A vida na Austrália: Será que você está realmente preparado para morar tão longe das raízes?

“Nada do que foi será, de novo, do jeito que já foi um dia…”

Nada mesmo.

Seus amigos de sempre, aos poucos se distanciarão e com os anos, seu contato com a família não será mais diário. Sua cidade só será a mesma na sua lembrança. Você não estará mais por dentro das novidades, não saberá mais quais são os points, não estará presente no Natal, nos aniversários, no almoço de Páscoa. Você será um integrante virtual da família, que vive dentro do computador, do iPad, do iPhone, na telinha do Skype.

Se tiver sobrinhos, os verá crescendo pela internet, pelo whatsapp – e não com a frequência que gostaria. Um dia, você vai piscar e aquela sobrinha que era um pitoquinho de gente, que mal abria os olhos quando você deixou tudo pra trás, será uma adolescente. Você vai perder o nascimento dos sobrinhos, dos filhos das melhores amigas… Você não estará ao alcance dos braços, quando perdas irreparáveis acontecerem e, muito possivelmente não estará online quando sua mãe quiser muito falar com você. E sabe de uma coisa? Quando você, estando tão longe, passar por alguma situação muito difícil, vai lamentar profundamente não ter sua mãe e seu pai ali do seu lado pra te confortar, dar colo, pra dizer que tudo ficará bem.

Mas nada disso acontece de um dia pro outro, é um processo longo, contínuo e dolorosamente inevitável pra quem opta por morar tão longe. Um processo que deriva de escolhas, das suas escolhas.

Pra uns, os momentos mais difíceis são os iniciais, durante a fase de adaptação. Outros só vão encarar o prejuízo de se morar tão longe, bem mais tarde, passada a euforia da vida nova. Mas esteja certo de que cedo ou tarde, mesmo sentindo ou sabendo que se fez a escolha certa, lá no fundo, você se sentirá incompleto – mesmo tendo formado sua própria família, mesmo tendo amigos maravilhosos, mesmo estando super bem profissionalmente, mesmo sabendo que “se você quiser, pode voltar”.

Noutro dia, checando minha timeline no facebook, vi a mãe de uns amigos dizer algo assim:

” às vezes a saudade que eu sinto deles é tão grande, que eu choro quietinha no meu canto pra que ninguém perceba…”

Gente, essa frase bateu tão forte que não pude conter as lágrimas. Veio uma tristeza, uma melancolia… uma culpa.

Quando, aos 20 e poucos, a gente decide tentar a vida “no estrangeiro”, a gente avalia muita coisa, mas certamente não consegue dimensionar o quão difícil será uma vida tão longe das raízes, do ninho, da mamãe e do papai. Com o tempo a gente se acostuma (?), e de certa forma, salvo os momentos de crise, se anestesia – o ser humano é capaz de se moldar às mais difíceis situações.

Mas e quem ficou? Como deve ser “entregar” um filho pro mundo? O quanto deve doer ver um filho sofrer, de longe, sem poder abraçar, cuidar? O quão triste deve ser não ter em casa os filhos e netos reunidos para um almoço dominical? O quão difícil deve ser ter netos que você não abraça e beija e conta histórias, leva pra passear e senta no chão pra brincar?

Como deve ser duro aceitar que uma parte de você voe pra tão longe…

Eu, no alto do meu egoísmo não quero nunca passar pelo que fiz minha mãe e minha sogra passarem. Só de tentar imaginar ver meus filhos irem embora, de certa forma seguindo meus passos, me dá dor no estômago. Como eu pude fazer isso com meus pais, com a minha irmã, meus sogros, cunhados?

Claro que este não é o meu pensamento do dia-a-dia. A vida aqui é linda, é leve. O que é dura é a saudade – não só a que eu sinto, mas a que eu sei que minha família sente. A saudade que a gente gerou e cultiva dia-a-dia. A saudade que não tem data pra terminar.

Será que você está realmente preparado pra morar tão longe do seu ninho?

Minha mãe, que já achava que Bloomington (EUA) era longe, depois que viemos pra Melbourne teve que rever seu conceito de distância. A Austrália é longe pra caramba! Custa caro chegar (ou sair) e é uma viagem que parece não ter fim – especialmente quando se viaja com crianças ou quando não se é mais tão jovenzinho. É tão longe, que faz os Estados Unidos ou até mesmo a Europa parecer a lanchonete da esquina.  E quem disse que “longe é um lugar que não existe”? Ah, Richard Bach, existe sim, e se chama Austrália!

Desculpem-me o desabafo, o post sem glamour, a pegada realista, o ranço pessimista, mas nas últimas semanas, pequenas coisas aqui e ali se  juntaram e me colocaram num estado de melancolia, de tristeza, de querer tudo ao mesmo tempo, mesmo sabendo que é impossível.

Toda escolha tem dois lados e se, por um lado,  vir pra cá (ou simplesmente sair do Brasil) foi a melhor escolha que eu fiz na vida, por outro, foi também a pior, a escolha de consequências mais doloridas.

Como eu disse, eu sei que posso voltar, mas lá no fundo, eu sei que eu não vou voltar. Tudo o que eu mais queria na vida era poder trazer minha família toda, mãe, pai, irmã, sobrinhos, sogro, cunhados… todo mundo pra morar aqui do lado… e poder ter, todos os domingos, aquele almoço com a família reunida, as crianças correndo pela casa, as conversas à mesa, as gargalhadas… como num filme daqueles que tem o final feliz.

