Mais uma do Vivi – esta é pra acabar comigo de vez!

Ontem, no carro, no caminho do colégio pra casa, vivi me vem com a seguinte conversa:

Vivi: mamãe… quando é que a gente vai poder ter aqueles family stickers no nosso carro, que mostram cada pessoa da nossa família?

Eu: ah, meu filho, isso já tá ultrapassado faz tempo, não?!

Vivi: Mas eu queria muito desenhar nossa família pra colocar no vidro do nosso carro…

Eu: então me diz aí, como é que você desenharia cada membro da nossa família?

Vivi: fácil! Eu me desenharia pedalando a minha bike e usando o meu boné do Jake. O Nick eu desenharia jogando xbox. O papai jogando futebol e você trabalhando no seu computador.

(pausa para digerir a informação)

Eu: mas peraí, Vivi, qual é o critério que você está usando?? Porque todo mundo está se divertindo, menos eu?? O papai também trabalha no computador dele!

Vivi: mamãe, no desenho tem que aparecer o que a pessoa mais faz, quer dizer, o que mais gosta de fazer… O papai, sem o futebol não é o papai, o Nick adora jogar xbox, eu vivo com meu boné do jake andando de bike e você está sempre trabalhando no seu computador no seu office – isso é o que você mais faz… o tempo todo….

(preciso dizer que eu tive que me esforçar pra não chorar?? Pô, só queria que ele me desenhasse de biquini na praia, mas em vez disso, ganhei um tapa na cara, rsrsr)

Aparentemente, os pequenos momentos durante o dia, em que eu paro pra ler com eles, desenhar, brincar, agarrar, fazer vídeos, tirar fotos… esses momentos são facilmente sobrepostos pelas horas que gasto no meu office (e quando digo, agora não dá, Vivi, tenho que terminar isso aqui). Trabalhar de casa, especialmente num negócio próprio pode sim ser um tiro no pé. De metralhadora!

Ao mesmo tempo que pra mim é super bacana poder parar o que estou fazendo pra ver o lego que eles montaram, a cabaninha que eles armaram, o desenho que fizeram, ou até pra tirar uma foto de uma ou outra gracinha, pra eles é muito pouco, quase uma esmola. Eles querem que eu esteja de corpo e alma. De início cheguei a pensar que eles estão mal acostumados, mas sabe de uma coisa, mudei de ideia. É muito justo!

Por isso, tenho, urgentemente, que rever meu tempo. Pra ontem! Antes que eu me transforme apenas numa espectadora, que acha que está fazendo participações especiais…

Então deixo aqui o desafio e voltarei em um mês pra contar como estou me saindo: Meu expediente de trabalho precisa ser limitado. Não trabalharei mais aos fins de semana (já venho reduzindo bastante o trabalho aos fins de semana!). Nem após o jantar durante a semana (esse é mais difícil!). E durante as férias escolares menores, trabalharei somente part-time (boa sorte pra mim!).

Não quero que as dancinhas bobas pela sala fiquem restritas aos domingos de manhã…

Eles crescem tão rápido, que se eu não me ajustar hoje, vou piscar os olhos e ver em minha frente dois homens barbados indo pra universidade.

Essa conversinha com o Vivi foi meu final wake up call.

 

Em tempo: ainda assim, tenho certeza absoluta que tenho muita sorte de poder estar bem presente na vida deles, ainda que seja em pequenas doses homeopáticas ao longo do dia. Que criança no Brasil vê a mãe mais que os meus filhos vêem? Mas apesar disso abrandar um pouquinho a minha culpa (bem pouquinho mesmo), não me consola, já que eu sei que eu posso fazer melhor.

Desafio lançado, bora cumprir! 🙂

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