a vida vai entrando nos eixos

Mais rápido do que eu poderia supor, eis que a vida vai entrando nos eixos. Tirando o fato do Nickito vir pra nossa cama toda santa madrugada, as coisas até que não estão muito confusas.

Os meninos, como sempre, acordaram com a corda toda. A novidade é que estavam aflitos pra ir pro coleginho 🙂

Tomamos café e partimos. Chegamos lá um pouco mais cedo, o portão ainda não estava aberto, mas tão logo abriu, Nickito ficou indócil, dizendo que queria entrar logo.

Ainda lá fora, dois meninos vieram saudar o Vivi: “Vinicius!” – ele ficou todo feliz (mas se fez de tímido, rs)

Voltei pra casa pra trabalhar um pouquinho e tentar colocar minha agenda em ordem – acho que semana que vem volto à ativa!

Já falei que estou curtindo morar neste apê? Ele é menor que a metade da nossa casa, mas é tão prático… Acho que só não dou início ao movimento #queromorarnaespanha porque não gostaria que os meninos perdessem a fluência do inglês. Mas tô pensando seriamente em abrir o movimento #boravoltaranoquevem! rsrs

Última notinha do dia, prometo :)

No fim do dia, levamos os meninos à pracinha. No caminho, Nickito começa: “la chaqueta, la chaqueta, la chaqueta”, com um sotaquezinho espanhol e sorria marotamente :). Vivi, pra não ficar atrás, mandou um “la pelota”e começu a rir 🙂 Esses meninos vão sair daqui falando espanhol melhor que o pai – porque melhor que eu, provavelmente já falam 😛

O primeiro dia no coleginho – como foi?

Eu passei o dia inteiro com o estômago queimado, angustiada, me achando a pior mãe do mundo inteiro. O dia inteiro passou e ninguém do colégio me ligou. Silêncio absoluto.

Faltando 20 minutos para a hora da saída, tomei o caminho da roça e fui buscar minhas crias.

Chegando lá, vi um menininho comportado, quietinho, aguardando seus pais chegarem. Mal pude acreditar que aquela criança era o Nickito, minha ferinha furiosa. Inacreditável!

Perguntei como foi o dia e ele, empolgado, contou que brincou, fez amigos, desenhou, foi no big escorrega e almoçou um papazinho gostosinho: tinha arroz, carninha, franguinho e até feijão (só que do yellow one). Perguntei se ele queria voltar amanhã e ele disse que sim. Quase não acreditei no que meus olhos viam e meus ouvidos ouviam.

Ficamos aguardando o Vivi e nada dele aparecer, até que a inspetora vem em nossa direção dizendo que as crianças só descem quando são chamadas pelo microfone – demos o nome e ela o chamou.

Vivisaurinho estava super feliz, saltitante, mas avisou logo: “tenho uma bad news… eu era o único que não tinha lanchinho de manhã!” Aparentemente esqueceram de nos avisar que o lanchinho da manhã deveria ser trazido de casa. Pobrezinho… E pelo visto o mesmo aconteceu com o Nickito.

Amanhã não terá erro.

No caminho de volta pra casa, Vivisauro veio feliz da vida, contando como tinha sido o seu dia, como as crianças todas da turma queriam saber tudo dele, como ele tinha feito vários amigos, como ele tirou onda na aula de inglês, enfim, como ele tinha sido o centro das atenções 🙂

E eu aqui sentindo o estômago queimar…. Coisas de mãe 🙂

terça-feira: primeiro dia de aula

Hoje foi (está sendo) o primeiro dia dos meninos na escola.

Acordamos, alimentamos os pequenos e lá fomos nós para uma caminhadinha de 10 minutos até chegar ao destino. No caminho, Vivisauro pulava feito cabrito, tamanha era a empolgação. Quando estávamos quase chegando, começou a demonstrar uma certa preocupação: “mas mamãe e se eu não fizer amigos?? como vou falar em catalão?” Ao  que respondi: “Impossível você não fazer amigos! Você não só vai fazer muitos amigos, como vai ter muita história pra contar quando voltarmos pra Austrália!”. Ele, com um sorriso de orelha à orelha, voltou a saltitar pelo caminho.

