último dia de prep – uma breve (?) retrospectiva

Ontem foi o último dia de Prep do Vivi. Ano que vem, as turmas se misturam e no Grade 1 apenas 5 crianças da turma permanecem juntas – no caso do Vivi, ele será acompanhado por 3 meninos e uma pobre menina. A triste notícia é que nenhum de seus 3 best friends o acompanhará no próximo ano.

O Vivi é super social, faz amigos rápido, é expansivo, adora fazer palhaçada/piada, liderar brincadeiras… uma verdadeira figurinha, que, até onde eu sei, todos gostam :), então sei que nem preciso me procupar com a mistura de turmas, porque ele certamente vai tirar de letra. Entretanto, uma coisa me preocupa, ou melhor, me choca: a falta de apego que ele apresenta.

Quando fiquei sabendo da separação da turma e que ele não ficaria junto de nenhum de seus close friends no próximo ano, fiquei tão triste que não consegui esconder o desapontamento: “Caramba, Vivi! Nenhum dos seus amigos vai pro grade 1 contigo!”(cara mega triste).

Pra minha surpresa, sua reação instantânea foi dizer: “and?” (agora me imaginem com cara de tacho) “eu sempre posso encontrar com eles no intervalo…” (ui, essa doeu! Seria isso excesso de maturidade ou uma completa falta de apego?).

Quando ele finalmente notou a minha perplexidade (Erica, a apegada!), fingiu uma cara de triste, abaixou a cabeça e disse: “eles não vão ser mais meus amigos…” – mas sabem aquela reação atrasada, super falsa e que dura muito pouco? Então, foi exatamente isso que aconteceu.

Por um lado, fico feliz que além dele ser um rapazote extrovertido e cativante, tem uma atitude bem positiva às mudanças – está sempre aberto a elas, SEMPRE. Por outro lado, me preocupa o total desapego, que infelizmente já foi notado em outras situações bem mais tristes. É uma conformação muito instantânea, uma aceitação rápida demais, quase uma incapacidade de sentir perdas. Não me interpretem mal, não quero, de maneira alguma, que ele seja como eu, que sofra além da conta, mas ao mesmo tempo, acho importante que ele sinta os acontecimentos, que não os deixe passar assim tão despercebidos. Muitas vezes parece uma total incapacidade de ser tocado. O Vivi só fica triste quando alguma coisa não sai do jeito que ele quer, quando ele pessoalmente é afetado (ex. se não ganha algo que quer; se alguém mock him; se é contrariado… ele fica magoadíssimo, chora como se fosse a pessoa mais sensível da face da Terra. Mas só quando é algo que mexe com o mundinho egocêntrico dele. Isso me deixa arrasada).

De tanto alertá-lo, ele começou a se policiar. Não sempre, claro, mas às vezes o vemos “fazendo de conta” que se importa – o que já é um avanço! Sinal que ele está aprendendo a viver em sociedade, aprendendo que por mais que ele não se importe, precisa demonstrar certa preocupação, dar atenção aos sentimentos daqueles que o rodeiam.

Este, sem dúvida nenhuma, foi um ano de crescimento na vida do Vivi. He came a long way e está um ser humaninho melhor 🙂

Começou o ano deixando não só a mim, mas também a sua professsora e até a pediatra de cabelos arrepiados. Eu tinha certeza que ele não iria engrenar na alfabetização, que teria que repetir o Prep, mas não! Terminou o ano no nível 14 na literacy – bem acima da média da turma, bem acima do esperado. Fiquei toda boba, claro 🙂 Especialmente porque acompanho de perto (e sofrendo) o desenvolvimento dele, sei que no início o interesse pela leitura era zero (-1 talvez) e hoje ele lê até o que não é pra ler e super rápido, bem danadinho 🙂 Sem falar que ele finalmente está se interessando genuinamente pela leitura. Tá, não é como se ele pedisse de Natal um livro, mas o progresso é observado a olho nu!

Fora isso, ele está muito mais centrado, menos fanfarrão, mais paciente, menos agitado (diminuir consideravelmente o doce funciona!), um bom menino enfim. Em compensação, o Nick, que costumava ser todo bonzinho, gente… sai de baixo! Tá que tá! Chuta, bate, grita, parece um animalzinho selvagem – faz coisas que o Vivi, em toda sua agitação, jamais fez. Mas isso é história pra um próximo post 🙂

Deixo aqui os parabéns pro meu big boy, por um ano de vitórias curriculares e extra-curriculares. Quem sabe, daqui um tempo, ele vai conseguir ler as “páginas”deste blog em português e rir de suas peripécias e das minhas loucas preocupações? 🙂

 

 

2 Comments

  1. Flor, será que esse desapego não comum na infancia? Laura adora as amigas, mas toda semana ela tem uma nova best friend e fico perdidinha com quem é amiga mesmo e quem nao é. Ate fui perguntar pras tias da creche e elas disseram que todas as crianças lá eram assim. O rodizio de amigo rola mesmo e acho que só começa a fazer falta na adolescencia. :/ mas parabéns pelo progresso do Vinny, ele tem cara de CDF mesmo.

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