As férias do vovô Fred

Foi um mês apenas, férias caseiras como nunca vi, mas foi muito gostoso ter o vovô Fred conosco no primeiro mês do ano.

Então, como não poderia deixar de ser, deixo aqui uma amostrinha da passagem  do vovô Fred pela terra do canguru 🙂

uma voltinha pela city é sempre uma boa ideia

Depois da praia, uma piscininha (mesmo de “prástico”) cai bem 🙂

Teve almoço com mesa grande…

Prainha no fim do dia…

vovô correndo atrás de um netinho

fazendo yoga

brincando na areia com o outro netinho

teve até vovô levando o netinho pro colégio

vovô foi ao museu

assistiu a performance completa dos netinhos – sim, eles dão show mesmo! 🙂

deu até uma voltinha na minha bike, usando meu capacete, rs (e que fique registrado que foi ele quem pediu pra tirar foto, rs)

provou as cervejas melbournianas – e encarou sem medo um mega sanduiche!

encarou, sem medo também, esse lindos pestinhas (sério, olha a cara dos elementos!)

vovô teve o sono velado pelo Nickito, que estava encantado em vê-lo fora do computador 🙂

e levou a criançada pro parque…

e certamente deixou muitas saudades

Vovô Fred, esperamos que você volte logo, logo pra passar outras férias com a gente 🙂

 

Ele diz: “I’m a girl” – mas este não é o problema

Faz um tempinho que o Nick entrou numa de “I’m a girl”. Não sei de onde ele tirou essa ideia, mas o fato é que ele sempre quer ser a menina e toda vez que diz isso, o faz com uma “girly voice”.

Não estou preocupada, até porque, preocupar-me com o que? Mas acho muito curioso ver que ele sempre prefere ser o personagem menina, até nos joguinhos do xbox (que aliás estão suspensos até segunda ordem, mas isso é uma outra história).

Quando é questionado sobre sua cor preferida, não pensa duas vezes, diz: Pink! Mas se for pra escolher outras, gosta também de red, purple and blue. Verde, amarelo, cinza, preto… nem pensar.

(Pausa para tecer comparações)

O Vivi já passou pela fase do pink também – acho que isso foi entre os 3 e 4 anos. Lembro que eu fiquei indignada, quando numa festinha infantil, ele queria porque queria a lollybag cor-de-rosa, mas a mãe da aniversariante bateu o pé e não deu, alegando que “rosa é cor de menina”.  Tentei interceder, “it’s okay, his favourite colour IS pink!”, mas aparentemente, a mãe da aniversariante havia feito o número certo e sacolinhas cor-de-rosa para as meninas e azul para os meninos, afinal, (momento ironia) quem poderia supor que um menino “grande” de 3 anos, sabedor dos “certos e errados” impostos pela sociedade, fosse preferir uma sacolinha cor-de-rosa?! Lembro bem da carinha de decepção que ele fez ao ser obrigado a sair da festa com a lollybag azul, tadinho.

A fase do rosa passou. Aliás, hoje ele atribui (não sei por que cargas d’água) o rosa a mim! Sério, não tenho quase nada rosa, amo usar amarelo, verde, azul, preto… raramente uso um sapato, acessório ou roupa cor-de-rosa, mas ainda assim, ele sempre acha que se é pra mamãe, tem que se rosa (assim como ele acha que tem que dar Barbie pra toda menina que faz aniversário, rs).

(Agora de volta ao Nick)

Nickito apesar do gosto pelo rosa e de adorar dizer “eu sou meninaaaa” (com uma vozinha irritante, rs), também se comporta como um ogro, um furacão. Vai de um extremo ao outro em dois segundos. Te enche de beijos, carinhos e abraços (chega a sufocar, rs), mas basta piscar os olhos pra que ele comece a rosnar pra você. Briga, bate, grita – parece que foi criado num campo de batalhas. Este sim é o problema.

Sei que aos pouco mais de 3 anos, sua personalidade está começando a se formar, mas me preocupo com sua bipolaridade, seu descontrole absoluto, e também o fato dele achar que se não consegue o que quer por bem, vai conseguir no grito.

O Nick fica bem menos de castigo do que ficava o Vivi, e o motivo é bem simples: com ele não funciona – bom, isso é o que eu vejo, se você perguntar ao meu marido, ele vai dizer que somos mais preguiçosos com o Nick. Talvez até sejamos, mas isso tem um porquê: o gênio dele é terrível. É de exaurir o ser humano mais paciente, pode acreditar.

E ó, nem adianta vir me dizer que a personalidade dos filhos é totalmete mérito ou demérito dos pais, tá? Existe sim o fator sorte e mais, existe também a essência da criança, que já nasce com ela. Veja pelos recém-nascidos: uns choram o tempo todo (sim, mesmo aqueles nascidos de parto natural e amamentados exclusivamente pela mãe), outros são a placidez em pessoa (sim, mesmo aqueles que foram “extraídos”  numa cesariana e amamentados com fórmula). É óbvio que uma criação com muito amor (apego ou qualquer termo que o valha), atenção, dedicação e bom exemplo molda, lapida sim, muitas nuances da personalidade da criança. Mas te digo com convicção que isso não é tudo. Manja genótipo e fenótipo? genótipo + ambiente + variação ao acaso → fenótipo. Então, é por aí…

Enfim, sigo fazendo a minha parte, nem sempre da mesma forma, porque como bem colocou uma amiga minha: “quando a gente acha que compreendeu como criar o primeiro filho, chega o segundo e mostra que histórias nem sempre se repetem, aí a gente começa do zero novamente”. Se criar filhos fosse simples como seguir uma receita, não haveria irmãos tão diferentes numa mesma família.

