Ele cuida de mim

A água no vaporizador aparece como mágica. Minha garrafinha nunca está vazia. Quando eu decido que preciso trocar de médico, ele não só procura um novo, como liga, marca a hora e me manda os detalhes por email. Ele compartilha as tarefas de casa e quando eu estou muito cansada, me manda dormir cedo, dizendo que cuida das crianças. Quando preciso trabalhar até mais tarde, ele faz o jantar e me chama só quando está tudo pronto. Com ele não tem tempo ruim: dá banho nos meninos, os alimenta, faz o dever de casa junto, brinca, dá bronca, acorda no meio da noite pra levar o pequeno intruso de volta pra caminha dele, passa o aspirador na casa (em doses homeopáticas, mas passa, rs), põe a roupa pra lavar, dobra e guarda (com muito mais frequência do que eu!), leva os meninos às festinhas sozinho, quando eu não posso ir… e ainda encontra energia pra me dar o mais puro amor, sob forma de cuidados que, podem acreditar, tem um valor imenso, especialmente neste momento da minha vida.

Meu marido não faz o tipo romântico, não me surpreende com jantares à luz de velas, tampouco planeja aquele encontro especial de bodas ou dia dos namorados. Ele raramente me dá flores (quando o faz é  realmente uma grande surpresa, rsrsr) e compra menos chocolate do que eu gostaria. Ele também não é do tipo melado, nem grudento, nem faz comentários elogiosos em público, pelo contrário, adora implicar comigo, fazer piada :)… mas sabem de uma coisa? Ele é meu bilhetinho premiado, minha sorte grande.

Se me fosse dada a oportunidade de escolher, há 12 anos, as características do meu par perfeito, do homem da minha vida, do pai dos meus filhos, da pessoa com a qual eu passaria o resto da minha vida, confesso que ficaria tentada pelo cara romântico ali do início do segundo parágrafo (sim porque meloso e grudento não faz meu estilo, rsrs), mas vejam vocês, tamanho erro que eu teria cometido!

Sorte minha que eu não tive que escolher, que Papai do Céu foi tão bom comigo que escolheu por mim, e num momento em que a última coisa que eu queria era um outro relacionamento sério, me fez conhecer alguém que valeu cada ano dos meus então 24, durante os quais, tenho certeza, “estava sendo preparada” para conhecê-lo. Sorte minha também, que ele acreditou, investiu, me conquistou e mesmo sem saber, me fez descobrir a face verdadeira do amor.

Hoje faz 12 anos que eu conheci o homem da minha vida, e me faz muito feliz saber que 1/3 dela passei ao lado dele, que me ama e cuida de mim como eu jamais poderia supor que alguém, além dos meus pais, cuidaria.

Tenho eu não tenho motivos de sobra para ser muito agradecida?

Há exatos 12 anos

Foi no Bistrô Brasil, há exatos 12 anos, que fui apresentada ao homem da minha vida. Mas essa história, se não me engano, já contei aqui não uma, mas algumas vezes.

Este ano, completaremos 10 anos de casados e também 10 anos de vida estrangeira. Uma vida que poderia dar um livro, mas em vez disso, rendeu 3 blogs, meia-dúzia de fotoblogs, dois filhos e ainda há de render muita história pra contar.

Todo ano, sempre recapitulo, nem que seja mentalmente, o início da nossa história, que apesar de eu nunca ter contado aqui, me rendeu também uma ex-amiga – e apesar disso, tenho que dizer que se pudesse voltar no tempo, faria tudo igualzinho, porque hoje enxergo cada fato, mesmo os atropelos, como tijolinhos que construíram nossa história.

Sinto náuseas em pensar que uma atitude diferente, ainda que pequeninha, pudesse alterar o curso dos acontecimentos. Meu estômago dói em imaginar que por muito pouco, tudo poderia ser tão diferente.

Não sei no que você acredita, não sei nem muito bem no que eu mesma acredito, me pego crendo  ora no destino, ora no  livre arbítrio, o que pode parecer confuso (e é!), mas o fato é que ao mesmo tempo que hoje, olhando pra trás, acredito piamente que os caminhos que eu trilhei, os que eu evitei e os que eu encerrei, me conduziram para aquela noite no Bistrô Brasil, ao som de Alex Cohen, conhecer meu maridinho, acredito também na versão conto de fadas, numa força que vai além do consciente (destino?), que impulsionou todas as escolhas para que nossos caminhos se cruzassem e se entrelaçassem para sempre.  Mas talvez crer no destino seja apenas eu querendo que nada que eu pudesse ter feito, resultasse numa vida diferente – evidência de felicidade!

