Vivi e o colégio


Vivi, como ele mesmo afirma orgulhoso (tá no sangue), é American. E faz jus ao título, especialmente no quesito: “se quiser falar comigo, fale minha língua” :P. Ele não se esforça para aprender o espanhol, muito menos o catalão. Se acomodou confortavelmente na “cadeira” de aluno estrangeiro e até os exercícios de matemática, faz em inglês. Como só estamos aqui por um par de meses, não vou brigar com o colégio. Deixa estar… mas poxa, em um mês aqui, ele fala menos palavras em espanhol que o Nick (que aliás é cômico com seu R exagerado).

O interessante é que apesar dele não entender quase nada que as professoras falam, ele adora ir pra escola. E olha que ele passa o dia INTEIRO lá! das 9 às 5.

No início eu até entendia, porque, como ele era novidade, tinha todas as atenções voltadas pra ele – e se há uma coisa que ele ama nessa vida é ser o centro das atenções. Mas passadas umas semanas, a poeira baixou e ele não era mais novidade. Não chegava mais em casa super animado contando as histórias… tudo se resumia num “foi good…”

Há dois dias veio a confissão: “no inicio eu tinha um monte de amigos, todos os meninos da minha turma brincavam comigo, mas agora eu fico sozinho”

– Oi?

-“na hora do intervalo, quando a gente vai pro pátio brincar, os meninos não me deixam brincar com eles… só dizem “no, no, no” e eu fico sozinho, sentado num banco, até a hora de voltar pra sala…”

-Como assim, meu filho? Você fica sentado no banco sozinho o intervalo inteiro??

-“Não, o intervalo inteiro não… às vezes eu ando em volta da árvore e depois voltou pro banco..”

(um misto de choque e tristeza definem)

-Você já falou com sua professora?

-“Não… você fala com ela??”

No dia seguinte, conversamos com a inspetora, que achou bem estranho já que todo mundo tem dito que os dois estão super adaptados e integrados, mas sugeriu que marcássemos uma hora pra conversar com a professora.

Só que… a professora só está disponível para nossa conversa de 5 minutos, na próxima quinta no fim do dia. Até lá, só restará uma semana de aula. De que adianta?

Enfim, nem tudo são flores nesta terra. Não sei se os outros colégios são assim, mas se fosse na Cheltenham Primary School, a conversa teria sido marcada para no máximo o  dia seguinte. Este é um daqueles raros momentos que I miss home…

E apesar disso, quando perguntei se ele queria parar de ir à escola ele respondeu: “não!! eu gosto muito da escola!”

Vai entender…

Poble-Espanyol

Hoje fomos visitar o Poble-Espanyol, um complexo projetado e construído para uma exposição internacional em 1929. O lugar conta com reproduções arquitetônicas e culturais das diversas regiões da Espanha. É uma cidadela cenográfica. Há quem ame e quem odeie – os mais revoltados dizem que só gosta daquele lugar aqueles que apreciam arquitetura “Fake”e sem história. Eu, como arquiteta e urbanista não-revoltada, rs, acho que o lugar tem sim o seu valor, já que faz um resumão da Espanha 🙂 Ótimo pras crianças e pra qualquer outro leigo, aprender um pouquinho. Sem falar que obviamente o lugar é bem bonitinho e conta com oficinas de artesãos diversos e outras atividades.

A derrota ficou por conta do almoço – putz, eu já deveria ter aprendido a não comer em locais turísticos – é sempre furada! A tourist trap for sure! Caí na besteira de pedir uma paella que não consegui comer de tão ruim. Não me entendam mal, não tenho frescura pra comer, mas estou cada vez mais exigente – prefiro comer biscoito do que uma comida feita de qualquer jeito, mal temperada…

Tirando o erro grave do almoço (até a pizza tava ruim!), o passeio foi bem legal. As crianças puderam correr soltas (o que é sempre menos estressante) e tenho certeza que de alguma forma, até mesmo absorveram um pouco do entorno 🙂

No caminho de volta pra casa ainda passamos por uma exposição de ônibus desde o tempo do guaraná de rolha – bem bacana ver os exemplares super conservados… Tão bonitinhos os ônibus-calhambeque!

