E a saúde como vai?

Tá sentado? Se não tá, senta, porque lá vem a história.

Antes de viajarmos a correria foi tão grande que acabei não postando sobre o assunto que mais tomou meus pensamentos no último ano, o Sjogrens.

Serei breve (oi?), até porque, estou passando por um momento ótimo, então não quero boicotar a mim mesma trazendo à tona pensamentos e sentimentos que me fazem mal.

No mês que antecedeu nosso embarque pra Europa, resolvi mudar algumas coisas. Parei de ler sobre Sjogrens, Lupus, Celiac Disease e todas as doenças e sintomas associados, porque definitivamente, saber sobre o infortúnio alheio não só não estava me ajudando a “cope” com minha condição, mas, pior, estava me levando pro fundo do poço, um lugar escuro, frio e sem esperança. Resolvi então olhar o outro lado da moeda, dar uma chance ao engano, focar na esperança.

Comecei trocando de clínico geral. Maridinho encontrou pra mim a melhor GP de Melbourne. Ela é simplesmente tudo o que eu estava precisando – bem nos moldes Soninha. Extra cuidadosa, atenciosa e humana. Como a maioria dos GPs por aqui, ela não é daqui. É árabe, eu acho (ou algo que o valha), tem um jeitinho frágil e um olhar compreensivo. Menrit Abrahams é seu nome, caso alguém por estes lados, esteja querendo mudar de médico.

Bastou a primeira consulta (sem pressa), o primeiro contato, a primeira conversa, pra que eu visse um fio de luz, a chamada esperança, no fim da escuridão do túnel em que eu me encontrava. Fui, conversei, levei exames, contei tudo, desde o princípio.

Ela me pediu outros tantos exames e me sugeriu procurar uma segunda opinião – aliás, gente, como foi que eu mesma não pensei nisso? Talvez por eu estar tão mergulhada em minhas mazelas, não tenha conseguido considerar que nem tudo fosse realmente verdade.

Fiz novos exames. Descobri que muito embora minha Hemoglobina estivesse okay, minha ferritina não estava nada okay e isto poderia explicar muita coisa. Não tudo, mas muita coisa. Meus anticoprpos antinucleares seguem nas alturas, e isso aliado à boca seca já indica que o Sjogrens de fato faz parte da minha vida. Mas agora já vejo a doença com outros olhos.

Antes de me encaminhar para um novo reumatologista, ela me disse assim: “não posso te dar um diagnóstico definitivo, porque não sou especialista, mas eu diria que a maior parte dos seus problemas estão associados aos níveis baixíssimos de ferritina no seu organismo… E, sinceramente, não acredito que você tenha Lúpus”. Ouvir isso foi como receber uma injeção de ânimo, uma dose de esperança.

Fui ao reumato. Na verdade não foi exatamente o profissional que ela havia indicado, mas seu colega de consultório, já que o médico referido não estava mais aceitando pacientes. Quando cheguei para a minha consulta, me deparei com um médico mais novo do que eu esperava, o que a princípio me causou uma certa descrença. A verdade é que por mais tolo que possa parecer, cabelos brancos num médico te (me) dão mais segurança. Mas a falta de confiança foi-se embora um minuto após a consulta começar. Além de ser um profissional super atencioso, ele conduz grupos de pesquisa em Lúpus no Hospital Universitário da Monash, o que por si só já não é pouca coisa.

Fiz mais exames.

Ao retornar, tive o atendimento que estava esperando desde o início dessa história toda. O Sjogrens de fato estava confirmado, entretanto, após uma longa conversa, ele me garantiu que neste momento eu não preciso de nenhum tratamento, nenhum remédio, nada, porque apesar do sjogrens poder sim desencadear condições graves, a maioria dos pacientes com a doença, passam a vida só com a boca e os olhos secos e acabam aprendendo a lidar com isso, o que, sinceramente, está bom pra mim :). Disse também que, apesar do Lúpus andar de mãos dadas com o Sjogrens, eu não tenho absolutamente nada que indique a presença desta segunda doença, apesar da perda de cabelos exagerada. Disse, entretanto, que o fato de minha ferritina estar muito baixa, mesmo eu comendo carne vermelha e tomando suplemento de ferro, indicava que alguma outra coisa estava errada: ou eu estou perdendo muito ferro, ou não estou absorvendo at all, e isso deveria ser investigado. Mas a melhor parte da consulta foi esta: “Erica, vá à praia. Pegue sol, deixe a vitamina D entrar naturalmente. Só não abuse, porque ninguém pode abusar do sol, especialmente na Austrália, onde o índice de câncer de pele é altissimo. Se você apresentar algum sintoma após a praia (cansaço extremo, rash…), você volta aqui e a gente toma as providências necessárias.”

