Essa foi boa!

Esta semana estava empenhada em rearrumar a casa, aí já sabe né? Puxa daqui, empurra dali, e os móveis vão mudando de lugar. Nessa, uma mesinha ficou desalojada, solta, perdida bem no meio do corredor (detalhe, tá lá até hoje!). A noite chegou e o marido, parado em frente a ela, me pergunta: “Mel, e essa mesinha aqui?”

Antes que eu conseguisse reunir forças pra responder, Nickito chega perto dele e diz: “Assim, papai, quer ver? ó…” (disse ele passando espremidinho ao lado da mesinha, mostrando que, com jeitinho dava pra passar, rsrsr), “viu?” E repetiu:”ó….(passando novamente) assim, viu?!”

Muito prestativo o danadinho 🙂 e inocente também, né? Não notou o tom de crítica na pergunta do pai e assumiu que ele estivesse sem saber como passar por ali 🙂 – deve ter pensado: tadinho do papai, não percebeu que dá pra passar pelo lado… deixa eu mostrar como faz 🙂

que sina a minha

Meu HD externo pifou. Assim de uma hora pra outra, perdi 4 meses inteiros de fotos, que incluem datas como o aniversário dos meninos do ano passado, o aniversário do Mauricio, nossa viagem maravilhosa à Tailândia, meu aniversário, comemorações na creche dos meninos e tudo mais que aconteceu entre agosto e dezembro de 2012.

Tô arrasa? Completamente. Acordo no meio da noite e tenho insônia pensando nisso? Pode apostar.

Eita 2013 sem vergonha. Por que ainda não terminou, hein, hein??

O dia em que viramos australianos

Ontem foi o dia em que virei oficialmente australiana, mas meu coração começou a bater “oi oi oi”, assim que chegamos aqui, e a cada dia que passa, sinto mais orgulho desta terra, que em tantos aspectos deveria servir de exemplo pro resto do mundo.

Longe de mim dizer que a Austrália é perfeita, até porque, perfeição não existe, mas o que eu vejo ao meu redor, o que eu presencio todos os dias é um país organizado, justo, humano, casa de políticos dignos, que primam pelo bem da população, pelo desenvolvimento do país e não pelo próprio umbigo ou carreira política, ou pior, pelo próprio bolso. Aqui presidente não enriquece. Nem filho de presidente vira empresário de sucesso da noite pro dia.

Quando saímos do Brasil, moramos 5 anos nos EUA, mas sinceramente, vir pra Austrália fez as chances de voltarmos pra casa descerem pelo ralo. Nossa casa agora é aqui.

Como voltar pra um país em que se paga um absurdo em impostos e não se tem os serviços mínimos de volta? Aqui em casa, o único plano de saúde que temos é o do governo, e este nos basta. Como voltar para um país em que eu tenho que andar na rua olhando pros lados pra não levarem meu iPhone? Conheço tanta gente aqui que já esqueceu iphone no mercado, loja, no banco da praça… voltou horas depois e estava lá. Como morar num país onde não posso deixar meu filho ir ao parquinho em frente de casa e ficar olhando da janela enquanto trabalho? Como voltar pra um país em que os políticos justificam mensalão? Que roubam sem o menor pudor? Como voltar pra um país em que o consumidor é tratado como lixo? Em que a operadora de celular não funciona? Aqui além de funcionar, ela me dá descontos em shows e me permite ir ao cinema qualquer dia e hora pagando 10 dólares e eu nem preciso falsificar carteirinha de estudante pra isso… Aliás, como voltar pra um país em que falsificar carteirinha de estudante é normal???!?!

Bom, apesar de tudo, até consideraria voltar, porque parte do meu coração ficou no Brasil com a família, os amigos, com a o saudoso estilo de vida carioca… mas meu marido nem cogita a possibilidade – e eu não o culpo.