Estavam lá também os personagens do Nesquick, que foram devidamente perseguidos pelos meninos, rs. Fizeram face painting, ganharam sacola cheia de brindes e ficaram sorrindo de orelha à orelha. Vida de criança é boa, né? 🙂

À noite, pra compensar o fiasco do almoço, voltamos ao nosso mexicano favorito – desta vez, claro, com as crianças. E o dia que começou bem, terminou ainda melhor 🙂

 

Vivendo em BCN


Na sexta no fim do dia, fomos a uma festinha de aniversário em conjunto de 5 amiguinhas da turma do Nickito – claro, de ônibus, né?

Fomos seguindo o pai da Rocio Blanco (amiguinha favorita do Nickito), sem nem saber pra onde estávamos indo. Achei que fosse num parque/parquinho e como estava choviscando, fiquei preocupada.

Descemos do ônibus e fizemos uma pequena caminhada, quando de repente ele pára e diz: é aqui.

Era uma porta, com uma plaquinha tímida – tão tímida que nem notei ao passar. Tocou o interfone e ficamos esperando alguém vir nos atender. Parecia uma coisa ilegal, escondida, escritório de mafioso, sei lá, rs.

O edifício era antigo, mas quando a porta abriu, vimos que dentro era um playcentre – coisa de cidade antiga e densa, que não tem espaço pra novas construções e também não comete assassinatos de edificações históricas. O playcentre era tímido, mas cumpria bem sua função.

Em todos estes anos indo a festinhas infantis, nunca, nunquinha vi crianças tão eufóricas e gritalhonas. Era uma gritaria de ensurdecer. A sensação era que todas elas vivem caladas, sob as rédeas curtas dos pais  (provavelmente dentro de apErtamentos) e em eventos como aquele, tem sua liberdade momentânea, a qual aproveitam até a última gota. Pulavam, corriam, gritavam, como se o amanhã não existisse, como se aquele fosse o último (ou o primeiro) dia de liberdade da vidinha deles.

Em alguns aspectos, a festinha me lembrou os estilo australiano: mesinha miniatura com cadeirinhas miniatura para as crianças sentarem e comerem. Tudo meio bagunçado, sem tema, nem decoração. A diferença é que havia um mesão com snacks pros adultos. Ah, e não rola lollibag na saída, rs, mas rola uma piñata, que por sinal, foi arrebentada pelas crianças indomáveis antes de chegar no lugar – um alvoroço! hahaha

A festinha foi bem animada, teve uma mulher fantasiada que chegou pra entreter a molecada com dança/estátua, face painting – mas tudo bem amador, desconfio inclusive que era uma das mães 🙂

O engraçado é que ninguém se incomodou com o fato de estarmos eu e Mauricio completamente deslocados.  Quando o  pai de uma das aniversariantes veio nos oferecer comes e bebes, achamos que ele estava tentando puxar papo, mas sabe que não?! Ele saiu de fininho na primeira oportunidade e ficamos lá a ver navios… Lá pelo meio da festinha (que aliás durou uma eternidade!) uma hermana argentina veio falar conosco toda animada, dando beijos e abraços, se apresentando, contando da vida, até que… meu digniíssimo marido conta que estamos aqui só por 2 meses. Pronto, falou a frase mágica: a mulher arrumou uma desculpa pra sair de fininho meio minuto depois.

Nem a bonitona que nos convidou pro evento, que por sinal era mãe de uma das aniversariantes, foi capaz de nos dar um alozinho. Fiquei bem chocada com o descaso.

Acho, quer dizer, acho não, tenho certeza, que a parte melhor da festa (pra mim!) foi ver que na verdade o Vivi tá arrastando um portuñol de respeito! Fiquei bem impressionada. Ele fala (ou pelo menos se esforça para falar) em espanhol com as pessoas – ao contrário do Nick, que apesar de sempre chegar em casa exibindo o espanhol que aprende, falou o tempo inteiro em inglês com todo mundo. Vai entender?

Os meninos saíram de lá exaustos de tanto brincar. Nickito estava com a camisa toda molhada de suor. Sério, esses meninos estão tendo the time of their lives! 🙂

Mauricinho e seu portuñol descarado

Desde que aqui aportamos, o marido se recusa a falar em inglês (ou escrever) com quem quer que seja. No começo ele se dedicava, agora tá relaxando. Manda um portuñol safado sem vergonha nenhuma!