Não, vocês não tem noção do quanto isso me fez feliz. Foi como se eu estivesse acorrentada no fundo de uma caverna escura e de repente tudo se transfomasse em pó: caverna, correntes… tudo virou pó. Cheguei a sentir o sol ardendo na pele e a ouvir o barulhinho do mar. Uma felicidade inebriante tomou conta de mim. Confesso que não sei o que  e se ele falou algo mais. Eu havia acabado de ouvir tudo o que eu precisava ouvir e estava nas nuvens.

A história continua…

Minha querida GP, me indicou também uma gastro, e foi lá que, ao ver os resultados dos meus exames, ela conversou comigo sobre a possibilidade de eu ter a tal da Celiac Disease (intolerância a glúten) , que apesar dela não acreditar, dado que eu não apresentava muitos indícios, precisava eliminar as possibilidades para encontrar o motivo para níveis tão baixos de ferro no organismo.

Agendei uma transfusão de ferro e dois dias antes de viajarmos, lá fui eu pra clínica, passar horas espetada no braço, recebendo doses cavalares de ferro. Dessa forma, me garantiram que, pelo menos, meu ferro iria estabilizar por um bom tempo e logo, logo eu iria me sentir mais bem disposta. Dito e feito. Não fosse essa injeção de ferro, nossa temporada fora teria sido um fiasco.

Mas não pára por aí… Além da reposição de ferro (que me custou a bagatela – só que não – de 500 dólares), agendei uma endoscopia e uma colonscopia para quando voltasse da viagem – isso acontecerá dia 7 de agosto – para conferir se está tudo certinho. Caso não esteja, a má absorção de ferro estará explicada, mas… terei que cortar o glúten foreverandever da minha dieta, o que será devastador. Mas a nova Erica não se desespera por antecipação. Deixemos o desespero para quando o motivo for real, porque sempre existe a possibilidade de não haver motivo e aí, terei me estressado por nada.

Hoje, três meses após estas mudanças fundamentais, que foram sucedidas de 2 meses fora, estou de volta à Melbourne e à vida normal, ainda com os cabelos bem ralinhos e ressecados e a boca extremamente seca. Mas isso não vai me impedir de ir ao salão retocar as raízes, tampouco de degustar, vez por outra, meu vinhozinho (hábito que adquiri nesses dois últimos meses, muito embora minha boca seca não agradeça).

Estou também cansada, sem energia, sem ânimo, mas não por causa da doença, acredito, até porque o Mauri também está assim e “culpamos” os passeios intensos dos últimos 10 dias, seguidos de uma viagem infinita de volta que atrapalhou completamente nosso fuso, nos fazendo trocar o dia pela noite já há 3 dias. Acredito, sinceramente, que o cansaço extremo e a falta de disposição que eu andava sentindo se deviam à falta de ferro. Agora, é torcer pra que o tenha gerado a falta de ferro seja a perda de ferro e não a má absorção.

Dedinhos cruzados 😉

PS. Já falei que tô num bronze de dar inveja (e olha que só fui à praia 3 vezes nesses 2 meses)?  Mas a minha felicidade maior é que ele não veio acompanhado de nenhum sintoma de Lúpus, o que indica claramente que, pelo menos essa autoimune não me pertence (pelo menos não no momento). Significa também que se eu tivesse começado a tomar aquele caminhão de remédios fortes que me foram prescritos pelo meu ex-reumato, hoje estaria aqui cheia de efeitos colaterais, feeling míserable. Santo sexto sentido.

Felicidade é o que descreve com perfeição o meu estado de espírito no momento. Agora é voltar pra Yoga – que I miss so much – e viver um dia de cada vez, uma alegria de cada vez, porque a tristeza e o estresse eu quero bem longe de mim.

