E a saúde como vai?

Tá sentado? Se não tá, senta, porque lá vem a história.

Antes de viajarmos a correria foi tão grande que acabei não postando sobre o assunto que mais tomou meus pensamentos no último ano, o Sjogrens.

Serei breve (oi?), até porque, estou passando por um momento ótimo, então não quero boicotar a mim mesma trazendo à tona pensamentos e sentimentos que me fazem mal.

No mês que antecedeu nosso embarque pra Europa, resolvi mudar algumas coisas. Parei de ler sobre Sjogrens, Lupus, Celiac Disease e todas as doenças e sintomas associados, porque definitivamente, saber sobre o infortúnio alheio não só não estava me ajudando a “cope” com minha condição, mas, pior, estava me levando pro fundo do poço, um lugar escuro, frio e sem esperança. Resolvi então olhar o outro lado da moeda, dar uma chance ao engano, focar na esperança.

Comecei trocando de clínico geral. Maridinho encontrou pra mim a melhor GP de Melbourne. Ela é simplesmente tudo o que eu estava precisando – bem nos moldes Soninha. Extra cuidadosa, atenciosa e humana. Como a maioria dos GPs por aqui, ela não é daqui. É árabe, eu acho (ou algo que o valha), tem um jeitinho frágil e um olhar compreensivo. Menrit Abrahams é seu nome, caso alguém por estes lados, esteja querendo mudar de médico.

Bastou a primeira consulta (sem pressa), o primeiro contato, a primeira conversa, pra que eu visse um fio de luz, a chamada esperança, no fim da escuridão do túnel em que eu me encontrava. Fui, conversei, levei exames, contei tudo, desde o princípio.

Ela me pediu outros tantos exames e me sugeriu procurar uma segunda opinião – aliás, gente, como foi que eu mesma não pensei nisso? Talvez por eu estar tão mergulhada em minhas mazelas, não tenha conseguido considerar que nem tudo fosse realmente verdade.

Fiz novos exames. Descobri que muito embora minha Hemoglobina estivesse okay, minha ferritina não estava nada okay e isto poderia explicar muita coisa. Não tudo, mas muita coisa. Meus anticoprpos antinucleares seguem nas alturas, e isso aliado à boca seca já indica que o Sjogrens de fato faz parte da minha vida. Mas agora já vejo a doença com outros olhos.

Antes de me encaminhar para um novo reumatologista, ela me disse assim: “não posso te dar um diagnóstico definitivo, porque não sou especialista, mas eu diria que a maior parte dos seus problemas estão associados aos níveis baixíssimos de ferritina no seu organismo… E, sinceramente, não acredito que você tenha Lúpus”. Ouvir isso foi como receber uma injeção de ânimo, uma dose de esperança.

Fui ao reumato. Na verdade não foi exatamente o profissional que ela havia indicado, mas seu colega de consultório, já que o médico referido não estava mais aceitando pacientes. Quando cheguei para a minha consulta, me deparei com um médico mais novo do que eu esperava, o que a princípio me causou uma certa descrença. A verdade é que por mais tolo que possa parecer, cabelos brancos num médico te (me) dão mais segurança. Mas a falta de confiança foi-se embora um minuto após a consulta começar. Além de ser um profissional super atencioso, ele conduz grupos de pesquisa em Lúpus no Hospital Universitário da Monash, o que por si só já não é pouca coisa.

Fiz mais exames.

Ao retornar, tive o atendimento que estava esperando desde o início dessa história toda. O Sjogrens de fato estava confirmado, entretanto, após uma longa conversa, ele me garantiu que neste momento eu não preciso de nenhum tratamento, nenhum remédio, nada, porque apesar do sjogrens poder sim desencadear condições graves, a maioria dos pacientes com a doença, passam a vida só com a boca e os olhos secos e acabam aprendendo a lidar com isso, o que, sinceramente, está bom pra mim :). Disse também que, apesar do Lúpus andar de mãos dadas com o Sjogrens, eu não tenho absolutamente nada que indique a presença desta segunda doença, apesar da perda de cabelos exagerada. Disse, entretanto, que o fato de minha ferritina estar muito baixa, mesmo eu comendo carne vermelha e tomando suplemento de ferro, indicava que alguma outra coisa estava errada: ou eu estou perdendo muito ferro, ou não estou absorvendo at all, e isso deveria ser investigado. Mas a melhor parte da consulta foi esta: “Erica, vá à praia. Pegue sol, deixe a vitamina D entrar naturalmente. Só não abuse, porque ninguém pode abusar do sol, especialmente na Austrália, onde o índice de câncer de pele é altissimo. Se você apresentar algum sintoma após a praia (cansaço extremo, rash…), você volta aqui e a gente toma as providências necessárias.”