Noutro dia, voltando pra casa, começou a chover. Paramos numa vendinha a procura de um guarda-chuva. Ele, com a cara de pau maior do mundo, arriscou: “guarda-chuva? guarda-lluvia?” Fez até mímica! Mas como já contei, minha observação é que em geral, o povo aqui só entende se falamos bem direitinho. Por sorte, o dono da loja arranha o inglês e nos apontou o cesto de umbrellas.

Agora, gente, vamos combinar? Tava cho-ven-do! O marido fala “lluvia”, faz mímica… e ainda assim o carinha não entende? Que que isso! Anyways… na saída perguntei como se falava umbrella e “descobrimos” que mais óbvio impossível: paraguas! Faz muito mais sentido “parar águas” do que “guardar a chuva” né não? 😛

Eu sou daqui :)

Melbourne que me perdoe, mas eu tô íntima de BCN 🙂 Hoje fomos almoçar num outro mexicano, super cosy, escondidinho.
O restaurante é uma graça e a comida – JE-SUS! Nunca fui ao México, mas os nachos foram os melhores que já comi na vida (e olha que nos 5 anos que moramos nos EUA, fomos a mexicanos legítimos, rs).
A comida também divina. Super bem temperada e bem servida. A sobremesa também estava um arraso. E a conta no final, deu até vontade de rir – e rimos! 🙂 Perfeito! Sabe Una Cosa? Super recomendo! Fica na Carrer de Tordera, pertinho do Passeig  Sant Juan, no Eixample 😉
O melhor é que ninguém falou in English com a gente, rs
Aliás, tô ficando chateada com isso das pessoas perguntarem: inglês ou francês? Aff…

furada!

Hoje, levando os meninos pra escola, fomos gentilmente abordados por duas das mães de amiguinhos da turminha do Nick, nos convidando para o aniversário conjunto de 5 amiguinhas da turma nesta sexta. Desprevinidos, aceitamos o convite. A intenção da mãe foi das melhores e mais genuínas, ela pensa que chegamos pra ficar. Mal sabe ela que o “esforço” foi em vão, já que vamos embora no fim do termo.
Anyways, não só demos nossa contribuição para o presente das aniversariantes, como nos comprometemos a ir na festinha, nesta sexta após o colégio. Então anotem aí, depois de amanhã nos juntaremos à excursão do maternal para uma festinha infantil tipicamente espanhola. Fazer small talk, interagir com as mães que insistem em falar em inglês conosco, rs
Depois eu conto como foi 🙂
Ah, hoje almoçamos num mexicano pertinho da Sagrada Família. Comida Excelente! A única tristeza é que como se trata de uma área bem turística, fomos atendidos em inglês. Fazer o que?

Após dois dias de parque: todo mundo exausto!


