O apê, o cara do gás e o primeiro dia inteiro dos moleques na escola

Hoje levamos as crianças pro colégio pela manhã, o marido seguiu de lá pro trabalho e eu voltei pra casa – sim, para a casa que ainda não tem internet.

Passei o dia trabalhando, usando a internet precária do meu celular, sem saber que o melhor ainda estava por vir: O cara do gás!

Tocou o interfone e lá fui eu attender. Já contei que não falo espanhol, menos ainda catalão? Quando muito entendo espanhol, mas na hora de responder, nem portunhol sai direito, hahah

Pois bem, a visita do cara do gás, me fez lembrar da minha primeira semana nos EUA, lá nos idos de 2004, quando nos mudamos de mala e cuia. Lembrei de quando eu, que estava sozinha em casa, tive que receber o entregador/montador da cama. Gastei todo meu inglês com ele em 2 minutos. E assim aconteceu também hoje com o cara do gás. Só que meu portunhol durou ainda menos, porque ele desandou a falar em catalão na velocidade da luz. Juntei todas as palavras que consegui pra contar pra ele que nem espanhol eu falava. Que entendia, mas não falava. Aí mesmo é que ele quis conversar (você não dominar uma lingua definitivamente atrai conversa). Ele passou uns bons 40 minutos aqui, mexendo no aquecedor e fazendo uma sujeira de dar pânico – a cozinha ficou tomada por um pozinho fino e preto que parecia pó de carvão. Ai que raiva me deu, ter que limpar aquela bagunça! Para piorar, eu, em vez de trabalhar, tive que fazer sala, porque o cara não parava de falar. Quando não era me pedindo alguma coisa – usando de boa mímica, claro – era jogando conversa fora. Conversa que pra ele não exige esforço, mas pra mim, exige que eu pare de trabalhar e preste firme atenção , para entender e conseguir responder as perguntas ou comentar o assunto. (Giselle, cadê você, numa hora dessas???rsrsr)

Detalhe besta: o cara foi chamado lá pra resolver um caninho de um dos aquecedores da casa, de onde estava pingando uma aguinha, mas como o papo devia estar muito bom, ele resolveu checar o boiler também, mesmo sem ninguém ter pedido.

Pelo visto, tiramos a sorte grande com este aluguel #sóquenão. Onde já se viu, cliente airbnb ficar responsável por receber um prestador de serviços?

No final da longa visita, ele me apresentou a conta – Oi? –  Mas logo esclareceu que eu não precisava pagar, já que eu era moradora temporária. Bastava entregar a conta pro dono.

Oh vida…

Também, reclamar do que, né? Se há alguém que tem motivos de sobra pra reclamar são os meninos, que hoje passaram o dia inteiro na escola.

O primeiro dia (de volta) em Bcn

Oficialmente, hoje foi nosso primeiro dia aqui. De ontem pra hoje dormi (dormi não, capotei) no sofa, que por sinal é mais confortável que a cama, rs. Estou completamente fora do fuso, exausta e perdidinha – até meu senso de direção está afetado. Mas quem se importa? O dia, apesar de ter começado meio feioso, abriu lindamente no início da tarde.

Tudo muito bom, tudo muito lindo, mas e a internet, cadê?

Tô bem aborrecida com isso. Antes de fechar o aluguel do apê, perguntei explicitamente sobre a internet e me garantiram que havia wifi na casa. Chegando aqui, após o tour pelo apê, a surpresa: a companhia de internet está em greve, então ainda não instalaram.

Oi? Como assim? Bookamos o apê em janeiro! Como ainda não tem internet?!

Bom, fazer o que, né? O jeito é aguardar e enquanto isso, ir abastecendo a internet do celular – que por sinal é lerda que só.

Passamos o dia hoje basicamente resolvendo miudezas, andando de um lado pro outro, fazendo uma paradinha estratégica na loja da Apple pra filar a internet (algo me diz que ainda filarei muito wifi por aqui) e por fim, demos uma passadinha no colégio dos meninos, só pra dar um oi, dizer que chegamos e tal.

