The Elf on the Shelf – começando uma tradição

Há quem ame a ideia, há quem abomine! Difícil é ter alguém indiferente a essa relativamente nova tradição.

Resumindo, é o seguinte: A criança recebe um pacote vindo do Polo Norte contendo um Elf e um livro. O livro conta a história do Elf e explica a tradição. O Elf chega sem nome e precisa ser batizado para ser oficialmente adotado e ter sua mágica ativada.

A partir daí, “ninguém” pode tocar no Elf, senão ele perde sua mágica (claro que já inventaram várias maneiras criativas de reativar a mágica do Elf, né? rs).

Toda noite, enquanto a família que o adotou dorme, o Elf usa sua mágica para voar até o Pólo Norte e contar pro Papai Noel como as crianças da casa se comportaram naquele dia. Quando volta pra casa, o Elf danadinho sempre apronta das suas. Tipo, nosso Cheeky pegou super leve. Alguns Elves espalham farinha pelo chão, panelas pela casa, enchem o vaso de papel, e por aí vai. O nosso não estava autorizado a aprontar tamanhas artimanhas, rs.

Na manhã seguinte, quando ele ouve movimento na casa, congela, pára no meio do que estava fazendo e aí a criança sai pelos cômodos à procura do Elf, que pode estar escondido ou congelado no meio de alguma bagunça.

Na madrugada do dia 24 para o dia 25, quando o Papai Noel vem  deixar os presentes, leva o Elf com ele de volta pro Pólo Norte e só o manda de volta em em dezembro do próximo ano, quando a brincadeira se repete 🙂

O Elf nada mais  é do que um espião bagunceiro enviado pelo Papai Noel, rs

Aqui em casa foram 23 dias com nosso Cheeky aprontando pela casa. Os meninos acordavam, desciam correndo pra procurar o pequeno Elf e sempre ficavam em êxtase quando o encontravam. Vinham correndo me acordar, dizendo: mamãe, mamãe, você precisa ver o que o Cheeky tá fazendo!!! Vem tirar uma foto!!!

Na véspera de Natal, o Nickito, de 4 aninhos, ficou triste, disse que ia sentir muita saudade do Cheeky. O Vivi, de 7 aninhos, me perguntou se eu tinha certeza que o Cheeky voltaria no ano seguinte, porque ele estava com medo de nunca mais vê-lo. Eu curti cada pedacinho dessa nova tradição, assim como eu curto cada coisa que faz os olhinhos dos meus meninos brilharem, cada coisa que coloca um sorriso lindo no rostinho de cada um deles 🙂

IMG_3593

IMG_3786IMG_3642IMG_3761IMG_3700-2IMG_4003IMG_3627IMG_3617IMG_3816IMG_3701-2IMG_3633IMG_3622IMG_4004IMG_3680IMG_4008IMG_4021IMG_3593IMG_3678IMG_3913IMG_3820IMG_3925IMG_3942IMG_3650IMG_3931

Sem dúvida nenhuma, nosso Cheeky me ajudou em momentos de crise. Às vezes, quando os meninos estavam impossíveis, eu só olhava pro Elf e eles ficavam com a pulga atrás da orelha. Quando a situação estava mais incontrolável, eu mandava logo um: “se vocês não pararem agora, eu vou tocar no Elf!!!” E eles entravam em pânico, paravam a bagunça e imploravam pra que eu não mexesse no Elf (eu me diverti!, hahaha)

Confesso que tenho sentido falta do Cheeky, não só porque ele me ajudava a pôr ordem na casa, mas porque foi bem divertido criar as cenas de cada manhã 🙂

Ano que vem, pra facilitar, vou fazer uma cirurgia no Cheeky e implantar fios de arame nas pernas e braços para aumentar as possibilidades de poses e traquinagem 🙂

PS. Às vezes páro e penso, nossa, quanta mentirinha estamos contando pros nossos filhos! Mas esta é daquelas mentirinhas do bem, sabem? Faço questão de sustentar a “veracidade”  do Papai Noel, da Fada do Dente e do Coelhinho da Páscoa (sim, eles ainda acreditam até no coelhinho da Páscoa!!!) e agora do Cheeky que chegou para se juntar ao grupo das lendas que abrilhantam a infância. Um dia, certamente antes do que eu desejo, eles não vão mais acreditar em nada disso, mas certamente guardarão na memória todas as recordações dos momentos mágicos que construímos com tanto carinho (e algumas mentirinhas, hihihi).