Quem acha que minhas últimas decisões antes da viagem foram as melhores que fiz nos últimos tempos, levanta a mão 🙂

 

último dia antes de voltar à labuta

Ontem, mais uma vez, acordei às 4 da tarde – ó Deus, quando voltarei ao normal? O pior é que acordei porque fui acordada, poderia ter, tranquilamente, seguido dormindo – pasme! E como era dia de jogo, melhor dizendo, madrugada de jogo, nos juntamos aos amigos e fomos torcer pelo Brasil. Aliás, ô joguinho suado, viu? Bolinha pequena que não entrava no gol nem por um decreto. Por fim, quem diria, o rei da partida não foi o Santo Neymar, e sim o ‘Ave’ Julio Cesar (se bem que aquele pênalti do Neymar foi amazing – vocês viram o reflexo do goleiro, quando o Neymar fez seus passinhos enganadores? Priceless! rs).

A noite foi uma delicia, cheia de gente boa e regada a pizzas maravilhosas, arte do Chef Valansi, que apesar de jurar que a massa não era segredo de família, não passou a receita, humpf! Sério, fazia tempo que eu não comia uma massa tão gostosa!

Mas quem assiste a Copa do Brasil aqui da Austrália só vai dormir de manhã, então mais uma vez, muito embora a escuridão lá fora não fosse consistente com o adiantado da hora, deitamos já passava das 7 da manhã. Ainda morro disso!

O pior é que fomos todos (eu, Vivi e Nick) arrancados da cama antes das 2 pm, por um Mauricio decidido a entrar no fuso de uma vez por todas. Agora estamos aqui, às 4, caindo pelas tabelas de tanto sono e com o projeto de ir dormir às 7, rs

Ainda tenho uma mala inteira pra esvaziar, um office pra colocar em ordem e uma agenda do mês para fechar, mas… quem disse que tenho disposição?

De qualquer forma, com ou sem disposição, fora ou dentro do fuso, amanhã volto à ativa e a to-do list é longa.

PS. Alguém, por favor, me leva de volta pra França? Tô aqui quase deprimida com esse tempinho mequetrefe desse inverno Melbourniano, somado ao fato que temos vivido feito morcegos, dormindo de dia e acordadíssimos à noite. Quero minha fake life de volta, plisssss!

PS2. Por falar em fake life… será que dá pra mandar meu Astrinha Holden embora e trazer pra mim o BMW que dirigimos na Zoropa? Sério, tô me sentindo numa lata de sardinha 😐

primeiro dia de volta – e o fuso continua confuso

Cheguei em casa, mas só de corpo. Minha alma ficou lá na Zoropa. Fui dormir às quase 6 da manhã e acordei às quase 4 da tarde (muito a contra-gosto). Hoje tô aqui, ligadona às quase 4 da matina novamente – mas assim que terminar este breve post vou me embora tentar dormir. Neste momento, ouço barulhos vindo do quarto ao lado (Vivi parece estar sem sono).

Hoje o dia foi assim: acordei tarde, tomei um banho demorado que valeu cada segundo e descobri: melhor do que dormir na própria cama, só mesmo tomar banho no próprio banheiro – isso porque nem fiz uso da banheira ainda (ficou pra amanhã, rs). Ai como é bom lavar o cabelo e sentir que ele realmente ficou limpo. Na espanha e na França, meus cabelos estavam um horror! Ressecados, sem vida, sem jeito, sem nada. Nem meu Shu Uemura deu jeito! Mas hoje tô me sentindo revigorada. O engraçado é que ao me olhar no espelho, pareço outra pessoa. A pele curtida do sol nosso de cada dia (nos dai hoje?), me fez morena. De um moreno que não conheço desde que habitava minha cidade maravilhosa e as praias de encantos mil. Minhas pernas perderam a branquelidão (dá licença, tá?) e até meus pés estão curtidos, graças ao corte raso das Melissas companheiras de andanças – que afirmo, não dão chulé! Maaaaas, como nada é perfeito, tô com marca de camiseta e de shortinho – não muito forte, porque tive 3 diazinhos de praia, mas a marca de gringa aparece, fazer o que? O bom é que como estamos no inverno, ninguém nunca saberá, rs.

Abre parêntese –>se você acompanha minhas histórias, deve estar se perguntando: “mas ela pegou sol? Como assim?” – isso eu explico num próximo email, até porque, agora que voltei, tenho que completar meu ciclo de exames, mas a boa notícia é que aparentemente eu não tenho, ainda, o tal do Lúpus…. por enquanto “somente”o Sjogrens me acompanha com certeza e talvez a Celiac Disease, mas dedinhos cruzados pra que este segunda não seja confirmada. Estou otimista. <– Fecha parêntese.

