a vida vai entrando nos eixos

Mais rápido do que eu poderia supor, eis que a vida vai entrando nos eixos. Tirando o fato do Nickito vir pra nossa cama toda santa madrugada, as coisas até que não estão muito confusas.

Os meninos, como sempre, acordaram com a corda toda. A novidade é que estavam aflitos pra ir pro coleginho 🙂

Tomamos café e partimos. Chegamos lá um pouco mais cedo, o portão ainda não estava aberto, mas tão logo abriu, Nickito ficou indócil, dizendo que queria entrar logo.

Ainda lá fora, dois meninos vieram saudar o Vivi: “Vinicius!” – ele ficou todo feliz (mas se fez de tímido, rs)

Voltei pra casa pra trabalhar um pouquinho e tentar colocar minha agenda em ordem – acho que semana que vem volto à ativa!

Já falei que estou curtindo morar neste apê? Ele é menor que a metade da nossa casa, mas é tão prático… Acho que só não dou início ao movimento #queromorarnaespanha porque não gostaria que os meninos perdessem a fluência do inglês. Mas tô pensando seriamente em abrir o movimento #boravoltaranoquevem! rsrs

Última notinha do dia, prometo :)

No fim do dia, levamos os meninos à pracinha. No caminho, Nickito começa: “la chaqueta, la chaqueta, la chaqueta”, com um sotaquezinho espanhol e sorria marotamente :). Vivi, pra não ficar atrás, mandou um “la pelota”e começu a rir 🙂 Esses meninos vão sair daqui falando espanhol melhor que o pai – porque melhor que eu, provavelmente já falam 😛

O primeiro dia no coleginho – como foi?

Eu passei o dia inteiro com o estômago queimado, angustiada, me achando a pior mãe do mundo inteiro. O dia inteiro passou e ninguém do colégio me ligou. Silêncio absoluto.

Faltando 20 minutos para a hora da saída, tomei o caminho da roça e fui buscar minhas crias.

Chegando lá, vi um menininho comportado, quietinho, aguardando seus pais chegarem. Mal pude acreditar que aquela criança era o Nickito, minha ferinha furiosa. Inacreditável!

Perguntei como foi o dia e ele, empolgado, contou que brincou, fez amigos, desenhou, foi no big escorrega e almoçou um papazinho gostosinho: tinha arroz, carninha, franguinho e até feijão (só que do yellow one). Perguntei se ele queria voltar amanhã e ele disse que sim. Quase não acreditei no que meus olhos viam e meus ouvidos ouviam.

Ficamos aguardando o Vivi e nada dele aparecer, até que a inspetora vem em nossa direção dizendo que as crianças só descem quando são chamadas pelo microfone – demos o nome e ela o chamou.

Vivisaurinho estava super feliz, saltitante, mas avisou logo: “tenho uma bad news… eu era o único que não tinha lanchinho de manhã!” Aparentemente esqueceram de nos avisar que o lanchinho da manhã deveria ser trazido de casa. Pobrezinho… E pelo visto o mesmo aconteceu com o Nickito.

Amanhã não terá erro.

No caminho de volta pra casa, Vivisauro veio feliz da vida, contando como tinha sido o seu dia, como as crianças todas da turma queriam saber tudo dele, como ele tinha feito vários amigos, como ele tirou onda na aula de inglês, enfim, como ele tinha sido o centro das atenções 🙂

E eu aqui sentindo o estômago queimar…. Coisas de mãe 🙂

terça-feira: primeiro dia de aula

Hoje foi (está sendo) o primeiro dia dos meninos na escola.

Acordamos, alimentamos os pequenos e lá fomos nós para uma caminhadinha de 10 minutos até chegar ao destino. No caminho, Vivisauro pulava feito cabrito, tamanha era a empolgação. Quando estávamos quase chegando, começou a demonstrar uma certa preocupação: “mas mamãe e se eu não fizer amigos?? como vou falar em catalão?” Ao  que respondi: “Impossível você não fazer amigos! Você não só vai fazer muitos amigos, como vai ter muita história pra contar quando voltarmos pra Austrália!”. Ele, com um sorriso de orelha à orelha, voltou a saltitar pelo caminho.

Chegando lá, entramos e ficamos a esperar. Grupinhos se formavam e inevitavelmente, crianças curiosas apontavam e comentavam. O Nick estava alheio às conversas, mas o Vivi começou a ficar inseguro, a se incomodar: “mamãe, eles estão apontando pra mim…” – “Eu sei, meu filho, isso é porque você é novidade… eles estão curiosos pra saber  sobre você…”.

As portas se abriram e a criançada começou a entrar. Aqui, os colégios são mais parecidos com os do Brasil, num mesmo colégio você tem infantil, primário, ginásio, secundário – o que é bem diferente do modelo australiano, que em geral separa cada fase num colégio.