O dia em que perdemos o Vini

Era pra ter sido um dia super gostoso e cheio de boas energias – e, até certo ponto, foi – mas acabou sendo mesmo o dia mais desesperador da minha vida.

Ontem, fizemos um passeio até os Grampians, uma longa e linda caminhada para o alto e avante, que teve como recompensa uma vista maravilhosa, a sensação gostosa de “desafio cumprido” e muita sede. Peraí, a sede não foi recompensa, foi o preço que pagamos por não termos levado água suficiente para a trilha, rs

Até chegarmos ao topo da montanha, tudo às mil maravilhas, todo mundo feliz e contente, tirando mil fotos pelo caminho, driblando o calor e o sol nas caverninhas que pareciam ter ar refrigerado, uma beleza, e muito embora o percurso tenha sido bem cansativo, com trechos pedra à cima de fazer as pernas doer, ao chegar ao topo, a alegria (e o alívio, porque a partir dali era só pra baixo, rsrs) reinava. Até que resolvemos pegar o caminho de volta.

Assim que demos sinal de que iríamos pegar o caminho de volta, Vivisauro resolveu acompanhar o filho de uma amiga, um menino de 12 anos, que não era muito de papo e estava permanentemente com os fones nos ouvidos – ou seja, a cool dude. Os dois tomaram a dianteira, junto com uma parte do grupo que estava conosco. Nós descemos logo atrás.

Começamos a descida numa velocidade normal, mas como o Vivi estava fora do nosso campo de visão, aceleramos. Aceleramos tanto, que passamos pelo grupo que saiu um minuto antes da gente. E nada do Vivi, nem do outro menino. Aceleramos mais, apertamos o passo para marcha olímpica nos trechos em que era possível fazê-lo. Começamos a chamar por eles. Nada.

Fizemos a caminhada toda de volta num tempo recorde e no final, já estávamos correndo e gritando em desepero. Chegamos no estacionamento, com a esperança de encontrá-los lá nos esperando, mas isso não aconteceu. Meu coração já estava saindo pela boca, que estava mais seca que nunca. Eu tremia e já não conseguia mais falar. Mal saíam palavras em Português. Não conseguia pronunciar uma frase inteira em inglês – é impressionante como, em momentos de crise, quando perco o controle emocional, perco também o controle da fala, do raciocínio…

Estávamos em grupo, um grupo bem multinacional, cada casal/família de um país diferente e eu, que tenho morado em países de língua inglesa há 12 anos, não conseguia me comunicar, de tão nervosa.

Eu estava um zero à esquerda, não servia pra absolutamente nada. Quero acreditar, que se eu estivesse completamente sozinha, teria conseguido driblar este estado de completa inércia, mas sei não…

Todos se dividiram para ajudar. Eu fiquei no estacionamento com o Nick; o Mauricio e os pais do outro menino voltaram para a trilha, para refazer o caminho; um outro casal, pegou uma outra saída na bifurcação que havia no final da trilha e um outro pegou o carro e foi até a cidade falar com a polícia, porque, claro, o sinal de celular mal pegava naquele lugar. Na verdade, apenas um celular, o da mãe do outro menino, estava com sinal. Ela, antes de voltar para a trilha, deixou o celular comigo, just in case.

Tanta coisa se passou pela minha cabeça, tantas possibilidades, uma mais escabrosa que a outra.

A Austrália é, sim, um lugar super safe, mas das poucas histórias ruins que se ouve, a maioria envolve crianças sendo raptadas e…. enfim, coisas horríveis. Eu imaginava de tudo. Eles caídos num precipício, ou abduzidos por adultos mal intencionados. Foi um pesadelo.