Hoje foi dia de fazer a laundry também (na verdade o maridinho começou o serviço sujo ontem de madrugada, enquanto assistia aos jogos). Fiz a segunda descoberta: como é bom não ter que estender roupa no varal. Neste ponto, esses dois meses fora pareceram intermináveis. Essa história de lavar roupa a cada 3 dias, tendo que estender no varal, definitivamente não é pra mim. Sou da turma da secadora, que passa a roupa com a mão. Pronto, falei! 😛 O ruim é que a secadora já encolheu as blusas novas do Mauri – fazer o que, né? O lance é adotar o visual babylook, rsrsr

Ainda estamos em processo lento de desfazer as malas, colocar tudo em ordem novamente. Aliás, só pra deixar registrado, meu maridinho que na véspera de viajarmos ficava perguntando: “pra que arrumar tanto a casa, trocar roupas de cama e banho, lavar tudo, dobrar, guardar… pra que deixar tudo tão limpinho se não estaremos aqui?”(coisas de marido, né?), me agradeceu por estar tudo bonitinho quando chegamos. Foi só deitar e descansar – Cama limpinha, banheiros limpinhos, tudo como deve ser 🙂 – pelo menos ele reconhece, né?

Acho que vou demorar mais pra colocar tudo em ordem porque fico alternando a arrumação da casa com a arrumação da minha agenda e a quitação dos compromissos mais urgentes. Só sei que até domingo, tudo deve estar terminado, para que na segunda eu possa começar com os projetos agendados pro mês. Boa sorte pra mim.

E nesse meio tempo, ainda tem jogo do Brasil, que nós assistiremos de madrugada (às 2 da matina) – e nessa hora eu agradecerei por ainda estar fora do fuso 🙂

Vortamos! :P

Após 2 meses na Zoropa e horas infinitas no ar, eis que os bons filhos à casa tornam!

Deixamos a Espanha num dia perfeito para fim de viagem: nublado e chovendo 🙂 Todo mundo sabe que último dia de viagem é sempre mortinho, né? Então, o nosso não foi diferente, com o adicional de que o penúltimo dia também foi fail total, hahaha – tô rindo porque nossa temporada foi tão, mas tão boa, que as derrotas finais não me abalam 🙂

Saímos de Provence na terça-feira, 24 era quase meio-dia e, a princípio, partimos rumo ao nosso já reservado hotel em Perpignan. Só que… no meio do caminho, sendo vencidos pelo cansaço (especialmento o Vivi, que àquela altura não aguentava mais ouvir falar em passeio) e motivados pelo calorão e sol de lascar, mudamos de planos e em vez de passarmos a tarde turistando, resolvemos cancelar a reserva em Perpignan (maravilhas desta era em que vivemos! reserva cancelada no dia, sem pagar um tostão) e dirigir um pouco mais até Costa Brava, já na Espanha, e passar a tarde na praia relaxando e nos despedindo do verão. Mas não era mesmo pra termos um final feliz…

Enquanto nos aproximávamos da Espanha, o tempo foi fechando (oi?). Ao chegarmos na região de Costa Brava, a costa estava realmente brava, bravíssima, sem sol, sem vida. O mar escuro, a praia sem graça.

Fomos almoçar.

Meu salve-salve FourSquare nos indicou um restaurante italiano, num bequinho, me garantindo que lá comeria tapas de qualidade, porém, nós, incrédulos, quando nos deparamos com o estabelecimento, olhamos pra trás e foi praticamente impossível não optar por um dos restaurantes na beira da praia (mesmo ela estando ‘feiosa’ e sem sol). Aí, gente, por mais que eu soubesse, só de olhar pro menú na porta, que seria derrota, atraídos pelo mar e pela ideia de restaurante-na-beira-da-praia, nos sentamos. ô, se arrependimento matasse, viu? Não tava aqui pra contar, rsrsr

Pra começar, não serviam tapas (OI????) e pra terminar, ô comidinha ordinária (quer dizer, antes fosse ordinária! Ruim mesmo). Eu, na ilusão do meu jantar na noite anterior no restaurante do Hotel, pedi novamente camarões, pensando não ter erro, afinal, até em quiosque na beira da praia em Arraial do Cabo se come camarãozinho frito gostosinho, né não? Pois é, turns out L’Escala não é arraial. Pela primeira vez na vida, não consegui comer camarões. Um gosto horrível, de maresia, sei lá. Só sei que aqueles camarões de fresco não tinham nada. Saí de lá me sentindo mal, cheia de azia. Depois dessa, suspendemos os planos de ficar na cidade e decidimos dar mais uma esticada até Girona, que foi onde passamos nossa última noite.