Aí eu te pergunto, será que você está mesmo preparado para morar tão longe das raízes?

Até hoje, quando eu pego uma gripe, fico imaginando minha mãe com um chá, meu pai com uma colherada de mel com própolis ou até mesmo minha irmã com algum remédio horroroso chegando pra cuidar de mim.

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Em tempo: A saudade quase mata, mas a vida é boa, muito boa. Só que, entendam, vida de estrangeiro é assim: uma montanha russa emocional. Tem dias que a saudade tá ali controlada na coleira, tem dias que ela, raivosa, foge e te ataca… e como todo ataque, causa dor, deixa marcas.

O inverno sempre me deixa mais sensível, mais pensativa, mais triste, mais saudosa… então não leve a mal esse post “balde de água fria”, porque as vantagens de morar tão longe são muitas. Não fossem tantas, eu daria por encerrado o imensurável sacrifício da saudade e voltaria correndo às origens.

Apesar de tudo, vale o sacrifício… quase sempre.

66 Comments

  1. Um lindo post como esse + uma leitora grávida = quase aos prantos no escritório.

    Eu sempre achei que o dia que engravidasse a saudade de morar longe ficaria menos sofrida, pois agora eu não teria apenas uma família no Brasil, mas também teria uma nova família aqui para me confortar. Agora, só de pensar em ter meu filho aqui em Sydney daqui a alguns poucos meses, longe da família, me parte o coração (e me faz pensar onde diabos eu estava com a cabeça quando decidir vir pra tão longe? rs). Sei que fiz a escolha certa, justamente pensando num futuro melhor pra esse bb, mas que dói dói…

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    1. Denise, assim é nossa vida, né? As escolhas que temos que fazer não são nada fáceis, mas no fim das contas, a gente acaba engolindo a saudade e a culpa, pra poder oferecer um mundo melhor pros filhotes.
      Beijos e boa hora pra você ❤

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  2. Nossa… Falou e disse. Estou aqui há 10 anos, conheci meu marido no Rio, casamos, viemos pra Melbourne. Hoje temos 3 filhos. A minha família está toda no Brasil e a do meu marido (que ainda assim não seria a mesma coisa) mora em Canberra. A saudade não diminui com o passar dos anos. Dos pais, tios, primos, amigos, e a tristeza de não poder acompanhar o crescimento da nova geração de primos ou dos sobrinhos e de a família inteira não poder acompanhar o crescimento dos meus filhos. O inverno/frio com certeza piora as coisas e a cada gripe a gente pensa no cuidado de mãe e pai – que a gente não tem, como você disse. Enfim, faço do seu desabafo inteiro o meu também. Obrigada por desabafar…

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    1. Nós também saímos do Brasil há 10 anos, Priscilla, só que há 5, pra desespero da família, decidimos vir para ainda mais longe. Nossa vida é bem diferente do que a que teríamos no Brasil, em todos os sentidos, pro bem e pro mal. Como disse, as escolhas sempre tem dois lados, né? Só nos resta desabafar, pra esvaziar o peito e seguir em frente 🙂
      Beijos!

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  3. Erica, vc disse tudo, tando do lado de quem foi e do de quem fica. Minha filha está em Melbourne e nós sentimos igualzinho como vc descreve. Nas pense que a distância também faz com que as pessoas fiquem mais próximas. Só pra vc ter uma ideia, eu converso mais com a minha filha Renata que mora aí do que com a Daniela que mora aqui pertinho. Mas vamos pensar que o tempo/espaço é só uma ilusão criada por nós… a física quântica provou isso!!! Vamos ser felizes…

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    1. Sim, Gislaine, entendo que às vezes a distância nos deixam mais próximos, mas sinto muita falta do contato físico e culpa por privar meus filhos da delícia é que ter avós ao alcance dos braços. Aqui, eles não tem quem os “defenda” quando a mamãe zanga, rsrs, ninguém pra dizer “deixa o menino..”, :). Por outro lado, nós, os pais, somos muito mais presentes na vidinha deles do que seríamos se estivéssemos na loucura do dia-a-dia no Brasil. Dois lados, sempre…
      Beijos!

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  4. Parabéns, lindo post!!!
    E um desabafo de uma realidade que só quem vive ou viveu sabe a dor que é!!!

    Uma vez fui viajar e não voltei.

    Não por rebeldia ou por ter decidido ficar; simplesmente mudei.

    Cruzei fronteiras que eu nunca imaginaria cruzar. Nem no mapa, nem na vida. Fui tão longe que olhar para trás não era confortante, era motivador.

    Conheci o que posso chamar de professores e acessei conhecimentos que nenhum livro poderia me ensinar. Não por serem secretos, mas por serem vivos.

    Acrescentei ao dicionário da minha vida novos significados para educação, medo e respeito.

    Reaprendi o valor de alguns gestos. Como quando criança, a espontaneidade de sorrisos e olhares faz valer a comunicação mais universal que há – a linguagem da alma.

    Fui acolhido por pessoas, famílias, estranhos, bancos e praças. Entre chãos e humanos, ambos podem ser igualmente frios ou restauradores.

    Conheci ruas, estações, aeroportos e me orgulho de ter dificuldade em lembrar seus nomes. Minha memória compartilha do meu desejo de querer refrescar-se com novos e velhos ares.