Chegando lá, a inspetora nos recebeu com um sorriso de orelha à orelha e, animadamente, falou 300 palavras por segundo, como se fôssemos nativos – boiei.

No fim das contas, acabamos deixando os meninos lá (faltavam 2 horas para acabar o dia) pra que eles conhecessem a turma, as professoras e a escola. O impressionante é que os moleques mostraram-se super animados pra ficar na escola, mesmo sem entender patavinas do que as pessoas falavam. Só o tédio explica! Hahaha.

Enquanto isso, a mamãe aqui quase com dor de barriga de nervoso, só de pensar o que estava fazendo com as crianças. Tá pensando o que? Colocar meus gringuinhos que tem como primeira língua o inglês e falam um português bem macarrônico, num colégio integral que ensina em catalão… oh, só meditando muito.

Saímos de lá meio zonzos, perdidos, sem saber pra onde ir, o que fazer – coisa de pai e mãe que vive com as crianças pra cima e pra baixo.

Por duas horas, caminhamos, fomos até a Sagrada Família ver a quantas anda a obra, rs e, já quase na hora da saída, paramos no café da esquina pra tomar um cappuccino (oi? Como assim, Erica, você agora toma café? – Não, mas deu vontade…. Vontade que deu e passou.. passou e deu lugar à ânsia de vômito, porque não adianta, café pra mim, só se for com muito leite, tipo na proporção 1/20).

Terminamos o dia jantando num mexicano em frente de casa, que pra nossa decepção, apesar dos nachos serem maravilhosos, era bem fraquinho nos pratos principais. Oh well, não dá pra ganhar todas, né?

No fim do dia, só tinha uma certeza: nasci para viver aqui!

Rumo à Barcelona – a viagem

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O dia da viagem foi um furacão. Nosso embarque foi às 10:30 pm, ou seja, durante o dia rolou fechamento de malas (e rearrumação das mesmas, com aquele conhecido tira daqui põe ali, para conseguir ajustar o peso), limpeza/arrumação de casa, ultimo pulinho no shopping, ida à DHL pra buscar um pacote, passadinha na biblioteca pra devolve runs livros, enfim, uma correria básica para aquecer as turbinas.

Terminei o dia exausta e com uma tremenda dor nas costas, mas estava feliz que estávamos enfim embarcando pra o nosso repeteco catalão.

Fui, claro, a última a tomar banho e nem relaxar um pouquinho de baixo do chuveiro consegui, não tive tempo.

Visualiza: 6 malas grandes cheias + 4 malas de mão também cheias.

Marido bookou o taxi para as 7:30, pela internet, e pediu um wagon. Quase surtei! Como assim um wagon??? Óbvio que não caberiam as malas todas + 4 passageiros – começou a primeira fase da dor no estômago.

Sete e meia chegou e nada do taxi. Sete e trinta de cinco, marido ligou pra companhia de taxi pra saber o que havia acontecido e aparentemente não havia acontecido! Apesar de estar aparecendo no sistema deles o pedido de taxi, não havia ninguém a caminho. Oi??? Bom, o lado positivo foi que pudemos pedir uma van em vez do wagon, mas àquela altura, já estávamos “atrasados” – entre aspas, porque eu pedi pro marido marcar o taxo para antes da hora em que deveríamos sair de casa 😉

E tome de esperar.

O taxi chegou em casa às 8 pm – e nem preciso dizer o quão estressante é esperar por um taxi por meia-hora no dia de embarcar para uma viagem internacional, né? Enfim, o alívio, a over aquela van gigante foi inenarrável! Malas todas na van, lá fomos nós em direção ao aeroporto. Tudo certo, finalmente… só que não.

No caminho, quando eu estava começando a relaxar, notei que… esqueci minhas alianças em casa. Gente, isso NUNCA aconteceu. NUNCA! Eu não tiro minhas alianças pra nada! Mas no dia anterior, tirei (não me pergunte porquê) e simplesmente esqueci de colocar novamente, só notando quando finalmente a correria terminou.