Já disse como eu amo viver num mundo de smart phones e GPS? Como é que a gente vivia antes, gente? Pelamordedeus! Entramos no carro e fomos pra Girona, onde apesar do tempo mequetrefe e de estar quase tudo fechado, no bom esquema cidade fantasma (será que era feriado?), conseguimos fazer um passeio pela cidade velha (mesmo com o Vivi reclamando horrores, coitado) e no meio do passeio já havíamos bookado nosso hotel, ali pertinho.

A tarde terminou com um crepe de nutela e a noite com um jantarzinho despretensioso no hotel mesmo (porque a gente estava morto com farofa) que acabou sendo inesperadamente gostoso. Depois disso, cama!

O último dia não teve nem tentativa de passeio. Dormimos até mais tarde, tomamos café no hotel, fizemos uma horinha e partimos. Chegamos no aeroporto just in time para devolver o carro e fazer o check-in – já falei como é a boa a vida quando todos os membros da família tem o mesmo tipo de passaporte? :O)

Ah, quando estávamos na sala de espera, recebemos uma mensagem da locadora de carros, dizendo ter encontrado o cartão do Mauricio (sim, aquele que achamos ter perdido num dos pedágios no início da nossa viagem pra França). Dá pra acreditar que não procuramos direito dentro do carro?? Dãaaa… Enfim, too late, cancelamos faz tempo.

A viagem foi longa, mas thank God, os vôos foram tranquilos. E tirando o fato de que SEMPRE há algo de errado com um dos nossos 4 assentos (desta vez, minha mesinha não ficava completamente na horizontal no primeiro vôo e a poltrona do Vivi não inclinava completamente no segundo), foi tudo ótimo: os aviões da Qatar são novos e confortáveis, com espaço justo para as pernas (especialmente no vôo de 15 horas) e os comissários de bordo foram super amáveis. Recomendo 🙂

Ao chegarmos em Melbourne, o processo foi todo bem rápido também e quando piscamos já estávamos no taxi em direção a nossa casinha. O único problema foi que os meninos dormiram durante o vôo inteiro, ou seja, chegamos meia-noite e estavam ligados na tomada. Eu, apesar de nunca dormir nem  uma hora seguida durante os vôos, também estava elétrica. E faminta. E não tinha um nada em casa. Mas….. quando se tem amigos, a vida fica muito mais colorida, né não?

Nossa super heroína de plantão, tia Flavia Kamimura, preparou from scratch, um empadão divino pro nosso jantar e um bolo maravilhoso pra sobremesa – me senti especial 🙂 Foi só esquentar e pronto, família lindamente alimentada!

Depois disso, aproveitei o fuso confuso e fui cuidar de mandar pôsteres para a gráfica e começar a organizar minha agenda, porque, semana que vem, já volto à ativa, minha gente (mesmo com o Vivi estando em school holidays)! Aliás, momento confissão: esse lance de ter o próprio negócio e trabalhar de casa, dá mais, muito mais trabalho do que eu imaginava. Que Papai do Céu me ajude 🙂

Em tempo: já viram as novidades todas que tivemos durante esses meses que passamos fora? Não?

O Cheer Up! foi featured no Apartment Therapy, no Meu Móvel de Madeira  (aliás, há um tempinho, teve esse outro aqui) e no Babyology. Além disso, um pedacinho da nossa casinha apareceu na revista da Ikea. Not bad, né não? E tem mais por vir, aguardem 😉

 

Fontaine de Vaucluse + Menerbes


Hoje, pra encerrar nossa estada en Provence com chave de ouro, fomos à Fontaine de Vaucluse, um lugarejo lindo, de onde brotam as águas magnificamente translúcidas do rio Sorgue.