    Fiz amigos de verdade. Amigos de estrada não sucumbem ao espaço e nem ao tempo. Amigos de estrada cruzam distâncias; confrontam os anos. São amizades que transpassam verões e invernos com a certeza de novos encontros.

    Vivi além da minha imaginação. Contrariei expectativas e acumulei riquezas imateriais. Permiti ao meu corpo e à minha mente experimentar outros estados de vivência e consciência.

    Redescobri o que me fascina. Senti calores no peito e dei espaço para meu coração acelerar mais do que uma rotina qualquer permitiria.

    E quer saber?

    Conheci outras versões da saudade. Como nós, ela pode ser dura. Mas juro que tem suas fraquezas. Aliás, ela pode ser linda.

    Com ela, reavaliei meus abraços, dei mais respeito à algumas palavras e me apaixonei ainda mais por meus amigos e minha família.

    E ainda tenho muito que aprender.

    Na verdade, tais experiências apenas me dirigem para uma certeza – que ainda tenho muito lugar para conhecer, pessoas a cruzar e conhecimento para experimentar.

    Uma fez fui viajar…

    e foi a partir deste momento que entendi que qualquer viagem é uma ida sem volta.

    (Marcelo Penteado)

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  5. oi eriquinha, quando a gente envelhece aprende com Gibran que os filhos são da gente, mas não são para a gente. Apesar da saudade, eu fico feliz de ver que vocês estão felizes, e não gostaria de ver vocês aqui, perto , mas infelizes. Abaixo o link para este texto tão manjado e tão bonito do gibran sobre os filhos.
    http://pensador.uol.com.br/frase/NzQxNDU/

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    1. Gosto muito desse texto, Fred – fazia tempo que não lia. Meus pais sempre falaram isso: “criamos os filhos pro mundo”, mas acho que eles não contavam que fôssemos acabar parando do outro lado do mundo, rs
      A saudade é grande e a culpa também, mas ainda assim, acho que fizemos a escolha certa (especialmente pensando no futuro dos meninos).
      Beijos!

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  6. Oi Erica, ainda tenho pouquinho tempo fora do Brasil – só um ano – e acho que ainda não me caiu a ficha de como será passar o resto da vida longe de toda a família. Seilá, agora que estou esperando o bebê talvez seja mais complicado mesmo não ter toda a rede de apoio por perto. Bem, um dia depois do outro.

    Mas, com certeza no inverno tudo é pior. Agora aqui no Canadá é calor e a rotina de poder sair mais para a rua e passear sempre distrai mais a cabeça.
    Fique bem!
    Beijos da Nanda

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    1. Nanda, você ainda está em fase de lua de mel. Os primeiros anos fora pra casais recém casados são só alegria. Sem falar que faz o casal se unir verdadeiramente – o que é muito importante para os desafios (saudades e culpas) futuros 😉
      Enjoy! ❤

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  7. Desabafe sempre que sentir vontade em faze-lo,pois assim voce vai colocando pra fora estas angustias que nos atacam quase sempre.Sendo imigrante e ja morando nesta terra que amo de coracao, por 35 anos mesmo assim muitas vezes me pergunto,porque fiz isto?E como diz a Priscilla “,a saudade nao diminui com o passar dos anos”.
    fica sempre aquela dorzinha la no fundo,machucando,espetando e em dias como este bate a melancolia.
    Os anos foram se passando, perdi amigos,amigas e seres bem proximo a minha vida e ai olho para traz e falo para mim mesma,meu circulo fechou!!!Mas esta nao e a realidade! Sera que valeu a pena?Nao sei!! Tem seus lados positivos e tambem os negativos e vai se vivendo,se adaptando,criando uma propria familia,porque apesar de toda a saudade nos vivemos num pais que nos aceitou como somos e vivemos em paz!Obrigada pelo seu desabafo!

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      1. Bom dia Erica.
        O que nos prende a esta terra e isto mesmo, a vida leve e a realidade do Brasil que realmente e cruel,como voce diz! Ja voltei 2 vezes >Tentamos nos adaptar,abri um negocio,tentei viver e me acostumar com aquilo tudo novamente.Nao deu certo,as comparacoes estavam sempre la.Hoje
        nao preciso mais tentar nada,mais minha casa,minha familia,minha vida em fim e aqui. Os anos se passaram e perdi minhas raizes e entes queridos.Hoje vivo mais tranquila,e bem adaptada. Tive filhos e hoje tenho uma netinha linda.A vida e muito boa!!!!Gracas a Deus

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      2. É bem por aí, Lucy… Eu não consigo me ver morando no Brasil, mas ainda sinto o peso da minha decisão – acho que mais agora, do que há 10 anos, quando deixei o Brasil…
        Mas como você disse, a vida é sim muito boa 🙂
        Beijos!

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  8. Você falou tudo, me sinto da mesma forma, moro há quase 6 anos na Austrália e sinto muitas saudades da família e de alguns amigos. E na minha opinião, mesmo que voltemos a morar no Brasil nunca mais seremos os mesmos, estaremos sempre comparando, sentindo saudades da Austrália e dos amigos daqui. O melhor conselho que te dou é procurar ser feliz e aproveitar o momento. Quando as pessoas perguntam pra gente se vamos ficar na Austrália pra sempre eu respondo que não sei, que ficaremos enquanto formos felizes aqui. O importante é fazer a distância valer a pena, sendo felizes. Um grande abraço.