Fiquei arrasada, quis muito voltar (como passar quase três meses sem minhas alianças??), mas a razão falou mais alto (só um pouquinho mais alto) que a emoção e resolvi abafar o drama e encarar o resultado do meu esquecimento.

Seguimos viagem, mas eu estava (e ainda estou) inconsolável.

Chegamos no aeroporto no tempo certo e sem folga embarcamos (se tivéssemos voltado para buscar as alianças, teria sido um transtorno).

Eu, que adoro viajar, odeio entrar no avião. Não tenho medo de voar, não é isso, mas meu desconforto começa ao passar pela primeira classe/classe executive e ver aqueles nobres todos cheios de espaço, bebendo vinho em taças apropriadas e sendo tratados com toda cortesia da face da terra, enquanto eu e o resto da boiada atravessamos a vila nobre para enfim chegar ao nosso curralzinho. Tô reclamona? Desculpa, mas acho errado fazerem que nós, pobres mortais, sejamos obrigados a ver o quão diferente é o tratamento. Enfim, mas esse sentimento dá e passa rapidinho e não é o real motivo de eu não gostar de voar.

O motivo real é que eu sempre fico um caco. Nunca durmo. Não interessa se a viagem dura 2 ou 20 horas, eu simplesmente não consigo dormir. Sem falar que, não sei se já contei, mas eu NUNCA, NUNQUINHA usei um banheiro de avião. Não sei como é por dentro, mas por fora parece tão pequeno que eu não consigo sequer me imaginar lá dentro. E assim, eu sempre passo a viagem inteira sem fazer xixi – e rezando pra que nunca tenha uma dor de barriga, porque aí, não há “frescura”, nem claustrofobia que me impeça de fazer uso da casinha, rsrsr

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Apesar de tudo, a viagem foi ótima (mesmo eu não tendo pregado os olhos), já que os moleques comportaram-se muito bem – tão crescidos! O que eu não sei se me faz feliz, por finalmente ter algum sossego, ou triste, porque por causa deste sossego, eu sei que o marido nunca vai se render à produção do terceirinho. Bom, mas esta é uma outra história… não posso perder o foco, porque o pior ainda está por vir.

Após, sei lá, umas 15 horas de viagem, chegamos… à Doha – bem longe da Espanha ainda. Saímos do avião e ao chegarmos na fila da segurança – que de fila não tinha nada, estava mais para uma muvuca, um formigueiro desordenado, um verdadeiro vespeiro – fomos gentilmente conduzidos à fila de prioridade graças à presença das crianças.

Embora ordem seja uma palavra aparentemente desconhecida por lá, ao menos nos livramos da loooonga fila dos mortais sem crianças, entretanto, a muvuquinha em que fomos enfiados, era de matar. Neguinho passava a frente mesmo, não queria nem saber.

Aquilo foi me dando um desespero, um medo de perder as crianças na correnteza! Me atraquei com os dois e me joguei naquele mar de árabes.

As malas de mão passaram pelo raio x e nós pela segurança. Do outro lado, tratei de pegar logo nossas malinhas e sair daquela muvuca. Ufa, tudo em mãos, partimos em direção à conexão.

Foi quando avistamos um mega teddy bear sentado no meio do aeroporto. Claro que eu tive que pegar a camera para registrar a monumentalidade do teddy. Foi aqui que descobri: havia pegado a mochila erradaaaaaa!!!!!!!!!!! A mochila que peguei se parecia muito com a minha, mas não era a minha! (note to self: de agora em diante, só viajo com uma mochila rosa fluorescente!)

Vocês não tem uma pequena noção do que eu senti naquele momento.

Naquela mochila eu carregava somente meu Macbook, camera nova, iPhone, iPad novinho, documentos, cartões e 2 HDs externos com minha vida dentro.

Comecei a enxergar tudo turvo, a dor no estômago aumentou, comecei a sentir enjôo, tudo ao mesmo tempo. Paniquei total!

