mini post aos pedaços

Pedaço 1:
Quase um mês em terras de Gaudi, hoje não resisti, o jantar foi brasileiro (ou quase). Fiz um panelão de feijão preto carregado (há quem chame de feijoada, rs), usando linguiça espanhola, bacon, louro e muito alho. Fiz arroz branquinho e uma farofinha esperta, usando farinha de rosca (porque nóis é malandro, rs). Marido participou também preparando filezinhos de frango fritos na manteiga. Gente, eu comi. Mas comi tanto que agora tô aqui, até o pescoço, passando mal.
Pedaço 2:
Este fim de semana vamos levar os moleques ao parque da Universal que tem aqui, o Port Aventura. Vamos no domingo cedinho e voltamos pra casa na segunda à noite. Hotel reservado, carro alugado, entradas do parque compradas e meninos ansiosos :). Ah sim, estamos levando os moleques ao Port Aventura porque cancelamos a EuroDisney. Dessa vez não vai rolar Paris não… no máximo o sul da França durante nossa ainda-não-programada-mas-já-agendada-roadtrip 🙂
Pedaço 3:
Já contei que o povo aqui almoça tarde? Então, o jantar é ainda mais tarde. Tem dias que sinto cheiro do camarão sendo frito quase meia-noite.
Pedaço 4:
E  os cheiros da cidade? Já nem sinto mais o fedor de esgoto, tampouco do de xixi. Já o cigarro – Jesus amado! A rua fede a cigarro! Pelo menos estamos a salvo dentro dos restaurantes – se bem que eu ainda prefiro ficar do lado de fora, nas mesinhas ao sol, mesmo com cigarro.
Pedaço 5:
Nick tá com o R carregado. Um espanholzinho legítimo, muito fofo :). Vivi segue se recusando a aprender a lingua e confessou que na escola a professora passa tarefas pra ele em inglês especialmente pra ele. Cho-quei!

sobre o lado negativo

Estamos morando num bairro super denso, de edifícios colados uns nos outros, não chega a ser como os do bairro gótico, mas ainda assim são bem menores do que o que estamos acostumados. No entanto, as dimensões do apê não são o problema – tô até gostando de ter todo mundo à vista, muito embora às vezes o barulho e confusão das crianças seja tanto que eu tenha vontade de me esconder de baixo da cama, rs.
Segundo o Vivi, o que tá fazendo falta nessa casa é uma escada “pra mamãe poder mandar a gente brincar lá em cima” – sabe que ele, em parte, está certo?! 🙂
Mas o que me incomoda mesmo-mesmo-mesmo é… o banheiro filho único de mãe solteira. Um banheiro só para uma família de 4 é uma experiência nova que eu não pretendo repetir. É dose! Especialmente naqueles momentos em que um corre pro banheiro e quando está no meio do seu business, vem o outro correndo dizendo estar apertado. Ontem mesmo, Nick estava no trono executando um número 2 quando o Vini aparece ensandecido, apertadíssimo pro xixi. Resultado? Nick  teve que dar um pause no business dele para efetuarmos a troca de reis. O que aconteceu? Não me perguntem como, mas Nickito teve sua blusa batizada pelo irmão. Ô sorte!
Hoje episódio parecido aconteceu, a diferença é que os dois estavam numa number two situation. “Anda Nic, pára de enrolar” – “Vini, segura aí, que teu irmão já tá acabando”. Ô estresse, rsrsr
PS. Com exceção do Nick, estamos todos gripados, com dor de garganta e cansados. Nick só não está mal porque é o único que não se cansa. O pequeno tem vida de rei, faz todos os passeios nos ombros do pai, só gasta as canelinhas pra brincar, porque durante os percursos, está sempre sendo carregado.
Temos programado para o fim de semana, um passeio ao parque da Universal, já que a EuroDisney não só subiu no telhado, como caiu de lá e quebrou as pernas, rs. Espero que estejamos todos bons até lá. Senão brocotó.

