esta minha vida australiana

Sabe aquela pessoa (que não é um guarda de trânsito) que fica na travessia em frente às escolas somente na hora de entrada e saída? No Brasil não existe essa cultura, mas tenho certeza que todo mundo já viu nos filmes americanos a pessoinha com vestes fluorescentes segurando a plaquinha de “stop” em frente às escolas, né não?

Então, o senhor que fica em frente à escola do Vivi é de lua, às vezes tá uma simpatia (especialmente nos dias de sol… se for uma sexta-feira ensolarada então, ele rasga um sorriso de orelha à orelha, rs), mas outras vezes nem olha na sua (minha) cara. Eu nunca sei como agir, se cumprimento ou se passo direto olhando pro iphone (santo iphone! rs)… Já fiquei váaaaarias vezes no vácuo, rs. Parece que ele escolhe quem vai cumprimentar, até porque, não deve ser muito legal falar boa tarde pra cada pessoa que atravessa a rua: “oi, tudo bem?” na ida e “vai com Deus” na volta… isso deve cansar, deixar a garganta seca, rs, então imagino que ele deva contar as pessoas e, sei lá, à cada 15, ele cumprimenta uma 🙂

No Brasil, eu que sempre morei em apartamento, tinha que diariamente passar pela situação do elevador: a pessoa entra, você dá bom dia, ela responde e o silêncio impera (hor-rí-vel!). Pior que isso só puxar papo sobre o tempo – socorro! Eu sempre entrava no elevador, torcendo pra não ter, nem entrar mais ninguém… Agora, pelo menos eu não preciso ficar refém do silêncio do elevador, em vez disso, sigo na incerteza diária se o moço da travessia vai responder ao meu hello.

Noutro dia quando fui levar o Vivi pela manhã, ele sorriu e disse: “finalmente sexta-feira!”, numa empolgação que só as sextas ensolaradas causam nas pessoas de vestes fluorescentes na travessia da escola 🙂

Mas nem sei direito o que eu queria dizer neste post. Ando com os pensamentos desorganizados – problema grave na vida de uma blogueira!

 

Em tempo: tenho quase certeza que essas pessoas que cuidam da travessia dos estudantes são voluntários – sim, porque além de ser um trabalho de no-máximo-estourando, 2 horas por dia, normalmente as pessoas são ou mais velhas ou bem mais novas. Ah, e eu já vi o carro da pessoa de veste fluorescente aqui perto de casa… muito melhor e mais novo que o meu. Não que o meu seja lá essas coisas… o dele é que é bom mesmo 🙂

Enfim, coisas de Austrália, the lucky country 🙂

Um beijo!

Rosinha foi à City

Pois bem, hoje, Rosinha (que Rosinha? A namorada do Chico Bento, ora!) saiu das cercas dos suburbs e foi à City.

O dia estava lindo e “quente”(15 graus morninhos!), não havia uma nuvenzinha sequer, nem uminha pra contar história.

Depois de deixar as crianças no colégio e na creche e o marido no trabalho, estacionou e pegou o trem – nossa, fazia tanto tempo que a Rosinha não andava de trem! O trem tava meio cheinho, não rolou de sentar, mas só de  fazer o famoso “people watch”por trás dos meus, ops, dos seus óculos escuros, Rosinha já ficou bem satisfeita – eh, ela definitivamente foi parar nos subúrbios por acidente de percurso, she belongs to the City, to the crowd, to the noisy cosmopolitan life. Será? 🙂

Anyhow… Rosinha não foi à City passear, foi fazer a tal da entrevista e o teste pra tirar a cidadania aussie – isso aí! Rosinha vai virar australiana, oi oi oi! 🙂

Semana corrida e mais um ítem da to do list foi riscado, agora é só esperar uns mesesinhos e finalmente, após quatro anos na terra do canguru, Rosinha (e toda a família) terá o passaporte australiano, que cá entre nós, facilitará bastante a vida na hora de viajar, porque até então, a  família carrega uma maleta com mil passaportes diferentes, porque em um tem o visto permanente, no outro tem o visto pro país de destino, e as crianças, cada qual tem um Brasileiro e um estrangeiro – um americano e outro australiano. Vou te contar, é um rolo só, tenho pena de quem fica atrás desta família na fila, porque o processo é demorado a cada check in 🙂

Mas, este post era mais pra contar que a Rosinha foi a City – eu sei, já falei isso, mas não custa nada reforçar, rs – e mais, com o tempo melhorando, vai colocar na sua programação: sair pra fotografar o lado agitado de Melbourne, ao menos 2 vezes por mês, anota aí 😉

Agora  com licença porque eu tenho um site pra finalizar.