Hoje, acordamos, sacudimos os moleques e despachamos todo mundo pro colégio. Foram como zumbis, mas foram, afinal o fim de semana foi TO-DO em função deles. O dia hoje pra mim foi todo em função de trabalho. Aliás, sério, nunca trabalhei tantas horas pos dia. Esse negócio de trabalhar por conta própria consome mais tempo do que eu poderia supor. Dificil…
Mas falando do fim de semana…
No sábado levamos os dois no parquinho e depois, a pedidos, pegamos o metrô – vai gostar de andar de metrô assim lá longe! Parecem até matutos, rsrs mas deixa quieto, deixe que eles aproveitem o metro de Barcelona que é baratinho, porque uma vez que voltarmos pra casa, passeio de trem nem pensar. Trem em Melbourne é um assalto! rs
E já que estávamos no metro, fomos almoçar na Plaça Reial, só que desta vez escolhemos mal… ô restaurantezinho meia-boca. A localização era ótima, a ambiência excelente, a comida, apesar de pouquinha, era boazinha, mas o atendimento… tenha piedade! Um horror!!! Tão ruim que por mim, nem teria deixado gorjeta. Nota 5 pra ele.
Voltamos pra casa já quase de noite (o almoço foi às 4 da tarde, rs), só foi o tempo do banho, de arrumar uma pequena maleta e capotar.
No dia seguinte partimos pro programa de índio, ops, Port Aventura, rsrsr. O parque é legalzinho, especialmente pra quem nunca foi à Disney (caso dos nossos filhotes). Uma horinha de viagem e estávamos lá.
As crianças foram à loucura! Adoraram! Vivi virou pinto no lixo total! Tava numa alegria de dar gosto. Nickito às vezes ficava chateado – muitos brinquedos não aceitavam crianças com menos de 1.05m, nem acompanhado – injustiça! E a incoerência maior é que ele não podia brincar num aviãozinho mega infantil (nem acompanhado!) e pôde ir numa montanha russa bem rápida pra idade dele. Vai entender?
Foram dois dias intensos de diversão. Vivi foi a sua primeira montanha russa e amou! Ganhei um companheiro 🙂 Eles amaram a parte do parque dedicada a Sesame Street, tiraram mil fotos com o Coco, o Elmo, O Cookie Monster…
Assistiram aos shows, cantaram junto, uma festa.
Também encontraram o Pica-Pau numa atração mega amadora, hahaha. Eles adoraram, mas gente, cá entre nós, nossa! Parece até um protótipo do protótipo da Disney – sofrível! Novela mexicana perde feio, rsrsr. Mas o que importa é que eles curtiram 🙂 Um dia, quando eles forem à Disney (mas à Disney mesmo, de Orlando) eles vão sacar a diferença…
Diria que o lado ruim deste passeio foi a alimentação. Comida muito ruim! Tanto no parque como no Hotel (que supostamente é um Resort do parque), So-frí-vel! O café da manhã supostamente continental foi breguíssimo.
Comida fria, iogurte industrializado (do ruim), café com leite aguado, panqueca com gosto de farinha, pão meio durinho, laranja sem gosto e pior, suco de caixa!  O jantar no hotel também foi um fiasco. O restaurante arrumadinho, mas sem muitas opções, nada que enchesse os olhos. O mesmo cardápio dos restaurantes do parque. Decepção total. Menos mal que não fomos lá para um tour gastronômico, né? rsrsr
No fim das contas o saldo foi super positivo: crianças felizes, contentes e exaustas. Mas ó, cá entre nós, esses molequinhos estão terríveis! Teimosos, pirracentos, gritalhões e mimados. Há quem diga que a culpa é nossa… Talvez seja a hora de começarmos a fazer menos as vontades deles e mais as nossas. Será que a gente consegue?
Voltamos pra casa muito, muito, muito cansados. Pegamos um caminho mais longo (culpa do GPS) que nos trouxe por dentro das cidades a maior parte do tempo. Mas acabou sendo interessante. Teria sido mais ainda se a gente não estivesse com hora pra devolver o carro – teria feito o marido fazer várias mini-paradas. Não há de ser nada no fim da nossa temporada européia teremos nossa viagem de férias de verdade, se Deus quiser!
E como contei no início… Hoje acordamos, sacudimos os moleques e despachamos todo mundo pro colégio. 😛

mini post aos pedaços

Pedaço 1:
Quase um mês em terras de Gaudi, hoje não resisti, o jantar foi brasileiro (ou quase). Fiz um panelão de feijão preto carregado (há quem chame de feijoada, rs), usando linguiça espanhola, bacon, louro e muito alho. Fiz arroz branquinho e uma farofinha esperta, usando farinha de rosca (porque nóis é malandro, rs). Marido participou também preparando filezinhos de frango fritos na manteiga. Gente, eu comi. Mas comi tanto que agora tô aqui, até o pescoço, passando mal.
Pedaço 2:
Este fim de semana vamos levar os moleques ao parque da Universal que tem aqui, o Port Aventura. Vamos no domingo cedinho e voltamos pra casa na segunda à noite. Hotel reservado, carro alugado, entradas do parque compradas e meninos ansiosos :). Ah sim, estamos levando os moleques ao Port Aventura porque cancelamos a EuroDisney. Dessa vez não vai rolar Paris não… no máximo o sul da França durante nossa ainda-não-programada-mas-já-agendada-roadtrip 🙂
Pedaço 3:
Já contei que o povo aqui almoça tarde? Então, o jantar é ainda mais tarde. Tem dias que sinto cheiro do camarão sendo frito quase meia-noite.
Pedaço 4:
E  os cheiros da cidade? Já nem sinto mais o fedor de esgoto, tampouco do de xixi. Já o cigarro – Jesus amado! A rua fede a cigarro! Pelo menos estamos a salvo dentro dos restaurantes – se bem que eu ainda prefiro ficar do lado de fora, nas mesinhas ao sol, mesmo com cigarro.
Pedaço 5:
Nick tá com o R carregado. Um espanholzinho legítimo, muito fofo :). Vivi segue se recusando a aprender a lingua e confessou que na escola a professora passa tarefas pra ele em inglês especialmente pra ele. Cho-quei!