caixa cosmo e outros detalhes

Hoje o dia amanheceu friozinho (praga de Melbourne! rs), então resolvemos levar as crianças ao museu de ciências.
Primeiro ato:
Saímos de casa, pegamos o elevador e quando chegamos na portaria, que fica trancada aos finais de semana, meu digníssimo olha pra mim e pergunta: cadê a chave?
Sur-tei! Subi novamente com a esperança de encontrar a chave do lado de fora da porta do apê (porque, claro, a porta não abre por fora sem a chave). Adivinha? NÃO ESTAVA LÁ!
Desci novamente com a esperança de que o marido me recebesse com aquele já conhecido sorriso de vergonha, dizendo: tava no meu bolso… Mas não, o que encontrei foi um marido aguardando ansioso pela minha volta com a chave em mãos.
Surtei novamente! “Não é possível, Mauricio! Você deixou nos trancou pra fora de casa? E, pior, pra dentro do prédio! Comecei a imaginar a gente indo de porta em porta até encontrar um vizinho em casa que pudesse nos libertar do prédio, ou quem sabe, ligar pra um chaveiro…
Enquanto isso, Mauricinho começou a revirar a mochila, até que tadah! encontrou a bendita chave. Onde? Dentro do bolsinho de moedas da carteira (oi?!). E ainda levei a culpa: “nisso é que dá você falar comigo enqunto estou fechando a porta”. Okay, às vezes eu esqueço que o maridinho não desempenha duas funções ao mesmo tempo. Ou pensa, ou fala, ou fala ou tira a louça da máquina…
Enfim, estávamos sãos e salvos.
 
Segundo ato:
Saímos do prédio em busca de um taxi, pra evitar caminhar no friozinho, já que o Vivi havia acordado com o nariz funguento e uma tossezinha de cachorro. Fail!
Nada de taxi passar. Decidimos pegar o metro e fazer baldiação mesmo, e como aparentemente o marido é antigo, não se contentou com meu app do metro no iPhone, tampouco com o maps, voltou em casa pra pegar o mapa tradicional de turista. Enquanto isso eu fiquei no parquinho com os meninos.
Meia hora mais tarde, marido volta, contando que pegou o mapa, saiu, mas teve que voltar porque havia esquecido a mochila. Hello?? Escleroseeee! hahahaPassa tempo, tempo passa… Cadê o marido enrolado? Em casa, procurando o mapa. Liguei pra ele, já que ele preferiu procurar em vez de me perguntar onde estava, rs
Quando finalmente estávamos prontos pra seguir nosso caminho, Vini e Nick saem correndo, feito loucos selvagens e, vendo o sinal de pedestres verde, atravessam a rua sem nem olhar! O detalhe é que em ruas menos movimentadas, quando o sinal fica verde pros pedestres não fica vermelho pros carros, mas amarelo e piscando, ou seja, os carros podem passar – ou seja, pedestres, fiquem atentos!
Quando eu vi, estava gritando e correndo atrás deles feito uma maluca (aliás, já devo ser conhecida na praça, rs).
Nick estava na versão monstrinho. Ficou irado com a bronca e começou a berrar, chutar, bater, fazer pirraça das feias (e eu tentando contornar com a calma que tirei sei lá de onde). Eh… aquela cara de anjinho engana muito! Tudo o que ele tem de fofo, tem de atacado. Vai do amoroso pro monstro de sete cabeças em meio segundo!
Tudo mais ou menos sob controle, agora sim, seguimos em direção ao metro.
Terceiro ato:
No metro, Nick já estava na versão menino-fofo, dando beijos e abraços e carinhos (quando eu digo que este menino é bipolar, não é sem motivo!). Sentamos para esperar o trem, quando o Vivi notou que havia um grupo de turistas brasileiros ao nosso lado (uma família inteira na verdade: tinha pai, mae, filhos, sobrinhos… só não tinha netos ainda, rs). Brasileiros puxadores de papo 🙂 Como o Vini já “nem é chegado”, o papo rolou solto. Até que uma das meninas pergunta, instigada pelo sotaque carregadíssimo do nosso gringo maior: “mas de onde eles (apontando pros meninos) são? Aí a gente explica brevemente e ela entende porque o menino de 6 anos fala daquele jeito, rs. Este é um daqueles momentos que me dá uma pontinha de tristeza em constatar que nossos filhos são e sempre serão gringos – especialemente o Vivi que bate no peito com orgulho e diz que é americano, toda vez que alguém pergunta de onde ele é. 😦
Quarto ato:
Após alguma confusão, dois trens e uma caminhada ladeira a cima, chegamos ao museu.
Eu que estava super feliz que, pra variar, estávamos indo a uma atração barata (a mais barata e mais bem avaliada atração familiar de Barcelona: 4 euros cada adulto, e free para crianças de até 16 anos), fiquei triste em constatar que dia 18 de maio é o Dia do Museu(!!!!), ou seja, TODOS os museus (inclusive os caros) são de graça!!! Eu, a pobre, quase tive uma crise de arrependimento, hahaha
O museu de ciências de “la caixa” é simplesmente fascinante! As crianças amaram e nós também. Diversão para a família toda.
A cada passeio que a gente faz, a cada lugar que a gente para pra comer, a cada praça antiga que “cruza” nosso caminho, a cada ruela, a cada edifício histórico e claro, a cada Gaudí, meu coração fica cada vez mais devoto de Barcelona e minha vontade de morar aqui fica cada vez mais difícil de caber dentro de mim. Não me interprete mal, Melbourne rocks! Mas Barcelona tem aquele algo mais que completa a minha alegria, tem os ares antigos, tem história.
Ato final:
Barcelona, te quiero!
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PS. Estamos chegando num ponto de cansaço profundo, todos nós. No fim do dia eu mal aguento manter os olhos abertos. Hoje, antes de sair de casa tomamos um café reforçado e só fomos comer novamente à noite, em casa, porque o Nick capotou no sofá e ninguém tinha disposição pra sair pra jantar. Estou andando como não andava desde os tempos de faculdade. Mas isso é bom, porque do jeito que tô comendo prosciuto, pãozinho de leite, doce de leite(!!!!), croquete, tapas, comidinhas gostosinhas e nada light, se eu não estivesse andando MOOOOITO, já não passaria mais na porta 🙂
PS 2: Mauricinho tá tão viciado no tal do croquete, que agora a noite, faltando 20 minutos pra lojinha fechar, foi cor-ren-do comprar a xepa. Coitado, só tinham 5 e ele ainda teve que dividir comigo :O|