Aqui fizemos amigos que viraram família (não que eles substituam nossa família, de jeito nenhum), que são pau pra toda obra, sempre presentes. Aqui nossos filhos estão seguros, aliás, pra eles a pergunta “tá levando o dinheiro do ladrão?” é piada. Aqui as crianças deixam bicicletas e patinetes na porta de entrada – sim, do lado de fora!  Aqui somos respeitados enquanto consumidores – trocar uma mercadoria defeituosa ou não, exige, quando muito um recibo, mas isso nem é fundamental. Aqui você é correto até que se prove o contrário. Aqui, fazer trabalho voluntário não é sobrenatural, assim como não é vergonha comprar em lojas de artigos de segunda mão, onde aliás, todos os que trabalham são voluntários e toda a renda das vendas vai para caridade (de verdade! Pode ter certeza que se tudo o que você doa pra uma dessas lojas, será transformado em ajuda aos que necessitam… coisas como roubar doações não acontece por aqui…).

Enfim, a verdade é que poderia escrever sem parar sobre todas as vantagens de se morar aqui tão longe, do outro lado do mundo, apesar da desvantagem óbvia da saudade, entretanto  hoje vou me deter em dividir com vocês minha alegria de ter me tornado australiana junto a tantos outros latinos, asiáticos, africanos, europeus… sem precisar para tanto abrir mão da minha origem, cultura, costumes, religião.

Participamos de uma bela cerimônia, onde políticos discursaram lindamente sem levantar bandeiras (sim, isso é possível!), assim como outros representantes locais. É tão bom se sentir parte de um país com este, que te recebe de braços abertos e te considera uma adição importante à cultura, em vez de esfregar na sua cara que está te fazendo um favor.

Eu que sou absolutamente contra “tirar foto de ou com gente famosa”, que jamais pedi um autógrafo, que acho deprimente endeusar figuras públicas, bem, eu fiz questão de subir ao palco e tirar uma foto com o prefeito, que não tem nada do perfil de político que a gente conhece no Brasil. Tirei mesmo e com orgulho,rs.

Agora se você vai me apedrejar dizendo que eu sou isso e aquilo, que não valorizo minhas raízes, meu país, minha pátria… não vou nem discutir, porque você realmente não entendeu nada. Só posso lamentar…

Claro que aqui também existe gente mal intencionada, violenta, mal educada… já até ouvi falar – mas sinceramente, nesses mais de 4 anos nunca vi… sinal de que não são tantos assim, né?

Enfim, agora sou brasileira-australiana. Jurei com orgulho e cantei o hino com quase o mesmo orgulho que canto nosso hino brasileiro (orgulho por motivos diferentes, claro).

O Nickito, nosso pequeno aussie de nascimento, venceu, viramos todos australianos, rs!

Ozzie ozzie ozzie! Oi oi oi!

Em tempo: só espero que os meninos não inventem de querer jogar footy – meu coração de mãe não vai aguentar, rsrsr. Mas este é um tópico pra outro post – Filhos criados na Austrália: a cultura brasileira como fica?

Outro dia eu volto pra falar disso 😉

 

Gold Class

Gold Class – that’s the way to go to the movies!

Gente, ir ao cinema no esquema Gold Class é maravilhoso, mas te causa um problemão: você nunca mais vai ficar satisfeito sentado naquela sala cheia de cadeiras coladinhas uma nas outras.

O Gold Class é um conceito metido a besta, mas sinceramente, podem me chamar de besta à vontade porque se eu pudesse, nunca mais iria ao cinema normal.

Eh… meu marido tem toda razão quando diz que eu jamais posso experimentar viajar de primeira classe, porque corro, sim, o sério risco de me recusar a entrar num avião, se não me for servida mimosa em taça de cristal no café da manhã 🙂

Não me entendam mal, não sou fresca (aham…), sou super povo e sempre me vangloriei de tomar cerveja na Lapa naqueles copinhos de boteco pé-sujo, rs, mas gente, há coisas nessa vida que não tem preço – tá,  preço tem, e bem salgado, mas vale!

Ganhamos de uns amigos, vouchers pro Gold Class – só assim mesmo, né? ‘magina se o maridinho ia comprar entradas chiques assim de bobeira? rs  Fomos e a experiência foi divina.

Antes de entrarmos, meu marido todo sem jeito, quase com vergonha de estar ali (posso com isso? quem vê, acha que ele nasceu e foi criado em “Deus Me Livre”, rsrs) me confidenciou: “você sabe que eu não vejo o menor sentido em vir ao cinema nesse esquema, né? Não vejo sentido, nem graça..”