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  9. Parabéns pelo texto! Não estou na Austrália, mas no Canadá! Mas posso dizer que a saudades é a mesma… difícil de lidar com esses sentimentos as vezes!! mas foi muito bom ver que tantas outras pessoas sentem a mesma coisa. passam pelas mesmas dificuldades… enfim, uma amiga já dizia “cada escolha, uma renúncia”.

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    1. A saudade é grande em qualquer lugar que seja longe o suficiente que nos previna de passar na casa da mãe pra almoçar, né, Barbara? Mas confesso que morar a tantos fusos do Brasil deixa tudo um pouco mais dolorido – se encontrar, até online, é difícil :(.

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  10. Morei 15 anos em Sydney e agora moro nos USA. To nos meus 30, 3 cidadanias mas ainda entendo da dor que voce fala… Um dos texos melhores escritos que li nos ultimos tempos. Sorry pela sua dor mas parabens pelas palavras!

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      1. Querida Érica,não te conheço,mas qdo minha filha que mora ai na Austrália a quase nove anos,nos mandou este link,já imaginei que iria chorar muito…é como Chorei…de soluçar,pensando na estória dela… E em como vc tem razão no que escreveu…realmente é uma decisão difícil ir pra tão longe,já chorei muito antes e hj estou mais acostumada com a saudade…mas dói sempre…amo demais s minha filha,e quero o melhor pra ela…é se essa foi a vontade de Deus pra vida dela,tenho que aceitar! Ela está super bem,condição que aqui no Brasil,não estaria assim,eu acho…infelizmente…que Deus continue abençoando grandemente a vida fé vcs todos que fizeram essa doloroso opção é que sejam muito felizes…é meu único desejo!! Fiquem na paz!!

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      2. Maria, quando me tornei mãe, acho que consegui mensurar melhor o sofrimento que proporcionamos, especialmente às nossas mães. Perdi minha sogra (que era como uma segunda mãe), de repente, sem aviso prévio, não faz nem dois anos, e foi tão devastador, que estou sofrendo as consequências do estresse que isso me causou – não preciso nem comentar como foi pro meu marido, né? A decisão de continuar aqui é muito difícil, mas fazemos mais pelos nossos filhos… ou será que por nós mesmos? Pra evitar que eles tenham que seguir nossos passos e voar para uma vida longe de nós.
        Obrigada pelo desejo de felicidade – que todos nós sejamos muito felizes, mesmo com a dor da saudade e da culpa…
        beijos!

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  11. Claro que chorei com seu post, moro em Perth, meu marido eh ozzy e temos uma bb de 6 meses e agora que sou mae consigo mensurar a falta que faco no dia a dia princialmente da minha mae… tudo na vida tem um lado positivo e negativo, morar aqui eh fantastico mas meu porto seguro ainda esta relacionado as pessoas que amo no Brasil… parabens pelo post, muito bacana saber que existem pessoas com as quais nos identificamos com sentimentos similares, mesmo nao conhecendo pessoalmente…

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    1. Elis, no fundo, todos nós que resolvemos embarcar nessa viagem sem volta estamos no mesmo barco, né? Por mais que não fiquemos a nos lamentar, por mais que sejamos felizes no dia-a-dia, às vezes a dor aperta e só nos resta compartilhar pra tentar diminuí-la. Sabe que ler o retorno de tanta gente que eu não conheço (aqui e no face), compartilhando seus sentimentos, suas histórias, suas saudades, suas culpas… de certa forma me ajuda, me mostra que eu não estou sozinha, que muitos outros, apesar dos pesares também acham que vale a pena levar adiante esta difícil decisão. É reconfortante.
      Beijos.

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  12. Quando dizia meus filhos que nascemos em um país errado , no caso o Brasil , era exatamente o sentimento de saber que teriam que um dia abandonar o país, por não ser possível viver no Brasil esse texto publicado faz parte de milhares de famílias brasileiras que para terem um pouco de dignidade os filhos tiveram que sair de sua casa Brasil.
    De um pai que tem filha genro e netas na Australia e está vendo elas crescerem por Skype.

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    1. Ô, Luiz… vi meu pai falando agora 😦
      Esse é o maior amor do mundo – os pais que deixam seus filhos voarem livres pra um lugar melhor, abafando a dor no peito. Mas do fundo do meu egoísmo, espero que isso não aconteça comigo, espero que meus filhos, inspirados em nossa trajetória, não achem “normal” ir pra tão longe do ninho.
      Beijos,