parque do labirinto


Sábado foi dia de parque, o parque do labirinto.
Lugar lindo, uma delícia pra passear com a família – aliás, Barcelona é cheia dos parques legais, mas parques mesmo, parques urbanos, bem diferente de Melbourne (isso, Erica, cospe no prato que te serve comida de primeira, cospe! rsrs).
Não é que os de Melbourne sejam ruins, só é uma outra pegada. É claro que Melbourne tem parques lindos. Mas eu sou fã das ambiências antigas.
Anyways, passamos um dia super bacana nos perdendo no labirinto e descobrindo cada canto do parque, até que a fome apertou e tomamos o caminho da roça.
O almoço desta vez foi num lugar turistão, mas como a comida estava super bem avaliada, arriscamos. Após mais de 3 semanas aqui, finalmente comi uma paella – não foi a melhor que já comi, mas tava muito boa. O marido preferiu os croquetes – tá num vício que só vendo! rs
Na saída do restaurante, apesar de termos nos esmerado para não falar em inglês, agradeceram com um thanks pro Mauricio e um merci pra moi. E eu achando que tava com cara de local, humpf!
PS. a ignorante aqui não sabia que merci é obrigado também em catalão 😛 Ou seja, tô, sim, com cara de local hahaha

a espanhola

Hoje me senti a espanhola – ou quase…
Na rua, pela manhã, uma turista de bike e com o mapinha na mão, nos parou para perguntar onde era a sagrada família.
No mercado, fui ao socorro de duas turistas que tentavam falar em inglês com o rapazote que arrumava as prateleiras. Elas diziam: “glass”, “cup”… faziam gestos, mímicas (tava engraçado, rs). Aí, eu cheguei perto e disse “vaso”, só que apesar de eu ter me esmerado no sotaque pra pronunciar o S corretamente, esqueci do principal: o V tem som de B! rsrsr Na hora lembrei o Vivi que sempre que diz seu nome, acrescenta: “não é com B, é com V” – já implorei milhares de vezes pra que ele não faça isso, mas sabe como é né? rsrs
Enfim, no fim das contas, as meninas conseguiram comprar os copos descartáveis e saíram felizes.
Agora me diga, não é curioso que o carinha não tenha entendido meu “vaso” com V?? Pô, nem fazendo mímica, caramba! Só depois de pronunciado corretamente foi que ele entendeu – parece até americano, pô 🙂
Lá em Bloomington, uma vez, estavámos em um grupinho de amigos, todos brasileiros e falando português, quando  fui pedir pancakes, acabei falando sem o “american accent”. Acredita que o cara não entendeu? Não só não entendeu como chamou um colega pra ajudar a decifrar. Ah, vá catar coquinho, caramba! 🙂

