Me diz o que você faria?

Considere a seguinte situação:

Seu filho mais velho, que tem pouco mais de 5 anos de vida é um furacão. Ele fala alto, é hiper agitado, passa o dia pulando e correndo atrás do próprio rabo em volta e dentro da casa. Ele perturba o irmãozinho mais novo, que apesar de ser originalmente calmo, acaba ficando transtornado a ponto de não poder vê-lo chegar perto que começa a gritar e “atacá-lo”.  E a confusão é uma constante, a gritaria da criançada (que são só dois, mas parecem ser 7) marca presença o dia todo, seja pela euforia da brincadeira, seja pelo estresse que surge de uma faísca gerada pelo atrito da convivência.

Agora imagine você cansada, exausta, com dor de cabeça (ou na cabeça, como preferir), descabelada, desnorteada, deprimida e com o pavil bem curtinho (isso pra não falar da taxa de anticorpos pra lá de alta e a de vitamina D pra lá de baixa – mas isso é uma outra história, para um outro post).

Some a essa situação, férias escolares de duas semanas. Duas semanas tentando lidar com um anjinho que simplesmente não ouve nada do que você fala. Suas palavras atravessam o rapaz, entram por um ouvido e saem pelo outro sem que ele nem perceba. E isso, mesmo estando cara-a-cara com ele. Agora acrescente mais uma parcela com aquele olhar distante de quem está preocupado com a próxima brincadeira, aquele olhar de quem não faz a menor ideia do que raios você está falando, olhar de quem se sente um eterno injustiçado (“it’s not fair!”). E pra tornar a soma ainda mais interessante, junte às parcelas anteriores esta última: a criança, menos de um minuto após ter sido chamada pra realidade, volta a fazer a mesmíssima coisa, só que com doses extra de agitação e barulho.

E aí? Sabe qual o resultado? Uma mãe em pânico – ou em estado de choque – que não sabe pra onde correr, o que fazer, e muitas vezes, como pedindo por socorro pra sair de si mesma, grita. Grita e morre de arrependimento, um minuto mais tarde.

Dar lição de moral é fácil. Dar receita então é molezinha. Quero ver encarar as mesmas situações e conseguir colocar a cartilha da boa mãe em prática. Quero ver estar em frangalhos por dentro e  manter a calma (calma?), a aparência, o bom senso e usar da melhor psicologia. Quero ver conseguir raciocinar antes de colocar a criança de castigo, antes de brigar.

Pois eu passo a metade do meu dia brigando, chamando atenção, me aborrecendo… e me sentindo a pior das mães. A outra metade eu dou colo, abraço, beijinho e sento no chão pra brincar junto. Infelizmente não posso passar o dia inteiro entretendo meus filhos e totalmente por conta deles. Se eu fizer isso, o resto de mim que ainda existe, vai desaparecer, virar pó. Eu preciso do meu tempo, nem que seja um tempo breve, pra fazer algo só meu, pra ser eu. Mas até quando tenho raros momentos assim, me sinto culpada. Não sei o que fazer.

E você, me diz sinceramente o que você faria?

 

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