Mil histórias se passaram pela minha cabeça, achei que nunca mais recuperaria minha mochila. De fato, se estivesse no Brasil, jamais recuperaria.

Tudo o que eu conseguia fazer era rezar pra que a pessoa que pegou minha mochila fosse australiana, porque se há um povo confiável é o australiano.

Voltamos para a segurança e uma mocinha nos ajudou, tentando localizar a pessoa.

O processo lento demais estava acabando comigo. Eles não queria abrir a mochila, foi necessário muita insistência para que finalmente acessassem os documentos que estavam lá dentro, mas finalmente descobrimos quem poderia estar com a minha mochila.

Para minha esperança, era uma australiana, que vinha de Melbourne e pegaria uma conexão para a Alemanha. Tudo parecia que seria resolvido, mas àquela altura eu estava lá entregue às traças, num estado de nervos tremendo. Tipo, camera, macbook, ipad, iphone, tudo se recupera, mas e meus dados?!?!!?

Não sei dizer quanto tempo levou, mas quando a mocinha me disse que haviam encontrado a pessoa e que ela estava vindo destrocar as mochilas, só consegui me jogar no chão e chorar. Chorar de semi-alívio, porque aliviada mesmo eu só fiquei ao pegar minha mochila.

A senhora, que tinha a minha mochila só reparou a troca no momento em que a abriu e viu que havia um laptop dentro.

Apesar do grande estresse, no fim das contas tive foi uma sorte enorme. Passada a confusão, não conseguia parar de imaginar como o final dessa história poderia facilmente ser completamente diferente.

Mas entre mortos e feridos, salvaram-se todos 😛 E aqui estamos nós, na minha querida Barcelona.

Muitos pensamentos e pouca memória – momento desabafo

Eu sempre tive uma excelente memória, mas nos últimos dois anos, tenho tido muita dificuldade em lembrar da coisas. Não daquelas coisas do passado, da infância, nem do ocorrido na semana passada. Minha falta de memória é para aquelas coisas quase imediatas, aquelas que que preciso fazer, aquelas sobre as quais quero escrever, ou então contar pra alguém. Eu simplesmente esqueço.

A sensação é que tenho várias “tabs” abertas e de repente aparece the blue screen of death, e tudo se apaga, sabe? Se subo as escadas, esqueço o que fui fazer lá em cima. Se chamo o marido, esqueço o que ia falar. Se abro uma tab nova no computador, esqueço completamente o que eu ia procurar. Já esqueci o pudim no forno o dia inteiro, já esqueci de comparecer a consulta médica e também à hora no salão. Às vezes, estou dirigindo e tenho tantos pensamentos, tantas ideias going on ao mesmo tempo, que minha cabeça fica até quente. Sinto uma necessidade monstro de parar o carro e anotar tudo naquele momento, porque eu sei que, pelo menos metade daquele conteúdo será perdido em 3, 2, 1. E quando eu corro pra anotar e, ao pegar o lápis, esqueço?! É uma sensação tão ruim, tão estranha. Às vezes acho que minha placa-mãe está com defeito. Talvez esteja…

Por isso, e cada vez mais, vejo neste blog mais do que um hobby, vejo nele uma forma de não perder minha memória, uma maneira de não perder o fio da meada, de não esquecer o que eu ia dizer.

Mas do que eu mais tenho medo é que todo esse “esquecimento” ou brain fog evolua ao ponto de eu não conseguir terminar uma conversa, que eu comece a esquecer enquanto falo. Isso me dá pânico!

Toda a facilidade que eu tinha em me concentrar está, aos poucos, se deteriorando. Preciso me esforçar para prestar atenção em histórias longas, senão, na primeira oportunidade, começo a pensar em outra coisa e meu pensamento voa pra outro espaço, outro tempo, outro assunto completamente diferente. Se hoje eu tivesse que assistir aulas, estaria em maus lençóis! Se tivesse que estudar, memorizar, estaria perdida. E por falar em perdida, meu senso de orientação que era fantástico, está vexatório.