Chegando lá, entramos e ficamos a esperar. Grupinhos se formavam e inevitavelmente, crianças curiosas apontavam e comentavam. O Nick estava alheio às conversas, mas o Vivi começou a ficar inseguro, a se incomodar: “mamãe, eles estão apontando pra mim…” – “Eu sei, meu filho, isso é porque você é novidade… eles estão curiosos pra saber  sobre você…”.

As portas se abriram e a criançada começou a entrar. Aqui, os colégios são mais parecidos com os do Brasil, num mesmo colégio você tem infantil, primário, ginásio, secundário – o que é bem diferente do modelo australiano, que em geral separa cada fase num colégio.

A criançada entrou e logo a inspetora (?) veio pegar os meninos. Pegou um em cada mão e nem deu tempo pra despedida, nada de beijinho nem abraço, só mandou dar tchau pro papai e pra mamãe e simbora pra dentro, assim, a sangue frio. Lá foi o Nick, de um lado, ainda meio perdido, mas sem reclamar, e o Vivi do outro, com um sorriso que denunciava um misto de empolgação e incerteza. E eu fiquei lá, olhando pra cara do Mauricio com o coração despedaçado (vai entender as mães!), o estômago doendo. Cadê a adaptação?? Senão para as crianças, pelo menos para a mãe! Ficamos lá parados, sem saber o que fazer, até que dois (eternos) minutos depois a inspetora volta, nos chamando pra dar tchau pro Nick, porque o Vivi já havia entrado na sala dele. Chegamos na salinha do Nick e ele estava lá, sentadinho no chão, quietinho, conformado. Quando ele nos viu, pareceu aliviado. Veio pro nosso lado, coloquei o aventalzinho nele, dei um beijinho e entreguei pra professora. Ele foi sem reclamar – Choquei! Nem um chorinho? Não vai relutar nem um pouquinho??

Ao que parece, ele estava seco pra voltar para a ambiencia da creche, brincar com outras crianças, fazer atividades variadas…

Saímos de lá e no caminho de volta, começou a me dar uma saudade insana dos meus dois encrenqueiros barulhentos.

Já falei que a escola é integral???? Então, das 9 da manhã às 5 da tarde!!!! Como sobreviverei?

Passei em casa para comer alguma coisa, peguei minha câmera e voltei pra rua, pra tentar me distrair. Em vão. Estou muito aflita pra passear. Voltei pra casa e aqui estou, prisioneira da minha angústia, esperando o telefone tocar a qualquer momento pra que eu vá correndo  buscá-los, qualquer que seja o motivo. Faltam 20 para o meio-dia. A casa está silenciosa e eu quase deprimida.

Meu coração só terá sossego quando eu for buscar meus molequinhos e souber, tim-tim por tim-tim como foi o dia deles. Até lá, ficarei aqui enterrada na minha angústia, estourando de culpa (que tipo de mãe manda os filhos pra escola num país onde eles não falam a língua e onde ficarão apenas por dois meses??!?!) e com o estômago ardendo em brasa, sem saber como está sendo o dia dos pequenos.

Parte de mim (a que pensa) quer que ao fim do dia, eles estejam super felizes e integrados, doidos pra voltar no dia seguinte. A outra parte (a insana) quer que o telefone toque agora e que a gente esqueça essa história de mandar os meninos pro colégio.

Enfim, vou fazer uma yoga ali e já volto. Depois eu conto o desfecho do dia.

 

segunda-feira: dia de matricular as crianças no colégio

Após um fim de semana de muita andança, começamos a semana devagar-devagarinho. Hoje a meta foi matricular os pimpolhos na escola, Col.legi La Merced, que fica na mesma rua em que estamos morando, só que uns 10 minutos de caminhada (se o Nick for andando, tá mais pra 15, rs).