Chegamos e como já estava tarde, nossa primeira providência foi parar pra almoçar. Muito embora soubéssemos que seria furada, escolhemos (do verbo “meu marido escolheu”) um dos primeiros restaurantes que vimos pela frente, às margens do rio Sorgue e entramos. Olha, não é que se coma mal na França, não mesmo, mas quanto mais turístico é o local, pior é a comida (isso seja na França, na Espanha, ou em qualquer outro lugar do planeta). A verdade é que trata-se melhor o cliente que vai voltar e o turista não é um cliente cativo – já viu, né? Então, fica a dica, se você preza suas papilas gustativas, não coma em pontos altamente turísticos. Procure sempre que possível as ruelas e os restaurantezinhos escondidos. Nunca vá no lugar mais fácil, a menos que você não se importe com a qualidade do serviço e da comida.

Mas voltando ao nosso almoço. Fraco, muito fraco. Tão fraco que preferia não ter almoçado. Vejam bem, normalmente quando almoço num restaurante “fraco”, não saio de lá com raiva do restaurante, mas de mim por ter sido preguiçosa. Desta vez, saí com raiva dos dois, de mim pela precipitação e do restaurante que me fez deixar metade do prato insosso lá. Nem a sobremesa se salvou. Será que eu sou muito exigente? Enfim, ao menos a vista do rio era linda 🙂

Após o almoço fomos em direção à fonte, de onde brotam as águas cristalinas: uma “poça” azul com um buraco negro e infinitamente profundo no centro, dentro de uma caverna. O acesso não é fácil para crianças pequenas como o Nick, que ficou desiludido por não ter chegado pertinho da fonte, mas o Vivi adorou a aventura 🙂

O entorno é de uma beleza estonteante: montanhas, ruinas de um castelo, o rio lindo de águas límpidas que permitem ver a vegetação no fundo, e muito verde por todos os lados. A cidadezinha também é fofa, mas extremamente turística, ao ponto de extrapolar no número de vendinhas, então curtimos muito mais a parte natureza do lugar, que vale muito a visita.

Saindo de lá, fomos à Ménerbes, outra aldeiazinha fofa, toda em pedra no alto da montanha. Linda de doer. Entretanto, talvez por ser segunda-feira, a cidade estava meio fantasma, sem uma viva alma pelas ruas. Éramos nós, as casas de pedra, o sol e a brisa das montanhas. Além do conjunto arquitetônico lindo, a vista também era exuberante, mas nem assim, nos motivamos a gastar mais tempo por lá e o motivo é bem simples, estávamos exaustos, com a bateria fraquinha, precisando com urgência descansar.

Viajar tendo dois molequinhos elétricos pra look after é cansativo por si só, e o ritmo em que estamos levando essa viagem é frenético, tão frenético que os meninos chegam no hotel, tomam banho e capotam. Só acordam na manhã seguintes, e mesmo assim porque “arrancamos”os dois da cama, porque a maratona de passeios tem que continuar :).

Hoje encerramos nosso dia mais cedo, até porque, tinha jogo do Brasil, então, voltamos pra casa, tomamos banho e fomos pela primeira vez, jantar no restaurante do hotel, que estava, pasme, cheio (e não era de hóspedes)!

Comemos super bem e fomos muito bem atendidos. O prêmio garfo de ouro vai pro meu primeiro prato: camarões gigantes sautè – gente o que era aquilo??? Uma explosão de sabores, uma delícia – nunca nesses meus tantos anos de vida comi camarões tão saborosos.

Se estiver programando férias em Provence, recomendo: fique no Le Mas Des Amandiers e não deixe de prestigiar o Restaurante do hotel – vale cada centavo. Aliás, se é pra recomendar, jantem no Cafe du Progrès em Maillane, um vilarejo pertinho – atendimento nota 1000 e comida nota 10.000 (apresentação e qualidade). Apesar de não termos conseguido comer lá em nossa última noite (nosso plano era assistir o jogo lá), porque o dono disse que não serviriam jantar naquela noite (decepção), só tenho boas recomendações do lugar 😉

Amanhã é dia de partir. Partirei com o coração na mão…

PS. O jogo do Brasil, assistimos no salão do hotel, junto com uma turma de franceses, dentre os quais, havia um que, pasmem, falava português – quem poderia suspeitar? Um francês super gente boa, que já trabalhou em Angola e visitou o Brasil várias vezes (Rio, Salvador e até mesmo Jaguaquara lá no interiorzão da Bahia – tá mais brasileiro que eu, rsrsr).