Aí eu que questiono: será que é um estado passageiro, ou será que isso veio pra ficar (e piorar)?

Às vezes eu fico bem assustada, bem preocupada… e apesar de eu sempre tentar me manter e me mostrar positiva, às vezes eu desabo, quietinha no meu cantinho e pouquíssimas pessoas sabem o que se passa dentro de mim, como eu realmente me sinto. Após eu desabar, eu digo pra mim mesma: Erica, “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”, porque o presente está aí pra ser vivido e do futuro ninguém sabe.

E é por isso, e cada vez mais, que evito fazer planos a longo prazo. Quero ser feliz agora, quero fazer agora. Se tenho um plano, coloco em ação agora, no tempo presente e o que tiver que ser será.

PS. Apesar do tom quase melancólico deste post, estou num momento bem feliz, mesmo com a saudade cada vez mais apertada, o estresse que me consome e a fadiga que me derruba, rsrsr Às vezes só preciso desabafar um pouco. Escrever faz bem à alma, tira de dentro de mim as angústias, libera espaço pra coisas boas 🙂

Vamos que vamos, porque a vida é bela, o amor é lindo e o tempo não pára 🙂

 

E mais uma vez, lá vamos nós!

Em virtude do sucesso do ano passado, estamos embarcando novamente para outra temporada na terra de Gaudí. Partiremos em exatos 9 dias e ficaremos por lá até dia 20 de Junho, quando tiraremos merecidas férias. Voltaremos ao mundo real somente dia 9 de Julho, quando estarei prestes a lançar o projeto no qual, juntamente com minhas sócias, venho trabalhando desde que o ano começou.

Desta vez, ficaremos em outro bairro, um pouco mais distante da minha linda Sagrada Família (5 minutos, rs), porém numa localização mais conveniente.

Se eu for contar pra vocês a lenha que foi para conseguirmos um apê desta vez, vou passar a semana escrevendo!

Pra vocês terem uma ideia do estresse que foi, após muita pesquisa, o primeiro apartamento que escolhemos foi vendido. O segundo… também foi vendido. O terceiro foi bookado por outra pessoa por 3 dias bem no meio dos 2 meses durante os quais precisávamos dele. E aí, meus amigos, foi uma luta, um estresse conseguir encontrar um outro lugar que estivesse minimamente de acordo com nossas necessidades e expectativas e liberado pelo pelo período que precisávamos. Nem preciso dizer que a decoração, que outrora posava de carro-chefe, foi lá pro final da lista de prioridades, né? Oh, vida…

Após semanas procurando, vendo e revendo centenas (e não estou exagerando) de apartamentos, fazendo listas, anotando prós e contras, eis que surge um apê novo, que cumpria com quase todas as nossas necessidades. Renascia assim a esperança 🙂

O preço estava OK, a localização muito boa, tinha 2 quartos e uma descrição animadora, mas as fotos… oh céus! Estavam de matar. Eram fotinhas pequenas, tipo Instagram, com filtro e meio escuras (apesar de na descrição do apartamento dizer que o mesmo era super bem iluminado). Por sorte, o proprietário anexou também uma planta do apartamento, que apesar de não fornecer medidas, passava bem a ideia do tamanho.

Mostrei as fotos pro marido e ele torceu o nariz. E nessa quase fechou com um outro, que apesar de ter um preço ótimo e uma excelente localização, tinha uma “Decoração” de assassinar a sangue frio a arquiteta-cricri aqui. O pior é que eu nem tinha ferramentas para convencer meu digníssimo que o “apê Instagram” era melhor que o “apê  assassino”. Tudo o que eu tinha era um sentimento, baseado no somatório da planta + fotos ruins. Em 5 minutos montei o quebra-cabeça, decifrando que foto representava que canto da planta. Pra mim, tudo fazia sentido, mas meu marido ainda não estava convencido. Resolvi forçar a barra e arriscar!

Contactei o proprietário, e após uma série de perguntas e respostas, fiquei mais confiante, me animei! O desafio era convencer o marido, que estava estranhamente relutante.