Chegamos lá às 9:30 pra conversar com a moça da secretaria. Acertamos tudo, tiramos as dúvidas e saímos dali direto pra comprar os uniformes.

Graças ao bom Pai Celestial, os meninos se comportaram incrivelmente bem enquanto conversávamos com a secretária. Meu medo maior é que eles mostrassems suas true colors de cara, o que inviabilizaria suas matrículas.

Entre uniformes e mensalidades (incluindo alimentação), nosso investimento total para esses dois meses aqui será a bagatela (só que não) de  dois mil euros. Como disse  o marido, é o equivalente ao que gastamos com a creche do Nick na Austrália + 300.

Aqui a escola é tempo integral, mas existem duas opções: ou você pega a criança a 1pm, leva pra casa pra dar o almoço e traz de volta às 3pm, ou você deixa a criança às 9 am, ela almoça no colégio, e você só busca às 5pm. Como só estamos passando dois meses, optamos por eles terem o almoço no colégio mesmo – até porque, vai que eu pego o Nick e ele não quer mais voltar? rsrs

Enfim, compramos o uniforme – não a indumentária completa, porque como a inspetora mesmo ponderou, não tem porque gastar tanto dinheiro com um uniforme que só será usado por dois meses. Então, os moleques ganharam o short social, o esportivo e a bata/avental (sei lá como se chama aquilo).

Missão do dia cumprida, voltamos pra casa, mas não sem antes parar um pouco na pracinha.

Sabe de uma coisa? Descobri porque eu gosto tanto de Barcelona… de alguma forma, me faz lembrar o Rio – e a verdade é que morro de saudade da informalidade carioca, do jornaleiro na esquina, das padarias, da quitanda, dos mercadinhos, das pracinhas de areia… Aqui tem disso tudo, com o adicional da segurança. Sim, me mudaria pra cá, sem pestanejar! Amo de paixão morar em Melbourne, mas a vida aqui é muito mais a minha cara.

Nick e os sinais (de trânsito)

Nossos moleques não estão acostumados a vida de andar a pé, fato. Fiquei um pouco receosa, antes de virmos, pensando em como seria andar com esses dois na rua. Se eles iam sair correndo feito dois malucos pro meio da rua, se eu ia parecer ainda mais maluca correndo atrás deles e gritando… muitas cenas ridículas passaram pela minha cabeça.

Hoje sei que estava certa. Que não era uma preocupação exagerada. Eles, de fato, saem correndo e nos botam pra correr também. Entretanto, graças a Deus, pelo menos por enquanto, não vão para o meio da rua.

Nick aliás, está se saindo um mini-guarda de trânsito.

Sabe aquelas ruas tranquilinhas que passa um carro a cada 5 minutos? Então, se o sinal estiver vermelho pros pedestres não há maneira de conseguirmos atravessar: IT’S RED, YOU CAN’T GO!  ele grita.

O problema é que se o sinal acontece de ficar vermelho durante a travessia, ele acha que a gente tem que ou ficar parado ali no meio da rua, ou voltar pro ponto de partida. Haja!

Quantas já não foram as vezes que fomos obrigados a ficar paradinhos na calçada enquanto todos os transeuntes atravessavam, porque o bonitinho criava um escândalo se ousássemos colocar o pezinho na rua?

Este é o Nick no seu mais puro estado. É daí pra pior :O|

domingo no parc Güell

Ó nóis aqui travez!

Domingo é día de parque, e estando em Barcelona, Parc Guell foi o nosso destino. Esta é mais uma atração que há 9 anos era gratuita e agora é paga – parcialmente, mas é.

