Meu Deus, como é genioso este meu pequeno!

Noutro dia estava conversando com meu pai, contando sobre a personalidadezinha forte do meu menorzinho. O bichinho é muito teimoso. Nunca vi criança tão cabeça dura assim!

Quando encasqueta com alguma coisa, não há santo que o convença do contrário. Se ele cisma que uma bola é azul, não há maneira de convencê-lo que é verde. E quando cisma que não vai colocar a roupa tal? É um Deus nos acuda! Haja imaginação, haja paciência.

Enquanto contava os causos, indignada com a teimosia do menino, meu pai só me olhava (com aquele olhar de quem entende bem a situação, mas que deixa transparecer uma certa satisfação, sabe?).

Eu, que bem sei que fui uma criança bem, digamos, convicta das minhas vontades, rs, completei: eu sei que eu era teimosa, mas o Nick é além da imaginação!

Meu pai só deu um sorriso, mas eu pude ver o que se passava naquela nuvenzinha de pensamento sobre sua cabeça, rs

Tá, eu era um serzinho difícil, e até onde me lembro, assim fui por muitos e muitos anos, mas poxa, pelo visto o gênio apura de geração para geração, porque, meodeos!

A última do Nick foi impressionante!

Foi há duas noites que, na hora do jantar, ele arrumou uma encrenca comigo. Começou de palhaçada e por fim, disse que não ia mais comer porque estava satisfeito (mentira, ele disse que estava cheio mesmo, rs), mas que queria a sobremesa. Eu, obviamente, disse que sobremesa ele só teria, se terminasse o jantar. Aí, já viu, né? Foi um fuzuê!

Ele ficou tão bravo comigo, por ter que terminar o jantar, que avisou, bem bravinho:

“amanhã de manhã, eu não vou no seu quarto te dar good morning!”

Eu: Poxa, Nick, mas você vai todas as manhãs 😦 Quer dizer que amanhã eu não vou ganhar beijo, abraço nem bom dia??

Ele: amanhã não!

Terminou o jantar, subiu, escovou os dentes e foi deitar… de mal comigo!

Pela manhã, ele aparece em meu quarto, me olha no fundo do olho e…

“Cadê o Vivi?” (com voz bravinha)

Eu: oi? como assim? e meu bom dia onde está?

Ele: eu disse que hoje não ia ter bom dia! Só amanhã!

E continuou de mal comigo.

Tirou o pijama, colocou a roupa, comeu uma fruta, escovou os dentes, pegou a mochila e foi pro carro. Sem me dar bola, foi pra creche.

Eu nem acreditei no que meus olhos estavam vendo. Nunca imaginei que ele fosse fazer isso. Não comigo! Logo ele que me diz todo santo dia que é meu bebê, meu macaquinho, meu picoquinho, filhinho fofinho da mamãezinha… Logo ele que me dá pelo menos três abraços e 10 beijos antes de entrar na creche. Logo ele que vive dizendo que nunca quer crescer, para sempre caber no meu colo… Fiquei arrasada, passei o dia triste (mas também não dei o braço a torcer, porque se ele é teimoso, teve a quem puxar, rs).

No fim do dia, quando fui buscá-lo na creche, ele, com a voz mais mansinha do mundo, pediu desculpas e disse: “eu gosto de você taaaaanto”. Fizemos as pazes 🙂

Aí perguntei: por que você fez isso com a mamãe, filho? A mamãe ficou muito triste…

Ele: Eu fiz porque ontem eu disse que ia fazer. Você me fez comer o jantar todo pra ter sobremesa!

Eh… pelo visto, além de genioso, o bichinho tem boa memória e uma noite de sono não o deixa esquecer das promessas que faz na hora da raiva. Tenho pena de quem casar com ele, rsrsr

Como esta, tenho infinitas histórias que ilustram a teimosia do Nick. Pelo menos, até hoje, ele ainda não jogou nada em cima de mim na hora da raivinha… Mas vamos deixar este assunto pra lá, senão vai que minha mãe passa por aqui, lê, lembra e resolve contar a história do tamanquinho vermelho voador… Já aviso que é tudo mentira, eu era geniosa mas nem tanto. Aham….