Eis que da noite pro dia, o proprietário do “apê Instagram” libera fotos novas, com ângulos decentes e bem iluminadas. E o alívio que a pessoa sentiu foi comparado ao que se sente quando finalmente se encontra um banheiro naquele momento de aperto, rs

Maridex topou no ato. Conseguimos o apê!

Não pensem vocês que o apartamento é perfeito, porque não é. Perfeito era o primeiro, até mesmo o segundo… mas gente, tá bom demais.

Vou ficar num apartamento finamente decorado? Não. A decoração tem a ver comigo? Também não, maaaas a arquitetura é bem tradicional, o piso é de ladrilho hidráulico (suspiros), as esquadrias originais… tem bastante character envolvido :). O espaço é bom? É! são 3 quartos, dois banheiros, área de estar/TV, área de jantar, cozinha super equipada com mini-copa, escritório (super ultra mega importante), varanda… Quanto à decoração, tô mega feliz, na verdade (tem cada coisa por aí, que eu vou te contar…). Digamos que é bem básica e masculina (postarei fotos num post mais adiante) e apesar de não ser meu estilo, estou certa de que conseguirei me sentir em casa durante esses dois meses que ficaremos lá.

E ó, tô feliz da vida. Feliz e animada. Já falei que teremos dois banheiros?? yay! Depois da experiência do ano passado, com um banheiro só, estou soltando fogos de artifício por ter que passar por isso novamente, rs.

Ah, o apartamento fica em frente, repetindo, em frente ao mercado e há duas quadras do colégio dos meninos, que, thank God, já está certo! (boa sorte pra eles, porque as aulas são todas em catalão!)

Tenho muita coisa pra resolver antes de embarcarmos? Sim! Em Barcelona vou passar meus dias enfurnada em casa trabalhando? Sim também! Mas se Papai do Céu permitir, será por uma boa causa 🙂

Já falei que estou animada? 🙂 Já né?

Tô não animada que nem o cansaço e nem o estresse estão conseguindo tirar o sorriso do meu rosto.

Se é pra ter rugas, que sejam as do sorriso largo e não as da preocupação 🙂

E pra encerrar este longo post, meu mantra atualmente:

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E vamo que vamo, porque rapadura é doce mas não é mole não 😉

Nickito e as letrinhas – Eu e minha saudade antecipada

Nickito se recusa a crescer (apesar de estar crescendo mais rápido do que eu gostaria), quer ser para sempre meu bebê (alegria de mãe!  rsrs) e por isso, toda vez que perguntávamos se ele queria começar a aprender a ler e escrever, se recusava, dizia que não era um big boy, que era um bebê e que bebês não sabem ler.

Pois bem, ele não deixou de dizer que é um bebê – correção, “um bebê” não, meu bebê, o “bebê da mamãe”, segundo o próprio, rs – mas começou, do nada, a se interessar pelas letrinhas, pelos sons, começou a se interessar por soletrar as palavras. Tão bonitinho!

Já faz um tempo que conhece todas as letras, e sabe o nome delas em português e inglês. Conta até 100 (com uma pequena ajudinha de vez em quando) e já arrisca algumas somas fáceis como 1+1, 2+2, 3+3, 4+4… E fica todo orgulhoso  disso 🙂

Escreve o próprio nome direitinho e também o do Vivi, da Mim (professora favorita da Creche), o meu e, com ajuda, o do papai. Não há um desenho que ele faça que não leve sua assinatura. Na hora da saída da creche, quer sempre assinar seu nome (onde eu deveria assinar o meu). Muito fofinho!

Mas o que eu acho o máximo da fofura é vê-lo reconhecer o som das letras. Vê o M e fala mmmm, vê o N e fala, nnnnnn; vê o L e fala, llllll; e por aí vai 🙂

Seu interesse pelas estórias está aumentando também. Gostar de ouví-las, ele sempre gostou, mas a novidade é que agora ele gosta de fingir que lê. Decora suas estroinas favoritas e conta pra gente, página por página, identificando, inclusive, cada letrinha.