Hoje nos restringimos à área gratuita, logo, não fomos ao terraço, não vimos nem tiramos foto com o lagarto, não apreciamos de perto a monumentalidade e beleza do trabalho do meu amigo Gaudí. Mas sinceramente, o parque estava tão cheio que nem valeria a pena. Melhor voltar num dia de semana e pagar pra desfrutar com calma, sem tumulto, sem fila pra tirar foto com o lagarto mais famoso do mundo 🙂

Hoje caminhamos pelas instalações do parque, coisa que há 9 anos, quando passamos míseros 5 dias aqui, não fizemos, já que o espírito era outro, o tempo era curto.

Que delícia de parque – mesmo sendo sempre ladeira a cima, não cansa 🙂

Quando já estávamos tomando o caminho roça, passamos por uma banda muito doida (no sentido de animada), que fazia uma performace super animada no meio do caminho. Olho no fundo dos olhos deles e pensei: são brasileiros, aposto! Tá, vai, 99% de certeza.
Paramos pra ouvir um pouco do som e ao final da apresentação, meu 1% de dúvida foi embora 🙂 O jeito, a ginga brasuca são inconfundíveis. Aposto que pelo menos dois dos integrantes certamente eram cariocas, rs

Vivi, como sempre ficou encantando (ele adora artistas de rua), por pouco não foi lá entrar na banda também 🙂

Saindo do parque, paramos no primeiro restaurante que vimos (mas não sem antes checar no foursquare, claro). O lugar estava super bem avaliado, e tirando o preço (meio salgado), não deixou a desejar – ainda mais pro marido que estava com desejo de carne. Aliás, fica a nota: carne vermelha nesta terra tem o preço nada amigável. Melhor concentrar nos tapas, rs

A gente sempre tenta não falar em inglês. O Mauricio investe no portunhol e eu fico mais muda do que qualquer outra coisa, rs (sou tímida, gente). Mas o engraçado é o Nick, que sempre agradece com um simpático “gracias”, acompanhado da mãozinha saindo da testa, rs. Gracias e “la chaqueta” são as favoritas dele 😛

Ah sim, como nem tudo são flores, claro que a garçonete, que era super simpática (de verdade!) foi obrigada a chamar a atenção deles, pedindo que não gritassem nem corressem, nem ficassem se escondendo de baixo das mesas – bom, pelo menos os estranhos eles ainda ouvem e obedecem, nem que seja por 5 minutos, até eles esquecerem e começarem tudo novamente.

Depois do tardio almoço, voltamos pra casa (mas não sem antes dar uma paradinha básica na pracinha).

 

Sabadão: De volta ao castelo de Montjuic após 9 longos anos

Quando viemos aqui da primeira vez, tenho quase absoluta certeza de que não pagamos pra entrar no castelo, mas fazer o que, não é mesmo? Simbora abrir a carteira, rs

As crianças curtiram bastante o passeio que incluiu carona no teleférico, apreciação da cidade vista de cima e reconhecimento do castelo. Correram, brincaram, subiram onde não era pra subir, tiraram fotos, tiveram dor de barriga, enfim, nos proporcionaram a experiência completinha da alegria que é passear com crianças, rs

Eu lembrava que há 9 anos, havíamos ido à pé. Quer dizer, na época, pegamos um metro e depois, como o teleférico não estava funciando (se não me engano era uma segunda-feira), subimos a pé – o que foi bacana, porque nos possibilitou ver os jardins e paisagens pelo meio do caminho. Desta vez, maridón resolveu pegar um taxi (!!!!), mesmo eu o tendo alertado que o metrô nos levaria até o teleférico.

Pois bem, pegamos o tal do taxi, porque se vocês não sabem, Mauricinho não me ouve, rsrs. Pensei que o taxista fosse nos levar até o castelo em si, que não precisaríamos portanto pegar o teleférico. Ledo engano. O bonitão nos deixou na parte de baixo, bem na porta do metrô!!! Encaremos desta forma: contribuímos com a economia catalã, rsrs

Na volta, não teve erro. Pegamos o metro até a Sagrada Família (duas quadrinhas de casa).

