – tão crescidos! O que eu não sei se me faz feliz, por finalmente ter algum sossego, ou triste, porque por causa deste sossego, eu sei que o marido nunca vai se render à produção do terceirinho. Bom, mas esta é uma outra história… não posso perder o foco, porque o pior ainda está por vir.

Após, sei lá, umas 15 horas de viagem, chegamos… à Doha – bem longe da Espanha ainda. Saímos do avião e ao chegarmos na fila da segurança – que de fila não tinha nada, estava mais para uma muvuca, um formigueiro desordenado, um verdadeiro vespeiro – fomos gentilmente conduzidos à fila de prioridade graças à presença das crianças.

Embora ordem seja uma palavra aparentemente desconhecida por lá, ao menos nos livramos da loooonga fila dos mortais sem crianças, entretanto, a muvuquinha em que fomos enfiados, era de matar. Neguinho passava a frente mesmo, não queria nem saber.

Aquilo foi me dando um desespero, um medo de perder as crianças na correnteza! Me atraquei com os dois e me joguei naquele mar de árabes.

As malas de mão passaram pelo raio x e nós pela segurança. Do outro lado, tratei de pegar logo nossas malinhas e sair daquela muvuca. Ufa, tudo em mãos, partimos em direção à conexão.

Foi quando avistamos um mega teddy bear sentado no meio do aeroporto. Claro que eu tive que pegar a camera para registrar a monumentalidade do teddy. Foi aqui que descobri: havia pegado a mochila erradaaaaaa!!!!!!!!!!! A mochila que peguei se parecia muito com a minha, mas não era a minha! (note to self: de agora em diante, só viajo com uma mochila rosa fluorescente!)

Vocês não tem uma pequena noção do que eu senti naquele momento.

Naquela mochila eu carregava somente meu Macbook, camera nova, iPhone, iPad novinho, documentos, cartões e 2 HDs externos com minha vida dentro.

Comecei a enxergar tudo turvo, a dor no estômago aumentou, comecei a sentir enjôo, tudo ao mesmo tempo. Paniquei total!

Mil histórias se passaram pela minha cabeça, achei que nunca mais recuperaria minha mochila. De fato, se estivesse no Brasil, jamais recuperaria.

Tudo o que eu conseguia fazer era rezar pra que a pessoa que pegou minha mochila fosse australiana, porque se há um povo confiável é o australiano.

Voltamos para a segurança e uma mocinha nos ajudou, tentando localizar a pessoa.

O processo lento demais estava acabando comigo. Eles não queria abrir a mochila, foi necessário muita insistência para que finalmente acessassem os documentos que estavam lá dentro, mas finalmente descobrimos quem poderia estar com a minha mochila.

Para minha esperança, era uma australiana, que vinha de Melbourne e pegaria uma conexão para a Alemanha. Tudo parecia que seria resolvido, mas àquela altura eu estava lá entregue às traças, num estado de nervos tremendo. Tipo, camera, macbook, ipad, iphone, tudo se recupera, mas e meus dados?!?!!?

Não sei dizer quanto tempo levou, mas quando a mocinha me disse que haviam encontrado a pessoa e que ela estava vindo destrocar as mochilas, só consegui me jogar no chão e chorar. Chorar de semi-alívio, porque aliviada mesmo eu só fiquei ao pegar minha mochila.

A senhora, que tinha a minha mochila só reparou a troca no momento em que a abriu e viu que havia um laptop dentro.

Apesar do grande estresse, no fim das contas tive foi uma sorte enorme. Passada a confusão, não conseguia parar de imaginar como o final dessa história poderia facilmente ser completamente diferente.

Mas entre mortos e feridos, salvaram-se todos 😛 E aqui estamos nós, na minha querida Barcelona.

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