Descobrimos no apagar das luzes que até o dono do hotel (que aliás super recomendo!), apesar de não falar, entende bem o português, dá pra acreditar? Assistimos ao jogo suado, regados a licor de menta (tô muito cachaceira, rs) e com background francês – que deixa qualquer ambiente mais refinado (chique benhê, rsrs). E assim com uma vitória suada do Brasil, demos por encerrada nossa estada em Provence – confesso que não sem ficar com gostinho de quero mais.

Bormes Les Mimosas (+ quick Cassis)


Hoje foi dia de praia. L’Estaggnol. Praia longe. Praia que pra chegar, pegamos duas horas e meia de estrada e alguns pedágios (ô terra pra ter pedágio, meu Deus!) e quando chegamos, encontramos um estacionamento que mais parecia um camping, no maior estilo farofa e que pra entrar cobrava 8 euros.

Encontramos também uma praia com uma faixa estreita de areia já quase toda tomada devido o adiantado da hora (chegamos já passava do meio-dia, no final eu conto o porquê). Mas sabem de uma coisa? Adorei! Por quê? Porque adoro praia :), especialmente nesses moldes: pequena e com um mar calminho de cor linda e temperatura agradável. Mediterrâneo, I love you!

Cometemos a gafe de não comprar cangas ou toalhas de praia, contando que a praia fosse estilo as de Sitges, com vendedores pelo caminho. Ledo engano. Não só não havia uma cidadezinha colada, como também não havia mais do que dois restaurantes e uma vendinha que alugava cadeiras, e àquela altura, nem havia mais espaço na areia pra elas.

Ainda assim, seguimos as placas e láaaaa no finzinho encontramos a tal vendia que por sorte vendia esteiras de palha, mais baratas que o aluguel das cadeiras. Compramos duas esteiras e lambemos os beiços, rs.

Passamos horas felizes dormindo na esteira, brincando na agua e jogando frescobol. Que dia revigorante! Depois de tantas andanças o dia inteiro, todos dias, estávamos mesmo precisando desse refresco (as crianças, claro, a-ma-ram!). Como não levamos a farofa, rs, quando a fome bateu, resolvemos levantar acampamento e ir almoçar na cidadezinha no alto do morro (Bormes les Mimosas).

Gente, que gracinha de cidade! E pra deixá-la ainda mais cheia de encantos, estava rolando um festival de flores, que por estar já no finzinho, estavam distribuindo de graça, bouquets de flores lindíssimos 🙂

Como nem tudo são flores, demos nossa segunda mancada do dia: ainda impregnados pelos hábitos espanhóis, fomos almoçar tarde, e no sul da França, almoço rola até as 2pm. Se às quatro você senta num restaurante, assumem que é pra beber, ou tomar um sorvete… Menu do jantar só a partir das 7. Tivemos que nos contentar com um sorvete, fazer o que?

Demos uma volta pela cidade fofa, que estava toda enfeitada em bandeirinhas no melhor estilo junino e antes de pegarmos o caminho da roça, fizemos uma parada estratégica no banheiro público, porque meus meninos tem que visitar o Mr. Toilet a cada duas horas, e ao abrir a porta, me deparei com o inesperado: instalações no melhor estilo chinês! Buraco no chão :O Saindo de Bormes, resolvemos dar uma passada em Cassis, pra uma prainha de fim de dia (já que a noite só cai depois das 10pm), mas foi furada. Só encontramos praias de pedrinha – nada apropriadas para as crianças – e o tempo estava nublando, o que transforma instantaneamente um mar lindo, num mar sem graça. Até demos uma meia parada, mas nos conformamos rapidamente e fomos embora – detalhe: ainda sem almoçar!

Antes de irmos pro hotel, passamos em nosso boteco preferido em Maillane pra saber até que horas a cozinha ficaria aberta e fomos pegos de surpresa pela notícia que eles não estariam servindo jantar esta noite – oi? Como assim? Bom, eu acho que, como era dia de jogo do Brasil, eles preferiram não trabalhar e assistir o jogo (até porque, o palpite deles para a final, que estava estampado na frente do restaurant sob forma de duas bandeiras enormes, era França e Brasil – com a França, claro, ganhando do Brasil de 4 x 1, rsrsr). Anyway, no dinner for us!

