O dia em que viramos australianos

Ontem foi o dia em que virei oficialmente australiana, mas meu coração começou a bater “oi oi oi”, assim que chegamos aqui, e a cada dia que passa, sinto mais orgulho desta terra, que em tantos aspectos deveria servir de exemplo pro resto do mundo.

Longe de mim dizer que a Austrália é perfeita, até porque, perfeição não existe, mas o que eu vejo ao meu redor, o que eu presencio todos os dias é um país organizado, justo, humano, casa de políticos dignos, que primam pelo bem da população, pelo desenvolvimento do país e não pelo próprio umbigo ou carreira política, ou pior, pelo próprio bolso. Aqui presidente não enriquece. Nem filho de presidente vira empresário de sucesso da noite pro dia.

Quando saímos do Brasil, moramos 5 anos nos EUA, mas sinceramente, vir pra Austrália fez as chances de voltarmos pra casa descerem pelo ralo. Nossa casa agora é aqui.

Como voltar pra um país em que se paga um absurdo em impostos e não se tem os serviços mínimos de volta? Aqui em casa, o único plano de saúde que temos é o do governo, e este nos basta. Como voltar para um país em que eu tenho que andar na rua olhando pros lados pra não levarem meu iPhone? Conheço tanta gente aqui que já esqueceu iphone no mercado, loja, no banco da praça… voltou horas depois e estava lá. Como morar num país onde não posso deixar meu filho ir ao parquinho em frente de casa e ficar olhando da janela enquanto trabalho? Como voltar pra um país em que os políticos justificam mensalão? Que roubam sem o menor pudor? Como voltar pra um país em que o consumidor é tratado como lixo? Em que a operadora de celular não funciona? Aqui além de funcionar, ela me dá descontos em shows e me permite ir ao cinema qualquer dia e hora pagando 10 dólares e eu nem preciso falsificar carteirinha de estudante pra isso… Aliás, como voltar pra um país em que falsificar carteirinha de estudante é normal???!?!

Bom, apesar de tudo, até consideraria voltar, porque parte do meu coração ficou no Brasil com a família, os amigos, com a o saudoso estilo de vida carioca… mas meu marido nem cogita a possibilidade – e eu não o culpo.

Aqui fizemos amigos que viraram família (não que eles substituam nossa família, de jeito nenhum), que são pau pra toda obra, sempre presentes. Aqui nossos filhos estão seguros, aliás, pra eles a pergunta “tá levando o dinheiro do ladrão?” é piada. Aqui as crianças deixam bicicletas e patinetes na porta de entrada – sim, do lado de fora!  Aqui somos respeitados enquanto consumidores – trocar uma mercadoria defeituosa ou não, exige, quando muito um recibo, mas isso nem é fundamental. Aqui você é correto até que se prove o contrário. Aqui, fazer trabalho voluntário não é sobrenatural, assim como não é vergonha comprar em lojas de artigos de segunda mão, onde aliás, todos os que trabalham são voluntários e toda a renda das vendas vai para caridade (de verdade! Pode ter certeza que se tudo o que você doa pra uma dessas lojas, será transformado em ajuda aos que necessitam… coisas como roubar doações não acontece por aqui…).

Enfim, a verdade é que poderia escrever sem parar sobre todas as vantagens de se morar aqui tão longe, do outro lado do mundo, apesar da desvantagem óbvia da saudade, entretanto  hoje vou me deter em dividir com vocês minha alegria de ter me tornado australiana junto a tantos outros latinos, asiáticos, africanos, europeus… sem precisar para tanto abrir mão da minha origem, cultura, costumes, religião.

Participamos de uma bela cerimônia, onde políticos discursaram lindamente sem levantar bandeiras (sim, isso é possível!), assim como outros representantes locais. É tão bom se sentir parte de um país com este, que te recebe de braços abertos e te considera uma adição importante à cultura, em vez de esfregar na sua cara que está te fazendo um favor.

Eu que sou absolutamente contra “tirar foto de ou com gente famosa”, que jamais pedi um autógrafo, que acho deprimente endeusar figuras públicas, bem, eu fiz questão de subir ao palco e tirar uma foto com o prefeito, que não tem nada do perfil de político que a gente conhece no Brasil. Tirei mesmo e com orgulho,rs.

Agora se você vai me apedrejar dizendo que eu sou isso e aquilo, que não valorizo minhas raízes, meu país, minha pátria… não vou nem discutir, porque você realmente não entendeu nada. Só posso lamentar…

Claro que aqui também existe gente mal intencionada, violenta, mal educada… já até ouvi falar – mas sinceramente, nesses mais de 4 anos nunca vi… sinal de que não são tantos assim, né?

Enfim, agora sou brasileira-australiana. Jurei com orgulho e cantei o hino com quase o mesmo orgulho que canto nosso hino brasileiro (orgulho por motivos diferentes, claro).

O Nickito, nosso pequeno aussie de nascimento, venceu, viramos todos australianos, rs!

Ozzie ozzie ozzie! Oi oi oi!

Em tempo: só espero que os meninos não inventem de querer jogar footy – meu coração de mãe não vai aguentar, rsrsr. Mas este é um tópico pra outro post – Filhos criados na Austrália: a cultura brasileira como fica?

Outro dia eu volto pra falar disso 😉

 

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