Lição do dia: cada um tem o que merece, rsrsr

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Em tempo: hoje meu teimosinho quebrou um pedacinho do dente da frente, quando bateu de frente com um amiguinho na creche. Foi um pedacinho bem pequenininho, mas ele tá todo orgulhoso, mostrando pra todo mundo, rs – doidinho 🙂

Mais uma do Vivi – esta é pra acabar comigo de vez!

Ontem, no carro, no caminho do colégio pra casa, vivi me vem com a seguinte conversa:

Vivi: mamãe… quando é que a gente vai poder ter aqueles family stickers no nosso carro, que mostram cada pessoa da nossa família?

Eu: ah, meu filho, isso já tá ultrapassado faz tempo, não?!

Vivi: Mas eu queria muito desenhar nossa família pra colocar no vidro do nosso carro…

Eu: então me diz aí, como é que você desenharia cada membro da nossa família?

Vivi: fácil! Eu me desenharia pedalando a minha bike e usando o meu boné do Jake. O Nick eu desenharia jogando xbox. O papai jogando futebol e você trabalhando no seu computador.

(pausa para digerir a informação)

Eu: mas peraí, Vivi, qual é o critério que você está usando?? Porque todo mundo está se divertindo, menos eu?? O papai também trabalha no computador dele!

Vivi: mamãe, no desenho tem que aparecer o que a pessoa mais faz, quer dizer, o que mais gosta de fazer… O papai, sem o futebol não é o papai, o Nick adora jogar xbox, eu vivo com meu boné do jake andando de bike e você está sempre trabalhando no seu computador no seu office – isso é o que você mais faz… o tempo todo….

(preciso dizer que eu tive que me esforçar pra não chorar?? Pô, só queria que ele me desenhasse de biquini na praia, mas em vez disso, ganhei um tapa na cara, rsrsr)

Aparentemente, os pequenos momentos durante o dia, em que eu paro pra ler com eles, desenhar, brincar, agarrar, fazer vídeos, tirar fotos… esses momentos são facilmente sobrepostos pelas horas que gasto no meu office (e quando digo, agora não dá, Vivi, tenho que terminar isso aqui). Trabalhar de casa, especialmente num negócio próprio pode sim ser um tiro no pé. De metralhadora!

Ao mesmo tempo que pra mim é super bacana poder parar o que estou fazendo pra ver o lego que eles montaram, a cabaninha que eles armaram, o desenho que fizeram, ou até pra tirar uma foto de uma ou outra gracinha, pra eles é muito pouco, quase uma esmola. Eles querem que eu esteja de corpo e alma. De início cheguei a pensar que eles estão mal acostumados, mas sabe de uma coisa, mudei de ideia. É muito justo!

Por isso, tenho, urgentemente, que rever meu tempo. Pra ontem! Antes que eu me transforme apenas numa espectadora, que acha que está fazendo participações especiais…

Então deixo aqui o desafio e voltarei em um mês pra contar como estou me saindo: Meu expediente de trabalho precisa ser limitado. Não trabalharei mais aos fins de semana (já venho reduzindo bastante o trabalho aos fins de semana!). Nem após o jantar durante a semana (esse é mais difícil!). E durante as férias escolares menores, trabalharei somente part-time (boa sorte pra mim!).

Não quero que as dancinhas bobas pela sala fiquem restritas aos domingos de manhã…

Eles crescem tão rápido, que se eu não me ajustar hoje, vou piscar os olhos e ver em minha frente dois homens barbados indo pra universidade.

Essa conversinha com o Vivi foi meu final wake up call.

 

Em tempo: ainda assim, tenho certeza absoluta que tenho muita sorte de poder estar bem presente na vida deles, ainda que seja em pequenas doses homeopáticas ao longo do dia. Que criança no Brasil vê a mãe mais que os meus filhos vêem? Mas apesar disso abrandar um pouquinho a minha culpa (bem pouquinho mesmo), não me consola, já que eu sei que eu posso fazer melhor.

Desafio lançado, bora cumprir! 🙂

Eu mereço

Ando tão atarefada que me falta tempo para deixar em dia este blog de lembranças. Sei que lá na frente vou me arrepender por não estar reservado um tempinho, ainda que semanalmente, para registrar as ocorrências, especialmente aquelas relacionadas aos meus molequinhos, que estão cada vez mais figuras.