Mas como até das piores situações se tira algo de bom, foi muito interessante sentir o apoio, não só dos amigos que nos acompanhavam, mas também de completos estranhos, que se mobilizaram e começaram a perguntar para tudo mundo que aparecia, se alguém havia visto o menino de boné amarelo (o boné do Jake, que o Vivi usa até pra tomar banho, rs, foi de grande valia, uma excelente referência!). E numa dessas, uma mãe veio me dizer que o filho dela havia visto, sim, dois meninos, um de boné amarelo, pegando a trilha para a cidade.

Não sei quanto tempo se passou, talvez umas duas horas, apesar de parecer ter durado o dia inteiro, até que de repente o telefone que estava comigo tocou. Eu atendi, mas não saía uma palavra da minha boca. Pra ser sincera, eu nem ouvi direito o que falaram do outro lado. Tremendo, eu passei o celular para uma amiga. Eram os meninos! Naquele momento eu apenas parei de sentir minhas pernas e caí no chão. Uma sensação estranha, de impotência, de incompetência. Um medo ainda latente.

Os meninos se distraíram e pagaram  o outro caminho na bifurcação e foram parar num camping na cidade. Ao chegarem lá, Vivi estava em pânico, achando que nunca mais nos veria novamente, mas o outro menino, completamente sereno, procurou um adulto e, contando que haviam se perdido, pediu para ligar para o número da mãe.

Um amigo foi até lá buscar os meninos, porque do jeito que minhas pernas tremiam, não havia a menor condição de dirigir.

Quando os vi saindo do carro, não consegui nem brigar com ele, tamanho era o alívio.

Tirando isso tudo, digamos que a primeira metade do dia foi uma maravilha, rs

 

Natal no Boteco dos Palmeira (versão 2014)

Talvez esta seja minha ultima passadinha do ano por aqui. Vim pra deixar registrado um pedacinho do nosso Natal 🙂

Quem me conhece sabe que eu definitivamente não faço o tipo tradicional e isso fica bem explícito tanto na decor da minha casa, quando no look dos eventos que eu organizo. Meus Natais, por exemplo, nunca obedecem à paleta de cores tradicionais, sempre fujo pro multi-colorido, pro alegre, pro espalhafatoso, pro tropical. Deve ser a saudade do Natal 40 graus do meu Rio de Janeiro, rs.

E se você me conhece pelo menos um pouquinho, sabe também que eu tenho um caso de amor com a chita. Tenho uma queda tipo “Cataratas do Iguaçú” por esse tecido barato que transpira brasilidade (apesar de ser de origem chinesa – descobri isso neste Natal, através de uma amiga chinesa).

E foi lançando mão de estampas diferentes de chita, flores frescas, velas e garrafinhas de cerveja (que peguei do vizinho, porque aqui em casa ninguém gosta disso, rs) que montei essa decoração super brasuca, improvisada e acessível, pra essa festa que chamei de Natal no boteco dos Palmeira – quem disse que tem que gastar uma fortuna pra ter uma festa bonita, heim?

Deixo aqui um micro tour pelo meu Natal.

Claaaaro que nem tudo saiu como eu planejei… Até porque, chegou um momento que eu já estava tão exausta que comecei a riscar coisas da lista, abstrair mesmo. Por exemplo, não me dediquei a tirar fotos decentes (queria ter fotografado todos os convidados individualmente e em grupos, usando aqueles props com barba, chapéu, speech balloon.. enfim, não rolou, ficou pra próxima. Queria também ter tido tempo de fazer uma variedade maior de caipirinhas (ficamos apenas com a clássica).  Queria ter tido tempo de preparar as lembrancinhas pros convidados, mas não rolou :(. Aliás, queria mesmo era ter tido tempo de fazer o cabelo, as unhas e uma makeupzinha básica. Mas, acreditem, mal deu tempo pro banho! hahaha – os primeiros convidados chegaram quando eu estava entrando no chuveiro!

Mas apesar dos pesares, foi uma gostosura de noite, música, comidinhas deliciosas, amigos da melhor qualidade e muitas gargalhadas. Arrisco dizer que foi o melhor Natal que eu organizei até hoje! Momentos que certamente ficarão guardados na memória 🙂 Só não consigo dizer que foi perfeito, porque faltou nossa amada família. Mas não se pode ter tudo, né? Então, com os limões fizemos uma bela caipirinha e nos divertimos pra valer! rs

2015, chega nimim 🙂 rsrsr