 

Barcelona mode ON

Avisa lá que eu chegar! Depois de 9 anos, verei novamente a emocionante Sagrada Família. Passearei entre os mosaicos encantadores do ParK Güel , Me deliciarei com as artes ao longo de La Rambla e também com os tapas, onde quer que eu vá. Ai que saudade da linda Barcelona! E o melhor de tudo é que desta vez, nada de Hostel, nem mochilão, claro, rsrs. Nossa estada será nos moldes Airbnb – can’t wait!

Bora começar a planejar nossa temporada na terra do Gaudi? Será interessante rever Barcelona numa condição não-mochileira 🙂 e com duas crianças. Ficaremos instalados num apê, e teremos durante quase dois meses a experiência da vida na Catalúnia – vai que a gente se encanta  de vez e resolve fazer morada por lá? Nunca se sabe…

Quem tiver alguma sugestão, sou toda ouvidos :), não só para Barcelona como para paradeiros próximos, para as curtas viagens de fim de semana.

Partimos dia 23/04 e retornamos dia 25/06, sendo que a última semana será, possivelmente em Paris – não tá ruim não, né? 🙂 Ah, gente, este ano tem que ser melhor, muito melhor do que o que passou, que além de só ter tido bomba, não  teve férias de família, então bora compensar!

Estamos indo num esquema pré-sabático, praticamente um test drive, sabe? Se nossa estada for bacana, a gente volta no próximo ano.

Os meninos, vamos matricular numa escola local (é, em catalão! Deus os ajude, rs), para garantir a sanidade mental da família toda. O marido vai trabalhar na Pompeu Fabra University, como visiting professor – não, ele não vai dar aula, ele é chique :), vai ganhar uma salinha pra trabalhar nos projetos dele… e entre um pensamento e outro, interagir com o pessoal do departamento, fazer amigos e influenciar pessoas 🙂

Eu, bom, se Deus quiser, estarei trabalhando à distância, blogando muito e rodando a cidade, desenferrujando meus dotes (aham) de fotógrafa mega amadora.

Agora que as passagens estão compradas e já alugamos uma casa pra chamar de nossa (ainda que por dois meses apenas), começo a sentir borboletas no estômago – aquelas que antecedem as viagens, sabe? Mas acreditem, o que mais está me deixando ansiosa é o fato de estarmos indo pra uma cidade húmida! Gente vocês não fazem ideia do que é morar num lugar onde 15% de humidade é normal, quando se tem Sjogrens – dureza! Tenho muita esperança de que me sentirei melhor por lá. Menos secura na boca, menos rachaduras nos lábios, menos areia nos olhos, e quem sabe até mesmo menos cansaço muscular… não ia ser ruim não… Torçam comigo pra ser tudo lindo e eu ter uma folguinha desses sintomas? Quem sabe eu até desestresso e meu cabelo pára de cair loucamente?

Ai, gente, ajuda aê, corrente positiva, por favor 🙂

 

E agora, José?

Nick (out of the blue): como é que eu entrei na sua barriga??
Eu (cara de tacho):ahnnnn…. o papai colocou uma sementinha (????)
Nick: que???
Eu: …..
Nick: como eu entro de novo?
Eu (rindo de alívio): ah, meu filho, agora não dá mais, você tá muito grande!
Nick: Oh….

Espero que esse papo não venha à tona pelos próximos 3 anos :O|

Gente fina, elegante e, principalmente, sincera!

Criança é tudo de bom,, né? E a sinceridade dos comentários? Que delícia!

Hoje, estava experimentando um vestidinho que não usava há um tempão, quando ouço: Que bonita, mamãe!

Eu: obrigada, meu filho!

Tirei o vestido,  coloquei um top e um short e imediatamente ouvi: “Ah não, mamãe! Agora você não está mais bonita! Põe o red vestido!”

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Uma hora mais tarde…

Estava eu trocando os puxadores de um móvel no meu quarto, quando ouço uma voz atrás de mim: “Mamãe, que bonito você fez!”

Eu: gostou, filho?

Ele: Sim! You’re such a good girl, mummy! Daddy needs to see this!

Que tal? 🙂

chegadas e partidas: o ciclo da vida

Dizem que nada nesta vida é por acaso, que tudo segue um plano, que cada acontecimento tem uma razão de ser. Alguns dizem até que antes de sermos concebidos, escolhemos conscientemente quem será o nosso pai e nossa mãe. Dizem também, dentre muitas outras coisas, que escolhemos previamente as dificuldades pelas quais iremos passar, assim com as pessoas que estarão ao nosso lado durante nossa jornada nesta vida terrena, e até mesmo de que forma deixaremos este plano. Mais do que isso, dizem também que nossa estada aqui é apenas uma ínfima parte de nossa existência. Não sei vocês, mas pra mim, infelizmente, nada disso acalanta sofrimento algum.

