Saudades da praia

Saudades do verão – que este ano foi atipicamente delicioso e longo – da praia no fim da tarde, e às vezes no meio do dia. Saudades de acordar com o sol no rosto e assim ficar até bem tarde da “noite”.

Saudade da brisa morna, de sair de short e camisetinha. Saudade de ficar com os dedinhos dos pes de fora sem sentir frio.

Saudade de um tempo que mal acabou, mas foi tão gostoso que já deixou saudade.

Contagem regressiva pro verão!

Estas fotos são do nosso último dia de praia, início de março. Agora, só ano que vem (tá, com muita sorte, lá pra dezembro já rola uma temperatura digna de praia…). Até lá, eu fico com as lembranças dos dias em que a gente só saía da praia quando o sol ia embora.

 

 

ADHD

E quem não sabia disso?

Faz duas semanas que meu nem-tão-pequeno Vivi foi diagnosticado com ADHD (Deficit de atenção e hiperatividade). Foi uma longa consulta, com direito a assistir o lado mais selvagem do meu filho. Ele pulava de cadeira em cadeira (como se tivesse atravessando um rio pulando sobre pedras), subindo na mesinha de brincar e na maca, correndo em volta do consultório e gritando eufórico como se estivesse num mundo paralelo, num castelo medieval, dizendo: I’m king Julien! (from Madagascar). Dava gargalhadas e tudo o que eu falava pra ele, entrava por um ouvido e saía pelo outro (a jato!). Até no breve momento em que a médica tentou conversar com ele, no meio da segunda pergunta, ele já não estava mais ali, sua mente já havia partido para um outro mundo e seu corpo logo acompanhou, deixando a pobre doutora falando sozinha.

Lá estava eu, sozinha com os dois moleques (e àquela altura, até o pequeno, que é mega calmo e super concentrado, já estava sob influência da contagiante “energia” do irmão. A médica, uma senhora calma, serena, de voz controlada e semblante plácido, olhava pra mim com compaixão. Sabe quando você recebe um olhar que quase te abraça? E que você na hora se imagina, descabelada, cheia de olheiras e com um pé de cada sapato? Então, muito embora eu ainda não esteja assim, foi como me senti.

Não dá nem pra contar em detalhes como foi a consulta, ou como tem sido esse começo na escolinha, mas a decisão de procurar um médico foi tomada em uma conversa com a professora, após uma avaliação do Vivi, na qual eu pude presenciar a total falta de atenção dele. Neste dia, fiquei sabendo que o comportamento extra-agitado dele não se resumia à casa, mas se estendia à escola. Descobri que todo-santo-dia a professora corta um dobrado com ele, porque o bichinho simplesmente se recusa a ficar sentado por uns minutos pra assistir a aulinha – e olha que o sistema de ensino aqui é fantástico!

Mas até então, o Vivi ainda gostava de ir à escola – mal sabia eu que ele só gostava de brincar, se fantasiar e comer o lanche, coisas que não muito mais tarde me foram ditas pelo próprio. O fato é que não tardou pra que ele começasse a chegar em casa dizendo que ir à Escola é chato, que ele odeia aprender os números e os sons das letras, que ele não gosta de ficar sentado… Que ele precisa de um “break”! Come on! Give ME a break!

E em casa, tem sido sempre a mesma luta. Ele chega e eu sento com ele um pouco pra revisar os fonemas, treinar a escrita e “brincar”com os números. Mas ele sempre reluta, chora, faz drama, diz que odeia tudo isso e que quer ir brincar. Já tentei fazer o lance ficar divertido, mas o bonitinho sempre tenta desvirtuar o foco e faz uma grande cena de teatro.

Ah se vocês soubessem como tem sido difícil fazer nosso school boy se concentrar…

“Aquela fase” que parece não ter fim

Sempre que a gente tem alguma reclamação sobre um filho, ouve alguém dizer: é fase…

E de fato, na maioria das vezes é. O problema é quando a fase se prolonga de tal maneira a tirar qualquer esperança de que um dia vai passar.

“A fase” aqui em casa agora é essa:

Toda vez que eu ou o marido saimos de fininho e deixamos um dos (ou os dois) meninos “sozinhos” no andar de baixo ou de cima, a gente conta até três – se tanto – pra ouvir aquele grito desesperado: “mamãe!!!!! (papai!!!!)”  seguido de pânico, choro e correria, em busca da mãe (do pai) “perdido”.

Meus amigos, isso é um SACO! Um saco grande, de papel, molhado e cheio de pedra dentro.

Sério, às vezes me dá uma vontade danada de sair correndo – literalmente – mas aí eu lembro que eu não gosto de fazer exercício e a vontade passa, rsrs.

Cadê o R? E o L onde foi parar?

Cadê o R? O Nick comeu! E pelo visto, o L também…

Nikitito anda com a língua solta, uma verdadeira matraca! Mas quando se trata do R e do L, a língua fica presa e não há maneira de fazê-lo pronunciar érres (no meio das palavras) e éles , então: brincar = buincar; friend= fuend; frog = fuog; cabelo = cabeuo; chocolate = chocoiate… e por aí vai.

O pior é que ele tenta, tadinho e fica repetindo: ca-be-uo! cho-co-ia-te! b-u-i-n-cá! Ele tenta… mas até agora o L fugiu com o R e não se sabe pra onde.

“I’m American!”

“I’m not Brazilian, I’m not Australian…  (pausa dramática) I’m American!” Isso é o que sempre fala meu molequinho mais velho. E quando algum desavisado tenta contestar, ele pergunta: “onde eu nasci? foi no Brasil? foi na Austrália? Não, foi nos Es-ta-dos-U-ni-dos, então, eu sou o que?Americano!”

É, pelo visto o patriotismo dos americanos habita a alma do nosso primogênito, que não aceita ser chamado de carioca (mesmo o seu sotaque sendo tão chiado quanto o da mãe), tampouco de Brasileiro (o que? só porque papai e mamãe são brasileiros? besteira!), muito menos de australiano, muito embora tenha um sotaque Ozzie invejável.

É, ele é americano. Só um americano pode ser tão patriota assim. Acho que ao nascer naquele país, ao respirar pela primeira vez ares da terra do Tio Sam, os bebês são impregnados pelo sentimento ufano, pelo amor à bandeira e pelo orgulho americano, só pode.

Seja como for, se não quiser arrumar briga com nosso americaninho, não o contrarie: americano sim senhor, rs.

 

“eu vou…!”

Essa é a onda do momento. Baby Nick gosta de avisar o que vai fazer.

“Mamãe, eu vou comê mi-gau” “Eu vou buincá” “Eu vou paquinho“. Notaram, né? Ele não pede, avisa! – o tom de voz, quase sempre suave e ao mesmo tempo decidido.

Esse menino é um paradoxo, acridoce, ao mesmo tempo que é todo amor e beijos e abraços, faz cara de malvado e senta a mão em quem o contrariar. Genioso como poucos, mega carinhoso e ultra implicante (não mais do que o big brother, porque isso seria impossível). Um conquistador nato. Às vezes paro, fico observando e é impossível não tentar imaginar como será sua versão “jovem adulto”. Esse vai ser danado, daqueles irresistíveis (e que sabem disso). Vai ganhar as gatinhas só com o olhar.

Acho que esse “eu vou” dele traduz muitíssimo bem sua personalidade