 

Reconhecendo a vizinhança, revendo a Sagrada Família e missão Colégio

Acordamos revigorados (oi?) e saímos para reconhecer a vizinhança. Vários mercadinhos, farmácias, quitandas, bancas de jornal, pracinhas, restaurantes, padarias, botecos e tudo mais que se pode esperar de um bairro de verdade, a poucos passos de casa. Carro pra que?, eu lhe pergunto. A verdade é que nem de metrô precisaríamos pro nosso dia-a-dia, já que até a Universidade fica  a no máximo 30 minutos a pé. Mas vamos dar tempo ao tempo e ver como será de fato nosso cotidiano (algo me diz que vou morrer de saudade desses nossos 2 meses aqui).

Rever a Sagrada Familia me emocionou – o maior exemplar de obra de Igreja estava lá (ou melhor, aqui), lindo, imponente e devidamente “under construction” desde 1882(!!!!). Eu suspiro em cada detalhe. Ainda lembro quando, ao subir as escadas do metrô, há 9 anos, me deparei com sua monumentalidade. Borboletas no estômago, ansiedade, êxtase. Pra mim foi bem emocionante me deparar com a obra que sempre apreciei nos livros e projeções nas aulas de história da arquitetura.

Me pergunto se vou ver a Basílica concluída – dizem que o fim da eterna obra esta próximo. Dois mil e vinte e seis é a previsão. Terão sido quase 150 anos em construção. Duas vidas! Mas como costumava dizer Gaudí, seu cliente, Deus, não tem pressa pra ver a Igreja concluída… 😛

Reconhecida a vizinhança e revista a Sagrada Familia (por enquanto somente por fora), fomos em busca de colégio pros Guris. Oh, boy!

Foi uma mnhã de muita andança – daqui pra lá, de lá pra cá, os meninos (guerreirinhos) já não aguentavam mais. Me fez lembrar a burocracia brasileira. Você vai num lugar, conversa com o atendente que te manda pra outro endereço, chegando lá, a informação que te dão é outra, porque, claro, eles não conversam entre si. Como a coisa estava ficando enrolada, decidimos fazer uma pausa e resolver outra questão: precisávamos ativar nossos iPhones. Mas esta parte foi simples – apesar de termos andado um bocado até encontrar uma loja que tivesse o SIM card pro 5S – aff…

Telefone resolvido, voltei pra casa com os moleques, que já estavam quase dormindo em pé, coitados, e papai Mauricio seguiu com a saga. Em vão! No apagar das luzes, descobrimos que , embora ninguém tivesse nos alertado, para mandar os meninos para a escola pública, precisaríamos ter mais do que passaportes. Era necessário também comprovante de residência (!!), certidões de nascimento originais nossas e das crianças e sei lá mais o que. Desistimos. Fomos em busca de uma escola particular mesmo.

Após uma breve pesquisa online, (re)encontramos uma que havíamos visto meses atrás. Lá foi o papai, já no fim do dia, com a escola fechando, tentar a sorte.

Para o fim do nosso desespero, acho que encontramos a nova escola dos meninos pelos próximos meses. Voltaremos lá na segunda pela manhã para acertar os detalhes e, tudo dando certo, eles começam a adaptação na terça. Boa sorte pra todo mundo, rs

 

É chegada a hora – A caminho de Barcelona

Pré-viagem

Ontem, após um dia super corrido com direito a faxina e inspeção na casa, conseguimos, nem sei como, fechar as malas e apagar as luzes.

Como rapadura é doce mas não é mole não, ainda no meio do dia comecei a sentir uma dor no estômago sinistra – gastrite nervosa, aposto!