sobre o lado negativo

Estamos morando num bairro super denso, de edifícios colados uns nos outros, não chega a ser como os do bairro gótico, mas ainda assim são bem menores do que o que estamos acostumados. No entanto, as dimensões do apê não são o problema – tô até gostando de ter todo mundo à vista, muito embora às vezes o barulho e confusão das crianças seja tanto que eu tenha vontade de me esconder de baixo da cama, rs.
Segundo o Vivi, o que tá fazendo falta nessa casa é uma escada “pra mamãe poder mandar a gente brincar lá em cima” – sabe que ele, em parte, está certo?! 🙂
Mas o que me incomoda mesmo-mesmo-mesmo é… o banheiro filho único de mãe solteira. Um banheiro só para uma família de 4 é uma experiência nova que eu não pretendo repetir. É dose! Especialmente naqueles momentos em que um corre pro banheiro e quando está no meio do seu business, vem o outro correndo dizendo estar apertado. Ontem mesmo, Nick estava no trono executando um número 2 quando o Vini aparece ensandecido, apertadíssimo pro xixi. Resultado? Nick  teve que dar um pause no business dele para efetuarmos a troca de reis. O que aconteceu? Não me perguntem como, mas Nickito teve sua blusa batizada pelo irmão. Ô sorte!
Hoje episódio parecido aconteceu, a diferença é que os dois estavam numa number two situation. “Anda Nic, pára de enrolar” – “Vini, segura aí, que teu irmão já tá acabando”. Ô estresse, rsrsr
PS. Com exceção do Nick, estamos todos gripados, com dor de garganta e cansados. Nick só não está mal porque é o único que não se cansa. O pequeno tem vida de rei, faz todos os passeios nos ombros do pai, só gasta as canelinhas pra brincar, porque durante os percursos, está sempre sendo carregado.
Temos programado para o fim de semana, um passeio ao parque da Universal, já que a EuroDisney não só subiu no telhado, como caiu de lá e quebrou as pernas, rs. Espero que estejamos todos bons até lá. Senão brocotó.

caixa cosmo e outros detalhes

Hoje o dia amanheceu friozinho (praga de Melbourne! rs), então resolvemos levar as crianças ao museu de ciências.
Primeiro ato:
Saímos de casa, pegamos o elevador e quando chegamos na portaria, que fica trancada aos finais de semana, meu digníssimo olha pra mim e pergunta: cadê a chave?
Sur-tei! Subi novamente com a esperança de encontrar a chave do lado de fora da porta do apê (porque, claro, a porta não abre por fora sem a chave). Adivinha? NÃO ESTAVA LÁ!
Desci novamente com a esperança de que o marido me recebesse com aquele já conhecido sorriso de vergonha, dizendo: tava no meu bolso… Mas não, o que encontrei foi um marido aguardando ansioso pela minha volta com a chave em mãos.
Surtei novamente! “Não é possível, Mauricio! Você deixou nos trancou pra fora de casa? E, pior, pra dentro do prédio! Comecei a imaginar a gente indo de porta em porta até encontrar um vizinho em casa que pudesse nos libertar do prédio, ou quem sabe, ligar pra um chaveiro…
Enquanto isso, Mauricinho começou a revirar a mochila, até que tadah! encontrou a bendita chave. Onde? Dentro do bolsinho de moedas da carteira (oi?!). E ainda levei a culpa: “nisso é que dá você falar comigo enqunto estou fechando a porta”. Okay, às vezes eu esqueço que o maridinho não desempenha duas funções ao mesmo tempo. Ou pensa, ou fala, ou fala ou tira a louça da máquina…
Enfim, estávamos sãos e salvos.
 