Ah é, você ainda não sabe, né? Cheer Up! vem aí 😉 Novidade saindo do forno. Não perca as cenas dos próximos capítulos 🙂

meus meninos

Ele adora ler – e o faz com maestria (claro, tem também o fator ‘coruja’, rs) – mas nada é mais fofo do que esta cena:

O Nick chegando, pegando o livrinho e entregando pro irmão ler pra ele – ai, gente, meus olhos ficam rasos d’água, é muita emoção 🙂

E ver o Vivi lendo o livrinho com domínio dos “sounds” e entonação perfeita, faz meu coração de manteiga derreter completamente.

Definitivamente, não há no mundo felicidade maior do que a de uma mãe.

Em tempo: a escrita dele também vem melhorando bastante. Já a matemática… ai ai…

Sobre dentes e mentiras (brancas)


Esta semana, Vivi que já estava mega ansioso com o dente mole, finalmente ficou banguela. Se bem que banguela mesmo não ficou, já que o dentão permanente (e afoito) nasceu e cresceu antes do de leite cair, rs

Eu, claro, tinha que arrancar o primeiro dentinho do meu primeiro filhotinho. Esperei longos 5 anos, 9 meses e 19 dias, mas o dia finalmente chegou. E foi à noite, logo após o jantar, que arranquei o dito-cujo.

Vivi gargalhava de alegria, eufórico como nunca vi! O sangue rolando solto e ele rindo, feliz da vida. Vai entender esses meninos!

Segurou o dentinho miúdo até a hora de dormir e quando o momento chegou, colocou-o sob o travesseiro e me perguntou preocupado: “mas mamãe, como a tooth fairy (fada dos dentes) vai entrar aqui em casa?”

Ao que eu respondi: “ah, meu filho, não se preocupe, ela dá um jeito! Papai Noel que é muito maior entra, não entra? Então!”

E neste momento, me senti uma enganadora-mentirosa – mas fazer o que? Quem nunca fez no chão as pegadinhas do coelhinho da Páscoa que atire a primeira pedra, rs

É importante dar a chance à segunda impressão

Não sou fã dele, tampouco leitora do seu blog, mas um amigo compartilhou o link do post abaixo no Facebook e eu resolvi dar uma olhada – mesmo tendo certeza que eu não iria gostar (baseada numa experiência passada). E não é que eu estava enganada?

Adorei o relato do paulista sobre minha Cidade Maravilhosa – gente, é exatamente assim 🙂

E então eu parei o carro, puxei o freio de mão e pensei: “Cheguei em casa”.

Faz 1 ano. Desembarquei com esposa, cachorro e umas malas. A mudança veio no dia seguinte.  Levei 33 anos imaginando “como seria”, e agora tenho 1 pra contar “como foi”.

O Rio de Janeiro é a minha Paris. Eu não sonho com a tal de torre, nem me importo com o Louvre e nem acho do cacete tomar café naquela tal de Champs-Élysées. Eu acho charmoso ir a praia de Copacabana, tomar cerveja de chinelo no leblon e ir a um samba numa grande escola.

Sou paulista, nunca tive rivalidade bairrista em casa. Nunca me ensinaram a odiar o estado vizinho, ao contrário, sempre me foi dada a idéia de que estando no Brasil, estou em casa.

Ouvi mil mentiras e outras mil verdades sobre o Rio enquanto morei em São Paulo. Todas justas no final das contas.

Carioca exagera tudo, pra baixo e pra cima. Se elogiar a praia, ele exalta dizendo que é “a melhor praia do mundo”. Se falar que é perigoso, ele não nega. Diz que é “perigoso pra caralho”.

Trata sua cidade como filho. Só ele pode falar mal.

Cariocas não marcam encontro. Simplesmente se encontram.

A confirmação de um convite aqui não quer dizer nada. Você sugere “Vamos?”, eles dizem “Vamo!”. O que não implica em ter aceitado a sugestão.

Hora marcada no Rio é “por volta de”. Domingo é domingo. E relaxa, irmão. Pra que a pressa?

Em 5 minutos são amigos de infância, no segundo encontro te abraçam e já te colocam apelidos.

Não te levam pra casa. Te convidam pra rua. É curioso. Mas é que a “rua” aqui é tão linda que se trancar em casa é desperdício.

Cariocas andam de chinelo e não se julgam por isso.  São livres, desprovidos de qualquer senso de sofisticação.

Ao contrário, parecem se sentir mal num ambiente formal e de algum requinte.