Além do mais, o que tudo isso quer dizer? Que o livre arbítrio de nada adianta? Que não podemos mudar o curso da nossa “pré-programada” vida? Que nosso destino é imutável?

Eu, embora me considere seja uma pessoa de fé, não sei exatamente no que acredito, nem no que deixo de acreditar (além de Deus). Uma coisa é fato: há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia”, então prefiro não tentar entender os mistérios, apenas tentar aceitá-los resignadamente como parte da vida…

Aí vem uma tempestade totalmente inesperada, leva pra um outro plano uma pessoa muito querida. Esta tempestade sacode todas as estruturas e me coloca em estado de profunda tristeza, me deixa também cheia de medos. Medo da imprevisibilidade e fragilidade da vida. Medo das consequências das escolhas que fiz. Medo de não estar seguindo o caminho “certo”. Medo, medo, medo. E todo esse medo e tristeza que passam a habitar meu descontrolado corpo, abrem as portas dele para hóspedes indesejáveis, doenças que chegaram para ficar, para modificar para sempre a minha vida, mas espero eu, não a minha essência.

Meus desafios hoje são outros, meus planos também. Perdas e doenças nos fazem repensar a vida (ainda que momentâneamente), reclassificar o grau de importância das coisas, das pessoas, das situações.

Eu hoje, apesar de ainda estar sobre um estresse grande, que se reflete no meu dia-a-dia, nas minhas reações e também na quantidade de cabelos caídos pela casa (e na falta que já estão fazendo na minha cabeça), encaro as coisas de forma diferente: tentando dar importância ao que realmente importa. Briguinhas, mal entendidos, alfinetadas, disse-me-disse… nada disso tem espaço em minha vida. Já me incomodei muito com coisas que não valiam a pena, hoje eu quero é paz. Paz, amor, família e… saúde (toda possível). Infelizmente ainda há muitas coisas que fazem meu sangue ferver. Injustiças, crueldade, mentiras deslavadas e falsidade são coisas que ainda me afetam demais, então eu faço o que? O que está ao meu alcance: tento me afastar dos irradiadores de coisas/sentimentos ruins. Mas às vezes os sentimentos ruins, como a tristeza e o medo, ainda assim afloram…

Hoje, faz um ano que que minha querida sogra foi arrancada deste plano. Um ano já e eu ainda não me acostumei à ideia. Ainda me emociono e sinto que as peças estão fora do lugar. Talvez o fato de morar aqui tão longe e não ter acompanhado o desenrolar da vida, nem o dia-a-dia sem sua presença, tenha me impedido de reorganizar as peças dentro de mim. Pra mim, ainda é muito estranho pensar que no dia que eu voltar ao Brasil, ela não estará lá com seu sorriso largo e os olhos mareados. Difícil imaginar passar pela cozinha sem ouvir o “alecrim, alecrim dourado, que nasceu no campo sem ser semeado…”. Talvez por isso, não tenhamos no horizonte o dia que visitaremos a terrinha novamente (ver tudo diferente será muito difícil)… talvez por isso fiquemos inventando desculpas e colocando empecilhos. Talvez por isso, eu me dedique em tentar convencer a família que eles precisam vir (mais) aqui.

Eu definitivamente não sei lidar com perdas, definitivamente não aprendi dizer adeus, muito menos quando não me foi dada a oportunidade da despedida (não que isso adiante alguma coisa), então a tristeza é ineviável.

Entretanto, Papai do Céu (ou a vida, a sorte – chame como quiser), nas vésperas de completarmos um ano sem a Soninha, nos deu de presente a alegria do nascimento do Bernardo – o quinto netinho, que infelizmente ela não estava aqui para receber com um abraço, mas sabe de uma coisa? Tenho certeza que de alguma forma ela estava presente, lá na sala de parto, e o abraçou com seu amor infinito bem na hora que o pequeno viu a luz . A Soninha, que sempre quis ter um milhão de netos, certamente estará sempre entre nós, protegendo nossos pequenos Palmeirinhas desta geração, e nós sempre lembraremos dela, dos seus cuidados, das suas palavras, do seu carinho e dedicação. Sua presença está eternizada em nossos álbuns de família, em nossos pensamentos e nas infinitas histórias que temos pra contar. Seu corpo pode não estar mais presente, mas sua energia, de alguma forma habita cada um de nós que tivemos o privilégio de tê-la em nossas vidas.

Dizem que quando a vida fecha uma porta, Deus abre uma janela, então que nosso pequeno Bernardo, meu quinto sobrinho, já muito amado, seja esta janela de esperança, de amor e de certeza que esta será sempre uma grande e unida família, da qual eu orgulhosamente vim fazer parte.

Deixo aqui meu amor aos novos papais e ao seu primogênito, pela grande chegada.

Deixo aqui também minha saudade eterna à Soninha pela devastadora e precoce partida.