Segundo ato:
Saímos do prédio em busca de um taxi, pra evitar caminhar no friozinho, já que o Vivi havia acordado com o nariz funguento e uma tossezinha de cachorro. Fail!
Nada de taxi passar. Decidimos pegar o metro e fazer baldiação mesmo, e como aparentemente o marido é antigo, não se contentou com meu app do metro no iPhone, tampouco com o maps, voltou em casa pra pegar o mapa tradicional de turista. Enquanto isso eu fiquei no parquinho com os meninos.
Meia hora mais tarde, marido volta, contando que pegou o mapa, saiu, mas teve que voltar porque havia esquecido a mochila. Hello?? Escleroseeee! hahahaPassa tempo, tempo passa… Cadê o marido enrolado? Em casa, procurando o mapa. Liguei pra ele, já que ele preferiu procurar em vez de me perguntar onde estava, rs
Quando finalmente estávamos prontos pra seguir nosso caminho, Vini e Nick saem correndo, feito loucos selvagens e, vendo o sinal de pedestres verde, atravessam a rua sem nem olhar! O detalhe é que em ruas menos movimentadas, quando o sinal fica verde pros pedestres não fica vermelho pros carros, mas amarelo e piscando, ou seja, os carros podem passar – ou seja, pedestres, fiquem atentos!
Quando eu vi, estava gritando e correndo atrás deles feito uma maluca (aliás, já devo ser conhecida na praça, rs).
Nick estava na versão monstrinho. Ficou irado com a bronca e começou a berrar, chutar, bater, fazer pirraça das feias (e eu tentando contornar com a calma que tirei sei lá de onde). Eh… aquela cara de anjinho engana muito! Tudo o que ele tem de fofo, tem de atacado. Vai do amoroso pro monstro de sete cabeças em meio segundo!
Tudo mais ou menos sob controle, agora sim, seguimos em direção ao metro.
Terceiro ato:
No metro, Nick já estava na versão menino-fofo, dando beijos e abraços e carinhos (quando eu digo que este menino é bipolar, não é sem motivo!). Sentamos para esperar o trem, quando o Vivi notou que havia um grupo de turistas brasileiros ao nosso lado (uma família inteira na verdade: tinha pai, mae, filhos, sobrinhos… só não tinha netos ainda, rs). Brasileiros puxadores de papo 🙂 Como o Vini já “nem é chegado”, o papo rolou solto. Até que uma das meninas pergunta, instigada pelo sotaque carregadíssimo do nosso gringo maior: “mas de onde eles (apontando pros meninos) são? Aí a gente explica brevemente e ela entende porque o menino de 6 anos fala daquele jeito, rs. Este é um daqueles momentos que me dá uma pontinha de tristeza em constatar que nossos filhos são e sempre serão gringos – especialemente o Vivi que bate no peito com orgulho e diz que é americano, toda vez que alguém pergunta de onde ele é. 😦
Quarto ato:
Após alguma confusão, dois trens e uma caminhada ladeira a cima, chegamos ao museu.
Eu que estava super feliz que, pra variar, estávamos indo a uma atração barata (a mais barata e mais bem avaliada atração familiar de Barcelona: 4 euros cada adulto, e free para crianças de até 16 anos), fiquei triste em constatar que dia 18 de maio é o Dia do Museu(!!!!), ou seja, TODOS os museus (inclusive os caros) são de graça!!! Eu, a pobre, quase tive uma crise de arrependimento, hahaha
O museu de ciências de “la caixa” é simplesmente fascinante! As crianças amaram e nós também. Diversão para a família toda.
A cada passeio que a gente faz, a cada lugar que a gente para pra comer, a cada praça antiga que “cruza” nosso caminho, a cada ruela, a cada edifício histórico e claro, a cada Gaudí, meu coração fica cada vez mais devoto de Barcelona e minha vontade de morar aqui fica cada vez mais difícil de caber dentro de mim. Não me interprete mal, Melbourne rocks! Mas Barcelona tem aquele algo mais que completa a minha alegria, tem os ares antigos, tem história.
Ato final:
Barcelona, te quiero!
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PS. Estamos chegando num ponto de cansaço profundo, todos nós. No fim do dia eu mal aguento manter os olhos abertos. Hoje, antes de sair de casa tomamos um café reforçado e só fomos comer novamente à noite, em casa, porque o Nick capotou no sofá e ninguém tinha disposição pra sair pra jantar. Estou andando como não andava desde os tempos de faculdade. Mas isso é bom, porque do jeito que tô comendo prosciuto, pãozinho de leite, doce de leite(!!!!), croquete, tapas, comidinhas gostosinhas e nada light, se eu não estivesse andando MOOOOITO, já não passaria mais na porta 🙂
PS 2: Mauricinho tá tão viciado no tal do croquete, que agora a noite, faltando 20 minutos pra lojinha fechar, foi cor-ren-do comprar a xepa. Coitado, só tinham 5 e ele ainda teve que dividir comigo :O|