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  13. MUITO BONITO TESTO E E A VERDADE. SINTO A MESMA COISA APESAR DE ESTAR COMPLETANDO 30 ANOS QUE MORO NA AUSTRALIA. PRIMEIRAMENTE EM SYDNEY E A 13 ANOS EM QUEENSLAND (ZONA RURAL DE GOLD COAST). TRABALHEI E ME APOSENTEI, TENHO UM MARIDO BONISSIMO E MORO EM UM LUGAR LINDISSIMO PARA QUEM GOSTA DA NATUREZA E UM POUQUINHO DE VISTA PARA A CIDADE. TENHO OS ANIMAIS QUE VEEM AO MEU QUINTAL E A BELEZA DOS PASSAROS MAS A SOLIDAO E A SAUDADE E QUE AS VEZES ME ENTRISTESSE.
    HA MAIS OU MENOS 6 ANOS QUE TENHO VINDO AO BRASIL TODOS OS ANOS POIS MINHA MAE COM 98 E 7 MESES, JA NAO TEM MAIS FORCAS APESAR DE TER MUITA VONTADE) DE ENFRENTAR UMA VIAGEM TAO LONGA JA PARA NOS IMAGINE PARA ELA. ESTA MUITO SAUDAVEL E AQUI TENHO TODA A MINHA FAMILIA E ALGUNS AMIGOS QUE COM O TEMPO SE DISTANCIARAM.
    PENSAR EM VOLTAR? SIM, AS VEZES PENSO NISTO MAS NAO CONSEGUIRIA MAIS VIVER AQUI. INFELIZMENTE E A REALIDADE QUE LUTO CONTRA TODAS OS ANOS QUE AQUI VENHO. ESTOU AQUI DESDE O DIA 13/07 E ESTAREI VOLTANDO NO DIA 23/08 ONDE DEIXEI MEU MARIDO A MINHA ESPERA. ESTOU DIVIDIDA MAS FELIZMENTE AGORA TEMOS INTERNET O QUE NOS ALIVIA UM POUCO ESTA SAUDADE QUE NOS CONSOME E NOS FAZ SENTIR A VONTADE DE VER E CONVERSAR COM AS PESSOAS QUE AMAMOS E QUE AQUI DEIXAMOS.
    DIFICIL PARA QUEM SAI? SIM E . MAS NO PRINCIPIO ESTAMOS VENDO COISAS E LUGARES NOVOS E CONHECENDO OUTRAS PESSOAS MAS, A DOR PARA AQUELES QUE DEIXAMOS AQUI NAO E MENOR.
    UM ABRACO PARA OS COMPANHEIROS QUE VIVEM DISTANTES.
    ILDA FARIA

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    1. A dor pertence a quem vai e a quem fica, né, Ilda? Mas hoje tenho a clara certeza de que a dor de quem fica é ainda maior, porque como você disse, nós, que saímos, estamos desbravando o mundo, conhecendo coisa novas, gente nova, culturas novas, realidade diferentes. Nossa vida está sempre mudando, os cenários estão sempre em movimento. Mas pra quem fica, fica um vazio eterno, o vazio da espera talvez… A nós, que fomos embora, nos resta carregar, além da saudade, a culpa de ter partido.
      Beijos.

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  14. G`day Erica,

    Post perfeito, mas look at the bright side.

    Fiz parte dessa juventude que aos 20 e poucos sai de casa sem data para voltar, e foi essa frase que usei, “Mãe, não sei quando volto e se volto para o Brasil” foram 4 anos (3 de AUS e 6 meses EUA), algumas ferias no Brasil, outras fora, mas sempre com a mente em me fortalecer e construir uma vida fora.
    caminho traçado, Norte aprumado e tudo dando certo, ate que consegui um trabalho com contrato de 5 anos nos EUA, salário muito bom e 4 meses depois de tudo começar, tive um problema com meu pai no Brasil, um AVC, meu chão sumiu, minha sensação de culpa era tremenda, porque eu não estava ao lado da minha mãe e irma, nesse momento tão difícil, e não descobri logo nas primeiras horas do ocorrido, uma melancolia bateu em mim e resolvi ligar para o Brasil, minha mãe atendeu serena, mas não falou nada, quando perguntei se estava tudo bem mesmo, ai veio a noticia, ou melhor o choque. Choro até hoje de lembrar a cena, lembro de esta de pe na cozinha da minha casa em Vail no Colorado pensando, porque EU não estou lá.
    Mesmo perto, tive que desligar todos os meus contratos e serviços que estavam sendo executados, ou seja 6 dias depois estava desembarcando em SP, em uma condição totalmente reversa a tudo o que pensei para minha vida, mas estava perto da família, de inicio o meu pai não me reconheceu e perguntou para minha avó quem eu era, isso me partiu o coração e uma vez mais trouxe a duvida de se o tempo fora havia compensado tudo isso.
    Hoje tenho minha família no Brasil, meu pai esta bem graças a Deus, e minha esposa sempre me indaga, se não tenho a vontade de voltar e morar fora, minha reação é sempre a mesma “Claro!!! Crias nosso filho em um ambiente mais respeitador, mais seguro, onde normas são aplicadas e respeitadas, onde existe o valor em pequenas coisas ” mas ao mesmo tempo digo “Não enquanto tiver minha família (pai e mãe) por perto “. Entendo suas crises de choro, entendo esse vazio, mas pense, você está hoje com a sua família, naquele momento era apenas EU, 25 anos e nada que me prendesse, hoje seu núcleo e também as “raízes”são mais fortes onde seus filhos e marido estão, fácil, não é, mas sem duvida é para o melhor, saudades eu sinto até hoje da Australia, da qualidade de vida, the Ozzy way and the easy way, e olha que não tínhamos skype ou whatsapp.
    Sorria, é muito bom estar perto sempre da família, mas hoje você esta criando uma nova família e novas raízes em terras menos desgastadas (moralmente e economicamente).