Em tempo: só pra deixar registrado, este foi meu milésimo post aqui no The Jump – wow! Isso porque eu já não escrevo com a frequência de outrora (tá, essa temporada fora até fez eu me redimir, rs). Enfim, até que não tá ruim não, né? Mil posts em 5 anos de Austrália (sim, porque este blog foi inaugurado no fim de maio de 2009), dá uma média de 3.84 posts por semana. Sério isso? Ou será que não sei mais fazer conta? 😛 Anyways, acho que mesmo ficando temporadinhas sem postar, sigo cumprindo meu objetivo de registrar nossa história e daqui a pouco vou mandar imprimir os primeiros volumes da nossa vida australiana – haja estante e coffee table pra guardar tantos álbuns fotos e livros de blog!

não curti!

Sabe o que eu não curti aqui? A parte chata, claro.
Mas qual é a parte chata mesmo?
Te conto:
Lavar e estender roupa no varal a cada 3 dias e PASSAR blusa social do marido, sem sequer ter uma tábua!!!! É de cortar os pulsos! São os únicos momentos em que desejo voltar pra casa.
Ah, tem outra coisa que eu não curto aqui: a água. A da pia é esquisita, deixa um esbranquiçado nos metais, as panelas manchadas… Não bebo água da pia nem fervida. A do chuveiro (que é a mesma que a da pia, rsrs) deixa meus cabelos horríveis! E antes que me chamem de fresca, maridón também reclamou, rs. E a água com gás, pelamordedeus?!?! Tem gente que ama e jura que é viciante, mas pra mim, parece sal de frutas. Argh!
Dito isso, mudo pra cá de mala e cuia amanhã mesmo 😉

tarde a dois


Hoje foi dia de passear com o marido com calma, sem estresse, sem correr atrás dos meninos. Dia de prestar atenção no entorno, de arriscar umas fotos, de sentar pra comer com tranquilidade e mais do que isso, dia de visitar a Casa Battló(!!!), que até então só conhecia por fora. Enfim, uma tarde só pra nós 🙂

Como bons pais que somos, começamos o dia indo atrás de sunga,  touca e óculos de natação pro Vivi, que toda sexta tem aulas. Claro que no meio do caminho passamos por várias lojas e fomos sugados mais uma vez pra dentro de uma H&M, né? Como não ser? Mas ó, devo notar que ainda não comprei um alfinete pra mim! Nadinha mesmo. Estou estrategicamente aguardando minha companheira de shopping chegar (chega logo, Gi!!) pra dar um up na indumentária da viagem, rs.

Resolvida a pendenga das compras, fomos almoçar. Como disse, não entro, nem arrastada, num restaurante sem antes checar a avaliação no meu amigo FourSquare. Hoje o escolhido tinha nota 9.1 – não tinha como dar errado 🙂

Almoçamos num restaurante próximo a Catedral de Barcelona, chamado Cuisines de Santa Caterina, que  é simplesmente fantástico! Sem frescuras, dono de uma ambiência fenomenal e serviço de primeira. A comida… MEODEOS! De comer de joelhos, agradecendo por cada pedaço 🙂 Pedimos um arroz montanhês e um bacalhau gratinado. Ah, o suco número 6 também vale cada centavo dos mais de 6 euros que custa, rs Super-mega-recomendo!

Depois, um passeio básico pelas redondezas pra absorver o entorno (porque convenhamos, com as crianças, nossos olhos não nos pertencem), até chegarmos a Casa Battló, que uma palavra descreve: Deslumbrante.

Sério, Gaudí era um gênio. Goste você ou não (oi?) da sua obra, uma coisa não dá pra negar, o cara era sensacional! Suas obras conjugam com perfeição a forma e função, a emoção e a razão. Mais uma vez, me vi em êxtase dentro de uma obra do grande mestre.