O jeito foi passarmos novamente em St. Remy pra comer aquela pizza que dispensamos ontem à noite, já que nossos trajes praianos não estavam apropriados para estabelecimentos de mais respeito, rs. Compramos duas pizzas, uma garrafa de vinho, uma de água e fomos pro hotel. Encerramos o dia comendo pizza direto da caixa, no quarto – que viagem que não tem seu dia de pobre? 🙂

Em tempo: sabem porque, muito embora tenhamos acordado super cedo, saímos super tarde do hotel hoje? Porque perdemos a chave do carro – há! Acordamos, nos arrumamos, arrumamos as crianças, arrumamos a mochila, tudo pronto, até que o marido pergunta: “onde está a chave do carro?” Oi? Como assim? tá no lugar de sempre (que pode ser, ou em cima da mesa, ou do armário, ou da mala). Não estava. E assim começou a saga da procura da chave que levou, quase duas horas. Procuramos no estacionamento, no caminho até o quarto, perguntamos na recepção, reviramos o quarto de cabeça pra baixo, levantamos colchões, olhamos atrás do vaso, embaixo das camas, dentro de todas as malas, bolsas, mochila, geladeira, armário. Sacudimos cada lençól, corbertor, travesseiro. Esvaziamos a mala de roupa suja duas vezes, até que desistimos (justo no único dia em que programamos uma viagem mais longa). Sentamos e começamos a pensar. Não havia mais onde procurar, nem São Longuinho resolvia. Perguntamos mil vezes pro Nick se ele havia pegado a chave (porque ele adora brincar com chaves), se havia levado pra fora… tentei refazer caminhos com ele, mas ele sempre alegava que não havia pegado a chave. Mas como pode?? Iamos ter que ligar pra locadora. Até que o marido levanta e tira toda a roupa suja de dentro da mala (de novo) e ao mover a mala, ouve um barulho: era a chave, que não estava dentro, mas atrás da mala,  caindo no chão. E neste momento, Vivi da Silva Sauro, olha pra gente e fala: “Desculpa, desculpa, desculpa! Ontem eu me apoiei na mala e senti uma coisa caindo atrás, mas não sabia que era a chave”.  E assim, perdemos duas horas de praia nesse domingo ensolarado e ainda ganhamos uns cabelos brancos e umas rugas de brinde. Thanks, Vivi 😛

Aix en Provence + St. Remy pra jantar


Hoje foi um dia diferente, resolvemos sair da rota das aldeias encantadoras e tentar uma outra pegada. Fomos a Aix-en-Provence, conhecer a pequena Paris.

De fato, uma Paris miniature – bem miniature mesmo, rs!  É bonitinha, como uma boa cidade européia, mas sinceramente, ordinária (no sentido de não ser extraordinária, entende?). Não me arrancou suspiros – nem unzinho sequer.

Exploramos a cidade num passeio a pé, visitamos dois museus e nos demos por encerrado nosso dia.

Sinceramente, quando você conhece (e adora!) Paris, não há muito sentido em passear por uma petite Paris – frustração talvez…

Mas ó, não me arrependo, porque como disse, a cidade é bonitinha, além do mais foi ótimo pra reforçar a temática original do roteiro: após passarmos o dia lá, vimos que esta viagem está fundamentalmente na mood das aldeias. Prova disso é que pro jantar, voltamos a St. Remy, acredita? Até porque o almoço em Aix foi beeem caído – eu sei, tá parecendo que eu tô de má vontade com a cidade, né? Mas ó, juro que não. Entretanto, da próxima vez, sigo meus instintos (aqueles que limaram da lista Marseille, Arles…)

Anyways, como disse, voltamos a St. Remy pra jantar e por sorte estava Rolando um festival musical na cidade, ou seja, musica ao vivo em cada esquina – escolhemos o restaurante baseados no no estilo da banda que estava tocando em frente ao restaurante 🙂 e apesar do meu “risotto” de camarão ter vindo pobre em camarão e, pior, não ser risotto nem aqui nem na China (tava mais pra arroz a piamontesa), o vinhozinho e o pôr do sol com fundo musical nos fizeram encerrar o dia em grande estilo 🙂

Em tempo: não temos dado sorte com a culinária local – também pudera, o foursquare parece que não funciona por aqui! Acho que a região é tão turística que ninguém se preocupa em avaliar os restaurantes.