Passei o dia inteiro sem comer, então além da dor, estava fraquinha, fraquinha. Tudo o que eu queria era ficar em casa, na minha cama. Tudo o que eu menos queria era embarcar nessa longa viagem…

Mas fomos né? Fazer o que? 🙂

A viagem começou ainda no taxi, com um motorista, digamos, interessante, dono de um papo interminável – sério, não houve 2  segundos de silêncio, o que para uma pessoa com dor no estomago é uma tortura, rs. Mas como o Mauri a se dedicou à conversa, me limitei a ouvir e fazer participações pontuais. Assuntos variados permearam a mais longa viagem até o aeroporto (o que geralmente leva 45 minutos, levou mais de uma hora!), Mas o interessante mesmo foi ao chegar ao destino, quando a maquininha de passar o cartão não funcionou. Claro, não tínhamos cash – nunca temos! – e o cara, na maior tranquilidade do mundo, disse assim: quando vcs retornarem vocês me pagam… Eu passo na casa de vocês em julho pra receber.

Cho-quei!

Nós é que sugerimos que ele pegasse nosso número, porque nem isso ele ia fazer – consegue imaginar isso no Brasil?? Pois é, coisas assim acontecem com frequência na terra do canguru. Noutro dia mesmo fui à dentista e saí sem pagar “ah, não se preocupa, depois a gente acerta…”. Outra engraçada foi o Mauri deixando a bike pra revisão. Deixou lá e saiu sem recibo nem nada. Duas semanas depois, fui buscar a bike. Simples assim, o cara não só me entregou a dita-cuja como colocou a magrela no carro pra mim. Me senti numa cidadezinha de interior, rs

Anyways, antes que eu entre por outra história, foquemos no tema 🙂

A primeira perna da viagem

Hora de embarcar e for the first time ever na história da nossa família, o check in foi mega fácil! Nada de multiplos passaportes, nada de complicação. Quatro passaportes australianos facilitam demais a vida, pode acreditar.

Check-in feito, embarcamos e demos início a nossa longa jornada aérea.

Como a Lei de Murphy tem poder, claro que, apesar da dor no estômago ter milagrosamente passado assim que entrei no avião, fui sorteada com um televisão que não funcionava. No movies for me. O comissário de bordo reiniciou duas vezes e nada! Fiquei a ver navios a viagem inteira. Bom, pelo menos a nave era boa, os assentos confortáveis e o ar, surpreendentemente, não estava gelado. Mas vida de mãe é difícil, né? E a minha não é diferente. Haja paciência para aguentar o Nickito dando mil ataques antes de capotar de sono.

Eu sempre digo que pra mim a viagem é sempre mais longa do que pro Mauri ou pros meninos, porque eu simplesmente não prego os olhos. Tortura!

Ah, além da minha screen não funcionar, a luz também não acendia e o botãozinho que chama os comissários também não funcionava, que tal? Fui ou não fui sorteada?

No meio da viagem, bem na hora do jantar, quando a comida já estava servida, Nick inventou que queria fazer xixi. Eu, que nunca, nunquinha na vida entrei num banheiro de avião, passei a bola pro Vivi, rsrs (eu falei que o Mauri não conseguiu sentar com a gente? pois é…). Uns minutos depois, ouço os gritos do Nick, que saiu do banheiro desesperado, chorando. Eu, passei pelas 3 bandejas feito ninja e com meias listradas até os joelhos saí correndo pelo corredor para encontrar o pequeno com os olhos ainda mais arregalados no colo de uma das comissárias, “o flush fez um balulo muito alto!!!”. Tadinho do bichinho, ficou traumatizado, rs. Enquanto isso, o Vivi volta calmamente para sua poltrona. Sim, foram as 16 horas mais longas que já passei.

A conexão

Prometia ser bem rápida e assim foi. Foram duas horas que passamos praticamente todas de pé (revigorante, após as 16 que passamos sentados), pegando shuttles e nos movendo dentro do aeroporto de Doha até nosso terminal de embarque. Não vou nem contar dos ataques do Nick, pra não me estressar relembrando, rs.