    Take care

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    1. Gustavo, eu vivo a vida looking at the bright side 🙂 e é isso que me mantém aqui tão longe. Sei bem que a vida no Brasil não é pra mim, sei tanto, que qunado sonho com algo impossível, sonho em trazer todo mundo pra cá e não em voltar. Entendo bem a dor que você passou, que te fez voltar… Concordo que quando formamos nossa própria família, nossas prioridades mudam, mas ainda assim, o sofrimento continua abafado no peito e de tempos em tempos é necessário colocar pra fora pra poder tocar a vida, seguir em frente. Eu despejo tudo nos santos ouvidos no meu marido e nas santas páginas do meu blog 🙂
      Obrigada por compartilhar sua história aqui ❤
      Beijos!

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  15. A saudade dói mesmo e ver os sobrinhos crescerem e os pais envelhecerem, mas sabe, as saudades têm outro lado, a gente quando está longe tende a embelezar mais as coisas, porque nosso cérebro é assim. Quando sentimos falta de alguém, nossa inteligência seletiva escolhe só os melhores momentos. Na realidade, a gente não volta, porque sabe que o dia-a-dia no Brasil é massacrante. Trânsito, falta de segurança, custo de vida altíssimo etc. A gente tem a família por perto nos finais de semana, mas no resto dela, a gente pasta. Valorizo a família e morro de saudades, mas as oportunidades estão aqui e a vida que a gente sempre sonhou também. Não me arrependo. Vejo minhas filhas crescendo sem Lepo Lepo e sexualização e agradeço. Adoro ir ao parque ou andar de carro sem ninguém me abordar para pedir dinheiro. Amo ir e vir, pegando trânsito sim, mas não aquele infernal de São Paulo e amo estar cercada de pessoas civilizadas e educadas. Estou fazendo um sacrifício, mas estou colhendo bons frutos. As saudades, a gente mata via Skype mesmo ou quando vai ao Brasil e está bom. Nenhuma relação é perfeita e quando estamos mais perto é exatamente quando nos sentimos mais distantes. A gente se une na distância. No final, cada um tem sua vida. A gente se reúne, os netos crescem com os avós, mas e aí? Um dia eles se vão e o legado que você deixará para seus filhos, netos e bisnetos ao proporcionar uma vida milhões de vezes melhor não tem preço.

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    1. Concordo absolutamente, Flavia! Repito: morro de saudade e de culpa, mas sei que não volto. Queria mesmo era trazer todo mundo pra cá :(, senão, vou acabar tendo que voltar a morar na “lanchonete da esquina”, rs, pra ver se voltando pro mesmo fuso a dor diminui um pouquinho…
      Beijos!

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  16. Lindo texto Erica. Cheio de sentimento e verdades. Moro em Sydney com meu marido ha praticamente 5 anos e a decisao de vir e de ficar teve sim que levar em conta tudo o que voce escreveu. E dificil ano so ficar, mas como ir visitor a familia. E tao complicado ir la agora, porque me sinto um peixe for a d’agua, e sim bate um pouco de culpa.
    Assim como voce disse, a vontade e de trazer todo mundo pra ca, quem dera pudessemos. Conheco algumas pessoas que depois de morar for a por anos (5-10) voltaram para a Brasil por decisao e apesar da felicidade de ter todos por perto, nunca mais se sentiram completes la tambem. Isso da muito pano pra manga, muita conversa que falta um botequim aqui pra poder filisofar. Enfim, escolhas, tudo sao escolhas que temos que fazer. Abraco.

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  17. haha Nas duas primeiras partes do texto voce falou o que esta acontecendo comigo ,minha irma esta para ter um filho, e meu melhor amigo idem haha…

    Muito Legal o texto
    beijos

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      1. pois é, nem eu sei como consigo sinceramente…sou filha unica e tenho uma filha, nós 3 somos mto apegadas (eu minha mae e minha filha) e qdo decidi morar aqui foi quase a terceira guerra mundial no começo, hoje tenho o apoio delas, elas ja conheceram Brisbane e Melbourne e entendem a razão pela qual quero ficar. Espero mesmo poder trazer minha filha em breve, talvez ano que vem e sem duvida nao deixarei minha mae no Brasil sozinha sem nós. Pais vao ficando idosos nao da pra deixar tao longe. O que me indigna muitas vezes é saber que se nosso país fosse pelo menos metade da decencia que é viver na Australia quase todos nós nem pensariamos em sair de lá.

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  18. Não teria dito melhor se tivesse tentado! Estou fora do Brasil faz 24 anos e sofri pra burro, comi o pão que o diabo amassou, como diria minha mãe! Nascimento de sobrinhos-netos, casamentos, Natais, aniversários, bodas, nascimento dos meus filhos, momentos difíceis sem ninguém pra te ouvir ou ajudar … Tudo isso molda quem vc se torna, depois de muitos anos morando longe de tudo e todos … Hoje em dia ta mais fácil, e verdade, a gente se acostuma com tudo. A única coisa que ainda sinto e não pertencer a lugar nenhum … Pertenço ao mundo, eu sinto, mas que eu gostaria mesmo era pertencer a um cantinho, cheio de gente que amo e morro de saudade!