A criançada entrou e logo a inspetora (?) veio pegar os meninos. Pegou um em cada mão e nem deu tempo pra despedida, nada de beijinho nem abraço, só mandou dar tchau pro papai e pra mamãe e simbora pra dentro, assim, a sangue frio. Lá foi o Nick, de um lado, ainda meio perdido, mas sem reclamar, e o Vivi do outro, com um sorriso que denunciava um misto de empolgação e incerteza. E eu fiquei lá, olhando pra cara do Mauricio com o coração despedaçado (vai entender as mães!), o estômago doendo. Cadê a adaptação?? Senão para as crianças, pelo menos para a mãe! Ficamos lá parados, sem saber o que fazer, até que dois (eternos) minutos depois a inspetora volta, nos chamando pra dar tchau pro Nick, porque o Vivi já havia entrado na sala dele. Chegamos na salinha do Nick e ele estava lá, sentadinho no chão, quietinho, conformado. Quando ele nos viu, pareceu aliviado. Veio pro nosso lado, coloquei o aventalzinho nele, dei um beijinho e entreguei pra professora. Ele foi sem reclamar – Choquei! Nem um chorinho? Não vai relutar nem um pouquinho??

Ao que parece, ele estava seco pra voltar para a ambiencia da creche, brincar com outras crianças, fazer atividades variadas…

Saímos de lá e no caminho de volta, começou a me dar uma saudade insana dos meus dois encrenqueiros barulhentos.

Já falei que a escola é integral???? Então, das 9 da manhã às 5 da tarde!!!! Como sobreviverei?

Passei em casa para comer alguma coisa, peguei minha câmera e voltei pra rua, pra tentar me distrair. Em vão. Estou muito aflita pra passear. Voltei pra casa e aqui estou, prisioneira da minha angústia, esperando o telefone tocar a qualquer momento pra que eu vá correndo  buscá-los, qualquer que seja o motivo. Faltam 20 para o meio-dia. A casa está silenciosa e eu quase deprimida.

Meu coração só terá sossego quando eu for buscar meus molequinhos e souber, tim-tim por tim-tim como foi o dia deles. Até lá, ficarei aqui enterrada na minha angústia, estourando de culpa (que tipo de mãe manda os filhos pra escola num país onde eles não falam a língua e onde ficarão apenas por dois meses??!?!) e com o estômago ardendo em brasa, sem saber como está sendo o dia dos pequenos.

Parte de mim (a que pensa) quer que ao fim do dia, eles estejam super felizes e integrados, doidos pra voltar no dia seguinte. A outra parte (a insana) quer que o telefone toque agora e que a gente esqueça essa história de mandar os meninos pro colégio.

Enfim, vou fazer uma yoga ali e já volto. Depois eu conto o desfecho do dia.

 

segunda-feira: dia de matricular as crianças no colégio

Após um fim de semana de muita andança, começamos a semana devagar-devagarinho. Hoje a meta foi matricular os pimpolhos na escola, Col.legi La Merced, que fica na mesma rua em que estamos morando, só que uns 10 minutos de caminhada (se o Nick for andando, tá mais pra 15, rs).

Chegamos lá às 9:30 pra conversar com a moça da secretaria. Acertamos tudo, tiramos as dúvidas e saímos dali direto pra comprar os uniformes.

Graças ao bom Pai Celestial, os meninos se comportaram incrivelmente bem enquanto conversávamos com a secretária. Meu medo maior é que eles mostrassems suas true colors de cara, o que inviabilizaria suas matrículas.

Entre uniformes e mensalidades (incluindo alimentação), nosso investimento total para esses dois meses aqui será a bagatela (só que não) de  dois mil euros. Como disse  o marido, é o equivalente ao que gastamos com a creche do Nick na Austrália + 300.

Aqui a escola é tempo integral, mas existem duas opções: ou você pega a criança a 1pm, leva pra casa pra dar o almoço e traz de volta às 3pm, ou você deixa a criança às 9 am, ela almoça no colégio, e você só busca às 5pm. Como só estamos passando dois meses, optamos por eles terem o almoço no colégio mesmo – até porque, vai que eu pego o Nick e ele não quer mais voltar? rsrs

Enfim, compramos o uniforme – não a indumentária completa, porque como a inspetora mesmo ponderou, não tem porque gastar tanto dinheiro com um uniforme que só será usado por dois meses. Então, os moleques ganharam o short social, o esportivo e a bata/avental (sei lá como se chama aquilo).

Missão do dia cumprida, voltamos pra casa, mas não sem antes parar um pouco na pracinha.