Mas de tudo o que eu posso acreditar, acredito mesmo é que, muito embora sejamos muito diferentes em muitos aspectos, “nós fomos feitos um pro outro, pode crer…” 🙂 E foi por isso, que não pisquei quando ele me perguntou: “se eu aplicar pro doutorado nos EUA você vem comigo?” – o pedido de casamento menos romântico do mundo inteiro, rs.

Hoje, 12 anos após eu conhecer aquele garoto crítico, 11 após eu ter concordado em sair do país com ele e quase 10 desde o sim oficial, não consigo, nem por um minuto imaginar minha vida sem ele, que pra mim é o melhor marido do mundo inteiro.

Obrigada, meu amor, por ter acreditado que eu cairia nos seus encantos, mesmo quando tudo naquela noite, levava a crer o contrário 🙂 Te amo pra sempre!

Finalmente!

Todo mundo que me conhece um pouquinho sequer, sabe que eu odeio inverno, né não? Mas parece que finalmente encontrei alguma coisa positiva no tempo frio (e não estou falando de chocolate quente!).

Coincidência ou não, desde que começamos a ter noites friazinhas, Dom Nickito teve o feitiço das noites mal dormidas quebrado, e por 3 noites consecutivas tem dormido na caminha dele sem nos fazer as visitas a cada hora da madrugada. Não quero cantar vitória antes do tempo, mas parece que ele finalmente aprendeu a curtir o cafofinho dele 🙂

Mas falando sério, o friozinho, pode até estar contribuindo pra que ele não deixe o ninho, mas a verdade mesmo é que minha teoria do medo foi confirmada quando, na manhã que sucedeu a primeira noite bem dormida, o pequeno vira pra mim, todo feliz e diz assim: “mamãe, não tem mais zombie no meu quarto!”.

Pois é, o pobrezinho estava era tendo pesadelos.

E antes que alguém me pergunte de onde saíram os zombies, eu explico: do clipe do Michael Jackson.

O Vivi é fissurado no rei do pop e, claro, que o Nick-macaco imita o irmão em tudo, né? Então, estava curtindo os clipes também. Durante o dia, brincavam de zombie, mas à noite, Nickito vinha correndo em desespero pro nosso quarto, de onde não queria sair de jeito nenhum.

Confesso que por mim, ele podia ficar – tô acostumada a ter só 10 cm de cama pra mim – mas o papai Mauricio ficava azedo, rsrsr. Esperava ele cair no sono e o levava novamente pra caminha dele. Várias vezes por noite. Era isso ou mudar de cama – quantas não foram as noites em que meu digníssimo foi dormir no sofá-cama do escritório!

Mas agora, ao que parece, o medo acabou, os zombies foram embora para sempre. Claro que o clipe entrou pra lista dos proibidões da casa e  o Vivi está terminantemente proibido de cantar/interpretar a famigerada música.

Dedinhos cruzados para que outros medos não cruzem o caminho do pequeno.

Comer, comer!

Meus molequinhos, apesar de estarem gradativamente se assemelhando fisicamente, tem personalidades muito diferentes. Em tudo (muito embora o menor viva copiando o maior).

Ultimamente, entretanto, coincidiu de ambos estarem na fase comilança – e, gente, haja comida!

O Vivi vive pendido “uma coisinha pra comer”, mas é mais ligado ao doce, infelizmente. Gosta chocolate, biscoito, sorvete, bolo e tudo mais que contenha açúcar (eu não o culpo, quem não gosta?), mas até que come direitinho a comida normal, desde que não seja obrigado a comer folhas, ou suflê de cenoura, ou batata, ou beringela.  Também não é muito fã do nosso feijão preto (gosta do branco!), tampouco de farofa – brasileiro de araque! rs O coitado tem uma mãe meio sargento no quesito doce. Balas, marshmellow e pirulitos, por exemplo não entram aqui em casa – a gente precisa traçar limites, né? Chocolate só uma, no máximo duas vezes na semana e doces são evitados à noite.  Não compro biscoito recheado, raramente entra cookie aqui (quem passa e lê, acha que eu sou toda saudável, né? Não se engane… O problema é que além dos dentes do bonitinho serem fracos, consumir açúcar eleva a hiperatividade dele – não, não é lenda da Carochinha, o açúcar faz o menino quicar de tanta energia). Todo doce é negociado: um pratão de comida por uma migalha de açúcar :O|