Sendo assim, hoje, entre uma coisa e outra, estava lembrando de uma das últimas do Vivi e não me contive, dei uma pausa num design e vim guardar aqui esta recordação que muito diz sobre a personalidade do meu primogênito.

Dia desses, Vivi vira-se pra mim e diz assim: “Mamãe, sabe a vizinha da Manú? Aquela 10 year-old girl?

Eu: sim, filho, sei… o que tem ela?

Vivi: ela disse que você é “so pretty”…

Eu: ah eh? Very nice of her… e você o que disse? (perguntei, já imaginando o que viria pela frente)

Vivi (arregalando os olhos): eu disse: Whaaaaat?

Eu: po, Vivi, como assim? Você não acha a mamãe bonita?

Vivi: Sim, claro que eu acho (!!)… mas não imaginei que alguém mais pudesse achar

(fuén, fuén, fuén… quem pergunta o que quer…)

Eu: caramba, Vivi…

(pausa para me indignar)

Eu: mais tarde vou te mostrar umas fotos de quando eu estava nos meus early twenties (mal sabia eu que a coisa podia ficar ainda mais feia pro meu lado…)

Mais tarde, revirando o baú, mostrei pro Vivi fotos da minha época de modelete. Book, composit, algumas fotos de desfiles, uma ou outra revista…

Vivi: Nossa, mamãe, você parecia muuuuuito bonita…

Eu (cara de tacho, aguardando ele completar a frase)

Vivi: Nem parece você…

Eu (silêncio, respirando pra não esganar a criatura, rs)

Vivi: Te pagavam pra aparecer nessas fotos?

Eu: esta é a ideia…

(será que ele acha que eu pagava pra sair nas fotos? melhor não perguntar…)

Vivi: Seus amigos te zoavam?

Eu: oi?

Vivi: você era popular?

Eu: not really… Se você quer sabe se eu era famosa, não, Vivi, eu não era famosa!

E a conversa ainda durou um tempo, enquanto mostrava pra ele as fotos. Ele sempre com o olhar surpreso de quem não compreende como aquela ali das fotos podia ser sua mãe-velha-e-cansada.

Isso mostra bem como o meu filho me enxerga.

Ainda bem que eu tenho um segundo filho, que assim que eu acordo, mesmo baforenta e remelenta, me diz que eu sou mamãe lindinha, cheirosa e princess do coração dele. Não fosse por isso, poderia entrar em depressão com a sinceridade cortante do Vivi e a imagem que ele tem de mim, rsrsr. Tá, gosto não se discute e cada qual tem o seu, mas, e o amor onde fica? E a sensibilidade? Tipo, como filho, ele deveria me enxergar com os olhos do amor, não?

Em vez de chorar, eu rio. Rio muito! E ainda conto pra todo mundo, hahaha  O que me resta é fazer caipirinha com os limões e encher a cara, rsrsr 🙂

Esse meu primogênito tem muito o que aprender para conviver pacificamente em sociedade, especialmente entre a sociedade feminina :P.

 

Agora limpa!

Faz um tempo que meu digníssimo marido ensinou os meninos a fazer xixi no quintal. Isso mesmo, no QUIN-TAL! Ali na graminha, ou no pé da árvore (mas só de vez em quando). Claro que os meninos adoraram, né? Já a mãe, não curtiu nem um tiquinho, mas fazer o que?

Hoje veio a surpresa…

Nickitito, que brincava lá fora, segurou até o último instante e quando o Senhor Cocô estava na portinha pra sair, o menino decidiu não entrar em casa e fazer ali no jardim mesmo, afinal, jardim deve ser sinônimo de banheiro, e como o papai disse que pode fazer xixi, cocô também deve poder. Razoável, né?

Agora visualizem a cena: eu e digníssimo deitados no sofá, assistindo um filme, quando de repente, entra pela porta dos fundos o Nick com a calça nos joelhos, mostrando o bumbum que precisava ser limpo. Eu surtei, né? Mas em vez de brigar, respirei fundo, olhei pro marido e disse, “Inventou? Agora limpa!”

Ah, gente não me falta mais nada, né?

Bom, no fim das contas, depois de limpar o bumbum e se livrar do cocô, papai ensinou: “Nick, xixi pode, cocô não!”. Acho que agora que os detalhes foram estabelecidos, não teremos mais problemas. Só acho.