No momento, seu livro preferido no mundo todo é o “This Little Piggy Went Singing” e, vou te contar, é tão, mas tão, mas tão fofo assistí-lo contar a estorinha, com aquela voz suave, que meu coração se derrete a cada página 🙂

O problema é que essa a alegria toda que sinto, se transforma, momentaneamente, em saudade antecipada. Não há um dia sequer que eu não me entristeça pensando que eles estão crescendo e deixando de ser meus bebês. Por mais que eu saiba que serão para sempre meus bebezões, lá no fundinho, eu sinto sim essa saudade antecipada dos meus pintinhos.

Cada vez que assisto um videozinho deles bebês ou mesmo os vídeos do ano passado (!), me dá um nó na garganta terrível, porque eu sei que eles não estarão para sempre de baixo das minhas asas, sei que eles vão voar… só me resta torcer que não seja pra bem longe, como eu fiz 😦

Eh… acho que tô num daqueles dias…

 

 

Vivi leitor – fantasia x realidade

O Vivi é assim: reclama horrores cada vez que tem que ler um livro – o problema é que todo dia ele precisa ler um livro, já que esta é praticamente a única obrigação que a escola passa como dever de casa.

É uma guerra! Ele diz que odeia ler, que ler é muito chato, blá blá blá… Até…. ele encontrar um livro que gosta. Aí, minha amiga, sai de baixo! Ele devora o livro!

A primeira paixão foram os livro  do Leigh Hobbs – mas ele gostava mais das ilustrações do que das histórias em si. Depois vieram os livros da série “Treehouse”, do Andy Griffiths, que tinham um pouco mais de história, mas ainda eram cheios de ilustrações. A bola da vez são os livros do Jeff Kinney, da série Diary of a Wimpy Kid, que ele simplesmente ama! Adora as histórias, lê em pé, lê sentado, lê deitado, lê andando, lê comendo… difícil fazê-lo largar os livros. Ele gosta tanto, que assiste ao terminar um livro, assiste o filme e já quer o próximo. E, claro, adora também as ilustrações e acaba criando suas próprias versões.

Os livros, de fato, são bem divertidos (e os filmes também, rs), especialmente porque a gente consegue se imaginar em várias situações narradas. O vivi, muitas vezes, é o próprio Greg, e diz que o Nick é o Manny, o irmãozinho mais novo do Greg.

Mas a família do Wimpy Kid é de 5. E, talvez por isso, o Vivi tenha encasquetado que precisa de mais um irmão… um irmão mais velho (!!!).

Agora ele sossegou um pouco, mas passou duas semanas, me pedindo, todo santo dia, por um irmão mais velho (pra ser o Rodrick da família). Disse que era isso que ele queria de aniversário: que adotássemos um menino mais velho, um teenager, pra ser seu irmão.

Simples este menino, não? Ele “SÓ” quer isso de aniversário, ganhar de presente um irmão mais velho!

O que eu sei é que o moleque estava decidido, queria porque queria ser o irmão do meio, por mais que eu tentasse explicar que não é simples assim (e que também não ia ser nada legal pra ele, rrsrsr), entrava por um ouvido e saía pelo outro. Ideia fixa! (não sei a quem puxou, rsrsr)

Até que, ao mudar de livro, percebeu que o irmão mais velho acabava sempre se dando bem (ou pelo menos melhor que o irmão do meio). Foi quando ele decidiu mudar de tática, queria agora ser o irmão mais velho… de 3. Foi assim que ganhei um aliado na campanha: queremos o terceirinho! hahahaha (não que isso vá adiantar de alguma coisa, mas é sempre bom ter aliados, rs)

E assim, misturando a fantasia à realidade, se identificando com personagens e histórias, Vivisauro vai sendo fisgado, livro a livro, pelo bichinho da leitura, o que me deixa muito feliz. Quanto mais livros, menos YouTube, menos Minecraft, menos iPad. Quanto mais leitura, mais fantasia na vidinha dele 🙂