É chegada a hora – A caminho de Barcelona

Pré-viagem

Ontem, após um dia super corrido com direito a faxina e inspeção na casa, conseguimos, nem sei como, fechar as malas e apagar as luzes.

Como rapadura é doce mas não é mole não, ainda no meio do dia comecei a sentir uma dor no estômago sinistra – gastrite nervosa, aposto!

Passei o dia inteiro sem comer, então além da dor, estava fraquinha, fraquinha. Tudo o que eu queria era ficar em casa, na minha cama. Tudo o que eu menos queria era embarcar nessa longa viagem…

Mas fomos né? Fazer o que? 🙂

A viagem começou ainda no taxi, com um motorista, digamos, interessante, dono de um papo interminável – sério, não houve 2  segundos de silêncio, o que para uma pessoa com dor no estomago é uma tortura, rs. Mas como o Mauri a se dedicou à conversa, me limitei a ouvir e fazer participações pontuais. Assuntos variados permearam a mais longa viagem até o aeroporto (o que geralmente leva 45 minutos, levou mais de uma hora!), Mas o interessante mesmo foi ao chegar ao destino, quando a maquininha de passar o cartão não funcionou. Claro, não tínhamos cash – nunca temos! – e o cara, na maior tranquilidade do mundo, disse assim: quando vcs retornarem vocês me pagam… Eu passo na casa de vocês em julho pra receber.

Cho-quei!

Nós é que sugerimos que ele pegasse nosso número, porque nem isso ele ia fazer – consegue imaginar isso no Brasil?? Pois é, coisas assim acontecem com frequência na terra do canguru. Noutro dia mesmo fui à dentista e saí sem pagar “ah, não se preocupa, depois a gente acerta…”. Outra engraçada foi o Mauri deixando a bike pra revisão. Deixou lá e saiu sem recibo nem nada. Duas semanas depois, fui buscar a bike. Simples assim, o cara não só me entregou a dita-cuja como colocou a magrela no carro pra mim. Me senti numa cidadezinha de interior, rs

Anyways, antes que eu entre por outra história, foquemos no tema 🙂

A primeira perna da viagem

Hora de embarcar e for the first time ever na história da nossa família, o check in foi mega fácil! Nada de multiplos passaportes, nada de complicação. Quatro passaportes australianos facilitam demais a vida, pode acreditar.

Check-in feito, embarcamos e demos início a nossa longa jornada aérea.

Como a Lei de Murphy tem poder, claro que, apesar da dor no estômago ter milagrosamente passado assim que entrei no avião, fui sorteada com um televisão que não funcionava. No movies for me. O comissário de bordo reiniciou duas vezes e nada! Fiquei a ver navios a viagem inteira. Bom, pelo menos a nave era boa, os assentos confortáveis e o ar, surpreendentemente, não estava gelado. Mas vida de mãe é difícil, né? E a minha não é diferente. Haja paciência para aguentar o Nickito dando mil ataques antes de capotar de sono.

Eu sempre digo que pra mim a viagem é sempre mais longa do que pro Mauri ou pros meninos, porque eu simplesmente não prego os olhos. Tortura!

Ah, além da minha screen não funcionar, a luz também não acendia e o botãozinho que chama os comissários também não funcionava, que tal? Fui ou não fui sorteada?

No meio da viagem, bem na hora do jantar, quando a comida já estava servida, Nick inventou que queria fazer xixi. Eu, que nunca, nunquinha na vida entrei num banheiro de avião, passei a bola pro Vivi, rsrs (eu falei que o Mauri não conseguiu sentar com a gente? pois é…). Uns minutos depois, ouço os gritos do Nick, que saiu do banheiro desesperado, chorando. Eu, passei pelas 3 bandejas feito ninja e com meias listradas até os joelhos saí correndo pelo corredor para encontrar o pequeno com os olhos ainda mais arregalados no colo de uma das comissárias, “o flush fez um balulo muito alto!!!”. Tadinho do bichinho, ficou traumatizado, rs. Enquanto isso, o Vivi volta calmamente para sua poltrona. Sim, foram as 16 horas mais longas que já passei.