“Porra” é um termo que abre toda e qualquer frase na cidade. Ainda vou a uma Igreja conferir, mas desconfio que até missa comece com “Porra, Pai nosso que estais…”.

Cariocas são pouco competitivos. Eu acho isso maravilhoso, afinal, venho da terra mais competitiva do país. E confesso: competir o tempo todo cansa.

Acho graça quando eles defendem o clube rival pelo mero orgulho de dizer que “o futebol do Rio” vai bem. Eles nem notam, mas as vezes se protegem.

Eles amam essa porra. É impressionante.

Carioca é o povo mais brasileiro que há, mas que é tão orgulhoso do que é que nem parece brasileiro.

Tem um sorriso gostoso, um ar arrogante de quem “se garante”.

Papudos, malandros, invocados. Faaaaalam pra cacete. E sabem que estão exagerando.

Eles acham que sabem  o que é frio. Imagine, fazem fondue com 20 graus!

A Barra é longe. Buzios, logo ali!

Niterói é um pedaço do Rio que eles não contam pra turista. Só eles aproveitam.

Nilópolis é longe. Bangu também.

Madureira é um bairro gostoso. O Leblon, vale os 22 mil por metro quadrado sugeridos pelos corretores.

Aliás, corretores no Rio são bem irritantes.

Carioca, num geral, acha que está te fazendo um favor mesmo se estiver trabalhando. É tudo absolutamente pessoal, informal.

Se ele gostar de você, te atende bem. Se não, não.

Tá com pressa? Vai se irritar. Eles não tem pressa pra nada.

Sabe aquela garota gostosa que sabe que é gostosa? Cariocas sabem onde moram.

O bairrismo deles é único.  Nem separatista, nem coitadinho. Apenas orgulhoso.  Ao invés de odiar um estado vizinho, o sacaneiam e se matam de rir de quem se ofende.

Cariocas tem vocação pra ser feliz.

São tradicionais, não gostam que o mundo evolua. Um novo prédio no lugar daquele casarão antigo não é visto como progresso, mas sim com saudades.

São folgados. Juram ser o povo mais sortudo do mundo.

E quem vai dizer que não?

No Rio você vira até mais religioso.  Aquele Cristo te olha  todo santo dia, de braços abertos. Não dá! Você começa a gostar do cara…

E aí vem a sexta-feira e o dom de mudar o ambiente sem mexer em nada.  O Rio que trabalha vira uma cidade de férias. As roupas somem, aparecem os sorrisos a toa, o sol, o futebol, o samba, o Rio.

Já ouvi um cara me dizer um dia que o “Rio é uma mentira bem contada pela mídia”.  Ele era paulista, odiava o Rio, jamais tinha vindo até aqui.

E é um cara esperto. Se você não gosta do Rio de Janeiro, fique longe dele.

É a única maneira de manter sua opinião.

Em quase toda grande cidade que vou noto uma força extrema para fazer o turista se sentir em casa. Um italiano em São Paulo está na Itália dependendo de onde for. Um japones, idem. Um argentino vai a restaurantes e ambientes argentinos em qualquer grande cidade.

No Rio de Janeiro ninguém te dá o que você já tem.  Aqui, ou você vira “carioca”, ou vai perder muito tempo procurando um pedaço da sua terra por aqui.

Não é verdade que são preconceituosos. É preciso entender que o carioca não se diz carioca por nascer aqui. Carioca é um perfil.

Renato, o gaúcho, é um dos caras mais cariocas do mundo.

Tem todo um ritual, um jeitinho de se aproximar.

Chame o garçom pelo nome, os colegas de “irmão”. Sorria, abrace quando encontrar. Aceite o convite, mesmo que você não vá.

Faça planos para amanhã, esqueça-os 10 minutos depois. Faça amigos, o máximo de amigos que conseguir.

Quanto mais amigos, mais cerveja, mais risadas, mais churrascos, mais carioca você fica.

E quanto mais carioca você é, mais você ama o Rio. Como eles.

Gosto deles. Gosto de olhar pra frente e não ver onde acaba.  Gosto de sol, de abraço, de rir muito alto e de não me achar um merda por estar sem grana.

Gosto de como eles se viram. Gosto da simplicidade e da informalidade que os aproxima do amadorismo.

A vida não tem que ser profissional.

Tem que ser gostosa.

E de gostosa, convenhamos, o Rio tá cheio.

Ops! Desculpa, amor! Escapou.

abs, merrrrmão!
RicaPerrone

Ai que saudade do meu Rio de Janeiro!