Sabe de uma coisa? Descobri porque eu gosto tanto de Barcelona… de alguma forma, me faz lembrar o Rio – e a verdade é que morro de saudade da informalidade carioca, do jornaleiro na esquina, das padarias, da quitanda, dos mercadinhos, das pracinhas de areia… Aqui tem disso tudo, com o adicional da segurança. Sim, me mudaria pra cá, sem pestanejar! Amo de paixão morar em Melbourne, mas a vida aqui é muito mais a minha cara.

Nick e os sinais (de trânsito)

Nossos moleques não estão acostumados a vida de andar a pé, fato. Fiquei um pouco receosa, antes de virmos, pensando em como seria andar com esses dois na rua. Se eles iam sair correndo feito dois malucos pro meio da rua, se eu ia parecer ainda mais maluca correndo atrás deles e gritando… muitas cenas ridículas passaram pela minha cabeça.

Hoje sei que estava certa. Que não era uma preocupação exagerada. Eles, de fato, saem correndo e nos botam pra correr também. Entretanto, graças a Deus, pelo menos por enquanto, não vão para o meio da rua.

Nick aliás, está se saindo um mini-guarda de trânsito.

Sabe aquelas ruas tranquilinhas que passa um carro a cada 5 minutos? Então, se o sinal estiver vermelho pros pedestres não há maneira de conseguirmos atravessar: IT’S RED, YOU CAN’T GO!  ele grita.

O problema é que se o sinal acontece de ficar vermelho durante a travessia, ele acha que a gente tem que ou ficar parado ali no meio da rua, ou voltar pro ponto de partida. Haja!

Quantas já não foram as vezes que fomos obrigados a ficar paradinhos na calçada enquanto todos os transeuntes atravessavam, porque o bonitinho criava um escândalo se ousássemos colocar o pezinho na rua?

Este é o Nick no seu mais puro estado. É daí pra pior :O|

domingo no parc Güell

Ó nóis aqui travez!

Domingo é día de parque, e estando em Barcelona, Parc Guell foi o nosso destino. Esta é mais uma atração que há 9 anos era gratuita e agora é paga – parcialmente, mas é.

Hoje nos restringimos à área gratuita, logo, não fomos ao terraço, não vimos nem tiramos foto com o lagarto, não apreciamos de perto a monumentalidade e beleza do trabalho do meu amigo Gaudí. Mas sinceramente, o parque estava tão cheio que nem valeria a pena. Melhor voltar num dia de semana e pagar pra desfrutar com calma, sem tumulto, sem fila pra tirar foto com o lagarto mais famoso do mundo 🙂

Hoje caminhamos pelas instalações do parque, coisa que há 9 anos, quando passamos míseros 5 dias aqui, não fizemos, já que o espírito era outro, o tempo era curto.

Que delícia de parque – mesmo sendo sempre ladeira a cima, não cansa 🙂

Quando já estávamos tomando o caminho roça, passamos por uma banda muito doida (no sentido de animada), que fazia uma performace super animada no meio do caminho. Olho no fundo dos olhos deles e pensei: são brasileiros, aposto! Tá, vai, 99% de certeza.
Paramos pra ouvir um pouco do som e ao final da apresentação, meu 1% de dúvida foi embora 🙂 O jeito, a ginga brasuca são inconfundíveis. Aposto que pelo menos dois dos integrantes certamente eram cariocas, rs

Vivi, como sempre ficou encantando (ele adora artistas de rua), por pouco não foi lá entrar na banda também 🙂

Saindo do parque, paramos no primeiro restaurante que vimos (mas não sem antes checar no foursquare, claro). O lugar estava super bem avaliado, e tirando o preço (meio salgado), não deixou a desejar – ainda mais pro marido que estava com desejo de carne. Aliás, fica a nota: carne vermelha nesta terra tem o preço nada amigável. Melhor concentrar nos tapas, rs

A gente sempre tenta não falar em inglês. O Mauricio investe no portunhol e eu fico mais muda do que qualquer outra coisa, rs (sou tímida, gente). Mas o engraçado é o Nick, que sempre agradece com um simpático “gracias”, acompanhado da mãozinha saindo da testa, rs. Gracias e “la chaqueta” são as favoritas dele 😛

Ah sim, como nem tudo são flores, claro que a garçonete, que era super simpática (de verdade!) foi obrigada a chamar a atenção deles, pedindo que não gritassem nem corressem, nem ficassem se escondendo de baixo das mesas – bom, pelo menos os estranhos eles ainda ouvem e obedecem, nem que seja por 5 minutos, até eles esquecerem e começarem tudo novamente.

Depois do tardio almoço, voltamos pra casa (mas não sem antes dar uma paradinha básica na pracinha).