Eu guardei um respeitoso silêncio e continuei andando. Fomos levados até nossos majestosos acentos e nos foi entregue um par de menus. Quando estávamos prontos, apertamos o botãozinho verde e em poucos minutos, surge do nada uma pessoa pra recolher o pedido. Tudo muito organizado, rápido e silencioso. Apareceu da fumaça e sumiu nela, voltando um tempinho depois, com a sala já escura e o filme no telão, e sem atrapalhar ninguém, nos serviu e voltou a sumir na fumaça.

Reclinamos ao máximo as confortáveis e espaçosas poltronas, guardei meus pertences no compartimento secreto e curtimos aquela linda hora e meia de cinema.

Pergunta se o marido curtiu? Pergunta se fez cara de satisfação diante do conforto, da organização, do serviço impecável? Claaaaaaroooooo!

Ah, gente, meu marido é assim: acha que tudo é supérfulo e que “tá bom do jeito que tá”, até ele experimentar do melhor, rsrs

maternidade

Quando o assunto é maternidade (e decisões relacionadas ao tema de um modo geral), meu lema sempre foi: cada mãe sabe o que é melhor pro seu filho. Claro, não vamos levar completamente ao pé da letra, porque coisas como optar por não dar vacina, me assustam profundamente.

O fato é que estava eu checando meu Facebook, quando me deparei com a seguinte foto:

maternidade

Instantaneamente pensei: Nossa, até que enfim, um post decente, sensível e real sobre maternidade.

A qualidade da foto está sofrível, mas tive que compartilhar, porque eu sei bem, que tem um monte de mãe por aí que se acha melhor “só porque…”, né não?

Tô cansada disso.

BTW, pra quem quiser saber: meu dois filhos foram circuncidados (e não, nós não somos judeus), o primeiro nasceu de parto normal (com uso do vaccum na reta final e um mega rasgo) e amamentei até os 4 meses (nunca exclusivamente). Com o segundo passei por todas as contrações sem anestesia tentando mais uma vez o normal e terminei numa cesariana de emergência, muitas (MUITAS MESMO!) horas mais tarde. Este foi amamentado exclusivamente até os 13 meses.

Vai criticar? Ou vai guardar um respeitoso silêncio e continuar se achando melhor que eu e que muitas outras mulheres “imperfeitas”, “sem coração”, “preguiçosas” e “egoístas”, por aí?

Quer saber? Se eu pudesse, mandaria todas estas “super mães” catar coquinho! É, a mãe imperfeita aqui não fala palavrão…

Teve parto normal? que bom!

Amamentou até os 5 anos de idade? bom pra você.

Não deixa seu filho comer chocolate? parabéns.

Mas não venha julgar como pari, “extraí”, ou como crio os meus. Cada um na sua e a amizade continua – se bem que tenho certeza que muitas dessas super mães, vivem julgando, mesmo que muitas vezes em silêncio, as “imperfeitas” à sua volta.

Mas não vou prolongar minha revolta hoje não… por hoje está de bom tamanho, rs Quem sabe depois eu volte? 🙂

 

Nick e o “iemédio” – a saga continua

Enquanto a maioria das mães passam um aperto danado pra fazer os filhotinhos tomarem seus remédios pra tosse, gripe, virose, alergia… Eu aqui tenho um molequinho que me dá um trabalhão, só que ao contrário. Porque volta e meia, o Pitoco pede “mamãe, quero iemédio”.

E não pense você que eu não expliquei um zilhão de vezes que remédio é só pra quem está doente, o fato é que ele se recusa a aceitar e pronto.

Noutro dia, fui dar um panadol pro Vivi que reclamava de dor no estômago, após ter passado uma noite vomitando. Quando o Nick percebeu que o irmão estava sendo medicado, tratou de requisitar sua parte: “mamãe, quero iemédio!”

Ao que eu expliquei:

– meu filho, você não está doente… remédio é só pra quem está doente…

Ele, quase que instantaneamente, fingiu uma tosse: “cof, cof, cof… me dá iemédio, mamãe!”

E com isso eu concluo: estou perdida!

o desfralde

Fala e desfralde são duas coisas nas quais meus meninos não foram bons exemplos.

Tá, eu sei que cada criança tem seu tempo e sempre respeitei isso. Claro que com o primeiro filho, fiquei mais apreensiva, com medo dele nunca aprender a falar, rs, ou de ficar de fraldas para toda a eternidade :), mas quando chegou a hora, as coisas aconteceram.

