Vivi e o colégio


Vivi, como ele mesmo afirma orgulhoso (tá no sangue), é American. E faz jus ao título, especialmente no quesito: “se quiser falar comigo, fale minha língua” :P. Ele não se esforça para aprender o espanhol, muito menos o catalão. Se acomodou confortavelmente na “cadeira” de aluno estrangeiro e até os exercícios de matemática, faz em inglês. Como só estamos aqui por um par de meses, não vou brigar com o colégio. Deixa estar… mas poxa, em um mês aqui, ele fala menos palavras em espanhol que o Nick (que aliás é cômico com seu R exagerado).

O interessante é que apesar dele não entender quase nada que as professoras falam, ele adora ir pra escola. E olha que ele passa o dia INTEIRO lá! das 9 às 5.

No início eu até entendia, porque, como ele era novidade, tinha todas as atenções voltadas pra ele – e se há uma coisa que ele ama nessa vida é ser o centro das atenções. Mas passadas umas semanas, a poeira baixou e ele não era mais novidade. Não chegava mais em casa super animado contando as histórias… tudo se resumia num “foi good…”

Há dois dias veio a confissão: “no inicio eu tinha um monte de amigos, todos os meninos da minha turma brincavam comigo, mas agora eu fico sozinho”

– Oi?

-“na hora do intervalo, quando a gente vai pro pátio brincar, os meninos não me deixam brincar com eles… só dizem “no, no, no” e eu fico sozinho, sentado num banco, até a hora de voltar pra sala…”

-Como assim, meu filho? Você fica sentado no banco sozinho o intervalo inteiro??

-“Não, o intervalo inteiro não… às vezes eu ando em volta da árvore e depois voltou pro banco..”

(um misto de choque e tristeza definem)

-Você já falou com sua professora?

-“Não… você fala com ela??”

No dia seguinte, conversamos com a inspetora, que achou bem estranho já que todo mundo tem dito que os dois estão super adaptados e integrados, mas sugeriu que marcássemos uma hora pra conversar com a professora.

Só que… a professora só está disponível para nossa conversa de 5 minutos, na próxima quinta no fim do dia. Até lá, só restará uma semana de aula. De que adianta?

Enfim, nem tudo são flores nesta terra. Não sei se os outros colégios são assim, mas se fosse na Cheltenham Primary School, a conversa teria sido marcada para no máximo o  dia seguinte. Este é um daqueles raros momentos que I miss home…

E apesar disso, quando perguntei se ele queria parar de ir à escola ele respondeu: “não!! eu gosto muito da escola!”

Vai entender…

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