Não, vocês não tem noção do quanto isso me fez feliz. Foi como se eu estivesse acorrentada no fundo de uma caverna escura e de repente tudo se transfomasse em pó: caverna, correntes… tudo virou pó. Cheguei a sentir o sol ardendo na pele e a ouvir o barulhinho do mar. Uma felicidade inebriante tomou conta de mim. Confesso que não sei o que  e se ele falou algo mais. Eu havia acabado de ouvir tudo o que eu precisava ouvir e estava nas nuvens.

A história continua…

Minha querida GP, me indicou também uma gastro, e foi lá que, ao ver os resultados dos meus exames, ela conversou comigo sobre a possibilidade de eu ter a tal da Celiac Disease (intolerância a glúten) , que apesar dela não acreditar, dado que eu não apresentava muitos indícios, precisava eliminar as possibilidades para encontrar o motivo para níveis tão baixos de ferro no organismo.

Agendei uma transfusão de ferro e dois dias antes de viajarmos, lá fui eu pra clínica, passar horas espetada no braço, recebendo doses cavalares de ferro. Dessa forma, me garantiram que, pelo menos, meu ferro iria estabilizar por um bom tempo e logo, logo eu iria me sentir mais bem disposta. Dito e feito. Não fosse essa injeção de ferro, nossa temporada fora teria sido um fiasco.

Mas não pára por aí… Além da reposição de ferro (que me custou a bagatela – só que não – de 500 dólares), agendei uma endoscopia e uma colonscopia para quando voltasse da viagem – isso acontecerá dia 7 de agosto – para conferir se está tudo certinho. Caso não esteja, a má absorção de ferro estará explicada, mas… terei que cortar o glúten foreverandever da minha dieta, o que será devastador. Mas a nova Erica não se desespera por antecipação. Deixemos o desespero para quando o motivo for real, porque sempre existe a possibilidade de não haver motivo e aí, terei me estressado por nada.

Hoje, três meses após estas mudanças fundamentais, que foram sucedidas de 2 meses fora, estou de volta à Melbourne e à vida normal, ainda com os cabelos bem ralinhos e ressecados e a boca extremamente seca. Mas isso não vai me impedir de ir ao salão retocar as raízes, tampouco de degustar, vez por outra, meu vinhozinho (hábito que adquiri nesses dois últimos meses, muito embora minha boca seca não agradeça).

Estou também cansada, sem energia, sem ânimo, mas não por causa da doença, acredito, até porque o Mauri também está assim e “culpamos” os passeios intensos dos últimos 10 dias, seguidos de uma viagem infinita de volta que atrapalhou completamente nosso fuso, nos fazendo trocar o dia pela noite já há 3 dias. Acredito, sinceramente, que o cansaço extremo e a falta de disposição que eu andava sentindo se deviam à falta de ferro. Agora, é torcer pra que o tenha gerado a falta de ferro seja a perda de ferro e não a má absorção.

Dedinhos cruzados 😉

PS. Já falei que tô num bronze de dar inveja (e olha que só fui à praia 3 vezes nesses 2 meses)?  Mas a minha felicidade maior é que ele não veio acompanhado de nenhum sintoma de Lúpus, o que indica claramente que, pelo menos essa autoimune não me pertence (pelo menos não no momento). Significa também que se eu tivesse começado a tomar aquele caminhão de remédios fortes que me foram prescritos pelo meu ex-reumato, hoje estaria aqui cheia de efeitos colaterais, feeling míserable. Santo sexto sentido.

Felicidade é o que descreve com perfeição o meu estado de espírito no momento. Agora é voltar pra Yoga – que I miss so much – e viver um dia de cada vez, uma alegria de cada vez, porque a tristeza e o estresse eu quero bem longe de mim.

Quem acha que minhas últimas decisões antes da viagem foram as melhores que fiz nos últimos tempos, levanta a mão 🙂

 

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