ADHD

E quem não sabia disso?

Faz duas semanas que meu nem-tão-pequeno Vivi foi diagnosticado com ADHD (Deficit de atenção e hiperatividade). Foi uma longa consulta, com direito a assistir o lado mais selvagem do meu filho. Ele pulava de cadeira em cadeira (como se tivesse atravessando um rio pulando sobre pedras), subindo na mesinha de brincar e na maca, correndo em volta do consultório e gritando eufórico como se estivesse num mundo paralelo, num castelo medieval, dizendo: I’m king Julien! (from Madagascar). Dava gargalhadas e tudo o que eu falava pra ele, entrava por um ouvido e saía pelo outro (a jato!). Até no breve momento em que a médica tentou conversar com ele, no meio da segunda pergunta, ele já não estava mais ali, sua mente já havia partido para um outro mundo e seu corpo logo acompanhou, deixando a pobre doutora falando sozinha.

Lá estava eu, sozinha com os dois moleques (e àquela altura, até o pequeno, que é mega calmo e super concentrado, já estava sob influência da contagiante “energia” do irmão. A médica, uma senhora calma, serena, de voz controlada e semblante plácido, olhava pra mim com compaixão. Sabe quando você recebe um olhar que quase te abraça? E que você na hora se imagina, descabelada, cheia de olheiras e com um pé de cada sapato? Então, muito embora eu ainda não esteja assim, foi como me senti.

Não dá nem pra contar em detalhes como foi a consulta, ou como tem sido esse começo na escolinha, mas a decisão de procurar um médico foi tomada em uma conversa com a professora, após uma avaliação do Vivi, na qual eu pude presenciar a total falta de atenção dele. Neste dia, fiquei sabendo que o comportamento extra-agitado dele não se resumia à casa, mas se estendia à escola. Descobri que todo-santo-dia a professora corta um dobrado com ele, porque o bichinho simplesmente se recusa a ficar sentado por uns minutos pra assistir a aulinha – e olha que o sistema de ensino aqui é fantástico!

Mas até então, o Vivi ainda gostava de ir à escola – mal sabia eu que ele só gostava de brincar, se fantasiar e comer o lanche, coisas que não muito mais tarde me foram ditas pelo próprio. O fato é que não tardou pra que ele começasse a chegar em casa dizendo que ir à Escola é chato, que ele odeia aprender os números e os sons das letras, que ele não gosta de ficar sentado… Que ele precisa de um “break”! Come on! Give ME a break!

E em casa, tem sido sempre a mesma luta. Ele chega e eu sento com ele um pouco pra revisar os fonemas, treinar a escrita e “brincar”com os números. Mas ele sempre reluta, chora, faz drama, diz que odeia tudo isso e que quer ir brincar. Já tentei fazer o lance ficar divertido, mas o bonitinho sempre tenta desvirtuar o foco e faz uma grande cena de teatro.

Ah se vocês soubessem como tem sido difícil fazer nosso school boy se concentrar…

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