Embarcamos. Eu, absolutamente exausta, com os olhos ardendo, queimando em brasa, desta vez, deixei os meninos por conta do Mauri e sentei na fileira de trás. Assim que me acomodei, lembrei que tinha que ter feito xixi no banheiro do aeroporto – tarde demais! Aquela altura já havia se passado umas 19 horas desde meu último xixi. E eu já havia bebido vários copos de água e suco durante o vôo anterior. Não me perguntem como, mas só fui fazer xixi no aeroporto de Barcelona!

A segunda perna da viagem foi bem mais tranquila, consegui até mesmo tirar um cochilo.

Como meu digníssimo marido nasceu virado pra Lua, ele tirou a sorte grande de contar com os serviços de babysitting do avião. Aí, você me pergunta: “mas que serviço é este?” Ah, é o serviço oferecido para crianças fofas dos olhos arregalados e cílios longos e curvos – só pode! rsrsr Aeromoças e aeromoços ficaram encantados com os meninos, que passaram horas do vôo na “cozinha” do avião, ou brincando de hide and seek pelos corredores. Volta e meia chegavam com as mãos cheias de biscoitos e brindes infantis. Foram mais que paparicados. Nickito até ganhou recadinho da turma toda, com direito a “I love you” e tudo mais. Hilário!

A despedida foi emocionada e quando estávamos na imigração, a tripulação passou por nós acenando e dizendo: “bye Nick, bye Vinny, see you next time!” Esses meus filhos são muito populares. Eu, definitivamente não sei de quem eles puxaram isso. Bom, se bem que minha irmã era exatamente assim. Puxaram a tia, rs

Finalmente, no aeroporto de Barcelona!

Chegando ao aeroporto, fui correndo fazer xixi. Sério, fiquei de perna bamba :O|, o maior xixi da minha vida. Depois, devidamente recomposta, fomos pra fila da imigração, onde, do nada, comecei a passar mal, uma mistura de dor de barriga e vontade de vomitar, daquelas que a gente acha que o mundo vai acabar, que a gente não consegue responder a uma pergunta, tampouco chamar a atenção das crianças que estão going wild após tantas horas de vôo. Foi a fila mais longa da minha vida ( havia 3 famílias na nossa frente).

Passada a imigração, o desespero aumentou, mas não demorou até que avistasse um banheiro. Fiquei uma meia hora por lá. Saí de perna bamba, fraca, trêmula. Gente, quem merece isso?? Passado o episódio mais dramático, fiquei ainda um tempo sentada no banquinho próximo ao banheiro, enquanto o Mauri pegava nossas malas (já falei que despachamos apenas 3 malas?? Claro que vamos ter que comprar uma mala pra levar as roupas que teremos que comprar aqui, né? rs).

A caminho de casa

Saindo do aeroporto, pegar um taxi foi mega fácil e, diferentemente da nossa experiência em Portugal, o taxista catalão, não nos deu a volta, tampouco cobrou 3x o valor da tarifa (sinto raiva daquele taxista português até hoje!). Os meninos vieram o caminho in-tei-ro tentando puxar papo com o rapaz. “quantos anos você tem?” era a pergunta favorita do Nick – repetiu isso umas cem vezes! E, pasmem, o rapaz não entendeu!!! Somento no final, ele perguntou pro Mauricio o que o pequeno tanto queria saber. Só aí, o Nickito finalmente teve finalmente sua pergunta respondida. Trinta :). Não é interessante como pra gente é mais fácil entender o espanhol do que pra eles o português?

Na verdade diria que é mais fácil pra mim entender o espanhol do que o português de portugal, rsrs

Este taxista, ao contrário do de Melbourne, fazia o tipo caladão – que bom 🙂

Chegando em casa

Chegando ao endereço, nossa hostess veio nos encontrar no taxi – ela e o Theo, seu filhotinho sorridente de 6 meses. Nos apresentou o apê e muito simpática se colocou à disposição para qualquer coisa.

Hora de descansar… a viagem foi longa e extremamente cansativa. Só a cama salva.