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  19. Fantástico Post, pois a maioria dos postados as pessoas gostam de falar da coisas boas da Austrália, do respeito mútuo, das novas amizades, de realmente deslanchar em falar inglês, fora o transporte público, segurança, diversas praias e lugares para visitar, ganhar em dólar mesmo que seja pra trabalhar de cleaner, laibour ou kitchen hand, but, está parte triste da caminhada, acredito que as pessoas prefiram guardar pra si próprias. Estive em Sydney, por 6 meses, pra aperfeiçoar o inglês e cavar uma oportunidade em TI, deixei família, it means, Mãe, Esposa, Filhos e Amigos, e numa passagem do seu post, onde mencionou a mensagem de uma Mãe, realmente, algumas vezes me sentia assim, no trem partindo de Rockdale para Town Hall pra escola, ou para o trampo de driver em Bondi. Em TI recebi umas 10 ligações, mas sempre a primeira pergunta era: Wich kind is your visa? Resident? Work? No. Student. Sorry, we’re seeking for …. E com visto de estudante pra encontrar um sponsor e muito difícil, então, agora estou 1 mês de volta ao Brasil, ainda sem trampo, com algumas boas entrevistas mas nada concreto, e tentando se adaptar a vida aqui novamente, realmente e um choque de diferenças. Quero voltar, 6 meses e pouco pra conhecer tudo, e tudo significa, se tornar um native speak, e conhecer todos os lugares maravilhosos de lá, mas quero voltar com minha família, este suporte emocional será primordial pra sequência dos planos!! Cheers

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    1. Ai, Anderson, morar aqui tem sim inúmeras vantagens… e acho que os posts geralmente exaltam somente o lado positivo de se morar fora porque, além das vantagens serem muitas, precisamos nos convencer dia-a-dia que vale o sacrifício, não acha? É uma forma de racionalizar, de não deixar a emoção nos levar de volta pra uma realidade e um dia-a-dia que não nos oferece chances reais de uma vida tranquila, segura…
      O que você disse sobre encontrar um emprego é verdade. Apesar da grande demanda de profissionais qualificados, inglês fluente é fundamental e experiência local é muito importante. Além disso, raríssimas empresas estão dispostas a sponsor estrangeiros. De longe parece mais fácil do que realmente é “se dar bem” aqui.
      Mas se é isso o que você quer, não desiste não! Conheço vários exemplos de pessoas que persistiram e hoje estão aqui 😉
      Beijos,

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  20. recebi seu post hoje, enviado pela minha filha, Dalila, que esta morando em Perth desde novembro de 2013. Ela disse: estou mandando um texto que vi na internet para você, mas não precisa chorar; adivinha??? estou chorando de saudades, por causa do texto , por causa dos comentários. É verdade que as as mães sentem saudades, mais tambem muito orgulho, muita vontade que os filhos conquistem muitas vitórias, se não pode ser aqui´, no nosso quintal, que seja longe, mais sempre dentro do nosso coração. Além de estar longe da minha filha, também estou longe da minha melhor amiga. Me conforta saber que ela esta fazendo o que escolheu e está gostando. As vezes, peço para ligar o computador pois preciso ver o rosto dela e qdo a saudade aperta muito, peço que ela feche os olhos e sinta que estamos nos abraçando, como fazíamos sempre. Amo profundamente minha filha, peço a Deus todos os dia por ela e por meu genro, e agora vou pedir também por você e sua família, Fique bem. um abraço

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    1. Laide, conheço bem esse cenário… e admiro muito esses pais e mães que, como os meus e do meu marido, apoiam os filhos que escolhem voar pra longe do ninho em busca de uma vida melhor. Mas é sempre difícil e sempre vai ser, né?
      Obrigada, do fundo do coração, por incluir a mim e minha família em sus orações ❤
      Beijos!

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  21. Nossa tô aqui me acabando de chorar…..minha filha compartilhou comigo seu post, ela esta na Australia a pouco mais de um ano…..realmente ….oh saudade de doer….apesar de saber que ela esta feliz…sei também que sente muita falta do aconchego da família e dos amigos…..e é certo qdo diz da distância…é mesmo muito longe e caro…morro de vontade de correr até lá….mas correr é mesmo uma palavra tola qdo percebemos á distância á percorrer e logo desisto, por causa do trabalho e dos outros filhos que de mim dependem tanto ainda…afff….mas acabo por dar um suspiro e me agrado com o pensamento de que não esta longe porque foi morar com DEUS…esta longe porque escolheu ser feliz….e sei que pra morte não tem jeito….mas p matar a saudade de vez, tem jeito!!!aí me consolo…..bom dia linda!!

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    1. É dura a vida de uma mãe, né, Eliana? Hoje eu não só entendo isso melhor, como sofro por antecipação com a possibilidade de passar por algo semelhante no futuro. Mas a vida é assim, temos que dar asas pros filhos buscarem a felicidade, né? Foi isso o que você fez, o que meus pais fizeram e que, se assim tiver que ser, um dia eu farei, porque no fundo, nada pode fazer uma mãe mais feliz do que a felicidade de um filho… seja perto ou longe da gente.
      Beijos pra você.