Com o segundinho, eu já sabia: a demora em falar era normal e, sinceramente, tava bom do jeito tá tava, melhor mesmo que ele não destrambelhasse a falar pelos cotovelos muito cedo, rsrs

Já o desfralde… bom, o Vivi já demorou um tanto pra demonstrar interesse pelo Sr. Vaso, pela D. Cueca e por tudo o que esse casal amigo viria a representar. Mas ao completar 3 anos, ele “já” estava treinado e com pouquíssimos acidentes. Aliás, os acidentes vieram mais tarde, junto à teimosia em não querer dar uma pausa na brincadeira por um minutinho para atender ao chamado da natureza.

Com o Nick a história está sendo um pouquinho diferente e até semana passada, toda e qualquer investida de desfralde foi fracasso retumbante. Ele não queria saber de vaso, penico nem cueca. Não queria nem mesmo saber daquelas fraldas de vestir. Na verdade, ele sempre dizia: “não quero cueca de big boy, mamãe, quero a fralda do lion”. Pra deixar um pouquinho pior, ele, ao fazer cocô, se escondia embaixo da mesa e negava até a morte que tivesse com a fralda recheada, por mais que o cheirinho do “recheio” estivesse enfestando o ambiente.

Como o número 2 dele nunca se apresentou numa textura normal, muito embora ele coma a mesma comida que comemos, comecei a achar que ele tivesse alguma alergia, intolerância, e isso o estivesse prevenindo de saber a hora de ir ao banheiro.  Achar isso, me prevenia de tentar investidas d desfralde mais decididas.

Marquei o médico, levei o bichinho pra fazer exames e aparentemente está tudo okay com ele, nada grave. Pra completar, ele ainda me faz um cocô mega fedorento no consultório, no meio da consulta. O médico, observando, disse com todas as letras: “ele sabe exatamente quando precisa ir ao banheiro”.

De posse do resultado dos exames, resolvi este final de semana, após mais um episódio “criança com fralda cheia de cocô fedorento escondida em baixo da mesa”, colocar um ponto final nessa palhaçada. Cada um tem seu tempo? O meu é esse aqui, rs

Peguei o pequeno, tirei a fralda fedorenta, limpei o bumbum, coloquei-o sentadinho na bancada e expliquei: “Nick, cada vez que você fizer cocô na fralda, vou te colocar na banheira e te lavar todinho. Você precisa começar a usar o vaso, como o seu irmão, como um big boy. Se não usar, vai pro banho”.

Ele não é muito chegado a banho, especialmente lavar a cabeça. Lavar o cabelo é um drama, uma gritaria. Ele tem pavor de água no rosto.

“Aí, uma dessas mães-maravilha que passam e lêem vão achar: Nossa, que falta de psicologia, que absurdo, que monstro!”

Blá-blá-blá. Se é verdade que cada criança tem seu tempo, é verdade também que cada mãe conhece sua cria melhor do que ninguém e, portanto, sabe o que é melhor pra ela. E pra falar a verdade, eu pouco me importo com o que mães intrometidas e metidas a super-mãe acham ou deixam de achar da forma como crio, educo e conduzo meus filhos.

Mas voltando ao desfralde…

O dia passou e nenhum outro cocô surgiu. Veio o dia seguinte e já passava do meio-dia e nada do Nick fazer cocô, o que é muito estranho. Claro que eu monitorava o tempo todo, toda hora perguntando e o lembrando que deveria usar o vaso, senão ia direto pra banheira.

Uma hora ele sumiu por uns minutos. Fui no andar de cima e lá estava ele, pronto pra ir pra baixo da mesinha, quenado eu perguntei: Nick, quer fazer cocô? Balançando a cabeça, disse que sim e lá fomos visitar o Sr, Vaso. Fez cocô feliz da vida, deu descarga, lavou as mãos e foi contar pro papai.

O que eu fiz depois? Coloquei-lhe cuecas! Audácia pura, eu sei.

Agora tô aqui, as we speak, monitorando a bexiga do pequeno, pra que não haja nenhum acidente. desejem-nos sorte 🙂

E, ó, é daqui pro desfralde! 🙂