A conexão

Prometia ser bem rápida e assim foi. Foram duas horas que passamos praticamente todas de pé (revigorante, após as 16 que passamos sentados), pegando shuttles e nos movendo dentro do aeroporto de Doha até nosso terminal de embarque. Não vou nem contar dos ataques do Nick, pra não me estressar relembrando, rs.

Embarcamos. Eu, absolutamente exausta, com os olhos ardendo, queimando em brasa, desta vez, deixei os meninos por conta do Mauri e sentei na fileira de trás. Assim que me acomodei, lembrei que tinha que ter feito xixi no banheiro do aeroporto – tarde demais! Aquela altura já havia se passado umas 19 horas desde meu último xixi. E eu já havia bebido vários copos de água e suco durante o vôo anterior. Não me perguntem como, mas só fui fazer xixi no aeroporto de Barcelona!

A segunda perna da viagem foi bem mais tranquila, consegui até mesmo tirar um cochilo.

Como meu digníssimo marido nasceu virado pra Lua, ele tirou a sorte grande de contar com os serviços de babysitting do avião. Aí, você me pergunta: “mas que serviço é este?” Ah, é o serviço oferecido para crianças fofas dos olhos arregalados e cílios longos e curvos – só pode! rsrsr Aeromoças e aeromoços ficaram encantados com os meninos, que passaram horas do vôo na “cozinha” do avião, ou brincando de hide and seek pelos corredores. Volta e meia chegavam com as mãos cheias de biscoitos e brindes infantis. Foram mais que paparicados. Nickito até ganhou recadinho da turma toda, com direito a “I love you” e tudo mais. Hilário!

A despedida foi emocionada e quando estávamos na imigração, a tripulação passou por nós acenando e dizendo: “bye Nick, bye Vinny, see you next time!” Esses meus filhos são muito populares. Eu, definitivamente não sei de quem eles puxaram isso. Bom, se bem que minha irmã era exatamente assim. Puxaram a tia, rs

Finalmente, no aeroporto de Barcelona!

Chegando ao aeroporto, fui correndo fazer xixi. Sério, fiquei de perna bamba :O|, o maior xixi da minha vida. Depois, devidamente recomposta, fomos pra fila da imigração, onde, do nada, comecei a passar mal, uma mistura de dor de barriga e vontade de vomitar, daquelas que a gente acha que o mundo vai acabar, que a gente não consegue responder a uma pergunta, tampouco chamar a atenção das crianças que estão going wild após tantas horas de vôo. Foi a fila mais longa da minha vida ( havia 3 famílias na nossa frente).

Passada a imigração, o desespero aumentou, mas não demorou até que avistasse um banheiro. Fiquei uma meia hora por lá. Saí de perna bamba, fraca, trêmula. Gente, quem merece isso?? Passado o episódio mais dramático, fiquei ainda um tempo sentada no banquinho próximo ao banheiro, enquanto o Mauri pegava nossas malas (já falei que despachamos apenas 3 malas?? Claro que vamos ter que comprar uma mala pra levar as roupas que teremos que comprar aqui, né? rs).

A caminho de casa

Saindo do aeroporto, pegar um taxi foi mega fácil e, diferentemente da nossa experiência em Portugal, o taxista catalão, não nos deu a volta, tampouco cobrou 3x o valor da tarifa (sinto raiva daquele taxista português até hoje!). Os meninos vieram o caminho in-tei-ro tentando puxar papo com o rapaz. “quantos anos você tem?” era a pergunta favorita do Nick – repetiu isso umas cem vezes! E, pasmem, o rapaz não entendeu!!! Somento no final, ele perguntou pro Mauricio o que o pequeno tanto queria saber. Só aí, o Nickito finalmente teve finalmente sua pergunta respondida. Trinta :). Não é interessante como pra gente é mais fácil entender o espanhol do que pra eles o português?

Na verdade diria que é mais fácil pra mim entender o espanhol do que o português de portugal, rsrs

Este taxista, ao contrário do de Melbourne, fazia o tipo caladão – que bom 🙂

Chegando em casa

Chegando ao endereço, nossa hostess veio nos encontrar no taxi – ela e o Theo, seu filhotinho sorridente de 6 meses. Nos apresentou o apê e muito simpática se colocou à disposição para qualquer coisa.

Hora de descansar… a viagem foi longa e extremamente cansativa. Só a cama salva.

 

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