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  22. Belo e profundo texto, Erica!
    um dia nossos avós ou bisavós tambem deixaram seu torrão natal, a Europa, e vieram “fazer a América”!
    deixaram tudo por dificuldades econômicas, pestes, guerras, ou outro motivo que os impeliram a cruzar o Atlântico, em geral numa segunda classe de um navio xexelento!!! Isso era determinação.
    Pouco mais de um século depois, cá estamos nós discutindo as vicissitudes e as vantagens de trocar de País, em busca de segurança e oportunidades que não mais existem por cá! Trocamos idéias, sentimentos e experiencias por uma tecnologia outrora inexistente!
    Quando meu avô trocou a França pelo Brasil, foi definitivo. Sabia que nunca mais voltaria e pouca chance haveria de ter qualquer notícia ou contato com os que ficaram! Colocou um punhado de terra no bolso antes de embarcar. Tudo por um sonho. Plano de evoluir! Assim foi, é e será! Ele era jovem. Voces fazem isso por serem jovens! Vida a construir! O sucesso de vocês abroad dá, aos que ficam, o afago para a saudade! Justificamos nossas emoções pois, no fundo, sabemos que estão bem (a web nos dá essa segurança). Aliás, frequentemente temos uma ponta de inveja dos que tiveram coragem e forjaram a oportunidade pra “cair fora”!
    Aqui morrem mais de 50.000 pessoas por ano assassinadas e outras tantas no transito. Jovens, em sua maioria. São em torno de 100 mil vidas retiradas de suas famílias. Essas famílias, sim, ficam destroçadas, sem significado, sem vontade de viver e lutar, após perder um dos seus! E se perguntariam, porque ficar? Em dez anos, mais de um milhão de vítimas. É uma catástrofe não assimilada. Parece que estamos sedados! Esta sim, é uma saudade sem volta, uma dor eterna. Penso que seus pais se confortam na segurança que vocês tem aí.
    Pelas razões acima e por outras tantas que nos rondam em terra brasilis, digo tranquilamente, vcs estão certos! Hora de levantar âncora. São tantas as decepções que, não dá pra olhar e se enxergar um futuro melhor por aqui.
    abcs

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    1. Miro, você está certíssimo.
      Quando racionalizo o processo, vejo que que nós, essa nova geração de migrantes, temos muita sorte de viver num mundo onde mudar de país não significa aniquilar o contato com o ninho. A internet com suas redes sociais, email, skype calls… contribui imensamente para termos um certo conforto emocional quando embarcamos em nossas aventuras. Não gosto nem de pensar em como era noutros tempos, onde a decisão era definitiva e rompia com laços – me dá angústia. Mas os tempos eram outros e até o relacionamento nas famílias era diferente. Hoje em dia somos criados com muito mais apego, não acha? A mentalidade na época dos nossos tataravós era tão diferente, eles eram tão mais desprendidos… Não que não fosse difícil pra eles romper com os laços e convívio familiar, mas sinto que pra esta nossa geração é muito mais dolorido.
      De qualquer forma, uma coisa é certa, se migramos é porque ao colocarmos na balança os fatores, o que pesa mais é a inviabilidade de uma vida decente no Brasil. E não estou falando de oportunidade de bom emprego… falo da vida como um todo, da sociedade, das hierarquias, das diferenças medonhas entre as classes, da falta de segurança, da falta de educação, da corrupção desenfreada em todo e qualquer setor.
      Lá no fundinho, sei que fiz a escolha certa, mas nem por isso deixo de sentir a dor da minha escolha 😦
      Obrigada pelo seu comentário super lúcido e encorajador ❤
      Beijos,

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  23. Eu fiquei um ano na Australia (pouco),voltei em 2010,exatamente por este motivo….família,amigos,zona de conforto,saudade,etc… passaram se 4 anos e percebi que aqui no Brasil,todos viveram e eu parei…..me especializei na profissao,nao fiquei parada profissionalmente,sempre tive uma vida profissional tranquila,bem remunerada( ate antes de ir)……na Australia,tinha sub empregos,ganhava bem menos do que eu ganho aqui no Brasil,mas era feliz,tinha qualidade de vida,trabalhava pouco,sem muita responsabilidade,ganhava pouco tbm,vivia num pais organizado,convivia com pessoas educadas…Será que vale a pena pensar tanto nas raízes e esquecer de si próprio e na sua qualidade de vida e felicidade???…..Eu sempre fui muito família,sou apegada demais,mas hj tenho minha familia e amigos por perto e a dor de ter voltado,a tristeza de viver num pais com muitos problemas!!!!….Nao sei o que é pior,ficar tao longe e sentir saudades do meu povo,ou ficar perto e ter saudades da Australia,rsrrsrsrs.

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    1. Esta vida é mesmo feita de escolhas, né, Esme? Infelizmente é impossível se ter tudo 😦 Eu, apesar da dor da saudade, não consigo me imaginar de volta ao Brasil, ainda mais agora com dois molequinhos pequenos… Claro que a vida aqui não é perfeita e há sim certas preocupações, mas quando a gente coloca na balança, os prós de se viver aqui pesam muito mais. Mesmo sendo tão longe… Obrigada por compartilhar um pedacinho da sua experiência 🙂 Beijos

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  24. Poxa, vou te contar, fiquei deprimida com esse post, pq sei, ou melhor, na minha opinião, opinião de quem já esteve do lado de lá( que foi deixado para trás, por assim dizer), que para quem fica a saudade bate mais forte, vc vive onde já conviveu com seu filho que foi embora( no meu caso era namorado, não filho), enfim, tem mais lembranças, a cada vez que olha para aquela casa, aquela rua, aquela escola…e agora sou eu que estou do outro lado do mundo, estou aqui( na China) há dois meses e vc acredita que quase todos os dias eu sonho que minha mãe e minha irmã estão aqui e eu estou mostrando a cidade para elas? Imagine para elas que ficaram lá ;( , mas, o jeito é procurar o que nos parece melhor e tentar remediar o que dá. Bj Érica!

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