Nickito já é bem diferente e  tá que tá. Comme mais do que eu (e olha que eu não como pouco, heim!) e comida mesmo. Sempre pede mais, independente do tamanho do prato – loucura, loucura! Ao contrário do irmão, a-do-ra feijãocarrozefarofa. Diria que no momento é seu prato predileto. Come, repete e ainda pede mais. Dá medo! Apesar de também curtir doce (especialemte picolé), se amarra em quase todas as frutas. Morangos, uvas, bananas, maçãs, o que vier ele traça. Morangos e uvas então, ele só sossega quando vê o fim. The very hungry caterpilar 🙂

Alegria de mãe é ver os filhos comendo bem, né não? Eu fico toda satisfeita 🙂 mas sei que é fase, que eles vão e vêm, então tô aproveitando. Sei também que daqui uns anos vou sofrer prejuízos astronômicos cada vez que sairmos pra almoçar/jantar . E  por falar nisso, não quer contratar meus serviços não? Você estará ajudando a alimentar meus esfomeados, 😛

 

Ele disse sim! E agora?

To have or not to have? Eis a questão.

Após mais de dois anos insistindo no ponto do terceirinho, ontem, após eu ter ficado por umas horinhas com o baby de uns amigos, surtei! Vi que não era desejo, era necessidade, eu precisava realmente ter o terceiro filho, que já nem sei mais se chamaria-se Thomas.

Falei com o marido ao telefone e pra minha surpresa, desta vez ele concordou. Ahn? Como assim? Dois anos tentando convencê-lo e sempre ouvindo as mesmas coisas: “começar tudo de novo?”, “a gente vai ficar pobre”, “desse jeito nunca compraremos uma casa!”, “logo agora que a vida estava começando a ficar mais fácil?”. Finalmente maridinho se rendeu às minhas súplicas desesperadas de quem sente que a família ainda não está completa. E foi com um “ai meu Deus, não acredito que eu tô falando isso…” que meu digníssimo me trouxe lágrimas aos olhos de tanta alegria.

Desliguei o telefone, sentei, respirei fundo e comecei a procurar informações sobre grávidas com síndrome de Sjogren. A princípio, a síndrome ou qualquer outra autoimune que eu possa ter não parece ser um empecilho, o problema é que não é só isso. Esta semana mesmo estive fazendo nova bateria de exames (que ainda não acabaram!), e já descobri que meus níveis de ferritina estão muito baixos (o que pode ser a explicação da queda radical cabelos, do cansaço extremo, da pele ressecada…), e claro, níveis baixos de ferritina é um dos responsáveis por infertilidade – que sorte a minha. Fora isso, outros exames e especialistas me aguardam, então, por mais que eu queira me jogar nas tentativas hoje mesmo, tenho que segurar a onda, ver se realmente é viável, aos 36 anos e com alterações consideráveis na saúde, encomendar o quinto elemento da família. Que angústia.

Em pensar que eu já poderia estar com o terceirinho aqui, antes mesmo de ter aparecido meus primeiros sintomas… Mas não tinha quer ser assim e talvez nem aconteça a terceira gestação, mas ainda assim estou muito feliz, principalmente porque logo após falar com o maridinho ao telefone sobre o assunto, vi esse update na timeline dele:

Atenção ao “feeling happy”:)

Ainda que não dê certo, estou muito contente que o concordar com o terceirinho não foi resignado – tá, no primeiro instante até foi, mas logo a resignação deu lugar à alegria de ter um terceiro molequinho correndo pela casa 🙂

Em tempo: Se a encomenda se concretizar, só saberemos o sexo do baby ao final da gestação. Eu sei que eu vivo dizendo que eu gostaria de ter um terceirinhO, mas realmente, o mais importante é ter um bebê saudável e feliz. Além do mais, já passei por duas gestações, na terceira, quero surpresa de saber na hora, até porque eu sei que na hora H, a emoção é tanta, que pouco importará se não for um terceirinhO.